Resultado 3T26 | Divulgação: 22/10/26 | Call: 23/10/26
BBDC4 - Resultado 3T26 Genial.pdf
As despesas pagaram a conta que a tesouraria não pagou
O Bradesco (BBDC4) reportou um 3T26 praticamente em linha com nossas estimativas e com o consenso de mercado, entregando o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, ainda que no menor ritmo da sequência. O resultado alcançou R$ 7,11 bilhões (‑0,9% vs. Est.; +0,8% t/t; +14,6% a/a), enquanto o ROE recuou para 15,2% (‑0,2 pp vs. Est.; ‑0,5 pp t/t; +0,8 pp a/a), refletindo o patrimônio +7,4% maior após o aumento de capital de R$ 10 bilhões.
Do lado positivo, destacamos o controle de despesas. As despesas operacionais caíram em termos nominais (‑0,7% t/t; ‑1,0% a/a), mesmo com os investimentos na transformação, e ficaram R$ 465 milhões abaixo da nossa estimativa nas linhas administrativas. O índice de eficiência caiu para 47,2%. As receitas de serviços voltaram a crescer (+4,2% t/t), puxadas por cartões, e o Índice de Basileia subiu para 16,0%.
Na direção oposta, a qualidade dos ativos voltou ao centro das atenções. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% (+0,3 pp t/t), acima dos 4,36% que projetávamos, e o índice de cobertura recuou para 142,6%. A carteira cresceu apenas +1,1% t/t, sem o impulso das linhas emergenciais, o spread com clientes caiu com o mix mais conservador, e seguros e tesouraria ficaram abaixo do esperado.
Como antecipávamos em nossa prévia (Décimo Primeiro Trimestre de Recuperação), a conta da realavancagem chegou: a PDD subiu +6,6% t/t, em linha com o projetado. Mas o pequeno desvio no lucro esconde R$ 953 milhões a menos nas quatro linhas de receita, compensados por despesas e outras linhas operacionais, e não pela tesouraria. Assim, entendemos que o trimestre preserva a trajetória de recuperação, mas sem folga: o próximo estágio da tese dependerá de o banco voltar a crescer a carteira sem nova piora da inadimplência.
Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA
Seguimos construtivos com a trajetória de recuperação do Bradesco. O 3T26 mostrou que a agenda de eficiência já sustenta parte relevante do resultado: as despesas administrativas cresceram +1,4% a/a, enquanto a receita total avançou +10,5%, com todas as principais linhas de despesa crescendo abaixo da inflação. O índice de eficiência acumula melhora de 3,5 pp em doze meses e de cerca de 5 pp em dois anos, sem interromper os investimentos em tecnologia e na reestruturação dos canais.
A normalização das provisões, porém, continua absorvendo o crescimento da margem. Enquanto a margem com clientes cresceu +10,1% a/a, a PDD avançou +24,3%, limitando o crescimento da margem financeira líquida de provisões a +5,7% a/a. Olhando só o crédito, o NII Clientes líquido de PDD recuou 3,5% t/t e 2,0% a/a: a receita da carteira, depois das perdas, ainda não voltou a crescer. O custo do crédito subiu com a reavaliação do risco de safras antigas, e a margem líquida de provisões caiu 1,4% t/t. Não esperamos estabilização já no 4T26: a PDD ainda deve subir um pouco, a margem líquida pode recuar de novo e deve terminar o ano no piso do guidance. A qualidade do crédito passa a ser o ponto central a ser acompanhado nos próximos trimestres.
No capital, o aumento de capital de R$ 10 bilhões foi concluído integralmente no trimestre e já aprovado pelo regulador. A adesão dos minoritários foi forte: os controladores, que haviam garantido até R$ 8 bilhões, aportaram R$ 5,4 bilhões. A operação somou cerca de 0,9 pp ao capital, e a reorganização da BradSaúde, que já contribuiu com 1,1 pp, ainda tem 1,4 pp adicional em análise pelo regulador, que não incluímos. O Capital Principal subiu para 12,1% (+0,8 pp t/t), acima dos 11,97% que projetávamos, mesmo com R$ 4,1 bilhões em JCP destinados no trimestre. O capital deixa de ser restrição para a realavancagem, mas explica a maior parte do recuo do retorno: o ROAE reportado foi de 15,6%, ou 16,1% sem o efeito da emissão.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 26,30, implicando potencial de valorização de +27,4% e dividend yield estimado de 7,2% em 2026E. Negociando a 7,8x P/L 2026E, 6,8x P/L 2027E e 1,11x P/VP 2026E, entendemos que o Bradesco segue descontado frente ao seu potencial de geração de resultados. O alvo, obtido por Gordon sobre o PL ajustado de 2027E (R$ 17,51 por ação), com ROE sustentável de 18,0%, Ke de 14,8% e g de 8,5%, não muda com a revisão de lucro.
