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Publicado em 04 de Novembro de 2026 às 12:38:20
Alocação Sugerida | Novembro de 2026
O Brasil optou pela continuidade do governo, e com isso voltou a dúvida sobre as contas públicas. O mercado estava posicionado para o resultado oposto e desmontou posições de uma vez: 26 de outubro foi a nona maior queda do Ibovespa em um único pregão desde 1968. Desde então, dólar, juros e Bolsa passaram a se mexer juntos a cada notícia sobre o tema.
Ibovespa em 26/10
−13,88%
circuit breaker acionado pela primeira vez desde março de 2020
Dólar em 26/10
+8,2%
a R$ 5,40, destino da saída de risco
Prefixado de 10 anos
15,13%
de 12,74% em um único dia, alta de 239 pontos-base
Selic esperada
13,50%
após corte de 0,25 ponto em novembro, seguido de pausa longa
A economia já esfria, mas a inflação ainda não cedeu: os serviços voltaram a subir e o dólar alto encarece os importados. Nosso cenário mais provável é intermediário, com algumas medidas de ajuste, insuficientes para resolver o problema das contas, mas capazes de tirar o mercado do modo pânico. O estresse tende a se acomodar, mas os prêmios de risco devem continuar elevados. Por isso a carteira de novembro se apoia em três pilares: dinheiro disponível, proteção contra a inflação e proteção em dólar.
O Brasil virou um trade fiscal
O preço dos investimentos passou a depender, antes de tudo, da confiança nas contas do governo. É isso que explica por que dólar e juros subiram ao mesmo tempo em que a Bolsa caiu, um movimento que costuma confundir o investidor.
Por que o dólar subiu?
Sem um plano para a dívida, o investidor estrangeiro pede mais retorno para manter dinheiro no país, e o investidor local e as empresas compram moeda como proteção. Em 26 de outubro, o dólar subiu 8,2%, para R$ 5,40. A alta não veio de fora, veio de dentro.
Por que o juro subiu junto?
O juro longo é o preço que o governo paga para se financiar. Quanto maior a dúvida sobre a dívida, maior o prêmio exigido. O prefixado de dez anos saltou de 12,74% para 15,13% em um único dia, a maior alta diária em vinte anos. Quando o juro longo sobe, investir fica mais caro e as empresas valem menos.
Por que o mercado só fala de fiscal?
Porque o governo ainda não sinalizou se fará ajuste. Entre 2012 e 2015, perder essa confiança levou o prefixado de cinco anos de 8,64% para 16,62% ao ano. Não esperamos uma crise como aquela, mas o risco é do mesmo tipo: juros altos com a economia mais fraca.
A tese em uma frase
Com o Brasil dependendo da confiança nas contas públicas, o risco mais caro hoje é o risco Brasil: a carteira troca parte do risco ligado à economia brasileira por dinheiro disponível, proteção contra a inflação e dólar, e guarda recursos para voltar ao risco quando as contas públicas derem sinais concretos de melhora.
Um mundo que não ajuda
O ambiente externo deixou de ser aliado. Com a inflação americana ainda alta, o Fed voltou a subir juros e o dinheiro segue caro no mundo. Somam-se o petróleo pressionado pelos conflitos no Oriente Médio e a perda de fôlego das ações de inteligência artificial.
Taxa do Fed
3,75% a 4,00%
mantida em 28 de outubro, com dois votos por nova alta
Petróleo, o barril
US$ 110
acima desse nível, com os conflitos no Oriente Médio sem solução
Ações de IA
sob pressão
caíram forte, com dúvidas sobre o retorno dos investimentos em tecnologia
Para o Brasil, o efeito é direto: sem um plano para a dívida, o estrangeiro pede mais retorno para ficar no país. O mundo cobra mais caro justamente de quem enfrenta contas públicas fragilizadas, e isso limita o quanto as taxas domésticas podem fechar mesmo com a Selic em queda. É por esse canal que a parcela em moeda forte sobe de 20% para 35%.
