Sem novas notificações!

BRADESCO

BRADESCO
    Ações > Bancos > BRADESCO > Relatório > Bradesco (BBDC4) | Resultado 3T26: Décimo Primeiro Trimestre, Agora Sem Muita Folga

    Publicado em 23 de Outubro de 2026 às 00:38:53

    Bradesco (BBDC4) | Resultado 3T26: Décimo Primeiro Trimestre, Agora Sem Muita Folga

    Resultado 3T26  |  Divulgação: 22/10/26  |  Call: 23/10/26

    BBDC4 - Resultado 3T26 Genial.pdf

    As despesas pagaram a conta que a tesouraria não pagou

    O Bradesco (BBDC4) reportou um 3T26 praticamente em linha com nossas estimativas e com o consenso de mercado, entregando o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, ainda que no menor ritmo da sequência. O resultado alcançou R$ 7,11 bilhões (‑0,9% vs. Est.; +0,8% t/t; +14,6% a/a), enquanto o ROE recuou para 15,2% (‑0,2 pp vs. Est.; ‑0,5 pp t/t; +0,8 pp a/a), refletindo o patrimônio +7,4% maior após o aumento de capital de R$ 10 bilhões.

    Do lado positivo, destacamos o controle de despesas. As despesas operacionais caíram em termos nominais (‑0,7% t/t; ‑1,0% a/a), mesmo com os investimentos na transformação, e ficaram R$ 465 milhões abaixo da nossa estimativa nas linhas administrativas. O índice de eficiência caiu para 47,2%. As receitas de serviços voltaram a crescer (+4,2% t/t), puxadas por cartões, e o Índice de Basileia subiu para 16,0%.

    Na direção oposta, a qualidade dos ativos voltou ao centro das atenções. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% (+0,3 pp t/t), acima dos 4,36% que projetávamos, e o índice de cobertura recuou para 142,6%. A carteira cresceu apenas +1,1% t/t, sem o impulso das linhas emergenciais, o spread com clientes caiu com o mix mais conservador, e seguros e tesouraria ficaram abaixo do esperado.

    Como antecipávamos em nossa prévia (Décimo Primeiro Trimestre de Recuperação), a conta da realavancagem chegou: a PDD subiu +6,6% t/t, em linha com o projetado. Mas o pequeno desvio no lucro esconde R$ 953 milhões a menos nas quatro linhas de receita, compensados por despesas e outras linhas operacionais, e não pela tesouraria. Assim, entendemos que o trimestre preserva a trajetória de recuperação, mas sem folga: o próximo estágio da tese dependerá de o banco voltar a crescer a carteira sem nova piora da inadimplência.

    Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA

    Seguimos construtivos com a trajetória de recuperação do Bradesco. O 3T26 mostrou que a agenda de eficiência já sustenta parte relevante do resultado: as despesas administrativas cresceram +1,4% a/a, enquanto a receita total avançou +10,5%, com todas as principais linhas de despesa crescendo abaixo da inflação. O índice de eficiência acumula melhora de 3,5 pp em doze meses e de cerca de 5 pp em dois anos, sem interromper os investimentos em tecnologia e na reestruturação dos canais.

    A normalização das provisões, porém, continua absorvendo o crescimento da margem. Enquanto a margem com clientes cresceu +10,1% a/a, a PDD avançou +24,3%, limitando o crescimento da margem financeira líquida de provisões a +5,7% a/a. Olhando só o crédito, o NII Clientes líquido de PDD recuou 3,5% t/t e 2,0% a/a: a receita da carteira, depois das perdas, ainda não voltou a crescer. O custo do crédito subiu com a reavaliação do risco de safras antigas, e a margem líquida de provisões caiu 1,4% t/t. Não esperamos estabilização já no 4T26: a PDD ainda deve subir um pouco, a margem líquida pode recuar de novo e deve terminar o ano no piso do guidance. A qualidade do crédito passa a ser o ponto central a ser acompanhado nos próximos trimestres.

