Publicado em 01 de Setembro às 01:00:01
O mercado de ações encerrou agosto com leve queda de 0,33%, após uma forte recuperação nos últimos pregões que reverteu parte das perdas acumuladas no mês. Os fundos imobiliários, por sua vez, tiveram um desempenho pior, com o IFIX acumulando queda de aproximadamente 1,46% no período, refletindo a pressão sobre os juros longos e a preferência dos investidores por ativos com maior liquidez em um cenário de incertezas eleitorais e geopolíticas.
Para quem busca replicar essa dinâmica de forma simples, também disponibilizamos uma carteira automatizada, que segue a mesma lógica de alocação e permite acompanhar o mercado de maneira prática. A contratação pode ser feita diretamente pelo app da Genial Investimentos.
(i) Mercado internacional
Agosto foi marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela completa estagnação das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O acordo preliminar firmado em junho foi rompido em julho e, ao longo de agosto, o Estreito de Ormuz permaneceu efetivamente fechado pelo Irã, com o fluxo de petróleo operando de forma irregular e muito abaixo da média histórica. O ponto de inflexão ocorreu no último final de semana do mês: no domingo (30), forças americanas atacaram lançadores iranianos na ilha de Larak, e a Guarda Revolucionária do Irã retaliou com mísseis contra bases americanas na Jordânia. Como resultado, o petróleo Brent disparou mais de 6% na segunda-feira (31), ultrapassando US$ 91 por barril, após ter acumulado queda de mais de 4% na semana anterior. O estreito, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do conflito, voltou ao centro das atenções diante do temor de novas interrupções no fornecimento global.
No front monetário, o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas o tom do banco central tornou-se significativamente mais duro ao longo do mês. A inflação medida pelo PCE subiu 3,7% em 12 meses até julho, bem acima da meta de 2% do Fed. O grande destaque foi o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, classificado pelo Barclays como "bastante hawkish". Warsh reafirmou que a meta de inflação de 2% é um "objetivo firme e fixo" e sinalizou que, caso a desinflação não avance com velocidade suficiente, "temos trabalho a fazer". O mercado passou a precificar a possibilidade de até dois aumentos de 0,25 ponto percentual nos juros americanos ainda em 2026, fortalecendo o dólar globalmente e reduzindo o apetite por ativos de mercados emergentes ao longo de todo o mês.
(ii) Mercado doméstico
Copilot said:
O mês foi marcado pelo quarto corte consecutivo da Selic. Em 5 de agosto, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano. A decisão veio acompanhada de uma ata, divulgada em 11 de agosto, que reafirmou que a magnitude do ciclo de flexibilização será ajustada conforme a evolução do cenário econômico. O alívio inflacionário deu fôlego ao Banco Central: o IPCA-15 registrou deflação de 0,40% em agosto, a maior queda para o mês desde maio de 2020, puxada principalmente pelos grupos de energia elétrica e alimentação. Com isso, o acumulado em 12 meses recuou para 4,24%, abaixo do teto da meta de 4,5%. Apesar da melhora, o Boletim Focus de 31 de agosto manteve a projeção do IPCA para 2026 em 5,01%, ainda acima do centro da meta, enquanto a estimativa para o PIB foi revisada de 1,95% para 1,92%.
No mercado financeiro, o Ibovespa viveu um mês de forte volatilidade. O índice chegou a acumular queda de 6,5% no dia 18, após 11 pregões consecutivos de baixa, com cerca de R$ 306 bilhões em valor de mercado evaporados no período. No entanto, uma recuperação expressiva nos últimos dias do mês praticamente eliminou as perdas acumuladas, e o índice encerrou agosto com leve recuo de 0,33%, aos 145.275 pontos. O juro real brasileiro permaneceu entre os mais elevados do mundo, em aproximadamente 9,33%, enquanto o mercado segue projetando uma Selic terminal entre 13,0% e 13,25% ao final de 2026.
Em agosto, ambas as carteiras tiveram um retorno superior do IFIX. O retorno da carteira Renda foi 226 bps acima do IFIX, ao passo que a Valor foi 185 bps.
Ativos que fizeram aquisições com cotas sofreram pressões relevantes no preço no mês. Contudo, continuamos confiantes nas teses visando o longo prazo, mantendo o valor das carteiras. Não fizemos alterações com relação ao peso das carteiras.
