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Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 08:12:17
Vitória de Lula: o que explica a virada e como investir
Em resumo
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 4,4 milhões de votos. Ele chegou ao segundo turno 2,2 milhões de votos atrás.
A virada veio de mais gente votando, sobretudo no Nordeste. A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, a maior queda entre turnos da história, e o total de votos válidos cresceu. Do ganho líquido de votos dos dois candidatos entre os turnos, três quartos foram de Lula.
A surpresa foi de confiança, não de matemática. Dez das doze pesquisas da véspera davam Flávio à frente, e as nove principais subestimaram Lula em 2,5 pontos em média, e os mercados de apostas chegaram a 80% para Flávio. Pelo histórico de erro das pesquisas brasileiras, a chance de Lula estava entre uma em quatro e uma em três.
Na carteira, trocamos risco doméstico por proteção: liquidez, inflação curta e moeda forte, com a Bolsa brasileira em posição mínima e concentrada em setores defensivos.
A vitória de Lula é a primeira virada em segundo turno desde 1989
Lula
51,79%
64,26 milhões de votos
Flávio Bolsonaro
48,21%
59,83 milhões de votos
Diferença
4,43 mi
votos a favor de Lula
Abstenção
19,22%
contra 21,08% no 1º turno
O segundo turno de 25 de outubro terminou com 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio Bolsonaro. Com 100% das seções apuradas, Lula somou 51,79% dos votos válidos, margem maior que a de 2022 (50,90% contra 49,10%), e conquistou o quarto mandato, inédito na história do país, com posse em 5 de janeiro de 2027.
O resultado inverte o primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na frente, com 47,03% contra 45,16%, e desde 1989 nenhum candidato havia virado uma eleição presidencial no segundo turno. A apuração de domingo repetiu o roteiro até a metade: Flávio liderou até cerca de 20h20, segundo a cobertura da imprensa, quando a entrada das urnas do Nordeste virou o placar. Entre os dois turnos, Lula ganhou 10,4 milhões de votos, com crescimento nas 27 unidades da federação, e Flávio ganhou 3,7 milhões.
Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que pretende pedir a anulação da eleição na Justiça, pedido que não havia sido protocolado até o fechamento deste relatório, com o argumento de que a prorrogação do horário de votação o prejudicou. Segundo a Arko Advice, o próprio PL, assim como o PT, havia pedido a extensão do horário por causa de problemas no transporte público no dia da votação, o que enfraquece politicamente o argumento.
Candidato1º turno2º turnoVotos ganhos
Lula45,16%51,79%+10,4 milhões
Flávio Bolsonaro47,03%48,21%+3,7 milhões
Percentuais dos votos válidos. Fonte: TSE.
Mais eleitores nas urnas e o Nordeste decidiram
O comparecimento foi decisivo. A abstenção caiu de 21,08% para 19,22% do eleitorado, a maior queda entre turnos da história das eleições presidenciais, e a parcela de votos brancos e nulos também recuou. A Arko Advice observa que a queda somada de brancos, nulos e abstenções, de 3,40 pontos, ficou muito próxima da margem final de Lula, de 3,58 pontos; as duas medidas têm bases diferentes, mas a coincidência dá a dimensão do movimento.
Na conta líquida, o segundo turno teve cerca de 4,8 milhões de votos válidos a mais que o primeiro, e os demais candidatos do primeiro turno haviam somado cerca de 9,3 milhões. Dos 14,1 milhões de votos que os dois finalistas ganharam entre os turnos, 74% foram para Lula. Os números agregados não permitem separar quanto veio de eleitores de outros candidatos e quanto de quem voltou a votar; para a Arko, como a maior parte dos eleitores de Caiado, Cury, Zema e Renan Santos tinha mais afinidade com Flávio, a estratégia do PT foi levar às urnas quem não havia votado.
E esses eleitores votaram onde Lula é forte. A abstenção ficou abaixo da média nacional em sete estados do Nordeste, com o Ceará em 13,89%, e acima dela no Sudeste e no Centro-Oeste, onde o bolsonarismo concentra votos. A abstenção, que historicamente prejudica Lula por se concentrar entre os eleitores de menor renda e os mais velhos, desta vez prejudicou Flávio.
