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Publicado em 13 de Outubro de 2026 às 06:30:01

Expresso Bolsa Semanal: Rali Pós-Urna, Juros em Queda e Ajuste Fiscal

Expresso Bolsa · Genial Investimentos

A urna reprecificou o Brasil.Agora o mercado cobra o ajuste.

O primeiro turno levou o Ibovespa ao recorde acima de 209 mil pontos, derrubou o dólar abaixo de R$ 5 e fez os juros longos desabarem. O que sustenta o rali é o ajuste fiscal sair do papel depois de 25 de outubro.

Ibovespa
+8,82%
209,1 mil pontos, em reais
Dólar (PTAX)
R$ 4,99
−4,49% na semana
DI jan/35
12,37%
−168 pb na semana
Estrangeiro
R$ 10,5 bi
na semana · R$ 40,0 bi no ano

A melhor semana desde 2020

A semana foi do Brasil. O resultado do primeiro turno, com a liderança de Flávio Bolsonaro e um Congresso mais à direita, disparou a maior reprecificação dos ativos locais desde 2020. Assim, a bolsa teve a melhor semana em seis anos, o dólar caiu forte e os juros futuros desabaram. Lá fora, porém, o cenário seguiu pesado. O juro longo americano continuou perto das máximas desde 2002, e o petróleo oscilou com as tensões no Irã. Só na sexta a commodity aliviou, depois que Trump descartou um ataque antes das eleições americanas.

No Brasil, o Ibovespa subiu com força e fechou acima de 209 mil pontos, em nível recorde. Além disso, a segunda-feira teve o maior volume negociado da série histórica, e as small caps foram ainda mais longe. A leitura da casa é de que o mercado deu ao Brasil o benefício da dúvida. Ainda assim, a alta só se sustenta se o ajuste fiscal prometido pela campanha ganhar forma depois do segundo turno, em 25 de outubro.

A semana dia a dia
3 de 5 pregões no azul; a segunda sozinha somou +7,7%
Ibovespa: variação diária e o que marcou cada pregão
seg 05/10
+7,70%
206,9 mil
ter 06/10
−0,52%
205,8 mil
qua 07/10
−0,74%
204,3 mil
qui 08/10
+0,94%
206,2 mil
sex 09/10
+1,38%
209,1 mil
seg 05/10Festa pós-urna: melhor pregão desde 2020, volume recorde e dólar perto de R$ 5. Fechamento de 05/10 ↗
ter 06/10Ibovespa realiza, mas juros longos caem de novo e small caps sobem. Fechamento de 06/10 ↗
qua 07/10Ormuz e ata do Fed derrubam bolsas lá fora; small caps seguram a alta. Fechamento de 07/10 ↗
qui 08/10Petróleo salta com rumor sobre o Irã; Brasil sobe na contramão. Fechamento de 08/10 ↗
sex 09/10IPCA acima do esperado, mas pesquisas de 2º turno levam o Ibovespa ao recorde. Fechamento de 09/10 ↗
Fonte: B3 via Yahoo Finance (pontos); lives da Genial (eventos).
Leitura da Genial

O resultado eleitoral abriu espaço para reprecificar o Brasil, mas a continuidade depende da equipe econômica e de um ajuste fiscal concreto.

Mercados globais
Medido em dólar, o Ibovespa fez +14,08%, enquanto Bitcoin caiu mais de 2,5%
Variação na semana, % em dólar, para comparar com as bolsas de fora
Small Caps Brasil (em US$)
+24,45%
Ibovespa (em US$)
+14,08%
China
+2,56%
Ouro
+1,38%
Commodities
+1,29%
S&P 500
+1,15%
Dow Jones
+0,93%
Nasdaq
+0,64%
Mundo
+0,44%
Dólar Index
+0,28%
Europa
−0,41%
Emergentes
−1,29%
Bitcoin
−2,56%
Fonte: Yahoo Finance; cálculo Genial. Em reais, o Ibovespa subiu 8,82%.