O que muda nas nossas projeções?
Reduzimos o lucro recorrente de 2026E de R$ 28,3 bilhões para R$ 27,9 bilhões (‑1,4%) e o de 2027E para R$ 32,2 bilhões (‑4,2%). A revisão vem da base do trimestre, e não de mudança de premissa: carteira menor (‑1,5% em 2027E), margem com clientes (‑2,5%) e serviços (‑1,2%).
Guidance mantido, com vieses opostos: o banco manteve todas as faixas do guidance de 2026, mas a composição muda. Do lado positivo, as despesas devem terminar o ano no piso da faixa, ou até abaixo dele, e a tesouraria deve superar o planejado: com R$ 2,1 bilhões acumulados no ano, um 4T26 próximo do 3T26 levaria a margem com o mercado a cerca de R$ 3,0 bilhões em 2026, ainda abaixo dos R$ 3,4 bilhões do nosso modelo. Do lado negativo, a margem financeira líquida de provisões deve ficar no piso do guidance de R$ 42 a 48 bilhões; nossa projeção de R$ 43,2 bilhões já está no terço inferior da faixa.
Ponto de atenção: com a nova base, nossa carteira de 2026E cresce +7,1%, abaixo do piso do guidance (+8,5%). Para alcançá-lo, o 4T26 precisaria crescer +2,8% t/t, mais que o dobro do ritmo do 3T26, num ambiente em que o banco tem privilegiado um mix mais cauteloso e receitas não ligadas a crédito. Vemos viés negativo para a margem com o mercado e para a carteira em nossas projeções, parcialmente compensado por viés positivo em despesas.
O 3T26 manteve a contagem, mas sem folga: a recuperação passa a depender menos da tesouraria e mais da capacidade de crescer a carteira sem piorar a inadimplência.
Bradesco (BBDC4) | 3T26 Resultado vs. Estimativas: Despesas Sustentam o Lucro
Review (R$ mn) | 3T26E | 3T26 | 2T26 | 3T25 | Vs. Est | t/t | a/a |
Lucro Líquido | 7.177 | 7.109 | 7.050 | 6.205 | −0,9% | +0,8% | +14,6% |
Lucro Líquido Recorrente | 7.177 | 7.109 | 7.050 | 6.205 | −0,9% | +0,8% | +14,6% |
Resumo DRE | |||||||
NII Clientes | 20.804 | 20.497 | 20.199 | 18.611 | −1,5% | +1,5% | +10,1% |
NII Mercado | 1.044 | 875 | 673 | 99 | −16,2% | +30,0% | +783,8% |
Receita Líquida de Juros (NII) | 21.848 | 21.372 | 20.872 | 18.710 | −2,2% | +2,4% | +14,2% |
Margem Fin. Líquida de Provisões | 11.192 | 10.730 | 10.887 | 10.150 | −4,1% | −1,4% | +5,7% |
Receita de Tarifas | 11.025 | 10.924 | 10.486 | 10.592 | −0,9% | +4,2% | +3,1% |
Outras Receitas/Despesas | ‑3.498 | ‑3.177 | ‑3.321 | ‑3.584 | −9,2% | −4,3% | −11,4% |
Resultado de Seguros | 5.966 | 5.590 | 6.119 | 5.706 | −6,3% | −8,6% | −2,0% |
Receita Total | 35.341 | 34.709 | 34.156 | 31.424 | −1,8% | +1,6% | +10,5% |
Despesa de Pessoal | ‑7.268 | ‑7.284 | ‑7.219 | ‑7.126 | +0,2% | +0,9% | +2,2% |
Outras Despesas Administrativas | ‑8.470 | ‑7.989 | ‑8.189 | ‑7.942 | −5,7% | −2,4% | +0,6% |
Despesa Administrativa Total | ‑15.738 | ‑15.273 | ‑15.408 | ‑15.068 | −3,0% | −0,9% | +1,4% |