Alterações
Nenhuma alteração na carteira.
Recomendação Carteira Renda – Setembro/2026
Performance
No mês de agosto a Carteira Renda teve performance de 0,81%, em comparação a -1,46% do IFIX.
Desempenho Carteira Renda – Agosto/2026
Alterações
Nenhuma alteração na carteira.
Recomendação Carteira Valor – Setembro/2026
Performance
Já a Carteira Valor teve performance de 0,39%, em comparação a -1,46% do IFIX.
Desempenho Carteira Valor – Agosto/2026
A carteira recomendada tem como objetivo obter desempenho superior ao IFIX, mas com menos volatilidade. Segue abaixo o desempenho das duas modalidades comparadas ao índice.
-Fundo de Multiestratégia.
O BTG Pactual Real Estate Hedge Fund é um FII com o objetivo de alocar recursos em uma ampla gama de ativos do setor imobiliário. Seu portfólio inclui CRIs, FIIs e ativos reais, visando capturar oportunidades de valorização independentemente das condições macroeconômicas e proporcionar crescimento contínuo no valor das cotas ao longo do tempo.
Anteriormente negociado no ambiente Cetip, o BTHF realizou uma fusão com o BCFF no final do ano de 2024, sendo então listado na B3 e tendo os ativos do antigo FoF do BTG incorporados. De maneira geral, gostamos da carteira do fundo, tanto no que tange aos CRIs, aos FIIs e ativos reais. Entendemos que ele possui diversificação suficiente para dispersar riscos de inadimplência e concentração satisfatória para possibilidade de geração de alpha.
Apesar da recuperação do fundo, ainda acre observar essa queda, vemos o fundo em patamares ainda descontados, e acreditamos que essa é uma ótima oportunidade de manter uma alocação estratégica, visando não só um yield elevado de aproximadamente 13,0%. Além disso ainda vemos a cota relativamente descontada atualmente de 0,90x.
-Fundo de Multiestratégia.
Real Estate Hedge Fund de mandato flexível. Embora mantenha maior concentração de sua alocação em CRIs, o fundo explora taticamente oportunidades em incorporação, FIIs e ações do setor imobiliário. Um diferencial relevante é viés prefixado com kicker variável, otimizando o retorno em diferentes cenários de juros.
A tese se baseia na sinergia da originação proprietária, que permite capturar estruturas exclusivas com retornos superiores. Com uma alocação de 66,0% em CRIs, 18,0% em incorporação, e 12,0% em FIIs, o fundo equilibra renda e ganho de capital devido ao seu mandato flexível. Acreditamos que MANA11 está bem posicionada para manter um alinhamento om os investidores que deve permitir o atual yield de maneira consistente nos próximos meses e anos.
O fundo possui uma liquidez média diária de R$ 1,0 milhão e um histórico de dividendos de R$ 0,12/cota, levando a um Dividend Yield de ~14,22% nos últimos 12 meses, reforçando a consistência e o valor do ativo. Adicionamos o ponto do kicker variável com destaque recente para a operação do Grand Pulse Jundiaí, gerando um TIR de 58,6%.
-Fundo de Recebíveis.
Fundo de recebíveis da Clave Alternativos que busca construir uma carteira diversificada de CRIs, majoritariamente em emissões com benchmark em juros reais, destinada para financiar a aquisição de imóveis, adiantar recebíveis imobiliários e conceder crédito corporativo, com maior foco na região Sudeste e nos segmentos residencial, logístico e comercial. Fundo possui CRIs indexados em inflação (97,0%) e CDI (3,0%), com spread MTM médio de IPCA+10,29% a.a. e CDI+3,0% a.a.
O fundo possui uma carteira composta por operações que oferecem uma taxa média líquida de IPCA+10,29%. Além disso, a carteira do CLIN11 já “nasce diversificada” em termos de segmento e localização, o que contribui para a mitigação de riscos e a estabilidade dos rendimentos. O fundo conta com devedores de alta qualidade, reduzindo o risco de inadimplência e proporcionando maior segurança. Atualmente, o CLIN11 já integra o IFIX em 0,3%, com uma crescente em sua liquidez diária (R$1 milhão/dia) em pouco mais de 1 ano de existência (início em 31/07/2023), demonstrando maturidade célere e consistência em sua gestão. Seguimos confiantes nos pagamentos em patamares similares ao seu histórico e comum yield de 12,8%.