    No capital, o aumento de capital de R$ 10 bilhões foi concluído integralmente no trimestre e já aprovado pelo regulador. A adesão dos minoritários foi forte: os controladores, que haviam garantido até R$ 8 bilhões, aportaram R$ 5,4 bilhões. A operação somou cerca de 0,9 pp ao capital, e a reorganização da BradSaúde, que já contribuiu com 1,1 pp, ainda tem 1,4 pp adicional em análise pelo regulador, que não incluímos. O Capital Principal subiu para 12,1% (+0,8 pp t/t), acima dos 11,97% que projetávamos, mesmo com R$ 4,1 bilhões em JCP destinados no trimestre. O capital deixa de ser restrição para a realavancagem, mas explica a maior parte do recuo do retorno: o ROAE reportado foi de 15,6%, ou 16,1% sem o efeito da emissão.

    Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 26,30, implicando potencial de valorização de +27,4% e dividend yield estimado de 7,2% em 2026E. Negociando a 7,8x P/L 2026E, 6,8x P/L 2027E e 1,11x P/VP 2026E, entendemos que o Bradesco segue descontado frente ao seu potencial de geração de resultados. O alvo, obtido por Gordon sobre o PL ajustado de 2027E (R$ 17,51 por ação), com ROE sustentável de 18,0%, Ke de 14,8% e g de 8,5%, não muda com a revisão de lucro.

    O que muda nas nossas projeções?

    Reduzimos o lucro recorrente de 2026E de R$ 28,3 bilhões para R$ 27,9 bilhões (‑1,4%) e o de 2027E para R$ 32,2 bilhões (‑4,2%). A revisão vem da base do trimestre, e não de mudança de premissa: carteira menor (‑1,5% em 2027E), margem com clientes (‑2,5%) e serviços (‑1,2%).

    Guidance mantido, com vieses opostos: o banco manteve todas as faixas do guidance de 2026, mas a composição muda. Do lado positivo, as despesas devem terminar o ano no piso da faixa, ou até abaixo dele, e a tesouraria deve superar o planejado: com R$ 2,1 bilhões acumulados no ano, um 4T26 próximo do 3T26 levaria a margem com o mercado a cerca de R$ 3,0 bilhões em 2026, ainda abaixo dos R$ 3,4 bilhões do nosso modelo. Do lado negativo, a margem financeira líquida de provisões deve ficar no piso do guidance de R$ 42 a 48 bilhões; nossa projeção de R$ 43,2 bilhões já está no terço inferior da faixa.

    Ponto de atenção: com a nova base, nossa carteira de 2026E cresce +7,1%, abaixo do piso do guidance (+8,5%). Para alcançá-lo, o 4T26 precisaria crescer +2,8% t/t, mais que o dobro do ritmo do 3T26, num ambiente em que o banco tem privilegiado um mix mais cauteloso e receitas não ligadas a crédito. Vemos viés negativo para a margem com o mercado e para a carteira em nossas projeções, parcialmente compensado por viés positivo em despesas.

    O 3T26 manteve a contagem, mas sem folga: a recuperação passa a depender menos da tesouraria e mais da capacidade de crescer a carteira sem piorar a inadimplência.

    Bradesco (BBDC4) | 3T26 Resultado vs. Estimativas: Despesas Sustentam o Lucro

    Review (R$ mn)

    3T26E

    3T26

    2T26

    3T25

    Vs. Est

    t/t

    a/a

    Lucro Líquido

    7.177

    7.109

    7.050

    6.205

    −0,9%

    +0,8%

    +14,6%

    Lucro Líquido Recorrente

    7.177

    7.109

    7.050

    6.205

    −0,9%

    +0,8%

    +14,6%

    Resumo DRE

    NII Clientes

    20.804

    20.497

    20.199

    18.611

    −1,5%

    +1,5%

    +10,1%

    NII Mercado

    1.044

    875

    673

    99

    −16,2%

    +30,0%

    +783,8%

    Receita Líquida de Juros (NII)