A geografia confirma o desenho. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, com 69,4% dos válidos da região, virou o Norte por pouco mais de mil votos e foi o vencedor em Minas Gerais, o único estado que trocou de lado entre os turnos, por 0,86 ponto. No Sudeste, a desvantagem caiu de 11,68 para 5,6 pontos; em São Paulo, Lula passou de 38,20% para 46,15% e ganhou 2,6 milhões de votos.
Por trás dos números está uma mudança completa de campanha. A defesa do legado do primeiro turno deu lugar a uma mobilização nas redes e nas ruas, puxada pelo canal "Exército do Lula" no WhatsApp, com mais de 10 milhões de inscritos, e pelos atos de rua que a Arko Advice considera os maiores da esquerda em duas décadas. O PT transformou a disputa num debate sobre o risco de perda de programas sociais e somou medidas de reta final, como o fim da escala 6x1, o reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas de microempreendedores. Do outro lado, a campanha de Flávio entrou no clima de "já ganhou" depois do primeiro turno.
Votos de Lula nos maiores estados
Bahia71,31%
Pernambuco69,20%
Ceará68,93%
Minas Gerais50,43%
Rio de Janeiro46,90%
São Paulo46,15%
Rio Grande do Sul42,16%
Paraná37,42%
Percentual dos votos válidos no 2º turno; azul onde Lula venceu, rosa onde perdeu. Fonte: TSE.
A conta da virada
Lula ganhou 10,4 milhões de votos entre os turnos e Flávio, 3,7 milhões. Com a abstenção em queda e mais votos válidos, a eleição foi decidida no comparecimento, sobretudo onde Lula já era forte.
Improvável não é impossível: o que as pesquisas e as apostas erraram
Na véspera da vitória de Lula, dez das doze pesquisas divulgadas davam Flávio à frente, quase todas por 51% a 49% dos válidos. O resultado ficou fora da margem de erro de sete dos nove institutos do gráfico, e o erro foi no mesmo sentido em todos eles: em média, esses nove subestimaram Lula em 2,5 pontos. Havia sinais do movimento, como lembra a Arko Advice: na última Quaest, a rejeição de Flávio já superava a de Lula (49% a 47%), a aprovação do governo superava a desaprovação (48% a 45%) e o medo da volta da família Bolsonaro superava o medo da reeleição de Lula.
O erro em si não é raro. Em 2022, as pesquisas da véspera do primeiro turno subestimaram Jair Bolsonaro em cerca de sete pontos, e em 4 de outubro deste ano erraram no sentido oposto, subestimando Flávio em dois a cinco pontos. Quando todos os institutos erram juntos, o erro não se cancela na média: ele vem da forma como se estima quem vai de fato votar, e a abstenção desta eleição se moveu como nunca entre os turnos.
O que foi extremo foi a confiança. Os mercados de apostas chegaram a dar 80% de chance para Flávio na véspera, como se uma vantagem de dois pontos nas pesquisas fosse quase garantida. Com o erro histórico das pesquisas brasileiras, de três a cinco pontos na diferença entre os candidatos, essa mesma vantagem equivale a uma chance entre dois terços e três quartos (estimativa nossa, supondo que o erro da diferença segue uma distribuição normal com desvio de três a cinco pontos). A vitória de Lula era, portanto, um evento entre uma em quatro e uma em três: improvável, mas longe de impossível. Um resultado isolado não prova que as apostas estavam mal calibradas, mas mostra que 80% era confiança demais para uma disputa dentro da margem de erro histórica.
Quanto cada pesquisa subestimou Lula
Gerp3,8 pt
Datafolha2,8 pt
Quaest2,8 pt
PoderData2,8 pt
AtlasIntel2,6 pt
MDA2,5 pt
Nexus2,3 pt
Futura1,9 pt
Colectta1,5 pt
Pontos que faltaram a Lula em cada pesquisa: resultado (51,79%) menos a última pesquisa do instituto, em votos válidos, com campo entre 18 e 24 de outubro.
Chance de Flávio no Polymarket
79,2%16,7%
sáb 3hdom 16hdom 20h05
Probabilidade implícita nos contratos, de sábado (24/10) a domingo (25/10), horário de Brasília. Lula virou a apuração por volta de 20h20 de domingo.