-Fundo de Logística.
O GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária) é um fundo de investimento imobiliário (FII) de logística que investe prioritariamente em imóveis comerciais, industriais e logísticos para geração de renda. Com uma gestão ativa e foco em locações atípicas, o fundo possui um portfólio diversificado de 39 imóveis e tem apresentado forte expansão operacional e de liquidez.
Destacamos o GGRC11 como uma de nossas recomendações no segmento logístico, sustentado por um portfólio de galpões pulverizado geograficamente e ancorado em contratos de longo prazo (built-to-suit, sale-and-leaseback e retrofit), agora complementado por ativos estratégicos. Nos empreendimentos em obra, a estrutura de Renda Mínima Garantida assegura previsibilidade de receita durante o ramp-up, mitigando o risco de vacância. Negociando a P/VP de ~0,89x e com dividend yield de ~12% nos últimos 12 meses, entendemos que o desconto frente ao valor patrimonial, somado à qualidade dos contratos, sustenta nossa visão construtiva para o papel.
Nas últimas semanas, destacamos a intensa qualificação do portfólio, com uma série de aquisições relevantes de galpões logísticos de alto padrão, boa parte estruturada com mecanismos de earn-out que capturam o upside de locação. Em alguns casos em aquisições na casa dos 10% e TIRs anualizadas próximas de 20%. Chama atenção que essas compras vêm sendo pagas via compensação de créditos no âmbito da emissão recente, precificada em linha com o valor patrimonial, movimento acretivo frente ao preço de tela e beneficiado pela forte aderência da oferta. Seguimos vendo o fundo bem ativo, aproveitando um momento favorável para o segmento de galpões logísticos.
-Fundo de Multiestratégia.
Fundo multiestratégia da SPX SYN Gestão de Recursos que tem objetivo obter rendimentos e/ou ganho de capital por meio de um mandato mais amplo de investimentos, como em CRIs, ações imobiliárias, cotas de FII e ativos reais. O portfólio de ativos contempla 75,0% em CRIs, 13,0% em FIIs, 9,0% em Caixa, e 3,0% em Ações. A estratégia atualmente está alocada em ativos geração de renda (93,0%), ganho de capital (4,0%) e o restante em ativos com perfil renda e ganho de capital (3,0%). O spread médio da carteira de CRIs representa IPCA+10,0% e CDI+4,5%.
O fundo ainda apresenta desconto frente a sua cota patrimonial, negociando atualmente a um P/VP de 0,91, além de um dividend yield próximo a 14,7% . Embora apresente um perfil de risco intermediário, as operações são respaldadas por garantias robustas e taxas competitivas. A flexibilidade de mandato, característica de fundos multiestratégia, permite que o fundo se adapte às variações dos cenários macroeconômicos. Atualmente, o fundo tem 57,0% de sua carteira de CRIs atrelada ao IPCA e 43,0% ao CDI, posicionando estrategicamente frente um cenário de incerteza em relação taxa de juros.
-Fundo de Recebíveis.
Fundo da Kinea que tem como objetivo investir em CRIs com boa relação de risco retorno indexados tanto à IPCA quanto ao CDI. As duas maiores alocações por setor concentram no setor de escritórios e o residencial.
O fundo segue com suas operações compromissadas, que por sua vez alcançaram cerca de 10,0% do PL. Ressaltamos que ainda enxergamos esse percentual como sendo algo saudável, dado o spread entre as taxas adquiridas pelo fundo e o custo das operações.
A recomendação para este FII se fundamenta na qualidade dos seus devedores e na diversificação de sua carteira, que está bem indexada tanto ao CDI quanto ao IPCA. Diante de um cenário de altas taxas de juros e inflação persistente, o fundo se mostra particularmente uma ótima opção apresentando uma postura mais defensiva. Atualmente, o fundo negocia com um yield de aproximadamente IPCA+9,48% líquido, o que representa aproximadamente 151 bps da NTN-B de referência.
-Fundo de Multiestratégia.
