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Publicado em 11 de Agosto às 05:22:48

Randon (RAPT4): 2T21 — Volumes fortes e margens em linha

Engatando a quinta marcha

O resultado veio ligeiramente acima do consenso de mercado. O EBITDA de R$ 323 m e a margem EBITDA de 15,3% ficaram próximos aos valores projetados por nós e inferiores ao que a empresa havia reportado no 1T21 (R$ 334 m e 17,5%). A empresa, divulgou via fato relevante a revisão das suas projeções de receitas para o ano de 2021, aumentando em 25% as expectativas de receita líquida. Numa visão geral, o resultado mostrou a resiliência da Randon, pois vimos outras empresas sofrendo mais por conta da pressão sobre os custos dos insumos e distúrbios em toda cadeia logística. Consideramos o resultado como positivo e esperamos que o segundo semestre siga o mesmo ritmo, com volume de vendas em trajetória ascendente. Lembrando que as ações de Randon seguem sendo negociadas com desconto em relação à média histórica. O resultado recebeu avaliação de 4 estrelas.

Confira um vídeo rápido sobre o balanço!

Análise do Resultado:

A Receita Líquida de R$ 2114 m superou em 10,5% a divulgada no 1T21 No mercado interno, o crescimento foi de 12,3% e no mercado externo de 2,9%.  O EBTIDA de R$ 323 milhões foi 3,4% menor do que o reportado no 1T21. Quando olhamos para os custos dos bens vendidos, houve um crescimento de 13,7%. Assim como esperávamos, observamos margens inferiores em todas as empresas do setor, isso ocorreu por conta do descasamento entre custo de matéria-prima e o repasse de preço e pela escassez de alguns materiais.

No segmento de implementos rodoviários, houve um crescimento de 20,4% na Receita Líquida, saltando de R$ 769m no 1T21 para R$ 926m no 2T21. Nesse segmento, a empresa teve maior dificuldade de repassar os aumentos nos custos de matéria-prima, gerando uma queda no EBITDA de 9,2% em relação ao trimestre anterior. Um grande risco que rondava o segmento era a possibilidade de perda de market-share, que não ocorreu. A Randon segue estável como líder de mercado, com 32,5% do mercado no 2T21 contra 32,2% no 1T21. A entrega de 132 vagões no 2T21, contribuindo para o avanço das receitas, deve seguir contribuindo no segundo semestre.

Para a parte de autopeças, os impactos nas margens foram menores graças a forte demanda no mercado de caminhões. A forte demanda tanto para a produção quanto no mercado secundário, ajudaram no repasse de preço e na melhora do preço médio em diversas linhas de produtos. A receita líquida cresceu 3,3% em relação ao trimestre anterior, superando o aumento nos custos dos produtos vendidos de 3,1%. O impacto na margem foi negativo, em 1 p.p, mas ainda sim, manteve-se em um bom nível, 18,9%.

Revisão Projeções FENABRAVE:

Apesar da falta de semicondutores, as montadoras e as empresas fabricantes de autopeças operaram em plena produção. A atividade aquecida foi devido à forte demanda dos segmentos ligados ao setor de bens de capital, agronegócio e mineração. No cenário interno, revisões nas projeções de vendas de veículos. No segmento de caminhões, que influencia diretamente a demanda do setor de autopeças, o crescimento foi revisado para cima em 8,8 p.p. No segmento de implementos rodoviários, as novas projeções apontam para um volume recorde de vendas, incríveis 95 mil implementos vendidos, uma revisão de crescimento para cima de mais de 18 p.p.

Para ficar de olho — Oportunidades

Mesmo com todas as preocupações em relação a forte inflação nos preços e escassez de matérias-primas, bem como problemas em toda a cadeia logística, acreditamos que a demanda pelos produtos da empresa deve seguir aquecida e esperamos números sólidos de receitas para o próximo semestre. Algumas montadoras já afirmaram não haver expectativa de novas paralisações.

Outro desafio que Randon tem enfrentado é o de ampliar a sua capacidade para atender à crescente demanda do mercado. Aquisições de empresas, têm ajudado nesse processo, pois, mesmo que pequenas, as aquisições das empresas Fundituba, CNCS e da UPI de Fundição e Usinagem do Grupo Menegotti, têm agregando volume produtivo à empresa.

A empresa tem se mostrado muito mais equilibrada e muito mais preparada para enfrentar ciclos desfavoráveis, sua dívida líquida ficou em R$ 1,7 bilhão ao final do semestre, com uma alavancagem de 1,05x o EBITDA. O segmento de autopeças ganhou uma relevância importante, à medida que diversificou boa parte das receitas da empresa. Hoje, nesse segmento, apenas 43% da receita dependem das montadoras, as chamadas OEM’s, 24% são provenientes de exportação e 33% do mercado de reposição.

Assim como a empresa já vinha comunicando, mais uma vez reforçamos que a carteira de pedidos para o segundo semestre indica uma demanda positiva para os próximos meses. Por parte da montadora, a carteira de pedidos acima de 120 dias de implementos segue reforçando nossa tese de que o mercado irá bater recorde em 2021.

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