Filipe Villegas

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Publicado em 01 de Agosto às 22:02:53

Carteira Recomendada de Ações – Agosto de 2026

O mês em que o petróleo mandou

Julho teve um eixo só, e ele não estava no Brasil. O barril saiu de pouco mais de US$ 70 no começo do mês, atravessou os US$ 95 no auge da escalada entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, encostou nos US$ 100 e voltou para perto de US$ 88 quando a tensão cedeu. Cada movimento desse arrastou a curva de juros americana junto, e o título de trinta anos passou o período mais longo acima de 5% desde 2007.

Essa é a explicação para quase tudo o que aconteceu nas bolsas no mês, inclusive para o que aconteceu por aqui. Enquanto o custo do dinheiro longo sobe lá fora, ativo de duração longa fica mais caro de carregar em qualquer lugar, e foi isso que separou vencedores de perdedores em julho com mais força do que qualquer fundamento individual.

O segundo eixo foi a correção dos semicondutores. O grupo chegou a acumular queda de 20% desde o pico de junho, arrastou o Kospi para uma sessão de menos 11%, e o mercado deixou de perguntar se há demanda por chips para perguntar quando o investimento pesado das grandes plataformas de tecnologia começa a dar retorno. O spread de crédito das empresas que financiam essa infraestrutura saiu de 118 para mais de 150 pontos-base, e crédito costuma perceber esse tipo de coisa antes da bolsa.

O terceiro eixo foi doméstico e político. A tarifa americana de 25% sobre parte das exportações brasileiras entrou em vigor com exceções relevantes, o que reduziu o dano direto, mas recolocou o prêmio político no preço num ano eleitoral. Ao mesmo tempo, a inflação continuou dando boas notícias: o IPCA-15 veio em 4,52% em doze meses, e a curva passou a embutir corte da Selic já na reunião de agosto.

O resultado dessa combinação é um mercado que compra Brasil, mas cobra prova. O investidor estrangeiro apareceu em Petrobras, bancos e exportadoras. O investidor local continuou preso à renda fixa, porque juro real perto de 8% ainda compete de igual para igual com bolsa. E entre os dois, o que passou foi companhia com fluxo de caixa hoje, não promessa para depois.

O que isso significa para agosto

Três leituras orientam as mudanças deste mês.

A primeira é que o Brasil voltou a ganhar do mundo na margem. Enquanto o mercado americano corrigiu em julho, a bolsa brasileira medida em dólar subiu quase 6%, e no acumulado de doze meses a diferença entre os dois é larga. Não é uma virada estrutural, é o começo de uma rotação que depende da Selic confirmar a queda que a curva já precifica.

A segunda é que valor está ganhando de crescimento, e isso vale dentro e fora do país. O índice das grandes companhias tradicionais americanas rendeu sete pontos percentuais a mais que o das empresas de tecnologia em julho. É a expressão do mesmo fenômeno do juro longo: quando o dinheiro custa caro, o mercado paga por lucro presente.

A terceira é que a energia voltou ao centro. O petróleo subiu quase 20% no mês e isso alcança direto uma parte relevante das nossas posições. Vale a ressalva: nos últimos pregões o barril já devolveu parte do movimento, então tratamos isso como suporte de resultado, não como tese de entrada.

Como as carteiras de ações fecharam julho. O Ibovespa subiu 3,47% no mês e nenhuma das nossas carteiras de ações acompanhou. A IBOV 5+ ficou mais perto, com alta de 2,47%; a IBOV 10+ subiu 0,56%; a DIVO 5+, 0,69%; a ESG 5+, 0,84%. No small cap o movimento foi de queda: a SMAL 8+ recuou 2,06% e a MICRO 5+, 3,35%, contra queda de 0,77% do SMLL.

No acumulado do ano, a DIVO 5+ lidera entre as de ações com alta de 6,98%, seguida pela ESG 5+ com 5,03% e pela IBOV 5+ com 2,93%. A IBOV 10+ está praticamente estável, com queda de 0,63%, e as duas carteiras de menor capitalização seguem negativas: MICRO 5+ em 3,51% e SMAL 8+ em 5,21%.