Fundo multiestratégia da Itaú Asset que tem como objetivo investir em diferentes classes do setor imobiliário. Constituída em março de 2024, a estratégia busca retorno total médio de 16,0% a.a., líquido de IR, nos três primeiros anos. 81,0% do patrimônio está alocado em FIIs, 10,0% em CRIs e 5,0% em ações do setor, além de participação em fundos de desenvolvimento. As maiores exposições setoriais estão em CRIs residenciais e escritórios, enquanto no portfólio de FIIs destacam-se papéis/CRI, shoppings e logística.
Escolhemos esse fundo por entendermos que ele combina uma carteira sólida de CRIs com uma diversificação relevante em fundos imobiliários. Com a expectativa de início do ciclo de queda da taxa Selic se tornando cada vez mais concreta, acreditamos que a composição atual do portfólio, com nomes de qualidade, tende a gerar resultados positivos no ambiente de cortes de juros.
Adicionalmente, por ter sido constituído no início de 2024, o fundo conseguiu realizar alocações em CRIs com taxas mais elevadas do que muitos de seus pares, estruturados em anos anteriores. Dessa forma, mesmo que o início do ciclo de flexibilização monetária seja adiado ou ocorra em um ritmo mais gradual, o fundo ainda preserva um bom nível de carrego, sustentado pelas condições favoráveis dessas alocações iniciais.
-Fundo de Recebíveis.
Fundo de recebíveis da Pátria que aplica em CRIs, LCIs, LHs e outros ativos financeiros imobiliários. O VCJR11 paga rendimentos mensais a seus cotistas e busca acompanhar a rentabilidade da NTN-B + 1,0% a 3,0% a.a.
O fundo está com 83,8% do seu PL alocado, principalmente em CRI e FII, com 69,0% das operações com garantias no estado de São Paulo. O fundo mantém 90,0% do PL indexado a IPCA+10,6% (MTM) com duration de 4,1 anos, e 9,0% do PL a CDI+5,5% (MTM) com duration de 4,1 anos. As 3 maiores alocações setoriais da carteira se dividem em residencial, varejo e energia. Suas maiores posições são os CRIs Matarazzo e JFL Jardins.
Em nossa visão, o fundo segue negociando com um desconto exagerado a um P/VP de 0,85, o que corresponde a um yield de 14,6%.
-Fundo de Logística.
Fundo de logística da Vinci com objetivo de gerar renda por meio da aquisição e locação de imóveis prontos ou em construção, assim como ganho de capital obtido pela compra e venda dos imóveis. Atualmente, o fundo possui participação em 1 imóveis, somando 390 mil m² espalhados por 7 estados nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Dentre seus inquilinos estão a Tok&Stok, Ambev e Netshoes, entre outros totalizando mais de 60 locatários.
O VILG11 destaca-se pelo desconto patrimonial atrativo (P/VP de 0,91) e portfólio de alta qualidade com vacância resiliente de apenas 2,0%. A gestão realiza reciclagem estratégica de capital, com proposta recente para consolidar ativos em Ipojuca e destravar valor ao cotista.
-Fundo de Recebíveis.
Fundo de Recebíveis da HSI, com 35,3% da carteira alocada em CRIs indexados ao IPCA, com spread médio de IPCA + 8,6% ao ano. Já os ativos indexados ao CDI representam 27,2% da carteira, com spread médio de CDI + 4,7% a.a. A carteira apresenta 100,0% de adimplência, em linha com o histórico do fundo, e conta com operações estruturadas majoritariamente via originação própria. Em termos de distribuição, o fundo vem pagando R$ 0,95 por cota de forma recorrente nos últimos 15 meses, apoiado pelo resultado operacional e pelo nível de caixa disponível.
Atualmente, 35,3% da carteira do fundo está indexada ao IPCA, com spread médio de IPCA + 8,64% a.a., o que, pela metodologia de marcação da gestora, equivale a uma taxa implícita de NTN-B de aproximadamente 11,1%, considerando títulos de duration similar.
Já os CRIs indexados ao CDI representam 27,2% da carteira, com spread médio de CDI + 4,66% a.a., refletindo um perfil equilibrado entre indexadores e boa captura do atual patamar de juros.