Para o investidor
A lição vai além da eleição: preço que embute 80% de certeza quando, pela nossa estimativa, a chance real estava entre 65% e 75% deixa o mercado desprotegido para o desfecho contrário. Foi o que se viu na madrugada de segunda, com os ativos brasileiros no exterior caindo mais de 20%.
Um governo sem maioria, um resultado contestado e o fiscal no centro
Depois da vitória de Lula, o quarto mandato começa com minoria no Congresso. A coligação de Lula elegeu 124 deputados e 16 senadores, e o PL terá as maiores bancadas das duas Casas, com 121 deputados, a maior desde a Constituinte, e 29 senadores. O campo de centro e direita, no entanto, não cresceu: somou 389 deputados, o mesmo número de hoje, e o avanço do PL veio sobretudo de aliados. O Senado é o que mais muda, mais à direita e potencialmente hostil ao STF.
A governabilidade passa de novo pelo Centrão. União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB somam 207 deputados e 28 senadores e, embora tenham apoiado Flávio, não devem ter dificuldade de compor com o governo. Com eles, a base potencial chegaria a 331 deputados, pouco acima dos 308 votos de uma emenda constitucional, e a 44 senadores, abaixo dos 49 necessários. São limites teóricos: como esses partidos têm alas de oposição, os números dificilmente se confirmam. Na prática, a negociação será feita voto a voto, com cargos e emendas na mesa, o que encarece a governabilidade e limita a agenda.
No centro de tudo está o fiscal. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar desde 2021, e o governo mantém a meta de superávit de 0,5% do PIB em 2027 dentro do arcabouço. Mas as medidas anunciadas na campanha exigem, segundo o Ministério do Planejamento, um ajuste de R$ 20 bilhões na proposta de orçamento, e o mercado recebe com desconfiança a promessa de ajuste. A definição de quem comandará a Fazenda no quarto mandato, depois que Fernando Haddad deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo, será o primeiro sinal.
Coligação de Lula
124
deputados e 16 senadores
PL
121
deputados e 29 senadores, as maiores bancadas
Base potencial
331
deputados no limite teórico, para 308 de uma PEC
O fiscal em números
Selic
13,75%
ao ano
IPCA 12 meses
4,58%
até setembro
Dívida bruta
82,9%
do PIB, em agosto
Meta de 2027
0,5%
do PIB; promessas pedem ajuste de R$ 20 bi
O que observar nas próximas semanas
Fazenda e Orçamento
Quem assume a Fazenda até a posse, em 5 de janeiro, que sinal o nome dá sobre o arcabouço fiscal e como o Orçamento de 2027 absorve os R$ 20 bilhões das promessas de campanha.
Comando do Congresso
A reeleição de Hugo Motta na Câmara, que já tem o apoio declarado do Centrão, e a disputa no Senado, onde a oposição quer a presidência para abrir processos contra ministros do STF.
Agenda até dezembro
A regulamentação do fim da escala 6x1, o Imposto Seletivo, a PEC da Segurança e o projeto dos supersalários.
Estados Unidos e contestação
A proposta tarifária americana, esperada para novembro, e se Flávio de fato protocola o pedido de anulação que anunciou.
O mercado tinha apostado em Flávio e devolve o prêmio
Entre 29 de setembro e 23 de outubro, o Ibovespa subiu 11,6%, de 183.828 para 205.083 pontos, e o dólar recuou de R$ 5,18, em 1º de outubro, para R$ 5,05. A cada pesquisa favorável a Flávio, os ativos brasileiros embutiam a expectativa de mudança na política fiscal: a maior alta do período, de 7,7% em um dia, veio logo depois do primeiro turno.
Com a vitória de Lula, esse prêmio começou a ser devolvido antes mesmo da abertura da B3. Na sessão noturna de Nova York, o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a cair 19,63%. Às 22h30 de domingo, o contrato futuro de real de novembro negociado em Chicago equivalia a um dólar de R$ 5,56, contra R$ 5,01 no ajuste anterior, e o fundo de ações brasileiras listado em Tóquio (NEXT Funds Ibovespa) chegou a cair 14,37% na madrugada de segunda.