Carteira Ibovespa 10+

Desempenho: a carteira subiu 0,56% em julho, contra alta de 3,47% do Ibovespa no mesmo período, e acumula queda de 0,63% em 2026.

Entram Bradsaúde, Ultrapar e Vibra. Saem Copel, Log e Tenda.

A carteira ganha exposição a três casos de virada operacional em curso e perde três posições cujo momento se deteriorou. Optamos por manter Itaú e JHSF, que apareciam como candidatos naturais à saída pelo critério quantitativo, porque os dois entregam retorno sobre patrimônio acima de 22% com múltiplos que não pedem crescimento agressivo para se justificar. Manter os dois também evitou concentrar a carteira em uma única cadeia produtiva, o que aconteceria caso levássemos a leitura quantitativa ao pé da letra.

BBSE3 · BB Seguridade

É a maior rentabilidade da carteira e uma das mais consistentes da bolsa brasileira. O retorno sobre patrimônio de 72,7% não tem paralelo entre as companhias que acompanhamos, e vem com múltiplo de 8,6 vezes lucro, combinação que raramente aparece junto. O lucro de R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre sustenta a distribuição elevada que caracteriza o papel, e o crescimento médio de lucro dos últimos cinco anos passa de 19% ao ano. Seguimos atentos ao segmento de seguros, que ainda roda abaixo do potencial e é justamente onde vemos o espaço adicional de resultado.

CSMG3 · Copasa

É a maior convicção do mês, presente em cinco das seis carteiras de ações. A privatização destrava um plano de investimentos com potencial de levar a geração de caixa dos atuais R$ 3,3 bilhões para perto de R$ 5,9 bilhões até 2030, um crescimento composto de 15% ao ano em quatro anos. Mesmo depois de subir mais de 160% em doze meses, o papel negocia a 17,8 vezes lucro, com retorno sobre patrimônio de 15,5%. O cronograma do processo é o que define o ritmo daqui para frente, e é o que acompanhamos mês a mês.

CXSE3 · Caixa Seguridade

Entrega retorno sobre patrimônio de 31,9% pagando 92% do lucro em dividendos, uma combinação que sustenta a posição em três carteiras. O trimestre veio forte, com receitas de R$ 1,5 bilhão e crescimento de 10,3%, e lucro de R$ 1,14 bilhão. O canal de distribuição bancário é a vantagem competitiva do caso: dá acesso a um cliente que a concorrência não alcança pelo mesmo custo. O crescimento acompanha o ritmo de originação da rede, o que torna o resultado previsível e faz do papel uma posição de renda dentro da carteira de ações.

ENEV3 · Eneva

Foi o maior crescimento de receita entre todas as posições, com avanço de 35,3% em doze meses, e o lucro subiu 36% no trimestre, com geração de caixa de R$ 1,7 bilhão. A companhia combina contratos de longo prazo, que dão previsibilidade, com uma agenda de destravamento de valor nos ativos de gás e nos leilões de capacidade que ainda não está no resultado corrente. O múltiplo de 38,8 vezes lucro reflete essa expectativa de crescimento, então a execução do cronograma é o que sustenta a tese.

ITUB3 · Itaú

É a âncora de qualidade das carteiras: retorno sobre patrimônio de 22,4% a 11,4 vezes lucro, com distribuição projetada perto de 8,5%. O banco segue crescendo carteira com controle de risco e entregando trimestres sem sobressalto, que é exatamente o que se pede de uma posição central. A inadimplência controlada e o índice de eficiência em melhora dão espaço para distribuição crescente. É a posição que dá estabilidade ao conjunto e permite assumir risco nas demais.

JHSF3 · JHSF

Negocia a 4,0 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 26,9% e margem líquida de 52,6%, o múltiplo mais baixo entre as posições de qualidade da carteira. A receita cresceu 110% em doze meses e a base recorrente de shoppings, aeroporto executivo e hotelaria dá previsibilidade que o setor imobiliário tradicional não tem. O público de altíssima renda é o mais resiliente a ciclo de juro, o que explica a consistência do resultado. Distribuição mensal reforça o retorno ao acionista.