O fundo apresenta 100,0% de adimplência em toda a carteira, reforçando a qualidade do crédito e a robustez das estruturas das operações. Na nossa visão, o HSAF11 está bem posicionado para atravessar o atual ambiente de incerteza quanto à trajetória futura dos juros, beneficiando-se tanto da parcela indexada à inflação quanto da exposição ao CDI.
Outro diferencial relevante é o fato de a gestora originar parte relevante das operações, o que permite maior controle de risco, melhor estruturação de garantias e spreads mais atrativos. Enxergamos o fundo com perfil high/middle risk, e entendemos que, em momentos de aumento de peso relativo em alocações de maior retorno, o veículo tende a potencializar a geração de valor no longo prazo.
Em termos de distribuição, o fundo vem pagando R$ 0,95 por cota nos últimos 15 meses, patamar que consideramos sustentável, dado o nível atual de resultado recorrente e o caixa disponível.
-Fundo de Shoppings
Antigo fundo de Shopping Center da Genial Gestão, que por sua vez foi adquirido pelo Patria, que tem como objetivo a aquisição de ativos performados, resilientes e com dominância regional. Atualmente seu portfólio é composto por 14 ativos totalizando 139 mil de ABL, distribuídos em 6 estados, com presença majoritária no Sudeste e Nordeste.
O PMLL11 negocia com desconto atrativo (P/VP de 0,94) e portfólio resiliente com 97,0% de ocupação e vacância de apenas 3,0%. Com dividend yield projetado de ~10,3% a.a. (R$ 1,00/cota), o fundo oferece renda estável e potencial de valorização via gestão ativa e a consolidação estratégica de ativos da RBR.
CSHG Real Estate FII – HGRE11
-Fundo de Lajes Corporativas.
Fundo do Patria que tem como objetivo a aquisição de ativos corporativos voltados para a renda. O fundo possui 13 ativos espalhados do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul somando 144 mil m² de ABL. Dentre os principais ativos termos de receita para o fundo destacam o Edifício Chucri Zaidan, Martiniano e Centro Empresarial Sêneca, todos localizados em São Paulo/SP.
Apesar da queda acentuada das cotas do fundo nos últimos meses, acreditamos que o fundo se encontra em um patamar de desconto elevado, negociando a 0,87x sua cota patrimonial.
Isso aliado à expectativa de que o fundo consiga relocar os imóveis desocupados, além de seguir com sua estratégia de desinvestimento ainda nos faz acreditar que o fundo segue sendo uma ótima opção nos níveis de preço atuais.
-Fundo de Recebíveis.
O RBRR11 é o fundo imobiliário de papéis High Grade da RBR Asset Management. Seu objetivo é investir em papéis com boa qualidade de crédito e boas garantias. Sua carteira de CRIs é composta por 110 ativos: 99,0% indexado à inflação, com taxa MTM de IPCA+9,2%, apresentando duration médio de 4,1 anos e LTV de 50,0%. Sua carteira é composta por devedores com boa qualidade de crédito como Brookfield, Rede D’Or e LogCP. Vale destacar que 40,0% das garantias estão localizadas em regiões prime.
O RBRR11 foca em CRIs High Grade com 99,0% da carteira atrelada ao IPCA e garantias em regiões prime de São Paulo. Negocia com desconto atrativo (P/VP de 0,86), entregando um yield de ~11,9% a.a. e dividendos resilientes. É uma tese em que encaixamos ideal para proteção contra a inflação e ganho real consistente no longo prazo, alinhado com sua alta diversificação de ativos e high grade.
-Fundo de Recebíveis.
Fundo da Riza Asset, tem como objetivo gerar retornos consistentes acima do IPCA+5,0% ao ano, investindo em uma carteira imobiliária diversificada. A estratégia é centrada na aquisição de imóveis de empresas que buscam otimizar sua estrutura de capital por meio da desmobilização de ativos. O portfólio é composto, majoritariamente, por ativos industriais, logísticos e comerciais, com preferência por setores considerados resilientes.
Nossa escolha pelo fundo se fundamenta na combinação entre sua estratégia diferenciada e o nível atrativo de preço. A dinâmica consiste na aquisição de imóveis diretamente de empresas, com forte desconto em relação ao valor de mercado, seguida da locação para a mesma companhia. Além disso, é concedida à empresa uma opção de recompra que se torna inválida em caso de inadimplência.