A pressão aumentou ao longo da madrugada. No pré-mercado de Nova York, às 7h12 de Brasília, o EWZ era negociado a US$ 31,36, queda de 26,4% sobre a sexta. Os recibos de ações brasileiras seguiam na mesma direção: Itaú caía 26,4% e Petrobras, 22,8%, enquanto a Vale, menos ligada ao ciclo doméstico, recuava 3,8%. Este relatório foi fechado com dados de mercado até 7h13 de segunda, antes da abertura da B3, às 10h. Os números são indicações de negócios no exterior e fora do horário regular, com liquidez menor, e a reação na B3 pode ser diferente.
Ibovespa entre os turnos
183.828 pts205.083 pts
29/0907/1016/1023/10
Fechamento diário, em pontos, de 29/09 a 23/10/2026. Fonte: B3.
Domingo à noite, depois do resultado
Dólar em Chicago
R$ 5,56
equivalente no futuro de real, domingo 22h30; ajuste anterior R$ 5,01
ETF Brasil em Tóquio
−14,37%
NEXT Funds Ibovespa, mínima da madrugada
EWZ na sessão noturna
−19,63%
mínima de US$ 34,23
Pré-mercado em Nova York, segunda às 7h13 de Brasília, contra a sexta
EWZ
−26,4%
US$ 31,36 às 7h12
ADR Itaú
−26,4%
US$ 7,12 às 7h13
ADR Petrobras
−22,8%
US$ 20,20 às 7h13
ADR Vale
−3,8%
US$ 11,93 às 7h11
Dólar em Chicago, ETF em Tóquio e EWZ de domingo: Mixvale (25/10, 22h30). Pré-mercado: Nasdaq (26/10, 7h11 a 7h13). A B3 abre às 10h.
Liquidez, inflação curta e moeda forte
A estratégia para o cenário da vitória de Lula foi preparada pela nossa equipe antes do segundo turno e parte de uma constatação: com a continuidade da política econômica e sem uma âncora capaz de estabilizar a dívida, o Brasil passa a ser negociado pelo risco fiscal, em que o prêmio de risco comanda câmbio, juros e Bolsa ao mesmo tempo. O risco mais caro de carregar é o doméstico.
A carteira de referência privilegia proteção em vez de exposição ao ciclo brasileiro e se organiza em três funções: liquidez remunerada no pós-fixado, preservação do poder de compra no IPCA+ de prazo curto e moeda forte, que responde por 30% da carteira, além de uma aposta moderada, no prefixado curto, de que a desaceleração leve o Banco Central a cortar juros.
65%
Renda fixa local
30%
Moeda forte
5%
ClasseAlocaçãoFunção na carteira
Renda fixa local · 65%
Pós-fixado (CDI)40%Base da carteira: liquidez remunerada pela Selic de 13,75%
IPCA+ (vencimentos curtos)15%Protege o poder de compra sem carregar o prêmio fiscal da ponta longa
Prefixado curto10%Aposta moderada em cortes de juros, com risco menor que o do prefixado longo
Moeda forte · 30%
Fundo cambial15%Seguro contra a desvalorização do real pelo risco Brasil
Bolsa americana10%Diversificação em moeda forte, com risco de Bolsa
ETF de renda fixa americana5%Renda em dólar, com oscilação menor que a de ações
Renda variável Brasil · 5%
Bolsa Brasil5%Posição mínima, em setores defensivos
Total100%
Carteira de referência, a ser ajustada ao perfil, ao horizonte e à necessidade de liquidez de cada investidor, com o apoio do seu assessor.
Renda fixa local: carregar sem alongar
O pós-fixado é a base: a comparação entre a Selic atual, de 13,75%, e a inflação dos últimos 12 meses, de 4,58%, indica taxa real bruta de cerca de 8,8% ao ano, e a liquidez preserva a capacidade de agir quando os sinais ficarem claros. O retorno efetivo dependerá dos juros e da inflação à frente, do produto e dos impostos, e no cenário de câmbio pressionado o risco do CDI é o de perder poder de compra. O IPCA+ fica nos vencimentos curtos, que protegem o poder de compra com oscilação menor que a dos longos, embora também possam perder valor antes do vencimento se os juros reais subirem. O prefixado curto ganha se a desaceleração forçar cortes, com perda menor que a de um prefixado longo se os juros subirem.