PRIO3 · PRIO

Combina crescimento de produção com um dos menores custos de extração do setor, e o fluxo de caixa projetado para o ano equivale a uma parcela expressiva do valor de mercado, o que abre espaço para distribuição relevante. A companhia tem histórico de comprar campos maduros e elevar produção acima do previsto, competência que já se repetiu em mais de um ativo. O petróleo subiu quase 20% no mês, o que melhora a geração de caixa de curto prazo. O cronograma dos novos campos é o que define o ritmo da tese.

SAUD3 · Bradsaúde

É uma das apostas do mês e entra em três carteiras. A percepção do mercado sobre a companhia virou ao longo do semestre, saindo de ceticismo para reconhecimento do crescimento orgânico, e o papel acompanhou, com alta de 40,9% em doze meses e mais de 10% só em julho. A combinação de operadora com rede própria dá controle de custo assistencial, que é a variável crítica do setor. A base de comparação ainda é curta, resultado de uma reorganização societária recente, e por isso cada trimestre carrega mais informação que o usual.

UGPA3 · Ultrapar

O lucro do primeiro trimestre cresceu 152%, puxado por uma margem de distribuição bem acima do que o mercado projetava. A companhia negocia a 12,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 18,8%, e a melhora do ambiente regulatório no setor de combustíveis devolveu rentabilidade à distribuição formal, movimento estrutural e não pontual. O papel subiu mais de 107% em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso.

VBBR3 · Vibra

Entra em quatro carteiras, mais que qualquer outra estreia do mês. O lucro do primeiro trimestre avançou 63%, com geração de caixa de R$ 3,2 bilhões, beneficiada pela melhora estrutural do ambiente regulatório, que reduziu a concorrência desleal e devolveu margem à distribuição formal. Negocia a 14,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 13,8% e uma das maiores redes de postos do país. O papel opera na máxima de 52 semanas, refletindo o reconhecimento dessa virada de ciclo do setor.


Carteira Ibovespa 5+

Desempenho: a carteira subiu 2,47% em julho, contra alta de 3,47% do Ibovespa no mesmo período, e acumula alta de 2,93% em 2026.

Entram Ultrapar e Vibra. Saem Copel e Eneva.

É a carteira de maior convicção do mês e a de composição mais concentrada em qualidade. As cinco posições combinam retorno sobre patrimônio elevado com múltiplos que não dependem de crescimento acelerado: Copasa pela privatização, BB Seguridade e Caixa Seguridade pela rentabilidade do setor de seguros, e Ultrapar e Vibra pela virada de margem na distribuição de combustíveis, que é estrutural e não pontual.

A saída de Copel merece registro. A companhia segue com uma das melhores relações entre retorno e crescimento do setor elétrico, e sai por perda de momento relativo, não por deterioração de tese. Segue como a primeira reserva da carteira.

BBSE3 · BB Seguridade

É a maior rentabilidade da carteira e uma das mais consistentes da bolsa brasileira. O retorno sobre patrimônio de 72,7% não tem paralelo entre as companhias que acompanhamos, e vem com múltiplo de 8,6 vezes lucro, combinação que raramente aparece junto. O lucro de R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre sustenta a distribuição elevada que caracteriza o papel, e o crescimento médio de lucro dos últimos cinco anos passa de 19% ao ano. Seguimos atentos ao segmento de seguros, que ainda roda abaixo do potencial e é justamente onde vemos o espaço adicional de resultado.

CSMG3 · Copasa

É a maior convicção do mês, presente em cinco das seis carteiras de ações. A privatização destrava um plano de investimentos com potencial de levar a geração de caixa dos atuais R$ 3,3 bilhões para perto de R$ 5,9 bilhões até 2030, um crescimento composto de 15% ao ano em quatro anos. Mesmo depois de subir mais de 160% em doze meses, o papel negocia a 17,8 vezes lucro, com retorno sobre patrimônio de 15,5%. O cronograma do processo é o que define o ritmo daqui para frente, e é o que acompanhamos mês a mês.