O principal atrativo dessa estrutura está na assimetria de retorno: caso a empresa se torne inadimplente, o fundo consolida a posse do imóvel e tem a possibilidade de vendê-lo a mercado por um valor significativamente superior ao da compra, gerando ganhos de capital e, consequentemente, potencializando a distribuição de dividendos.
Ainda assim, as operações do fundo possuem taxas consideravelmente atrativas, a uma taxa média de IPCA+10,0%, enquanto o fundo negocia a um P/VP de 0,95x.
-Fundo de Shoppings.
Fundo de shopping da Vinci. Atualmente composto por 31 shoppings e com participações em todas as regiões do país, a estratégia do fundo consiste em adquirir shoppings maduros e estrategicamente posicionados, que gerem fluxo consistente de consumidores, estejam localizados em regiões adensadas e permitam flexibilidade na forma de aquisição e administração.
O fundo possui um portfólio sólido e bem distribuído geograficamente, o que reforça sua resiliência e flexibilidade. Ainda que detenha participações não majoritárias em muitos ativos, sua estratégia inclui atuar na reorganização e melhoria operacional dos shoppings, abrindo espaço para vendas parciais a preços superiores ao valor investido e gerando ganhos de capital, sem comprometer o alinhamento estratégico. O bom relacionamento com os administradores também favorece esse processo, permitindo à gestão manter influência sobre os ativos.
Em comparação à média do mercado, o fundo apresenta um histórico positivo, com aquisições realizadas a cap rates elevados e alienações a cap rates comprimidos – prática que demonstra eficiência na alocação de capital e na geração de valor via reciclagem de portfólio. Adicionalmente, o segmento de shoppings vem demonstrando resiliência, com crescimento real tanto nas vendas quanto nos aluguéis nos últimos 12 meses. O fundo Negocia com P/VP de 0,94, oferecendo um Dividend Yield de 8,92% a.a.
-Fundo de Multiestratégia.
Fundo multiestratégia da RBR Asset que tem como objetivo investir de forma diversificada em crédito, desenvolvimento imobiliário, tijolo e ações. O portfolio tem 58,8% em FIIs, 38,8% em CRIs, e o restante distribuidos em SPE, imóveis e caixa.
O fundo negocia com desconto relevante (P/VP de 0,88) e entrega um Dividend Yield de ~12,4% a.a., mantendo R$ 0,09/cota de forma recorrente. A tese foca em capturar ganhos de capital em ativos subavaliados e gerar renda via ativos de crédito de alta qualidade.
Identificar, através da análise fundamentalista e de múltiplos, fundos imobiliários que apresentam oportunidade de investimento de acordo com os objetivos de cada investidor, além disso sugerimos o peso para cada ativo de forma a equilibrar o risco da carteira.
Follow-on: Oferta pública subsequente ao IPO.
FFO (Funds from Operation): Geração de caixa de um fundo imobiliário.
High Grade: Ativos de renda fixa atrelados a devedores com bom risco de crédito, ou seja, de baixo risco.
High Yield: Ativos de renda fixa atrelados a devedores com risco elevado, consequentemente com maior remuneração.
Ifix: Índice dos fundos de investimento imobiliário.
IPO: Oferta pública inicial.
Liquidez: Capacidade e rapidez com que um ativo é convertido em dinheiro.
LTV (Loan-to-Value): Saldo devedor da operação/valor da garantia.
NOI: Lucro operacional líquido.
Pipeline: Conjunto de bens ou ativos que o fundo pretende adquirir
PL: Patrimônio líquido do fundo.
RMG: Renda mínima garantida pelo vendedor do ativo.
Spread: Diferença entre a taxa cobrada de uma operação e a taxa de referência (Ex.: NTN-B), com mesma duration.
Taxa de administração: Remuneração dos administradores.
Taxa de gestão: Remuneração dos gestores.
Ticker: Código de negociação do FII na Bolsa.
TIR: Taxa interna de retorno.
P/VPA: Valor de mercado dividido pelo patrimônio líquido.
WAULT (Weighted Average of Unexpired Lease Term): Média ponderada do prazo dos contratos dos aluguéis pela receita vigente de aluguel próprio.
João Caldas
Analista de Fundos Imobiliários