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Thainá Rambaldo

Carteiras Recomendadas > Carteiras Recomendadas > Carteira Recomendada > Carteira Recomendada Renda Fixa | Outubro 2026

Publicado em 06 de Outubro de 2026 às 15:51:36

Carteira Recomendada Renda Fixa | Outubro 2026

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A leitura do time de estratégia, em uma página

A carteira combina títulos públicos e crédito privado selecionado, equilibrando carrego, proteção real e liquidez. No pós-fixado, a LFT 2029 e o CDB do Guanabara (107,0% do CDI) capturam o nível ainda elevado da Selic, em 13,75%, com baixa volatilidade e estabilidade diante das incertezas fiscais e eleitorais. O destaque do mês é a proteção real: as NTN-Bs 2032 e Principal 2035, ao redor de IPCA + 7%, somadas aos CDBs do Pine (IPCA + 7,15%) e do Fibra (IPCA + 7,60%), travam taxas reais acima da meta com duration longa, formando a peça mais assimétrica num eventual fechamento das taxas por melhora fiscal. Na parcela prefixada, a LCI do Inter (11,40%, isenta) e o CDB do Original (14,68%) capturam o juro nominal, com seletividade e cautela na ponta longa.

O que vem de fora e o que o Copom fez com isso

Internacional

Setembro foi marcado pela forte abertura dos juros nos Estados Unidos. A combinação de petróleo elevado, atividade resiliente e inflação mais resistente consolidou a percepção de que os juros permanecerão altos por mais tempo. O Fed elevou os Fed Funds para o intervalo de 3,75% a 4,00% e passou a sinalizar ao menos mais uma alta em 2026. O movimento percorreu toda a curva: a Tnote de 2 anos encerrou a 4,88%, a de 10 anos a 5,29% e o T-bond de 30 anos a 5,63%, maior patamar desde 2002. Para o Brasil, esse ambiente eleva o custo de capital global, pressiona o câmbio e sus‐ tenta prêmio na nossa curva longa, mesmo após a reprecificação doméstica.

Copom e Selic

No Brasil, a desaceleração da atividade e a continuidade do ciclo de flexibilização favoreceram o fechamento da curva, apesar da volatilidade externa e da proximidade das eleições. O Copom reduziu a Selic para 13,75%, o quinto corte consecutivo de 25 pon‐ tos-base, e o mercado segue precificando novos cortes nas próxi‐ mas reuniões. A comunicação manteve a dependência dos dados, com a extensão do ciclo condicionada à inflação e às expectativas. Ainda assim, os juros nominais e reais permanecem em patamares elevados, refletindo as incertezas fiscais e eleitorais de prazo mais longo. O nível atual sustenta o apetite por pós-fixados, enquanto prefixados curtos capturam a continuidade esperada dos cortes com menor risco de duration.

Quanto o juro paga e por quanto tempo vale travar

Juro real

As taxas reais dos títulos públicos indexados à inflação acompa‐ nharam o fechamento da curva doméstica, mas seguem historica‐ mente elevadas. As NTN-Bs negociaram ao redor de IPCA + 7% nos vértices intermediários e próximo de IPCA + 6,9% nos mais longos, patamares que remuneram com folga a proteção contra a inflação e a incerteza fiscal. Com a inflação implícita ainda acima da meta de 3%, o investidor que trava agora recebe carrego real relevante e carrega uma assimetria favorável para um eventual fechamento adicional das taxas, caso a trajetória fiscal melhore. A contrapar‐ tida é a marcação a mercado mais intensa nos vencimentos longos, que exige compatibilizar o prazo do título com o horizonte do investimento.

Curva de juros

A curva doméstica apresentou forte fechamento em setembro, concentrado nos vencimentos mais longos. Mesmo com a abertura dos juros americanos, a curva brasileira foi favorecida pelos indi‐ cadores de desaceleração da atividade e pela perspectiva de con‐ tinuidade dos cortes da Selic. O DI jan/27 recuou 5 pontos-base, para 13,56%, enquanto o DI jan/31 caiu 55 pontos-base, para 13,96%, levando trechos da parte longa para baixo da Selic. O movimento refletiu a compressão do prêmio fiscal e do prêmio elei‐ toral, além de ajustes técnicos. O contraponto vem dos Treasuries acima de 5% e da ausência, até aqui, de medidas fiscais que vali‐ dem integralmente a reprecificação. Para prazo, a relação riscoretorno segue mais equilibrada nos vencimentos curtos e intermediários.