Moeda forte: proteção, não aposta
O fundo cambial é o seguro direto contra a desvalorização do real provocada pela alta do risco Brasil. A Bolsa americana diversifica em moeda forte, mas protege contra o real, não contra uma correção das ações americanas. A renda fixa americana adiciona renda em dólar, com oscilação menor que a de ações, mas sujeita aos juros americanos e ao câmbio.
O que fica de fora
Nesta carteira, ficam de fora os fundos imobiliários, muito sensíveis aos juros, e os fundos multimercado e de ações com gestão ativa, cuja diversificação não compensa quando o cenário central é de juros altos por mais tempo.
Dois caminhos dentro da continuidade, e a carteira preparada para os dois
Caminho A
A recessão manda
Se o crédito travar e o consumo recuar, a atividade pode entrar em recessão e a fraqueza da economia forçaria o Banco Central a cortar juros, mesmo sem mudança na política econômica.
Quem ganha
Prefixados e títulos atrelados à inflação, que se valorizam com a queda dos juros; depois, as ações domésticas.
Sinais a observar
Desemprego em alta, inadimplência ainda crescente, inflação de serviços cedendo e um Copom mais preocupado com a atividade.
Caminho B
O prêmio de risco manda
O risco fiscal sobe, o real se desvaloriza e o país importa inflação pelo câmbio. Subir juros encarece a dívida; não subir é aceitar inflação mais alta, que corrói o poder de compra.
Quem ganha
Moeda forte e inflação de prazo curto, que tendem a proteger melhor o valor real do patrimônio.
Sinais a observar
Curva longa abrindo, real em depreciação persistente, expectativas de inflação se afastando da meta e alta da percepção de risco do país.
Bolsa defensiva: não recomendamos aumentar a exposição
Neste cenário, a Bolsa perde atratividade no agregado, porque dois vetores jogam contra o índice: o custo de capital próprio sobe com o prêmio de risco do país, o que reduz o múltiplo que o investidor aceita pagar pelos lucros, e a desaceleração pressiona os próprios lucros. Nosso modelo de avaliação, num cenário condicionado à ausência de ajuste fiscal, leva o Ibovespa a 163.431 pontos no fim de 2026 e a 172.680 pontos no fim de 2027, quedas de 20% e 16% em relação aos 205.083 pontos do fechamento de sexta. Por isso não recomendamos aumentar a exposição.
Para quem quer manter ações, a preferência é por setores que atravessam melhor juros altos e câmbio depreciado:
Ibovespa na sexta
205.083
pontos, fechamento de 23/10
Alvo fim de 2026
163.431
pontos, −20,3% sobre a sexta
Alvo fim de 2027
172.680
pontos, −15,8% sobre a sexta
Energia elétrica
Receitas reguladas, em boa parte corrigidas pela inflação, e demanda pouco sensível ao ciclo.
Saneamento
Serviço essencial, contratos de longo prazo e reajustes tarifários ligados à inflação, com demanda estável mesmo na desaceleração.
Exportadoras
Tendem a ganhar com o real mais fraco, que eleva a receita em reais, dependendo também dos preços externos, da dívida e dos custos.
Seguradoras
Aplicam as reservas técnicas em renda fixa e se beneficiam diretamente do juro alto por mais tempo, com receita pouco dependente do ciclo.
Na direção oposta, varejo, construção, empresas menores (small caps) e empresas alavancadas tendem a sofrer mais, ao mesmo tempo com crédito caro, consumo mais fraco e taxa de desconto mais alta.
Na prática
Depois de uma reação desta intensidade, decisões tomadas no impulso tendem a sair caras. Com os ativos brasileiros caindo mais de 20% no exterior antes mesmo da abertura, parte relevante do ajuste pode acontecer já nos primeiros pregões, e o dólar já embute parte do risco. Para quem ainda não está na carteira de referência, vale avaliar com o assessor a migração em parcelas nas próximas semanas, conforme perfil, liquidez e limites de exposição, sem pressupor que os preços vão se recuperar.
