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    Publicado em 11 de Agosto às 00:11:52

    B3 (B3SA3) | Prévia 2T26: Receitas Recorrentes Sustentam Resultado Após Normalização de Fluxo 

    Esperamos um 2T26 sólido para a B3, ainda que menos intenso do que o 1T26 na divisão de Markets. Após um primeiro trimestre impulsionado pela elevada volatilidade dos mercados globais com fluxo de investidores estrangeiros muito favorável, projetamos uma normalização das receitas ligadas à negociação de derivativos e ações, parcialmente compensada pelo bom desempenho das linhas mais recorrentes, como renda fixa, tecnologia e plataformas. Projetamos:

    • Receita bruta de R$ 3,09 bilhões (-3,4% t/t; +12,6% a/a),
    • EBITDA de R$ 1,90 bilhão (-7,3% t/t; +5,9% a/a) e
    • Lucro líquido de R$ 1,61 bilhão (+7,3% t/t; +26,1% a/a).

    A desaceleração sequencial reflete principalmente a menor atividade em derivativos e ações após o pico de volatilidade observado no início do ano. Projetamos ADTV médio de R$ 32,1 bilhões (-12,4% t/t; +18,5% a/a), enquanto a receita de Markets deve recuar para R$ 2,02 bilhões (-6,3% t/t). Em contrapartida, esperamos que o crescimento das linhas mais recorrentes — especialmente Tecnologia e Plataformas (+14,9% a/a), Soluções Analíticas de Dados (+30,6% a/a) e Soluções para Mercado de Capitais (+29,5% a/a) — continue compensando parte dessa normalização e reforçando a resiliência do modelo de negócios da companhia.

    Volume (ADTV): Fluxo estrangeiro ajudou o volume da bolsa até o 1T26

    Do lado das despesas, esperamos uma pressão pontual decorrente da reorganização da alta administração, parcialmente compensada pela normalização de provisões observadas no 1T26.

    Além disso, o trimestre deve ser beneficiado pelo ganho na venda da participação na Dimensa (cerca de R$ 100 milhões) e por uma alíquota efetiva reduzida de 16,5%, sustentada pela utilização do estoque de JCP acumulado, fatores que devem impulsionar o crescimento do lucro no período.

    Em relação aos impostos corporativos, a B3 deve sofrer uma elevação gradual do Imposto de Renda e CSLL de 34% para 40% — em duas etapas (+3 pp em abril de 2026 e +3 pp em 2028). Mas no curto prazo, o aumento deve ter impacto limitado sobre a geração de resultados da companhia. Isso porque a B3 possui aproximadamente R$ 4 bilhões em base acumulada para pagamento extraordinário de Juros sobre Capital Próprio (JCP), o que deve compensar grande parte do aumento da carga tributária ao longo de 2026 e 2027.

    B3 (B3SA3) | Prévia 2T26: Lucro Forte, Mesmo Excluindo Efeitos Extraordinários

    Valuation: Desconto Atrativo e Catalisadores no Horizonte

    Embora a questão fiscal continue limitando o apetite por ativos domésticos, acreditamos que a B3 oferece uma combinação interessante entre valuation descontado e potenciais catalisadores para os próximos trimestres. O início do ciclo de queda da Selic tende a estimular a atividade do mercado de capitais – apesar de estar acontecendo em um ritmo bem mais suave – enquanto o ambiente eleitoral de 2026 deve aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros. Em nossa visão, os preços atuais parecem refletir um cenário de maior continuidade do governo vigente, de modo que uma eventual alternância de poder pode favorecer uma reprecificação dos ativos domésticos. Nesse contexto, a B3 se posiciona como um dos principais veículos para capturar esse movimento.

    Além desse potencial cíclico, a companhia segue fortalecendo seu perfil de receitas recorrentes, reduzindo gradualmente sua dependência dos volumes negociados no mercado à vista e aumentando a previsibilidade dos resultados.

    Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 22,10. A ação negocia a 13,4x P/L 2026e e 13,0x P/L 2027e, patamares significativamente inferiores à média das principais bolsas globais (22x P/L 2026e), apesar da elevada geração de caixa, do forte retorno sobre o capital e da diversificação crescente das receitas.

    Além do cenário macroeconômico, seguimos acompanhando a evolução dos litígios bilionários envolvendo a companhia, cujo eventual desfecho favorável pode representar um catalisador adicional para as ações. No lado dos riscos, além da crescente tendência de listagens de empresas brasileiras nas bolsas americanas, acompanhamos o avanço da concorrência doméstica. Esperamos que a A5X, no mercado de derivativos, e a Base Exchange, no mercado à vista, iniciem suas operações em 2027. Ainda assim, esperamos impactos limitados no curto e médio prazo, diante dos fortes efeitos de rede, da elevada liquidez e das barreiras de entrada que caracterizam o mercado brasileiro.

    Receita Bruta: Diversificação com menos dependência de renda variável

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