Lucro Operacional | 19.602 | 19.436 | 18.748 | 16.356 | −0,8% | +3,7% | +18,8% |
Provisões Líquidas para Perdas de Crédito | ‑10.656 | ‑10.642 | ‑9.985 | ‑8.560 | −0,1% | +6,6% | +24,3% |
Resultados Não Operacionais | 67 | 175 | 179 | 67 | +161,2% | −2,2% | +161,2% |
Lucro Antes do Imposto | 9.013 | 8.969 | 8.942 | 7.863 | −0,5% | +0,3% | +14,1% |
Imposto | ‑1.736 | ‑1.734 | ‑1.734 | ‑1.574 | −0,1% | +0,0% | +10,2% |
Alíquota Efetiva | 19,3% | 19,3% | 19,4% | 20,0% | +0,1 pp | −0,1 pp | −0,7 pp |
Resumo Balanço Patrimonial | |||||||
Carteira de Crédito Expandida | 1.167.364 | 1.149.547 | 1.136.640 | 1.034.238 | −1,5% | +1,1% | +11,1% |
Carteira de Crédito Bacen | 856.037 | 840.019 | 833.507 | 771.786 | −1,9% | +0,8% | +8,8% |
Depósitos | 777.663 | 759.976 | 749.916 | 663.767 | −2,3% | +1,3% | +14,5% |
Patrimônio Líquido | 193.417 | 193.678 | 180.340 | 173.847 | +0,1% | +7,4% | +11,4% |
Rentabilidade | |||||||
Margem Líquida de Juros (NIM) | 4,19% | 4,19% | 4,20% | 3,96% | +0,01 pp | −0,01 pp | +0,23 pp |
ROE recorrente (modelo) | 15,36% | 15,21% | 15,75% | 14,37% | −0,16 pp | −0,54 pp | +0,83 pp |
Retorno sobre Ativos (ROA) | 1,13% | 1,13% | 1,13% | 1,11% | −0,00 pp | −0,01 pp | +0,01 pp |
Índice de Eficiência (modelo) | 40,53% | 40,77% | 41,33% | 44,36% | +0,24 pp | −0,56 pp | −3,59 pp |
Qualidade da Carteira | |||||||
NPL (>90d) | 4,36% | 4,60% | 4,30% | 4,10% | +0,24 pp | +0,30 pp | +0,50 pp |
Cobertura (>90d) | — | 142,6% | 152,3% | 168,9% | — | −9,7 pp | −26,3 pp |
Estágio 2 / Carteira Total | 5,58% | 5,60% | 5,50% | 4,50% | +0,02 pp | +0,10 pp | +1,10 pp |
Estágio 3 / Carteira Total | 7,30% | 7,40% | 7,20% | 7,70% | +0,10 pp | +0,20 pp | −0,30 pp |
Custo do Crédito | 3,70% | 3,72% | 3,59% | 3,34% | +0,02 pp | +0,14 pp | +0,39 pp |
Alavancagem | |||||||
Índice de Capital Nível 1 (Tier 1) | 13,59% | 13,68% | 12,85% | 13,36% | +0,09 pp | +0,83 pp | +0,32 pp |
Índice de Basileia | 16,23% | 16,00% | 15,50% | 15,90% | −0,23 pp | +0,50 pp | +0,10 pp |
Capital Principal | 11,97% | 12,10% | 11,30% | 11,40% | +0,13 pp | +0,80 pp | +0,70 pp |
Fonte: Bradesco (séries históricas do RI); Genial Investimentos. 3T26E = nossa prévia de 22/10/2026. ROE e eficiência seguem a metodologia do modelo e podem diferir dos indicadores divulgados pelo banco.
Destaques do Resultado
Carteira de Crédito | Ligeiramente abaixo do esperado
· A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,150 trilhão (‑1,5% vs. Est.; +1,1% t/t; +11,1% a/a), abaixo do crescimento de +2,7% t/t que projetávamos. MPMEs avançaram +1,8% t/t, Pessoa Física +1,1% e Grandes Empresas +0,7%. Em doze meses, Grandes Empresas (+14,8%) e MPMEs (+13,0%) crescem praticamente o dobro de Pessoa Física (+7,4%).