    21.848

    21.372

    20.872

    18.710

    −2,2%

    +2,4%

    +14,2%

    Margem Fin. Líquida de Provisões

    11.192

    10.730

    10.887

    10.150

    −4,1%

    −1,4%

    +5,7%

    Receita de Tarifas

    11.025

    10.924

    10.486

    10.592

    −0,9%

    +4,2%

    +3,1%

    Outras Receitas/Despesas

    ‑3.498

    ‑3.177

    ‑3.321

    ‑3.584

    −9,2%

    −4,3%

    −11,4%

    Resultado de Seguros

    5.966

    5.590

    6.119

    5.706

    −6,3%

    −8,6%

    −2,0%

    Receita Total

    35.341

    34.709

    34.156

    31.424

    −1,8%

    +1,6%

    +10,5%

    Despesa de Pessoal

    ‑7.268

    ‑7.284

    ‑7.219

    ‑7.126

    +0,2%

    +0,9%

    +2,2%

    Outras Despesas Administrativas

    ‑8.470

    ‑7.989

    ‑8.189

    ‑7.942

    −5,7%

    −2,4%

    +0,6%

    Despesa Administrativa Total

    ‑15.738

    ‑15.273

    ‑15.408

    ‑15.068

    −3,0%

    −0,9%

    +1,4%

    Lucro Operacional

    19.602

    19.436

    18.748

    16.356

    −0,8%

    +3,7%

    +18,8%

    Provisões Líquidas para Perdas de Crédito

    ‑10.656

    ‑10.642

    ‑9.985

    ‑8.560

    −0,1%

    +6,6%

    +24,3%

    Resultados Não Operacionais

    67

    175

    179

    67

    +161,2%

    −2,2%

    +161,2%

    Lucro Antes do Imposto

    9.013

    8.969

    8.942

    7.863

    −0,5%

    +0,3%

    +14,1%

    Imposto

    ‑1.736

    ‑1.734

    ‑1.734

    ‑1.574

    −0,1%

    +0,0%

    +10,2%

    Alíquota Efetiva

    19,3%

    19,3%

    19,4%

    20,0%

    +0,1 pp

    −0,1 pp

    −0,7 pp

    Resumo Balanço Patrimonial

    Carteira de Crédito Expandida

    1.167.364

    1.149.547

    1.136.640

    1.034.238

    −1,5%

    +1,1%

    +11,1%

    Carteira de Crédito Bacen

    856.037

    840.019

    833.507

    771.786

    −1,9%

    +0,8%

    +8,8%

    Depósitos

    777.663

    759.976

    749.916

    663.767

    −2,3%

    +1,3%

    +14,5%

    Patrimônio Líquido

    193.417

    193.678

    180.340

    173.847

    +0,1%

    +7,4%

    +11,4%

    Rentabilidade

    Margem Líquida de Juros (NIM)

    4,19%

    4,19%

    4,20%

    3,96%

    +0,01 pp

    −0,01 pp

    +0,23 pp

    ROE recorrente (modelo)

    15,36%

    15,21%

    15,75%

    14,37%

    −0,16 pp

    −0,54 pp

    +0,83 pp

    Retorno sobre Ativos (ROA)

    1,13%

    1,13%

    1,13%

    1,11%

    −0,00 pp

    −0,01 pp

    +0,01 pp

    Índice de Eficiência (modelo)

    40,53%

    40,77%

    41,33%

    44,36%

    +0,24 pp

    −0,56 pp

    −3,59 pp

    Qualidade da Carteira

    NPL (>90d)

    4,36%

    4,60%

    4,30%

    4,10%

    +0,24 pp

    +0,30 pp

    +0,50 pp

    Cobertura (>90d)

