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Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 15:16:40

Eleições 2026: o 1º turno e o caminho até 25 de outubro

Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições 2026 à frente de Lula (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. Na prática, a diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Como ninguém passou de 50%, a disputa vai ao segundo turno em 25 de outubro.

A vantagem pode ser revertida. Por isso, o resultado vai depender de três movimentos: quem mantém o voto, como se dividem os votos dos candidatos eliminados e quem passa a votar ou deixa de comparecer.

Em 2 minutos

  • Quem está em vantagem? Flávio, por 2,22 milhões de votos no primeiro turno.
  • Lula pode virar? Sim, matematicamente. Se as duas bases se mantiverem, ele precisa de pouco mais de 6 em cada 10 votos dos eliminados. Ser possível, porém, não diz se é provável.
  • O que falta saber? Como vão mudar a escolha e o comparecimento entre os dois turnos. Só as pesquisas de segundo turno vão mostrar isso.

Este estudo não atribui uma probabilidade de vitória a nenhum dos dois. Em vez disso, ele mostra o ponto de partida e as condições que cada candidato precisa cumprir.

O placar do primeiro turno

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No primeiro turno das eleições 2026, os candidatos eliminados somaram 9,32 milhões de votos, mais de quatro vezes a diferença entre os dois primeiros. Além deles, 39,4 milhões de eleitores não escolheram ninguém: 33,5 milhões faltaram e 5,98 milhões votaram em branco ou anularam. O tamanho desses grupos mostra que a liderança pode mudar. No entanto, ele não revela de que lado esses eleitores estão.

O que cada candidato precisa para vencer

Imagine que quem votou nos dois finalistas repita o voto e que os 9,32 milhões de votos dos eliminados sejam redistribuídos entre eles. Nesse caso, a conta fica assim:

Divisão dos votos dos eliminadosFlávioLulaQuem fica à frente
Metade para cada um50,93%49,07%Flávio, por 2,22 milhões
60% para Lula50,15%49,85%Flávio, por 362 mil
65% para Lula49,76%50,24%Lula, por 570 mil
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Ou seja, mesmo recebendo 60% dos votos dos eliminados, Lula ainda ficaria atrás. Assim, para virar, ele precisa de pelo menos 61,94% desse grupo. Já Flávio precisa de pouco mais de 38% para se manter à frente.

O saldo funciona de um jeito simples. Um eleitor que troca de Flávio para Lula muda a diferença em dois votos, porque sai de um lado e entra no outro. Um eleitor novo que vota só em Lula muda a diferença em um voto. Assim, um milhão de votos novos divididos 60% a 40% reduz a vantagem em 200 mil, não em um milhão.

O retrospecto também ajuda a dimensionar o desafio. Desde 1989, o líder do primeiro turno venceu os sete segundos turnos presidenciais. É um histórico favorável a Flávio, mas não uma regra.

Quem deixar de votar pode pesar tanto quanto quem mudar de voto

Em primeiro lugar, a abstenção foi de 21,1%. Se os dois lados perderem eleitores na mesma proporção, a conta quase não muda. Se só um lado perder, porém, o efeito é grande. Uma perda de 3% apenas na base de Flávio, cerca de 1,68 milhão de votos, reduziria o que Lula precisa dos eliminados de 61,9% para 52,9%.

A abstenção, contudo, nem sempre sobe no segundo turno. Em 2022, ela caiu de 20,95% para 20,59%. Isso não prevê 2026, mas impede tratar uma alta como certa.

O mapa do voto

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Flávio venceu em 15 estados e Lula em 12. Lula dominou o Nordeste, onde abriu 11,1 milhões de votos de saldo. Flávio, por sua vez, venceu no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Só São Paulo deu a ele 3,42 milhões de votos de vantagem, mais que a diferença nacional inteira. Vencer mais estados, entretanto, não decide a eleição: o que conta é o saldo total de votos.

Governadores: 20 eleitos e 7 disputas no segundo turno

Enquanto isso, vinte estados já têm governador eleito. Nos sete segundos turnos, o líder tem vantagem ampla em quatro:

  • Distrito Federal: Celina Leão (PP), 49,9%, contra Leandro Grass (PT), 34,5%.
  • Acre: Mailza Assis (PP), 49,8%, contra Alan Rick (Republicanos), 32,3%.
  • Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos), 49,6%, contra Ricardo Ferraço (MDB), 34,1%.
  • Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL), 49,3%, contra Eduardo Paes (PSD), 42,8%.