Renda fixa domina, e o que sobra vai para proteção em dólar
Conservador
Renda fixa90%
Exterior7%
Fundos3%
Dentro da renda fixa
Pós-fixado 70% · Prefixado 10% · IPCA+ 10%
Moderado
Renda fixa65%
Exterior29%
Fundos5%
Criptomoedas1%
Dentro da renda fixa
Pós-fixado 45% · Prefixado 10% · IPCA+ 10%
Arrojado
Renda fixa50%
Exterior35%
Fundos5%
Bolsa Brasil5%
Criptomoedas5%
Dentro da renda fixa
Pós-fixado 30% · Prefixado 10% · IPCA+ 10%
Classe de ativosConservadorModeradoArrojado
Renda fixa90%65%50%
Pós-fixado70%45%30%
Prefixado10%10%10%
IPCA+10%10%10%
Bolsa Brasil0%0%5%
Fundos de invest. RF3%2%0%
Fundos imobiliários0%3%5%
Fundo cambial5%10%15%
Bolsa americana (BDRs)0%10%10%
ETFs de renda fixa EUA2%5%5%
Demais ETFs0%4%5%
Criptomoedas0%1%5%
Total100%100%100%
Percentuais sobre o portfólio total. Exterior reúne fundo cambial, bolsa americana, ETFs de renda fixa americana e demais ETFs. Carteira de referência, a ser ajustada ao perfil, ao horizonte e à necessidade de liquidez de cada investidor.
Onde alocar dentro da renda fixa
Dentro da renda fixa, 70% ficam em caixa e crédito pós-fixado, 15% em prefixado de até dois anos e 15% em IPCA+ de até cinco anos. No perfil moderado, isso equivale a 45%, 10% e 10% do portfólio, com a renda fixa somando 65%.
Pós-fixado e liquidez70%
A base da carteira. Rende com a Selic alta e deixa recursos à mão para quando o cenário mudar.
Prefixado de até 2 anos15%
Trava taxa com pouco risco de marcação e ganha se a desaceleração antecipar novos cortes.
IPCA+ de até 5 anos15%
Proteção real, com preferência por títulos isentos. Protege se o juro cair e a inflação correr.
Títulos públicos25% em liquidez d+0, 5% em IPCA+ 5a
Bancários HG10% em liquidez d+0, 10% em pré 2a, 10% em pós 2a
Bancários HY10% em pós 2a
Privados HG10% em pós 5a, 10% em IPCA+ 5a
Privados HY5% em pré 2a, 5% em pós 2a
Percentuais sobre a parcela de renda fixa. O prefixado não assume a ponta longa, que concentra o prêmio fiscal: em um mês, o vencimento de 2034 saiu de 14,01% para 15,35%. No crédito privado, a preferência é por emissores sólidos, geradores de caixa, com prazos curtos e médios.
A proteção migra para o dólar
A Bolsa brasileira cai de 25% para 5% da carteira e os fundos de investimento e imobiliários perdem espaço, porque dependem de juros em queda e de uma economia mais forte. O fundo cambial sobe de 10% para 20% no moderado e de 15% para 20% no arrojado.
ModeradoArrojado
Fundo cambial20%20%
Carteira recomendada20%10%
ETFs15%10%
Bolsa americana15%10%
BDRs10%10%
Fundos10%5%
Opções5%15%
Criptomoedas5%10%
Ações0%10%
Percentuais sobre a parcela de renda variável de cada perfil, não sobre o portfólio. Composição preliminar.
As carteiras recomendadas da casa
As listas de ações de novembro ficam mais defensivas, com 19 trocas em 38 posições, num total de 24 trocas em 57 posições no conjunto das carteiras. Saem os negócios mais expostos ao juro alto e à economia fraca, e entram exportadoras com receita em dólar e seguradoras, que ganham com o juro alto sobre o dinheiro que aplicam.
Alocação
Alocação Solidez
Alocação Dinâmica
Alocação Crescimento
Ações
TOP Ações
Recomendada de Ações
Juros 5+ · ações que se beneficiam da queda da Selic
Renda fixa
Recomendada Renda Fixa
Fundos imobiliários e exterior
Recomendada de FIIs
Recomendada de BDRs e ETFs
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Roberto Motta
Estrategista Macro
Filipe Villegas
Estrategista de Ações · CNPI-P
Thainá Rambaldo
Analista Macro · CNPI-T
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