    —

    142,6%

    152,3%

    168,9%

    —

    −9,7 pp

    −26,3 pp

    Estágio 2 / Carteira Total

    5,58%

    5,60%

    5,50%

    4,50%

    +0,02 pp

    +0,10 pp

    +1,10 pp

    Estágio 3 / Carteira Total

    7,30%

    7,40%

    7,20%

    7,70%

    +0,10 pp

    +0,20 pp

    −0,30 pp

    Custo do Crédito

    3,70%

    3,72%

    3,59%

    3,34%

    +0,02 pp

    +0,14 pp

    +0,39 pp

    Alavancagem

    Índice de Capital Nível 1 (Tier 1)

    13,59%

    13,68%

    12,85%

    13,36%

    +0,09 pp

    +0,83 pp

    +0,32 pp

    Índice de Basileia

    16,23%

    16,00%

    15,50%

    15,90%

    −0,23 pp

    +0,50 pp

    +0,10 pp

    Capital Principal

    11,97%

    12,10%

    11,30%

    11,40%

    +0,13 pp

    +0,80 pp

    +0,70 pp

    Fonte: Bradesco (séries históricas do RI); Genial Investimentos. 3T26E = nossa prévia de 22/10/2026. ROE e eficiência seguem a metodologia do modelo e podem diferir dos indicadores divulgados pelo banco.

    Destaques do Resultado

    Carteira de Crédito | Ligeiramente abaixo do esperado

    ·    A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,150 trilhão (‑1,5% vs. Est.; +1,1% t/t; +11,1% a/a), abaixo do crescimento de +2,7% t/t que projetávamos. MPMEs avançaram +1,8% t/t, Pessoa Física +1,1% e Grandes Empresas +0,7%. Em doze meses, Grandes Empresas (+14,8%) e MPMEs (+13,0%) crescem praticamente o dobro de Pessoa Física (+7,4%).

    ·    A desaceleração veio justamente de onde esperávamos o maior impulso: as MPMEs, que dependiam das linhas emergenciais com garantia do FGI e do FGO, ampliadas pela MP 1.355 até 31/08. Sem elas, setembro perdeu tração e o segmento cresceu menos da metade dos 4,0% que projetávamos.

    ·    Os destaques foram financiamento imobiliário (+2,5% t/t), veículos (+5,7%), consignado público e privado, capital de giro com garantia de fundos, avais e fianças e TVMs, enquanto crédito pessoal (‑0,9%) e cartão (+0,4%) ficaram para trás. Com isso, aumentou de novo a participação das linhas com garantia na carteira, coerente com a estratégia de crescer com menor risco em um ambiente de economia mais lenta.

    NII Clientes | Um pouco abaixo do esperado

    ·    A margem financeira com clientes totalizou R$ 20,50 bilhões (‑1,5% vs. Est.; +1,5% t/t; +10,1% a/a), desacelerando frente ao +3,6% t/t do 2T26.

    ·    O desvio veio de volume e de spread: além da carteira menor, a taxa média da margem com clientes recuou de 9,1% para 8,9%, abaixo dos 9,0% que esperávamos, por conta do mix de crédito mais conservador, com mais atacado e linhas com garantia.

    ·    Na comparação trimestral, volume (+R$ 407 milhões) e calendário (+R$ 529 milhões) compensaram spread (−R$ 429 milhões) e mix (−R$ 209 milhões). Como parte relevante do avanço veio do calendário, o efeito limita a extrapolação do crescimento nominal.

    ·    É a contrapartida da estratégia de risco: menor spread nominal em troca de menor perda esperada. O efeito líquido só aparece quando a PDD começar a ceder.

    NII Mercado | Melhorando, mas abaixo do esperado

    ·    A margem com o mercado somou R$ 875 milhões (‑16,2% vs. Est.; +30,0% t/t; R$ 99 milhões no 3T25), abaixo dos R$ 1.044 milhões que projetávamos.

    ·    Depois de um 2T26 que superou em mais de duas vezes a nossa estimativa, a linha seguiu crescendo, mas sem a aceleração que esperávamos com a Selic em queda. O resultado veio de uma gestão de ativos e passivos (ALM) mais eficiente e da mesa de produtos com risco de mercado para clientes, cuja zeragem é registrada na margem com o mercado.