· A desaceleração veio justamente de onde esperávamos o maior impulso: as MPMEs, que dependiam das linhas emergenciais com garantia do FGI e do FGO, ampliadas pela MP 1.355 até 31/08. Sem elas, setembro perdeu tração e o segmento cresceu menos da metade dos 4,0% que projetávamos.
· Os destaques foram financiamento imobiliário (+2,5% t/t), veículos (+5,7%), consignado público e privado, capital de giro com garantia de fundos, avais e fianças e TVMs, enquanto crédito pessoal (‑0,9%) e cartão (+0,4%) ficaram para trás. Com isso, aumentou de novo a participação das linhas com garantia na carteira, coerente com a estratégia de crescer com menor risco em um ambiente de economia mais lenta.
NII Clientes | Um pouco abaixo do esperado
· A margem financeira com clientes totalizou R$ 20,50 bilhões (‑1,5% vs. Est.; +1,5% t/t; +10,1% a/a), desacelerando frente ao +3,6% t/t do 2T26.
· O desvio veio de volume e de spread: além da carteira menor, a taxa média da margem com clientes recuou de 9,1% para 8,9%, abaixo dos 9,0% que esperávamos, por conta do mix de crédito mais conservador, com mais atacado e linhas com garantia.
· Na comparação trimestral, volume (+R$ 407 milhões) e calendário (+R$ 529 milhões) compensaram spread (−R$ 429 milhões) e mix (−R$ 209 milhões). Como parte relevante do avanço veio do calendário, o efeito limita a extrapolação do crescimento nominal.
· É a contrapartida da estratégia de risco: menor spread nominal em troca de menor perda esperada. O efeito líquido só aparece quando a PDD começar a ceder.
NII Mercado | Melhorando, mas abaixo do esperado
· A margem com o mercado somou R$ 875 milhões (‑16,2% vs. Est.; +30,0% t/t; R$ 99 milhões no 3T25), abaixo dos R$ 1.044 milhões que projetávamos.
· Depois de um 2T26 que superou em mais de duas vezes a nossa estimativa, a linha seguiu crescendo, mas sem a aceleração que esperávamos com a Selic em queda. O resultado veio de uma gestão de ativos e passivos (ALM) mais eficiente e da mesa de produtos com risco de mercado para clientes, cuja zeragem é registrada na margem com o mercado.
· No ano, a linha já soma R$ 2,1 bilhões. Para o 4T26, entendemos que um patamar próximo ao do 3T26 é o cenário mais provável, o que levaria a cerca de R$ 3,0 bilhões em 2026, abaixo dos R$ 1.265 milhões que projetamos para o 4T26. Como a carteira da tesouraria muda com rapidez, seguimos tratando a contribuição como de menor previsibilidade.
Custo do Crédito | Em linha, mas com inadimplência acima do esperado
· A despesa de PDD expandida atingiu R$ 10,64 bilhões (‑0,1% vs. Est.; +6,6% t/t; +24,3% a/a), com custo do crédito de 3,72% da carteira expandida, ante os 3,70% projetados, no topo da faixa de 3,6% a 3,7% esperada para o segundo semestre. A alta reflete a reavaliação do risco de safras antigas e se concentrou no varejo massificado (+R$ 728 milhões t/t), com leve alívio no atacado (−R$ 71 milhões). As recuperações de créditos baixados recuaram de R$ 866 milhões para R$ 850 milhões.
· A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% (+0,3 pp t/t; +0,5 pp a/a) e o índice de cobertura recuou para 142,6% (‑9,7 pp t/t; ‑26,3 pp a/a).
· Da alta de 0,30 pp, cerca de 0,14 pp veio das operações de capital de giro com garantia do FGI e do FGO, em que o atraso é esperado e necessário para executar a garantia, e cerca de 0,09 pp de atrasos sazonais do Banco John Deere, que pressionaram Pessoa Física. O estágio 3 da carteira expandida ficou estável em 7,5% na comparação trimestral e anual, o que reforça a leitura de efeito técnico. Na carteira Bacen, porém, o estágio 3 subiu para 7,4%, e a cobertura da formação de estágio 3 foi de 83% no trimestre (acima de 100% excluindo os programas emergenciais): as garantias mitigam a perda, mas a execução e o prazo de recuperação ainda precisam ser testados.