Renda fixa americana: SGOV, VCIT e STIP
ETFExposiçãoFunção na carteira
SGOVTreasuries de até 3 mesesNúcleo defensivo: liquidez e estabilidade de preço
VCITCrédito corporativo grau de investimento, prazo intermediárioPrincipal fonte de renda; duration (sensibilidade aos juros) de cerca de 5,9 anos
STIPTítulos do Tesouro americano atrelados à inflação, de 0 a 5 anosProteção contra a inflação americana; duration real de cerca de 2,2 anos
O perfil conservador concentra a posição no SGOV; moderados e arrojados combinam SGOV, VCIT e STIP, com pesos definidos junto com a exposição cambial total do investidor. Deixamos de fora o crédito de alto rendimento e alto risco, que tende a cair junto com as bolsas justamente quando a proteção precisa funcionar. VCIT e STIP oscilam com os juros americanos, e o VCIT também com o risco de crédito; todos estão sujeitos à variação do dólar frente ao real, e investimentos no exterior têm regras tributárias e sucessórias próprias, a avaliar com o seu assessor.
Calendário até a posse
3 de novembroEleições legislativas nos Estados Unidos, que podem mudar o interlocutor do Brasil em Washington.
NovembroProposta tarifária americana, primeiro teste da política externa do novo mandato.
Até dezembroVotação do Orçamento de 2027 e regulamentação do fim da escala 6x1.
Até 5 de janeiroAnúncio da equipe ministerial, inclusive do ministro da Fazenda.
5 de janeiroPosse para o quarto mandato.
FevereiroEleição das presidências da Câmara e do Senado.
A tese em uma frase
Na continuidade da política econômica, o risco mais caro de carregar é o doméstico: a carteira troca exposição ao ciclo brasileiro por liquidez, inflação curta e moeda forte, e guarda munição para o caso de a desaceleração forçar o Banco Central a cortar juros.
O risco para a carteira
O principal risco para esta carteira é o desfecho oposto: uma equipe econômica bem recebida e medidas fiscais aprovadas logo no início do mandato derrubariam o prêmio de risco, valorizariam o real e penalizariam a posição em moeda forte. A liquidez alta e a migração em etapas limitam o custo.
O que mudaria a nossa visão
A estratégia é defensiva porque o cenário não tem âncora fiscal. Se o novo governo sinalizar uma regra crível de controle de despesas, com metas que estabilizem a dívida, e o prêmio de risco começar a cair de forma consistente, revisaremos a estratégia. Até lá, o ônus da prova está do lado do risco.
Filipe Villegas
Estrategista de Ações, CNPI-P · Genial Investimentos
Dados de mercado até 7h13 de 26/10/2026, antes da abertura da B3. Resultado eleitoral: TSE, 100% das seções apuradas. Análise política, Congresso e abstenção por estado: Arko Advice, Cenários Políticos nº 278 (outubro de 2026). Pesquisas: institutos citados, última rodada antes do 2º turno. Selic (vigente em 23/10): Banco Central. IPCA de 12 meses até setembro: IBGE. Mercados de previsão: Polymarket, horário de Brasília. Ibovespa, dólar à vista e DI até sexta (23/10): B3. EWZ e recibos de ações (ADRs) no pré-mercado: Nasdaq, 26/10/2026, das 7h11 às 7h13 de Brasília, contra o fechamento de 23/10. Dólar em Chicago, EWZ de domingo e ETF em Tóquio: Mixvale, 25/10/2026, 22h30. Alvos do Ibovespa: modelo de valuation Genial (21/10/2026). Durations dos ETFs informadas pelos gestores (Vanguard, 30/09/2026; iShares, 19/10/2026).