    ·    No ano, a linha já soma R$ 2,1 bilhões. Para o 4T26, entendemos que um patamar próximo ao do 3T26 é o cenário mais provável, o que levaria a cerca de R$ 3,0 bilhões em 2026, abaixo dos R$ 1.265 milhões que projetamos para o 4T26. Como a carteira da tesouraria muda com rapidez, seguimos tratando a contribuição como de menor previsibilidade.

    Custo do Crédito | Em linha, mas com inadimplência acima do esperado

    ·    A despesa de PDD expandida atingiu R$ 10,64 bilhões (‑0,1% vs. Est.; +6,6% t/t; +24,3% a/a), com custo do crédito de 3,72% da carteira expandida, ante os 3,70% projetados, no topo da faixa de 3,6% a 3,7% esperada para o segundo semestre. A alta reflete a reavaliação do risco de safras antigas e se concentrou no varejo massificado (+R$ 728 milhões t/t), com leve alívio no atacado (−R$ 71 milhões). As recuperações de créditos baixados recuaram de R$ 866 milhões para R$ 850 milhões.

    ·    A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% (+0,3 pp t/t; +0,5 pp a/a) e o índice de cobertura recuou para 142,6% (‑9,7 pp t/t; ‑26,3 pp a/a).

    ·    Da alta de 0,30 pp, cerca de 0,14 pp veio das operações de capital de giro com garantia do FGI e do FGO, em que o atraso é esperado e necessário para executar a garantia, e cerca de 0,09 pp de atrasos sazonais do Banco John Deere, que pressionaram Pessoa Física. O estágio 3 da carteira expandida ficou estável em 7,5% na comparação trimestral e anual, o que reforça a leitura de efeito técnico. Na carteira Bacen, porém, o estágio 3 subiu para 7,4%, e a cobertura da formação de estágio 3 foi de 83% no trimestre (acima de 100% excluindo os programas emergenciais): as garantias mitigam a perda, mas a execução e o prazo de recuperação ainda precisam ser testados.

    ·    A pressão, porém, não termina no 3T26. Os vencimentos do Banco John Deere se concentram entre junho e agosto, e as parcelas de julho e agosto devem migrar para atrasos acima de 90 dias no 4T26. As linhas com FGI e FGO tiveram um ano de carência, e entendemos que a inadimplência de MPMEs ainda sobe por cerca de 12 meses, somando-se ao crescimento da carteira de cartões.

    ·    Por isso, consideramos a dinâmica negativa no curto prazo: o ambiente macro segue pressionando a inadimplência, o banco tem feito ajustes de modelos e preços e reduzido a exposição a clientes mais voláteis, a PDD deve subir mais um pouco e a cobertura em queda reduz a margem de segurança.

    Receitas de Serviços | Em linha com o projetado

    ·    As receitas de prestação de serviços somaram R$ 10,92 bilhões (‑0,9% vs. Est.; +4,2% t/t; +3,1% a/a), praticamente em linha com a nossa projeção, após um 2T26 abaixo do esperado.

    ·    A aceleração foi puxada por cartões (+7,5% t/t), administração de fundos (+8,6%) e consórcios (+6,0%). Conta corrente (‑2,9%) e custódia e corretagem (‑5,7%) recuaram.

    ·    A frustração veio justamente da linha que esperávamos liderar a retomada: mercado de capitais e assessoria financeira somaram R$ 551 milhões (+4,8% t/t), contra R$ 631 milhões projetados (+20% t/t). A recuperação comercial existe, mas com impulso menor que o previsto.

    ·    Nos nove meses, a linha cresceu +3,6% a/a, dentro do guidance de 3% a 5%. Com o crédito mais lento, as receitas não ligadas a crédito ganham peso no esforço comercial.

    Seguros | Abaixo do esperado

    ·    O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização alcançou R$ 5,59 bilhões (‑6,3% vs. Est.; ‑8,6% t/t; ‑2,0% a/a), abaixo da nossa estimativa.