· A pressão, porém, não termina no 3T26. Os vencimentos do Banco John Deere se concentram entre junho e agosto, e as parcelas de julho e agosto devem migrar para atrasos acima de 90 dias no 4T26. As linhas com FGI e FGO tiveram um ano de carência, e entendemos que a inadimplência de MPMEs ainda sobe por cerca de 12 meses, somando-se ao crescimento da carteira de cartões.
· Por isso, consideramos a dinâmica negativa no curto prazo: o ambiente macro segue pressionando a inadimplência, o banco tem feito ajustes de modelos e preços e reduzido a exposição a clientes mais voláteis, a PDD deve subir mais um pouco e a cobertura em queda reduz a margem de segurança.
Receitas de Serviços | Em linha com o projetado
· As receitas de prestação de serviços somaram R$ 10,92 bilhões (‑0,9% vs. Est.; +4,2% t/t; +3,1% a/a), praticamente em linha com a nossa projeção, após um 2T26 abaixo do esperado.
· A aceleração foi puxada por cartões (+7,5% t/t), administração de fundos (+8,6%) e consórcios (+6,0%). Conta corrente (‑2,9%) e custódia e corretagem (‑5,7%) recuaram.
· A frustração veio justamente da linha que esperávamos liderar a retomada: mercado de capitais e assessoria financeira somaram R$ 551 milhões (+4,8% t/t), contra R$ 631 milhões projetados (+20% t/t). A recuperação comercial existe, mas com impulso menor que o previsto.
· Nos nove meses, a linha cresceu +3,6% a/a, dentro do guidance de 3% a 5%. Com o crédito mais lento, as receitas não ligadas a crédito ganham peso no esforço comercial.
Seguros | Abaixo do esperado
· O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização alcançou R$ 5,59 bilhões (‑6,3% vs. Est.; ‑8,6% t/t; ‑2,0% a/a), abaixo da nossa estimativa.
· Os prêmios ganhos somaram R$ 19,87 bilhões (+0,9% t/t), abaixo dos R$ 20,7 bilhões esperados, e a sinistralidade subiu para 69,3% (67,4% no 2T26), contra os 67,0% que projetávamos. O resultado financeiro caiu 10,4% t/t, para R$ 2,13 bilhões. Do desvio de R$ 376 milhões frente à nossa estimativa, cerca de R$ 256 milhões vieram do resultado industrial e R$ 120 milhões do financeiro: o trimestre foi mais fraco também na operação, e não apenas pelo efeito dos juros.
· O lucro do Grupo Segurador foi de R$ 2,89 bilhões (‑1,9% t/t; +14,1% a/a), com ROE próximo de 22%, apoiado também na queda de outras despesas da seguradora (de R$ 653 milhões para R$ 258 milhões). Nos nove meses, o resultado de seguros cresce +8,6% a/a, com contribuição tanto do resultado industrial quanto do financeiro, ainda acima do topo do guidance de 6% a 8%.
· O 3T é sazonalmente o trimestre mais pesado, com sinistralidade maior em Vida (apólices coletivas e empresariais) e ramos elementares, e Saúde cerca de 0,5 pp acima do 3T25. No financeiro, o IPCA baixo do trimestre, afetado pelo bônus de Itaipu em agosto, reduziu a remuneração das NTN-B, cerca de metade da carteira.
· Para o 4T26, esperamos recuperação: o trimestre costuma ter sinistralidade menor e mais dias úteis, e a mudança de mix para PMEs e produtos de pagamento mensal começa a ganhar tração. Vemos o ano convergindo para a ponta de cima do guidance.
Despesas | Abaixo do esperado, com ganho de eficiência
· As despesas administrativas totalizaram R$ 15,27 bilhões (‑3,0% vs. Est.; ‑0,9% t/t; +1,4% a/a), R$ 465 milhões abaixo da nossa estimativa e o principal fator a sustentar o lucro do trimestre. Incluindo as demais despesas operacionais, o total caiu em termos nominais (‑0,7% t/t; ‑1,0% a/a).
· As despesas de pessoal somaram R$ 7,28 bilhões (+0,9% t/t; +2,2% a/a), com a PLR em ‑4,8% t/t. As demais despesas administrativas recuaram 0,7% t/t e as tributárias, ‑6,9%. Todas as principais linhas cresceram abaixo da inflação, mesmo com os investimentos na transformação mantidos e com o acordo coletivo de 4,6%, abaixo dos mais de 5% do ano anterior.
