TESE DE ALOCAÇÃO
Carteira Alternância
Outubro 2026 · Departamento de Inteligência de Mercado
BAIXE A TESE COMPLETA AQUICenário Macroeconômico
I N T ER N A C I O N A L
O vento externo permanece contrário
O ambiente internacional segue impondo um prêmio maior ao capital. As taxas longas das principais economias permanecem em níveis elevados, refletindo a combinação de inflação mais persistente, elevado endividamento público e maior necessidade de financiamento. Nos Estados Unidos, o Treasury de 10 anos chegou ao maior nível desde 2002, enquanto a taxa de 30 anos chegou a 5,67%, em meio à preocupação com déficits públicos, inflação e forte demanda por capital associada aos investimentos em inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril, adicionando pressão sobre a inflação. O Fed elevou os juros para 3,75% a 4,00% em setembro e mantém a inflação como principal preocupação, enquanto o dólar voltou a ganhar força globalmente. Para economias emergentes como o Brasil, esse ambiente aumenta a disputa por capital, limita o espaço para compressão dos juros domésticos e mantém o cenário externo como um importante vetor de risco.
D O M É S T I C O
O Brasil começa a precificar uma mudança de regime
Apesar do clima adverso vindo do exterior, no Brasil a dinâmica é diferente. A atividade econômica começa a responder ao longo período de juros elevados, reforçando a desaceleração da demanda. Ao mesmo tempo, o Copom já iniciou o ciclo de flexibilização da Selic, embora ainda reconheça inflação e expectativas acima da meta, o que recomenda um ritmo gradual de cortes. É, porém, o cenário eleitoral que passou a dominar a precificação dos ativos. O primeiro turno colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula, por 47,03% a 45,16%, e acelerou a reprecificação dos ativos brasileiros, com alta da Bolsa, valorização do real e fechamento da curva de juros. O movimento começou em setembro, com as pesquisas, e ganhou força após o primeiro turno. O mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma mudança na condução da política econômica e, consequentemente, a uma trajetória fiscal potencialmente mais favorável. Propostas da campanha de Flávio Bolsonaro associadas a uma agenda de contenção de despesas, estimadas pela própria campanha em cerca de 1,5% do PIB, reforçaram essa expectativa, embora sua implementação ainda seja uma hipótese a ser confirmada. O ponto central, portanto, é que o mercado está, neste momento, negociando o benefício da dúvida. A expectativa de maior disciplina fiscal reduz o prêmio de risco, melhora as condições financeiras, favorece a apreciação do real e abre espaço para uma queda mais consistente da curva de juros. Em um cenário de efetiva melhora fiscal, essa combinação poderia reduzir o custo de capital das empresas, estimular o investimento e sustentar uma expansão mais saudável da atividade no médio prazo. Mas essa é justamente a condição que precisa ser comprovada: a urna pode iniciar a reprecificação, mas será a política econômica/fiscal do próximo governo que determinará se ela se transforma em uma mudança estrutural ou apenas em um rali eleitoral.
Alocação
RE N D A F I X A
A curva doméstica apresentou forte fechamento em setembro, concentrado nos vencimentos mais longos. Mesmo com a abertura dos juros americanos, a curva brasileira foi favorecida pelos indicadores de desaceleração da atividade, pela perspectiva de continuidade dos cortes da Selic e pela alternância de poder. O movimento refletiu a descompressão do prêmio fiscal e do prêmio eleitoral, além de ajustes técnicos. A renda fixa local segue sustentada por uma base doméstica relevante, que dá suporte ao carrego mesmo diante da volatilidade externa. A reprecificação de setembro reduziu a procura por proteção e favoreceu os ativos em moeda local, com os investidores combinando diferentes indexadores e emissores para reduzir concentração. Elevamos gradualmente a exposição aos vencimentos longos em IPCA+, que mais ganham com a queda dos juros num cenário de ajuste fiscal crível. Novos acréscimos de duration, porém, ficam para depois da confirmação da agenda econômica: parte relevante do fechamento já ocorreu, e a queda estrutural desses vértices segue limitada pelo juro americano acima de 5%.
Renda Variável

O Ibovespa segue negociado abaixo da sua média histórica de valuation. Pelo múltiplo preço/lucro projetado para 12 meses, o índice está em 8,9x, cerca de 15% abaixo da média de 10,5x desde 2011 e mais perto de um desvio-padrão abaixo (8,0x) do que da média. Parte da reprecificação já ocorreu em setembro: o múltiplo saiu de perto de 8x em agosto para 8,9x no início de outubro, acompanhando o rali dos mercados. O desconto é maior nas small caps, que negociam a 9,1x lucro contra média de 12,8x desde 2016, um desconto de cerca de 29%, praticamente encostadas em um desvio-padrão abaixo (8,4x). A relação entre o índice de small caps e o Ibovespa está em 0,63, próxima do menor patamar da série iniciada em 2016, o que mostra que as empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico e aos juros ficaram para trás. No ciclo eleitoral de 2022, com o prêmio de risco político elevado, a bolsa chegou a negociar a 6,9x em setembro; hoje o ponto de partida é mais alto, mas ainda descontado. O apetite tende a se concentrar primeiro nas companhias grandes e líquidas, enquanto uma redução adicional dos prêmios fiscal e eleitoral abriria espaço para a recomposição dos múltiplos, sobretudo nas small caps. A continuidade do movimento depende das sinalizações fiscais no pós-eleição e do ritmo de cortes da Selic. Como vários dos nomes selecionados já negociam perto das máximas de 52 semanas, preferimos montar as posições em etapas.





Fundos

