O Banco Inter entregou o melhor trimestre de sua história em termos de lucro, mantendo a trajetória de expansão da rentabilidade e crescimento da carteira de crédito. O lucro líquido atingiu R$ 421 milhões (+4,8% vs. Est.; +6,7% t/t; +33,6% a/a), enquanto o ROE avançou para 16,3%, novo recorde da companhia. A carteira cresceu 29,1% a/a, aproximadamente três vezes o ritmo do sistema financeiro, impulsionada principalmente pelo crédito imobiliário e pelo consignado privado, enquanto a NIM ultrapassou os 10% pela primeira vez.
Apesar do bom resultado, acreditamos que a leitura do trimestre exige cautela. O desempenho acima das nossas estimativas foi explicado principalmente pela receita de TVM, beneficiada por um efeito positivo pontual relacionado ao hedge de IPCA, enquanto a receita recorrente de juros ficou ligeiramente abaixo do esperado. Em nossa visão, a expansão da carteira e o repricing continuam sustentando a melhora da rentabilidade, mas a NIM de dois dígitos não deve ser interpretada como um novo patamar.
O principal ponto de atenção permanece sendo a qualidade dos ativos. Embora a alta do NPL tenha sido parcialmente distorcida pela revisão da política de write-off do cartão de crédito (ajustado por esse efeito, a inadimplência teria recuado), o custo de risco continua aumentando e o índice de cobertura recuou pelo terceiro trimestre consecutivo, refletindo principalmente o maior peso do consignado privado na carteira. Seguimos vendo a evolução do crédito como o principal fator para a continuidade da expansão do ROE.
Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA
O trimestre reforça nossa visão de que o Banco Inter continua executando sua estratégia de crescimento com disciplina. A expansão da carteira permanece muito acima da média do sistema, a monetização da base de clientes continua evoluindo e a eficiência operacional atingiu novo recorde, sustentando uma trajetória consistente de expansão do ROE.
Apesar disso, entendemos que parte do desempenho do trimestre foi beneficiada por fatores pontuais, especialmente na receita de TVM, enquanto a qualidade dos ativos continua exigindo monitoramento. O crescimento acelerado do consignado privado e a redução gradual dos índices de cobertura indicam que o banco entra em uma fase mais sensível do ciclo de crédito, tornando a execução da originação ainda mais importante nos próximos trimestres.
Por outro lado, continuamos enxergando um valuation bastante atrativo. O banco já alcançou neutralidade de capital, ampliando sua capacidade de financiar o crescimento com geração própria de resultados, enquanto negocia a 7,3x P/L 2026e, 5,3x P/L 2027e e apenas 1,1x P/VP 2026e. Acreditamos que o mercado ainda subestima o potencial de expansão da rentabilidade ao longo dos próximos anos, mesmo considerando uma convergência gradual para as metas do plano 60-30-30 (60 milhões de clientes, 30% de índice de eficiência e 30% de ROE).
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 50,00, equivalente a um potencial de valorização de 69,7%.
Inter (INBR32) | Resultado 2T26: Recorde de Lucro, com Asteriscos Importantes

Os principais vetores do trimestre são:
- NII: Acima do Esperado, mas por TVM. R$ 2.044 milhões (+7,8% vs. Est.; +8,6% t/t; +39,1% a/a). O desvio veio todo de TVM (+19,9% vs. Est.), com receita de juros 1,5% abaixo do projetado. Efeito pontual do hedge de IPCA.
- Carteira: Ritmo Preservado, Mix Mais Agressivo. R$ 51,9 bilhões (-0,1% vs. Est.; +4,2% t/t; +29,1% a/a). Imobiliário e home equity (+37,1% a/a) já são 32,9% do total, mas a fatia com LTV acima de 70% saltou de 15,7% para 21,9% em seis meses. A nova carteira expandida de R$ 55,4 bilhões incorpora R$ 3,5 bilhões de títulos privados – risco de crédito via tesouraria e denominador maior para os indicadores de qualidade.
- Qualidade da Carteira: Provisão em Linha, Cobertura Cedendo. PDD de cresce fortemente para R$ 860 milhões (0,0% vs. Est.; +10,1% t/t; +51,2% a/a). O índice de cobertura para créditos duvidosos caiu para 134% (-3,1 pp t/t) e a do estágio 3 para 61,3% (-5,62 pp a/a). O consignado privado explica 53 bps da alta anual do NPL; excluindo o produto, o custo de risco cai de 5,9% para 5,5%. A companhia promete priorização de clientes de menor risco e novo produto de seguro no 3T26.
- Write-off: Ajuste Distorce o NPL. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,3% (+0,2 pp t/t; +0,7 pp a/a), mas a revisão da política de write-off de cartão adicionou 30 bps não recorrentes ao indicador, sem efeito em provisão. Ajustado, o NPL teria recuado para ~5,0% t/t. O mesmo contamina a formação de NPL, de R$ 910 milhões (+4,3% vs. Est.; +11,5% t/t; +59,8% a/a).
- Serviços: O Elo Fraco. R$ 486 milhões (-10,3% vs. Est.; +7,9% t/t; +7,4% a/a), único desvio negativo relevante. Fee income ratio em 22,5% (-4,1 pp a/a) e GMV do Inter Shop em queda de 10,3% a/a. Atenção à monetização de investimentos: AuC +35,9% a/a com receita de administração de fundos -16,1% a/a.
- Despesas: Levemente Piores. R$ 1.036 milhões (+3,0% vs. Est.; +4,0% t/t; +18,6% a/a). Desvio em D&A (+24,8% vs. Est., amortização do Super App) e pessoal (+3,9% vs. Est.). Tributárias bem acima (+20,5% vs. Est.), por maior tributo sobre JCP.
- Imposto: Alíquota Baixa, mas Muda de Natureza. 12,7% (+0,72 pp vs. Est.; +0,23 pp t/t; -0,67 pp a/a). O JCP explica 45% do benefício fiscal do trimestre. O imposto corrente saltou para R$ 158 milhões (vs. R$ 6 milhões no 2T25), com o diferido segurando a linha final.