· Os ganhos vêm principalmente das despesas administrativas: o ajuste do footprint, em curso há mais de um ano e com 215 pontos de atendimento a menos no trimestre (para 3.892), reduz aluguéis e transporte de numerário, enquanto a requalificação do quadro troca pessoal da rede por cientistas de dados e engenheiros de software, o que explica a alta em processamento de dados. Entendemos que as despesas devem fechar 2026 no piso do guidance, ou abaixo dele.
· O índice de eficiência (12 meses) encerrou o trimestre em 47,2%, melhora de 1,2 pp t/t e de 3,5 pp a/a, e de 5,0 pp em dois anos; no conceito trimestral, caiu de 46,5% para 45,4%.
· Parte da surpresa veio também de outras receitas/despesas operacionais, R$ 321 milhões melhores que o estimado. Como a melhora está ligada às operações de seguros, a linha deve ser lida em conjunto com a queda do resultado de seguros, sem extrapolar cada componente isoladamente.
· A transformação segue em curso: o Principal chegou a 93 escritórios e mais de 500 mil clientes, o Bradesco Digital passa de 45 milhões de clientes, os aplicativos da Ágora e do Bradesco Bank foram relançados e o ajuste do footprint continua. É o que sustenta a alavancagem operacional enquanto o crédito não ajuda.
Impostos | Em linha
· A alíquota efetiva ficou em 19,3%, em linha com os 19,3% projetados e com os 19,4% do 2T26. A despesa de impostos totalizou R$ 1,73 bilhão (‑0,1% vs. Est.; estável t/t; +10,2% a/a), com R$ 4,1 bilhões em JCP destinados no trimestre.
Capital | Reforço com o aumento de capital
· O Índice de Basileia encerrou o trimestre em 16,0% (+0,5 pp t/t) e o Capital Nível I em 13,7% (+0,8 pp t/t), com os ativos ponderados pelo risco crescendo +2,0% t/t. O Capital Principal chegou a 12,1% (+0,8 pp t/t), acima da nossa estimativa; a Basileia total ficou um pouco abaixo do projetado pela redução do capital Nível II.
· O aumento de capital de R$ 10 bilhões entrou integralmente no trimestre, já aprovado pelo regulador, e somou cerca de 0,9 pp ao capital, deixando os índices bem acima dos mínimos regulatórios e gerenciais. A BradSaúde ainda pode adicionar 1,4 pp, a depender do regulador, opcionalidade que não incluímos.
· O reforço amplia a capacidade de crescimento da carteira, mas, com a originação mais lenta no trimestre, ainda não se converteu em realavancagem.
Direcionadores: Lucro, Crédito, Risco e Capital
Lucro recorrente (R$ bi) e ROE recorrente (%), 3T24–3T26 ![]() Fonte: Bradesco, Genial Investimentos. | Carteira expandida (R$ tri) e crescimento a/a, 3T24–3T26 ![]() Fonte: Bradesco, Genial Investimentos. |
Inadimplência > 90 dias (%) e cobertura (%), 3T24–3T26 ![]() Fonte: Bradesco, Genial Investimentos. | Capital Nível I (%), 3T24–3T26 ![]() Fonte: Bradesco, Genial Investimentos. |
Principais Destaques
Pontos positivos
· Décimo primeiro trimestre consecutivo de alta do lucro recorrente;
· Despesas em queda nominal e nova melhora da eficiência;
· Retomada das receitas de serviços, puxada por cartões e fundos;
· PDD em linha e guidance de 2026 mantido;
· Aumento de capital concluído e Capital Principal em 12,1%;
· Seguros devem se recuperar no 4T26, na ponta de cima do guidance.
Pontos de atenção
· 4 linhas de receitas (NII Clientes, NII Mercado, Serviços e Seguros) R$ 953 milhões abaixo do esperado, compensadas por menores despesas e outros gastos;
· Inadimplência acima do esperado e cobertura em queda;
· Pressão de FGI/FGO e John Deere deve continuar no 4T26;
· Carteira e spread com clientes abaixo do esperado;
· Margem líquida no piso do guidance; tesouraria e seguros abaixo.