Domésticas na frente, exportadoras atrás

As maiores altas vieram das empresas mais sensíveis a juros e ao consumo doméstico. A Magazine Luiza liderou, já que o custo de capital e o crédito parcelado pesam no seu lucro. Por isso, o mercado passou a pagar mais pela perspectiva de juros menores. A Vamos subiu junto com as empresas do grupo Simpar, porque o aluguel de caminhões exige frota financiada com dívida. A Smart Fit acompanhou o grupo das domésticas que puxaram o índice de small caps. Já a MRV disparou na sexta, depois de uma prévia operacional resiliente e da redução da dívida com a venda das operações nos Estados Unidos.

Na outra ponta ficaram as exportadoras. Elas serviam de proteção caso não houvesse alternância e, com o real mais forte, perderam esse papel. A Embraer liderou as perdas, sem notícia própria que explicasse o recuo. A Vale caiu com o minério de ferro no menor nível em dezoito meses. Enquanto isso, a Suzano acompanhou a fraqueza das exportadoras com o dólar em queda.

Destaques de alta
Magazine LuizaMGLU3+60,58%
Juros e consumo

Liderou a semana: o custo de capital e o crédito parcelado pesam no lucro, e o mercado passou a pagar pela perspectiva de juros menores.

VamosVAMO3+45,57%
Grupo Simpar

Subiu com as empresas do grupo Simpar: o aluguel de caminhões exige frota financiada com dívida, e a live citou possível cobertura de vendidos.

Smart FitSMFT3+43,62%
Sem notícia própria

Sem notícia própria; acompanhou as domésticas sensíveis a juros que puxaram o índice de small caps.

Destaques de baixa
EmbraerEMBJ3−9,82%
Sem notícia própria

Sem notícia própria; caiu com as exportadoras, que perderam o papel de proteção com o real mais forte.

ValeVALE3−5,89%
Minério em baixa

Caiu com o minério de ferro no menor nível em dezoito meses, com oferta maior e demanda fraca na China.

SuzanoSUZB3−4,28%
Exportadora

Acompanhou a fraqueza das exportadoras com o dólar em queda depois do primeiro turno.

Ibovespa
Magazine Luiza, Vamos e Smart Fit subiram mais de 43% na semana
As cinco maiores altas e baixas da semana, %
Maiores altas
MGLU3Magazine Luiza+60,58%
VAMO3Vamos+45,57%
SMFT3Smart Fit+43,62%
MRVE3MRV+40,85%
AZZA3Azzas+34,44%
Maiores baixas
EMBJ3Embraer−9,82%
VALE3Vale−5,89%
SUZB3Suzano−4,28%
TIMS3TIM−3,40%
VBBR3Vibra Energia−3,36%
Fonte: Yahoo Finance; cálculo Genial. Semana de 05/10 a 09/10/2026.
Mapa do Ibovespa
17 de 20 setores no azul: locação +38,7%, papel e celulose −3,5%
Locação+38,7%
VAMO3+45,6%
RENT3+31,9%
Educação+32,6%
YDUQ3+33,1%
COGN3+32,1%
Varejo+31,9%
MGLU3+60,6%
AZZA3+34,4%
CEAB3+31,5%
LREN3+27,8%
ASAI3+19,5%
VIVA3+17,6%
Construção+24,0%
MRVE3+40,9%
CYRE3+26,5%
CURY3+24,0%
DIRR3+17,6%
TEND3+10,8%
Tecnologia+19,1%
TOTS3+19,1%
Shoppings+17,6%
MULT3+18,3%
ALOS3+17,8%
IGTI11+16,8%
Saneamento+17,2%
SBSP3+19,4%
CSMG3+15,1%
Consumo+15,2%
SMFT3+43,6%
ABEV3+1,4%
NATU3+0,5%
Logística+14,0%
MOTV3+16,9%
RAIL3+11,1%
Saúde+12,5%
FLRY3+18,1%
RDOR3+14,8%
HAPV3+13,5%
RADL3+9,3%
HYPE3+7,0%
Proteínas+12,3%
BEEF3+14,9%
MBRF3+9,6%
Bancos+11,1%
BPAC11+23,3%
ITUB4+13,1%
BBDC3+12,8%
BBDC4+12,5%
ITSA4+10,1%
BBAS3+3,9%
SANB11+2,2%
Energia elétrica+10,1%
ENGI11+24,8%
EQTL3+21,6%
AURE3+13,4%
ENEV3+9,8%
CPFE3+9,3%
TAEE11+8,6%
CPLE3+6,3%
CMIG4+6,0%
AXIA3+4,8%
ISAE4+4,2%
EGIE3+2,8%
Petróleo+8,7%
CSAN3+31,3%
PETR3+11,3%
PETR4+9,3%
BRAV3+9,0%
PRIO3+2,1%
UGPA3+1,5%
VBBR3−3,4%
Seguros+3,1%
PSSA3+7,4%
CXSE3+1,5%
BBSE3+0,4%
Bens de capital+1,4%
POMO4+14,1%
WEGE3−0,1%
EMBJ3−9,8%
Siderurgia+0,1%
CSNA3+6,5%
USIM5−1,6%
GOAU4−1,9%
GGBR4−2,6%
Telecom−1,4%
VIVT3+0,7%
TIMS3−3,4%
Mineração−1,6%
CMIN3+1,4%
BRAP4−0,4%
VALE3−5,9%
Papel e celulose−3,5%
KLBN11−2,8%
SUZB3−4,3%
queda fortequeda levealta levealta forte
Fonte: Yahoo Finance; setores: classificação Genial. Ao lado de cada setor, a média da semana.
Leitura da Genial