    ·    Os prêmios ganhos somaram R$ 19,87 bilhões (+0,9% t/t), abaixo dos R$ 20,7 bilhões esperados, e a sinistralidade subiu para 69,3% (67,4% no 2T26), contra os 67,0% que projetávamos. O resultado financeiro caiu 10,4% t/t, para R$ 2,13 bilhões. Do desvio de R$ 376 milhões frente à nossa estimativa, cerca de R$ 256 milhões vieram do resultado industrial e R$ 120 milhões do financeiro: o trimestre foi mais fraco também na operação, e não apenas pelo efeito dos juros.

    ·    O lucro do Grupo Segurador foi de R$ 2,89 bilhões (‑1,9% t/t; +14,1% a/a), com ROE próximo de 22%, apoiado também na queda de outras despesas da seguradora (de R$ 653 milhões para R$ 258 milhões). Nos nove meses, o resultado de seguros cresce +8,6% a/a, com contribuição tanto do resultado industrial quanto do financeiro, ainda acima do topo do guidance de 6% a 8%.

    ·    O 3T é sazonalmente o trimestre mais pesado, com sinistralidade maior em Vida (apólices coletivas e empresariais) e ramos elementares, e Saúde cerca de 0,5 pp acima do 3T25. No financeiro, o IPCA baixo do trimestre, afetado pelo bônus de Itaipu em agosto, reduziu a remuneração das NTN-B, cerca de metade da carteira.

    ·    Para o 4T26, esperamos recuperação: o trimestre costuma ter sinistralidade menor e mais dias úteis, e a mudança de mix para PMEs e produtos de pagamento mensal começa a ganhar tração. Vemos o ano convergindo para a ponta de cima do guidance.

    Despesas | Abaixo do esperado, com ganho de eficiência

    ·    As despesas administrativas totalizaram R$ 15,27 bilhões (‑3,0% vs. Est.; ‑0,9% t/t; +1,4% a/a), R$ 465 milhões abaixo da nossa estimativa e o principal fator a sustentar o lucro do trimestre. Incluindo as demais despesas operacionais, o total caiu em termos nominais (‑0,7% t/t; ‑1,0% a/a).

    ·    As despesas de pessoal somaram R$ 7,28 bilhões (+0,9% t/t; +2,2% a/a), com a PLR em ‑4,8% t/t. As demais despesas administrativas recuaram 0,7% t/t e as tributárias, ‑6,9%. Todas as principais linhas cresceram abaixo da inflação, mesmo com os investimentos na transformação mantidos e com o acordo coletivo de 4,6%, abaixo dos mais de 5% do ano anterior.

    ·    Os ganhos vêm principalmente das despesas administrativas: o ajuste do footprint, em curso há mais de um ano e com 215 pontos de atendimento a menos no trimestre (para 3.892), reduz aluguéis e transporte de numerário, enquanto a requalificação do quadro troca pessoal da rede por cientistas de dados e engenheiros de software, o que explica a alta em processamento de dados. Entendemos que as despesas devem fechar 2026 no piso do guidance, ou abaixo dele.

    ·    O índice de eficiência (12 meses) encerrou o trimestre em 47,2%, melhora de 1,2 pp t/t e de 3,5 pp a/a, e de 5,0 pp em dois anos; no conceito trimestral, caiu de 46,5% para 45,4%.

    ·    Parte da surpresa veio também de outras receitas/despesas operacionais, R$ 321 milhões melhores que o estimado. Como a melhora está ligada às operações de seguros, a linha deve ser lida em conjunto com a queda do resultado de seguros, sem extrapolar cada componente isoladamente.

    ·    A transformação segue em curso: o Principal chegou a 93 escritórios e mais de 500 mil clientes, o Bradesco Digital passa de 45 milhões de clientes, os aplicativos da Ágora e do Bradesco Bank foram relançados e o ajuste do footprint continua. É o que sustenta a alavancagem operacional enquanto o crédito não ajuda.