No Amazonas, Omar Aziz (PSD) tem vantagem clara, com 40,6% contra 24,5% de Professora Maria do Carmo (PL). Já Rio Grande do Norte e Tocantins estão abertos. No primeiro, Allyson (União) teve 36,9% e Cadu de Lula (PT), 36,2%. No segundo, Professora Dorinha (União) teve 45,5% e Vicentinho Júnior (PSDB), 43,9%.

Por fim, no Rio, o segundo turno pode nem acontecer. Os 274.411 votos de Garotinho estão anulados sub judice. Se a Justiça mantiver a anulação, Douglas Ruas vai a 50,88% e está eleito no primeiro turno.

Congresso e governabilidade

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Nas eleições 2026, o PL elegeu 121 deputados e terá 28 dos 81 senadores, a maior bancada nas duas Casas. Para ler o Congresso, o estudo divide os partidos em quatro campos:

  • Direita: PL, Novo e Missão.
  • Centrão: União/PP, Republicanos, Podemos, Avante, PRD/Solidariedade, Agir, Mobiliza e Democrata. A literatura acadêmica põe esses partidos na direita. O estudo os separa porque eles negociam com governos dos dois lados.
  • Centro: MDB, PSD e PSDB/Cidadania.
  • Esquerda: PT/PCdoB/PV, PSB, PSOL/Rede e PDT.

Desse modo, nenhum campo tem maioria sozinho. Na Câmara, a esquerda tem 124 deputados, o centro 90, o centrão 167 e a direita 132. Somado ao centrão, porém, o campo de Flávio passa da maioria nas duas Casas.

Somando o vizinho mais próximoCâmara (maioria: 257)Senado (maioria: 41)
Direita + centrão29950
Esquerda + centro21430
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Lula, portanto, dependeria do centrão para governar. A ressalva é importante: o centrão não é aliado automático de ninguém. Ele negocia com governos dos dois lados, cobra pelo apoio e vota de forma diferente em cada pauta. Uma emenda à Constituição, por exemplo, exige 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos em cada Casa.

O que isso significa para o mercado

Até 25 de outubro, o principal fator das eleições 2026 para o mercado é a incerteza sobre quem vence. Depois, o que pesa é a política econômica do eleito e a capacidade de aprová-la no Congresso. Os ativos mais sensíveis costumam ser os juros futuros longos, o câmbio e as ações de estatais e de setores regulados.

  • Até o segundo turno: as pesquisas tendem a ser o principal gatilho de oscilação. Movimentos de preço nesse período refletem mudança de expectativa e podem se inverter rapidamente.
  • Política fiscal e juros: o ponto central é a credibilidade da regra fiscal e da trajetória da dívida pública. Ela chega à curva de juros e, por meio dela, ao custo de capital das empresas.
  • Câmbio: o real costuma refletir a percepção de risco fiscal e político, e a incerteza eleitoral tende a aumentar a volatilidade.
  • Estatais e setores regulados: respondem a expectativas sobre governança, política de preços, investimentos e dividendos.

Se Flávio vencer, o mercado vai perguntar quem comandará a equipe econômica, qual o compromisso com a regra fiscal e se o apoio do centrão se confirma para a agenda. Se Lula vencer, as perguntas serão sobre o arcabouço fiscal, a orientação para as estatais e como atrair o centrão.

O que observar até 25 de outubro

  • Pesquisas de segundo turno: são a primeira medida de como se dividem os votos dos eliminados.
  • Apoios dos eliminados: Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Zema somam 7,6% dos votos. Apoio declarado, no entanto, não equivale a voto entregue.
  • Comparecimento: a abstenção foi maior no Sudeste (22,7%) que no Nordeste (18,4%).
  • Justiça: a decisão sobre os votos de Garotinho no Rio e a pendência de Deltan Dallagnol na vaga do Paraná no Senado.

O estudo completo, com a calculadora de cenários, os 27 estados, as simulações e os dados para baixar, está em lp.genialinvestimentos.com.br/estudo-eleitoral-2026.

Dados do TSE de 5 de outubro de 2026, com 100% das seções apuradas. Material de caráter informativo, com base em dados públicos sobre as eleições 2026. Não é pesquisa eleitoral, projeção oficial de resultado nem recomendação de investimento. A Genial Investimentos não faz campanha para candidato ou partido.

Acesse o disclaimer.

Filipe Villegas

Estrategista de Ações

Leitura Dinâmica

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