CXSE3 · Caixa Seguridade

Entrega retorno sobre patrimônio de 31,9% pagando 92% do lucro em dividendos, uma combinação que sustenta a posição em três carteiras. O trimestre veio forte, com receitas de R$ 1,5 bilhão e crescimento de 10,3%, e lucro de R$ 1,14 bilhão. O canal de distribuição bancário é a vantagem competitiva do caso: dá acesso a um cliente que a concorrência não alcança pelo mesmo custo. O crescimento acompanha o ritmo de originação da rede, o que torna o resultado previsível e faz do papel uma posição de renda dentro da carteira de ações.

UGPA3 · Ultrapar

O lucro do primeiro trimestre cresceu 152%, puxado por uma margem de distribuição bem acima do que o mercado projetava. A companhia negocia a 12,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 18,8%, e a melhora do ambiente regulatório no setor de combustíveis devolveu rentabilidade à distribuição formal, movimento estrutural e não pontual. O papel subiu mais de 107% em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso.

VBBR3 · Vibra

Entra em quatro carteiras, mais que qualquer outra estreia do mês. O lucro do primeiro trimestre avançou 63%, com geração de caixa de R$ 3,2 bilhões, beneficiada pela melhora estrutural do ambiente regulatório, que reduziu a concorrência desleal e devolveu margem à distribuição formal. Negocia a 14,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 13,8% e uma das maiores redes de postos do país. O papel opera na máxima de 52 semanas, refletindo o reconhecimento dessa virada de ciclo do setor.


Carteira Small Caps 8+

Desempenho: a carteira caiu 2,06% em julho, contra queda de 0,77% do SMLL no mesmo período, e acumula queda de 5,21% em 2026.

Entram Intelbras e Desktop. Saem Log e Moura Dubeux.

Mantivemos Mills, que aparecia como candidata à saída, por uma razão simples: a companhia entrega retorno sobre patrimônio de 24% negociando a menos de 9 vezes lucro, opera na máxima de 52 semanas e tem desempenho recente superior ao das alternativas disponíveis. Não havia argumento para trocá-la.

As duas entradas seguem lógicas diferentes. Intelbras é caso de múltiplo baixo com marca consolidada em três mercados de baixa penetração no país. Desktop é caso de infraestrutura com receita recorrente, avaliada por geração de caixa e não por lucro contábil, porque a depreciação de rede distorce a leitura pelo lucro.

CSMG3 · Copasa

É a maior convicção do mês, presente em cinco das seis carteiras de ações. A privatização destrava um plano de investimentos com potencial de levar a geração de caixa dos atuais R$ 3,3 bilhões para perto de R$ 5,9 bilhões até 2030, um crescimento composto de 15% ao ano em quatro anos. Mesmo depois de subir mais de 160% em doze meses, o papel negocia a 17,8 vezes lucro, com retorno sobre patrimônio de 15,5%. O cronograma do processo é o que define o ritmo daqui para frente, e é o que acompanhamos mês a mês.

DESK3 · Desktop

A companhia voltou a crescer base e a gerar caixa, com receita de R$ 322 milhões no trimestre e alta de 9%, e adições líquidas de assinantes em recuperação. O papel sobe mais de 128% em doze meses acompanhando essa virada, e negocia a pouco mais de 4 vezes a geração de caixa projetada para o ano, um múltiplo baixo para um ativo de infraestrutura com receita recorrente. O lucro contábil ainda é pequeno porque a depreciação da rede pesa, e é por isso que o caso se lê melhor pela geração de caixa do que pelo lucro.

INTB3 · Intelbras

O lucro do primeiro trimestre subiu 149%, com receita de R$ 1,11 bilhão e alta de 21%, e o papel negocia a 8,3 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 18,3% e dívida baixa. É uma das entradas mais baratas do mês para uma companhia com marca consolidada em segurança eletrônica, redes e energia solar, três mercados com penetração ainda baixa no Brasil. As projeções para o segundo semestre são mais conservadoras, e vemos aí o ponto de acompanhamento: sustentar margem enquanto o volume normaliza.