Receitas de Serviços por Linha: Cartões Puxam, Conta Corrente e Custódia Recuam
R$ mn | 3T26 | 2T26 | t/t | 3T25 | a/a | 9M26 | 9M25 | a/a |
Cartões | 4.830 | 4.494 | +7,5% | 4.620 | +4,5% | 13.768 | 13.398 | +2,8% |
Conta corrente | 1.580 | 1.628 | ‑2,9% | 1.664 | ‑5,0% | 4.779 | 5.028 | ‑5,0% |
Operações de crédito | 584 | 593 | ‑1,5% | 749 | ‑22,0% | 1.814 | 2.021 | ‑10,2% |
Administração de fundos | 1.069 | 984 | +8,6% | 1.003 | +6,6% | 3.004 | 2.764 | +8,7% |
Cobrança | 301 | 303 | ‑0,7% | 335 | ‑10,1% | 913 | 1.026 | ‑11,0% |
Custódia e corretagem | 582 | 617 | ‑5,7% | 516 | +12,8% | 1.745 | 1.483 | +17,7% |
Consórcios | 903 | 852 | +6,0% | 830 | +8,8% | 2.600 | 2.308 | +12,7% |
Arrecadações | 106 | 111 | ‑4,5% | 91 | +16,5% | 319 | 273 | +16,8% |
Outras (inclui mercado de capitais) | 969 | 904 | +7,2% | 784 | +23,6% | 2.841 | 2.367 | +20,0% |
Receitas de serviços | 10.924 | 10.486 | +4,2% | 10.592 | +3,1% | 31.783 | 30.668 | +3,6% |
Fonte: Bradesco (séries históricas do RI, aba 24); Genial Investimentos.
Guidance 2026 vs. Genial 2026E: Carteira Abaixo do Piso
Linha | Guidance 2026 | Realizado | Genial 2026E | Posição |
Carteira de crédito expandida | +8,5% a +10,5% | +11,1% (12m) | +7,1% | Abaixo do piso |
Receitas de serviços | +3,0% a +5,0% | +3,6% (9M) | +3,5% | Dentro da faixa |
Resultado de seguros | +6,0% a +8,0% | +8,6% (9M) | +7,5% | Dentro da faixa |
Custo do crédito (2S26) | 3,6% a 3,7% | 3,72% (3T26) | 3,70% (4T26E) | Topo da faixa |
Alíquota efetiva | 16% a 21% | 19,7% (9M) | 19,7% | Dentro da faixa |
Fonte: Bradesco; Genial Investimentos. Guidance de 2026 mantido no 3T26; posição refere-se à projeção Genial 2026E.
Estimativas Novas vs. Anteriores: Base Menor Reduz o Lucro de 2026E e 2027E
Revisões (R$ mn) | 2026E novo | 2026E ant. | Var. | 2027E novo | 2027E ant. | Var. |
Receita Líquida de Juros (NII) | 84.163 | 85.306 | −1,3% | 90.607 | 92.930 | −2,5% |
NII Clientes | 80.797 | 81.722 | −1,1% | 85.934 | 88.120 | −2,5% |
NII Mercado | 3.366 | 3.584 | −6,1% | 4.673 | 4.810 | −2,8% |
Receita de Tarifas | 43.203 | 43.453 | −0,6% | 45.770 | 46.348 | −1,2% |
Resultado de Seguros | 23.978 | 24.354 | −1,5% | 27.737 | 27.677 | +0,2% |
Provisões para Perdas de Crédito | ‑41.006 | ‑41.186 | −0,4% | ‑43.062 | ‑43.563 | −1,2% |
Despesas não Decorrentes de Juros | ‑75.480 | ‑76.325 | −1,1% | ‑77.616 | ‑78.186 | −0,7% |
Lucro Antes do Imposto | 35.420 | 36.058 | −1,8% | 43.660 | 45.501 | −4,0% |
Lucro Líquido Recorrente | 27.929 | 28.323 | −1,4% | 32.211 | 33.619 | −4,2% |
ROE recorrente (modelo) | 14,95% | 15,16% | −0,21 pp | 15,80% | 16,46% | −0,66 pp |
Carteira de Crédito Expandida | 1.166.614 | 1.184.577 | −1,5% | 1.269.303 | 1.288.743 | −1,5% |
LPA recorrente (R$) | 2,64 | 2,68 | −1,4% | 3,05 | 3,18 | −4,2% |
Fonte: Genial Investimentos (modelo pré e pós-resultado do 3T26).