    Impostos | Em linha

    ·    A alíquota efetiva ficou em 19,3%, em linha com os 19,3% projetados e com os 19,4% do 2T26. A despesa de impostos totalizou R$ 1,73 bilhão (‑0,1% vs. Est.; estável t/t; +10,2% a/a), com R$ 4,1 bilhões em JCP destinados no trimestre.

    Capital | Reforço com o aumento de capital

    ·    O Índice de Basileia encerrou o trimestre em 16,0% (+0,5 pp t/t) e o Capital Nível I em 13,7% (+0,8 pp t/t), com os ativos ponderados pelo risco crescendo +2,0% t/t. O Capital Principal chegou a 12,1% (+0,8 pp t/t), acima da nossa estimativa; a Basileia total ficou um pouco abaixo do projetado pela redução do capital Nível II.

    ·    O aumento de capital de R$ 10 bilhões entrou integralmente no trimestre, já aprovado pelo regulador, e somou cerca de 0,9 pp ao capital, deixando os índices bem acima dos mínimos regulatórios e gerenciais. A BradSaúde ainda pode adicionar 1,4 pp, a depender do regulador, opcionalidade que não incluímos.

    ·    O reforço amplia a capacidade de crescimento da carteira, mas, com a originação mais lenta no trimestre, ainda não se converteu em realavancagem.

    Direcionadores: Lucro, Crédito, Risco e Capital

    Lucro recorrente (R$ bi) e ROE recorrente (%), 3T24–3T26

    Fonte: Bradesco, Genial Investimentos.

    Carteira expandida (R$ tri) e crescimento a/a, 3T24–3T26

    Fonte: Bradesco, Genial Investimentos.

    Inadimplência > 90 dias (%) e cobertura (%), 3T24–3T26

    Fonte: Bradesco, Genial Investimentos.

    Capital Nível I (%), 3T24–3T26

    Fonte: Bradesco, Genial Investimentos.

    Principais Destaques

    Pontos positivos

    ·    Décimo primeiro trimestre consecutivo de alta do lucro recorrente;

    ·    Despesas em queda nominal e nova melhora da eficiência;

    ·    Retomada das receitas de serviços, puxada por cartões e fundos;

    ·    PDD em linha e guidance de 2026 mantido;

    ·    Aumento de capital concluído e Capital Principal em 12,1%;

    ·    Seguros devem se recuperar no 4T26, na ponta de cima do guidance.

    Pontos de atenção

    ·    4 linhas de receitas (NII Clientes, NII Mercado, Serviços e Seguros) R$ 953 milhões abaixo do esperado, compensadas por menores despesas e outros gastos;

    ·    Inadimplência acima do esperado e cobertura em queda;

    ·    Pressão de FGI/FGO e John Deere deve continuar no 4T26;

    ·    Carteira e spread com clientes abaixo do esperado;

    ·    Margem líquida no piso do guidance; tesouraria e seguros abaixo.

    Receitas de Serviços por Linha: Cartões Puxam, Conta Corrente e Custódia Recuam

    R$ mn

    3T26

    2T26

    t/t

    3T25

    a/a

    9M26

    9M25

    a/a

    Cartões

    4.830

    4.494

    +7,5%

    4.620

    +4,5%

    13.768

    13.398

    +2,8%

    Conta corrente

    1.580

    1.628

    ‑2,9%

    1.664

    ‑5,0%

    4.779

    5.028

    ‑5,0%

    Operações de crédito

    584

    593

    ‑1,5%

    749

    ‑22,0%

    1.814

    2.021

    ‑10,2%

    Administração de fundos

    1.069

    984

    +8,6%

    1.003

    +6,6%

    3.004

    2.764

    +8,7%

    Cobrança

    301

    303

    ‑0,7%

    335

    ‑10,1%

    913

    1.026

    ‑11,0%

    Custódia e corretagem

    582

    617

    ‑5,7%

    516

    +12,8%

    1.745

    1.483

    +17,7%

    Consórcios

    903

    852

    +6,0%

    830

    +8,8%

    2.600

    2.308

    +12,7%

    Arrecadações

    106

    111

    ‑4,5%

    91

    +16,5%

    319

    273

    +16,8%

    Outras (inclui mercado de capitais)

    969

    904

    +7,2%

    784

    +23,6%

    2.841

    2.367

    +20,0%

    Receitas de serviços

    10.924

    10.486

    +4,2%

    10.592

    +3,1%

    31.783

    30.668

    +3,6%

    Fonte: Bradesco (séries históricas do RI, aba 24); Genial Investimentos.