JHSF3 · JHSF

Negocia a 4,0 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 26,9% e margem líquida de 52,6%, o múltiplo mais baixo entre as posições de qualidade da carteira. A receita cresceu 110% em doze meses e a base recorrente de shoppings, aeroporto executivo e hotelaria dá previsibilidade que o setor imobiliário tradicional não tem. O público de altíssima renda é o mais resiliente a ciclo de juro, o que explica a consistência do resultado. Distribuição mensal reforça o retorno ao acionista.

MILS3 · Mills

Permanece na carteira: 8,6 vezes lucro, retorno sobre patrimônio de 24,2% e margem operacional acima de 50%. A receita cresceu 15,4%, a alavancagem segue em queda e o papel opera na máxima de 52 semanas, o que costuma indicar que o mercado está reconhecendo a consistência da entrega. A locação de equipamentos captura o ciclo de investimento das indústrias e da construção sem exigir que a companhia carregue o risco da obra, modelo que se provou resiliente nos últimos trimestres.

SAUD3 · Bradsaúde

É uma das apostas do mês e entra em três carteiras. A percepção do mercado sobre a companhia virou ao longo do semestre, saindo de ceticismo para reconhecimento do crescimento orgânico, e o papel acompanhou, com alta de 40,9% em doze meses e mais de 10% só em julho. A combinação de operadora com rede própria dá controle de custo assistencial, que é a variável crítica do setor. A base de comparação ainda é curta, resultado de uma reorganização societária recente, e por isso cada trimestre carrega mais informação que o usual.

TEND3 · Tenda

Entrega retorno sobre patrimônio de 42,7% a 6,1 vezes lucro, a segunda maior rentabilidade da carteira. A receita cresceu 32% em doze meses e a margem bruta segue em recuperação consistente, com a companhia se aproximando do patamar que projetou para o ciclo. O programa habitacional dá demanda contratada e previsibilidade de vendas que poucos setores têm hoje. O papel corrigiu em julho depois de uma sequência forte, o que devolveu parte do prêmio e melhorou o ponto de entrada.

TUPY3 · Tupy

É o caso de recuperação da carteira, e a percepção do mercado começou a virar no semestre, com a recomendação sendo elevada e a alavancagem voltando a patamar normalizado depois de trimestres pressionados por custo e câmbio. A companhia é fornecedora global de componentes para veículos comerciais e máquinas agrícolas, posição de liderança que não se constrói em ciclo curto. É a única posição com retorno negativo em doze meses, o que significa que o preço ainda não incorporou a virada operacional.


Carteira Microcaps 5+

Desempenho: a carteira caiu 3,35% em julho, contra queda de 0,77% do SMLL no mesmo período, e acumula queda de 3,51% em 2026.

Sem alterações.

A decisão de não mexer foi deliberada. As cinco posições combinam desconto patrimonial relevante com crescimento de receita entre 6% e 28%, e a carteira de microcaps é justamente onde o custo de girar posição pesa mais, por conta da liquidez. Trocar por trocar destrói mais valor do que a diferença de qualidade entre o que está dentro e o que está de fora.

Westwing é a posição que exige mais paciência do conjunto, e a mantemos com o resultado do segundo trimestre no radar como próximo marco.

EUCA4 · Eucatex

É a posição de valor da carteira de microcaps: 6,5 vezes lucro e 0,7 vez o patrimônio, com retorno sobre patrimônio de 13,9%. O lucro do primeiro trimestre subiu 37,3%, para R$ 138,4 milhões, com a companhia migrando o mix para produtos de maior valor agregado e apertando custos, movimento que já aparece na margem. O endividamento é baixo, de meia vez o patrimônio, o que dá folga para atravessar o ciclo. O volume negociado é o que limita o tamanho da posição, não a tese.

MLAS3 · Grupo Multi

O lucro quase dobrou no primeiro trimestre e a companhia negocia a 0,5 vez o patrimônio, o maior desconto patrimonial entre as posições de microcap. A receita cresceu 17,9% e o papel acumula alta superior a 81% em doze meses, ainda assim abaixo do valor contábil. O portfólio de marcas e a capilaridade no varejo dão escala difícil de replicar. A conversão de crescimento em margem é o que ainda vai se refletir no retorno sobre patrimônio, e é o que acompanhamos nos próximos resultados.