O que o crédito cobra e o que sustenta o carrego

Crédito privado

O crédito corporativo teve desempenho misto em setembro. Os spreads das debêntures indexadas ao CDI permaneceram relati‐ vamente estáveis, enquanto os ativos incentivados passaram por nova rodada de abertura, atingindo as máximas do ano. O movi‐ mento refletiu sobretudo fatores técnicos: a realização de negócios a taxas mais altas ajustou as referências de negociação e ampliou a pressão sobre os spreads, num ambiente de retomada dos res‐ gates nos fundos isentos. A reabertura dos prêmios amplia oportu‐ nidades, mas reforça a necessidade de seletividade. Mantemos preferência por emissores de alta qualidade, com fundamentos sólidos, boa liquidez e receitas mais previsíveis, e privilegiamos a diversificação entre setores, indexadores e prazos.

Fluxo

A renda fixa local segue sustentada por uma base doméstica rele‐ vante, que dá suporte ao carrego mesmo diante da volatilidade externa. A reprecificação de setembro, puxada pela leitura de desaceleração e pela continuidade dos cortes, reduziu a procura por proteção e favoreceu os ativos em moeda local, com os investi‐ dores combinando diferentes indexadores e emissores para reduzir concentração. O apetite recai sobre títulos líquidos e sobre o car‐ rego pós-fixado, enquanto a demanda pela parte longa depende da confirmação fiscal. A continuidade do movimento está condicio‐ nada ao avanço de medidas fiscais concretas e ao alívio da pressão vinda dos juros globais.

Os 8 ativos do mês

BANCO GUANABARA S/A

O CDB do Banco Guanabara S/A entra na carteira com taxa de 107,0% CDI, rating A e vencimento em 2029-09-19, com duration de 2,9 anos. O prêmio sobre a referência de 0,96 pp e o prêmio por risco de 0,16 acompanham risco de crédito BAIXO e risco de 6,0 pts. Com cobertura do FGC e acesso ao Público Geral, serve ao perfil de investidor Conservador, sujeito a IR regressivo.

BANCO PINE S/A

O CDB do Banco Pine oferece IPCA + 7,15%, rating A+ e vencimento em 2028-10- 05, com prêmio sobre a referência de 0,31 pp e prêmio por risco de 0,04. O risco de crédito BAIXO, de 7,9 pts (perfil de investidor Conservador), e a cobertura do FGC sustentam a alocação para o Público Geral, observados a duration de 2,0 anos e o IR regressivo.

BANCO ORIGINAL S/A

O CDB do Banco Original S/A entra na carteira pela taxa prefixada de 14,68%, com prêmio de 1,80 pp sobre a referência. O rating BBB, o vencimento 2030-10- 04 e o risco de crédito BAIXO delimitam a exposição; o risco de 16,0 pts e o prê‐ mio por risco de 0,11 indicam adequação ao perfil Moderado. Conta com cober‐ tura do FGC e acesso ao Público Geral.

BANCO INTER S/A

A LCI do Banco Inter tem indexador Prefixado e taxa de 11,40%, com vencimento em 2029-09-20 e duration de 2,9 anos. O rating AA+, o risco de crédito BAIXO e o risco de 9,2 pts sustentam a adequação ao perfil Conservador. O prêmio sobre a referência é de 0,57 pp, com prêmio por risco de 0,06; o papel é isento de IR e conta com cobertura do FGC.

BANCO FIBRA S/A

O CDB do Banco Fibra oferece IPCA + 7,60%, com rating BBB+ e venci. mento em 2030-04-15, além de duration de 3,5 anos. O prêmio sobre a referência é de 0,54 pp e o prêmio por risco, de 0,05, enquanto o risco de crédito é BAIXO e o risco soma 10,4 pts. Com cobertura do FGC e IR regressivo, atende ao Público Geral de perfil Moderado.

TESOURO SELIC (LFT)

A LFT é o título público pós-fixado que acompanha a Selic, hoje em 13,75%. Entra na carteira como âncora de liquidez e caixa, com a menor volatilidade entre todos os ativos e risco soberano. Preserva o carrego atrativo dos juros elevados e dá estabilidade diante das incertezas fiscais e eleitorais, sem risco de crédito privado.

TESOURO IPCA+ 2032 (NTN-B)

A NTN-B com vencimento em 2032 trava juro real de IPCA + 7,06% em prazo intermediário, com duration de cinco anos. Oferece proteção contra a inflação ainda acima da meta e remunera taxa real historicamente elevada. É peça de proteção estrutural, com risco soberano, e carrega assimetria favorável num eventual fechamento das taxas por melhora fiscal.

TESOURO IPCA+ 2035 (NTN-B Principal)

A NTN-B Principal 2035 trava juro real de IPCA + 6,86% com duration longa, de 8,4 anos. É a peça mais assimétrica da carteira: captura taxas reais elevadas e tem maior potencial de valorização num fechamento das taxas por melhora fiscal. A contrapartida é a marcação a mercado mais intensa, que exige horizonte de investimento compatível.

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Thainá Rambaldo

Analista Macro

Roberto Motta

Estrategista Macro

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