    Guidance 2026 vs. Genial 2026E: Carteira Abaixo do Piso

    Linha

    Guidance 2026

    Realizado

    Genial 2026E

    Posição

    Carteira de crédito expandida

    +8,5% a +10,5%

    +11,1% (12m)

    +7,1%

    Abaixo do piso

    Receitas de serviços

    +3,0% a +5,0%

    +3,6% (9M)

    +3,5%

    Dentro da faixa

    Resultado de seguros

    +6,0% a +8,0%

    +8,6% (9M)

    +7,5%

    Dentro da faixa

    Custo do crédito (2S26)

    3,6% a 3,7%

    3,72% (3T26)

    3,70% (4T26E)

    Topo da faixa

    Alíquota efetiva

    16% a 21%

    19,7% (9M)

    19,7%

    Dentro da faixa

    Fonte: Bradesco; Genial Investimentos. Guidance de 2026 mantido no 3T26; posição refere-se à projeção Genial 2026E.

    Estimativas Novas vs. Anteriores: Base Menor Reduz o Lucro de 2026E e 2027E

    Revisões (R$ mn)

    2026E novo

    2026E ant.

    Var.

    2027E novo

    2027E ant.

    Var.

    Receita Líquida de Juros (NII)

    84.163

    85.306

    −1,3%

    90.607

    92.930

    −2,5%

    NII Clientes

    80.797

    81.722

    −1,1%

    85.934

    88.120

    −2,5%

    NII Mercado

    3.366

    3.584

    −6,1%

    4.673

    4.810

    −2,8%

    Receita de Tarifas

    43.203

    43.453

    −0,6%

    45.770

    46.348

    −1,2%

    Resultado de Seguros

    23.978

    24.354

    −1,5%

    27.737

    27.677

    +0,2%

    Provisões para Perdas de Crédito

    ‑41.006

    ‑41.186

    −0,4%

    ‑43.062

    ‑43.563

    −1,2%

    Despesas não Decorrentes de Juros

    ‑75.480

    ‑76.325

    −1,1%

    ‑77.616

    ‑78.186

    −0,7%

    Lucro Antes do Imposto

    35.420

    36.058

    −1,8%

    43.660

    45.501

    −4,0%

    Lucro Líquido Recorrente

    27.929

    28.323

    −1,4%

    32.211

    33.619

    −4,2%

    ROE recorrente (modelo)

    14,95%

    15,16%

    −0,21 pp

    15,80%

    16,46%

    −0,66 pp

    Carteira de Crédito Expandida

    1.166.614

    1.184.577

    −1,5%

    1.269.303

    1.288.743

    −1,5%

    LPA recorrente (R$)

    2,64

    2,68

    −1,4%

    3,05

    3,18

    −4,2%

    Fonte: Genial Investimentos (modelo pré e pós-resultado do 3T26).

    Acesse o disclaimer.

    Eduardo Nishio

    Head de Ações

    Matheus Filgueiras

    Estagiário

    Alan Frydman

    Analista de Ações

    Leitura Dinâmica

    Recomendações

      Vale a pena conferir

      • Ações

      Aura (AURA33) | Prévia 3T26: Operação Sólida; Collars Pesam no Lucro

      967
      Imagem do Bom dia Genial

      Inscreva-se e receba oportunidades exclusivas de investimento.

      Análises, recomendações de ativos, atualizações de mercado e muito mais conteúdos gratuitos!