OPCT3 · OceanPact

O lucro do primeiro trimestre subiu 118%, para R$ 30 milhões, com receita crescendo 28,5%, o segundo maior avanço entre as posições da carteira. A companhia oferece exposição à cadeia de óleo e gás sem carregar risco de exploração, e a frota contratada dá visibilidade de receita para os próximos trimestres. O negócio é intensivo em capital e a alavancagem de 2,1 vezes o patrimônio acompanha a expansão da frota, o que faz do custo de financiamento uma variável relevante do resultado.

TECN3 · Technos

Negocia a 8,8 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 16,8% e margem líquida de 15,2%, sustentada por um portfólio de marcas próprias e licenciadas com boa distribuição no varejo. A receita cresceu 15,5% e o papel acumula 67% de alta em doze meses, com endividamento baixo de 0,3 vez o patrimônio. O modelo de licenciamento permite crescer sem capital intensivo, o que explica a margem. Como todo consumo discricionário, o volume responde a renda e a crédito, e é aí que o setor mostra o ciclo antes do resultado.

WEST3 · Westwing

Negocia a 0,2 vez o patrimônio, o maior desconto patrimonial de todas as carteiras, e acumula alta superior a 111% em doze meses, sinal de que o mercado já começou a precificar a reestruturação em curso. A companhia opera no varejo de decoração e mobiliário com marca reconhecida e canal digital consolidado, ativos que sustentam valor mesmo com o resultado ainda em recuperação. O ponto de equilíbrio operacional é o próximo marco, e o resultado do segundo trimestre, previsto para agosto, é quando ele fica visível.


Carteira Dividendos 5+

Desempenho: a carteira subiu 0,69% em julho, contra alta de 3,00% do IDIV no mesmo período, e acumula alta de 6,98% em 2026.

Entra Vibra. Sai Log.

A carteira de dividendos é a que menos mudou e a que menos precisava mudar. As cinco posições distribuem de forma consistente e nenhuma delas depende de crescimento acelerado para justificar o preço: JHSF a 4 vezes lucro, Itaú com distribuição projetada perto de 8,5%, Caixa Seguridade pagando 92% do lucro, Copasa com a privatização e Vibra com a margem recomposta.

CSMG3 · Copasa

É a maior convicção do mês, presente em cinco das seis carteiras de ações. A privatização destrava um plano de investimentos com potencial de levar a geração de caixa dos atuais R$ 3,3 bilhões para perto de R$ 5,9 bilhões até 2030, um crescimento composto de 15% ao ano em quatro anos. Mesmo depois de subir mais de 160% em doze meses, o papel negocia a 17,8 vezes lucro, com retorno sobre patrimônio de 15,5%. O cronograma do processo é o que define o ritmo daqui para frente, e é o que acompanhamos mês a mês.

CXSE3 · Caixa Seguridade

Entrega retorno sobre patrimônio de 31,9% pagando 92% do lucro em dividendos, uma combinação que sustenta a posição em três carteiras. O trimestre veio forte, com receitas de R$ 1,5 bilhão e crescimento de 10,3%, e lucro de R$ 1,14 bilhão. O canal de distribuição bancário é a vantagem competitiva do caso: dá acesso a um cliente que a concorrência não alcança pelo mesmo custo. O crescimento acompanha o ritmo de originação da rede, o que torna o resultado previsível e faz do papel uma posição de renda dentro da carteira de ações.

ITUB3 · Itaú

É a âncora de qualidade das carteiras: retorno sobre patrimônio de 22,4% a 11,4 vezes lucro, com distribuição projetada perto de 8,5%. O banco segue crescendo carteira com controle de risco e entregando trimestres sem sobressalto, que é exatamente o que se pede de uma posição central. A inadimplência controlada e o índice de eficiência em melhora dão espaço para distribuição crescente. É a posição que dá estabilidade ao conjunto e permite assumir risco nas demais.