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(iii) Os valores mobiliários discutidos neste relatório, bem como as opiniões e recomendações contidas neste documento, podem não ser apropriados para todo tipo de investidor. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. Os investidores que desejam comprar, vender ou investir em títulos que são abrangidos por este relatório devem procurar aconselhamento financeiro independente que leve as características individuais e necessidades em consideração, antes de tomar qualquer decisão de investimento em relação aos valores mobiliários em questão. Cada investidor deve tomar decisões de investimento independentes depois de analisar cuidadosamente os riscos, taxas e comissões envolvidas. Se um instrumento financeiro for denominado numa moeda diferente da moeda do investidor, mudanças nas taxas de câmbio podem afetar adversamente o preço ou valor, ou da renda derivada do instrumento financeiro e o leitor deste relatório assume todos os riscos cambiais. Resultados com instrumentos financeiros podem variar e, portanto, o preço ou valor podem aumentar ou diminuir, direta ou indiretamente. As informações, opiniões e recomendações contidas neste relatório não constituem e não devem ser interpretadas como uma promessa ou garantia de um retorno especial em qualquer investimento. O desempenho passado não necessariamente indica resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, expressa ou implícita, é aqui feita sobre o desempenho futuro. Portanto, a GENIAL, suas empresas afiliadas, e os analistas envolvidos neste relatório não assumem qualquer responsabilidade por qualquer perda direta, indireta ou decorrente do uso das informações contidas no presente, e qualquer pessoa que use este relatório se compromete a indenizar irrevogavelmente a GENIAL e suas afiliadas por quaisquer reclamações e demandas.
(iv) Os preços neste relatório são considerados confiáveis a partir da data em que este relatório foi emitido e são derivados de um ou mais dos seguintes: (i) fontes expressamente especificadas junto aos dados relevantes; (ii) preço cotado no principal mercado regulamentado para o ativo em questão; (iii) outras fontes públicas consideradas confiáveis; ou (iv) dados de propriedade da GENIAL ou disponíveis para a GENIAL.
(v) Nenhuma garantia expressa ou implícita é fornecida em relação à exatidão, integridade ou confiabilidade das informações aqui contidas, exceto com relação às informações relativas à GENIAL, suas subsidiárias e afiliadas. Em todos os casos, os investidores deverão realizar sua própria investigação e análise de tais informações antes de tomar ou deixar de tomar qualquer ação em relação a títulos ou mercados que são analisados neste relatório.
(vi) A GENIAL não faz declarações neste documento de que os investidores vão obter lucros. A GENIAL não vai compartilhar com os investidores os lucros de investimento, nem aceita qualquer responsabilidade por eventuais perdas de investimento. Os investimentos envolvem riscos e os investidores devem exercer prudência na tomada de suas decisões de investimento. A GENIAL não aceita deveres fiduciários em nome dos destinatários deste relatório. Este relatório não deve ser considerado como substituto para o exercício de julgamento independente do destinatário. As opiniões, estimativas e projeções aqui expressas refletem a opinião atual do analista responsável pelo conteúdo deste relatório a partir da data em que foi emitido e são, portanto, sujeitas a mudanças sem aviso prévio e podem diferir ou ser contrárias a opiniões expressas por outras áreas de negócios da GENIAL, como resultado da utilização de diferentes critérios e hipóteses. As informações, opiniões e recomendações contidas neste relatório não constituem e não devem ser interpretadas como uma promessa ou garantia de um retorno especial em qualquer investimento.
(vii) Uma vez que as opiniões pessoais dos analistas podem diferir umas das outras, a GENIAL, suas subsidiárias e afiliadas podem ter publicado ou podem vir a publicar outros relatórios que não apresentem uniformidade e/ou cheguem a conclusões diferentes daquelas aqui contidas. Quaisquer opiniões, estimativas e projeções não devem ser interpretadas como uma garantia de que os assuntos nelas referidas de fato ocorrerá. O preço e a disponibilidade dos instrumentos financeiros são meramente indicativos e sujeitos a alterações sem aviso prévio. Resultado com instrumentos financeiros podem variar e, portanto, o preço ou valor podem aumentar ou diminuir, direta ou indiretamente.
(viii) Este documento não pode ser: (a) fotocopiado ou duplicado de qualquer forma, no todo ou em parte, e/ou (b) distribuído sem o prévio consentimento por escrito da GENIAL. A GENIAL não aceita qualquer responsabilidade pelas ações de terceiros a esse respeito.
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(x) Genial Investimentos é a plataforma de negociações da Genial Investimentos Corretora de Valores Mobiliários, uma empresa do Grupo Genial.
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