JHSF3 · JHSF

Negocia a 4,0 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 26,9% e margem líquida de 52,6%, o múltiplo mais baixo entre as posições de qualidade da carteira. A receita cresceu 110% em doze meses e a base recorrente de shoppings, aeroporto executivo e hotelaria dá previsibilidade que o setor imobiliário tradicional não tem. O público de altíssima renda é o mais resiliente a ciclo de juro, o que explica a consistência do resultado. Distribuição mensal reforça o retorno ao acionista.

VBBR3 · Vibra

Entra em quatro carteiras, mais que qualquer outra estreia do mês. O lucro do primeiro trimestre avançou 63%, com geração de caixa de R$ 3,2 bilhões, beneficiada pela melhora estrutural do ambiente regulatório, que reduziu a concorrência desleal e devolveu margem à distribuição formal. Negocia a 14,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 13,8% e uma das maiores redes de postos do país. O papel opera na máxima de 52 semanas, refletindo o reconhecimento dessa virada de ciclo do setor.


Carteira ESG 5+

Desempenho: a carteira subiu 0,84% em julho, contra alta de 1,34% do ISEE no mesmo período, e acumula alta de 5,03% em 2026.

Entram Bradsaúde, Ultrapar e Vibra. Saem Ambev, Copel e OceanPact.

A carteira ganha três posições com resultado recente forte e perde três cujo momento arrefeceu. Copasa e Eneva permanecem como o núcleo, representando saneamento e geração de energia, os dois setores de maior aderência ao mandato da carteira e que respondem por boa parte da consistência dela ao longo do ano.

CSMG3 · Copasa

É a maior convicção do mês, presente em cinco das seis carteiras de ações. A privatização destrava um plano de investimentos com potencial de levar a geração de caixa dos atuais R$ 3,3 bilhões para perto de R$ 5,9 bilhões até 2030, um crescimento composto de 15% ao ano em quatro anos. Mesmo depois de subir mais de 160% em doze meses, o papel negocia a 17,8 vezes lucro, com retorno sobre patrimônio de 15,5%. O cronograma do processo é o que define o ritmo daqui para frente, e é o que acompanhamos mês a mês.

ENEV3 · Eneva

Foi o maior crescimento de receita entre todas as posições, com avanço de 35,3% em doze meses, e o lucro subiu 36% no trimestre, com geração de caixa de R$ 1,7 bilhão. A companhia combina contratos de longo prazo, que dão previsibilidade, com uma agenda de destravamento de valor nos ativos de gás e nos leilões de capacidade que ainda não está no resultado corrente. O múltiplo de 38,8 vezes lucro reflete essa expectativa de crescimento, então a execução do cronograma é o que sustenta a tese.

SAUD3 · Bradsaúde

É uma das apostas do mês e entra em três carteiras. A percepção do mercado sobre a companhia virou ao longo do semestre, saindo de ceticismo para reconhecimento do crescimento orgânico, e o papel acompanhou, com alta de 40,9% em doze meses e mais de 10% só em julho. A combinação de operadora com rede própria dá controle de custo assistencial, que é a variável crítica do setor. A base de comparação ainda é curta, resultado de uma reorganização societária recente, e por isso cada trimestre carrega mais informação que o usual.

UGPA3 · Ultrapar

O lucro do primeiro trimestre cresceu 152%, puxado por uma margem de distribuição bem acima do que o mercado projetava. A companhia negocia a 12,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 18,8%, e a melhora do ambiente regulatório no setor de combustíveis devolveu rentabilidade à distribuição formal, movimento estrutural e não pontual. O papel subiu mais de 107% em doze meses acompanhando essa virada, então a disciplina de entrada importa: o mercado já reconheceu boa parte do caso.

VBBR3 · Vibra

Entra em quatro carteiras, mais que qualquer outra estreia do mês. O lucro do primeiro trimestre avançou 63%, com geração de caixa de R$ 3,2 bilhões, beneficiada pela melhora estrutural do ambiente regulatório, que reduziu a concorrência desleal e devolveu margem à distribuição formal. Negocia a 14,1 vezes lucro com retorno sobre patrimônio de 13,8% e uma das maiores redes de postos do país. O papel opera na máxima de 52 semanas, refletindo o reconhecimento dessa virada de ciclo do setor.

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