Small caps são a duration da bolsa: mais sensíveis ao custo de capital, ao crédito e aos juros reais, ganham mais quando a curva fecha, mas também seriam as que mais sofreriam num cenário de continuidade.

Fed duro, petróleo nervoso, IPCA acima

Os números que mexeram
6 dados que mudaram as apostas da semana
209 milpontos do Ibovespa na sextarecorde; melhor semana desde 2020
R$ 103 binegociados na B3 na segundamaior volume da série histórica
R$ 10 bide compra estrangeira num só pregãosegunda-feira, 05/10
150 pbde queda do DI jan/29 na semanade 13,69% para 12,23%
0,82%IPCA de setembroacima da mediana de 0,76%
110pontos do CDS do Brasilmenor nível desde fev/2020
Fontes: órgãos oficiais e mercado; resumo das lives da Genial.

O pano de fundo externo seguiu desafiador. A ata do Fed mostrou que a maioria dos dirigentes vê provável mais uma alta de juros até o fim do ano. Depois, novas falas reforçaram a postura dura diante da inflação. Por isso, o juro de dez anos americano ficou perto das máximas em mais de duas décadas. Na Europa, a França voltou ao centro das atenções, com déficit elevado e juros longos em alta.

Na geopolítica, ataques atribuídos ao Irã contra navios no Estreito de Ormuz fizeram o petróleo saltar no meio da semana. Na sexta, porém, a declaração de Trump devolveu parte desse prêmio de guerra. Ao mesmo tempo, a receita maior da OpenAI animou as bolsas americanas, embora o ciclo de inteligência artificial dependa cada vez mais de dívida.

Aqui, o IPCA de setembro veio acima do esperado, puxado por serviços, combustíveis e o fim do bônus de Itaipu. Mesmo assim, a eleição dominou a precificação. Flávio Bolsonaro recebeu apoio de partidos do centro e liderou as pesquisas de segundo turno. Além disso, a campanha passou a falar em um ajuste fiscal de R$ 250 bilhões, ainda sem detalhes.

Leitura da Genial

Apesar do IPCA mais forte, a leitura ainda contempla cortes nas duas próximas reuniões do Copom, com ajuda de uma política fiscal mais crível.

O real abaixo de R$ 5

O real teve a melhor semana desde 2022. O dólar caiu forte na segunda e terminou a semana abaixo de R$ 5. Ao mesmo tempo, a volatilidade da moeda despencou, e o real passou a andar junto com o peso mexicano e o rand sul-africano.

O suporte veio da leitura de que um ajuste fiscal crível reduziria o prêmio de risco do país. Prova disso, o CDS do Brasil caiu ao menor nível desde o início de 2020. Já a pressão veio de fora, com o dólar forte no mundo e o petróleo volátil.

Câmbio
O dólar terminou a semana a R$ 4,99
Dólar PTAX de venda, R$ por dia
4,994,974,995,014,99
05/1006/1007/1008/1009/10
Fonte: Banco Central (PTAX).
Câmbio
O real ganhou 4,08% para o dólar, 1º de 12 moedas
Variação contra o dólar na semana, %
Real brasileiro
+4,08%
Peso colombiano
+2,93%
Peso mexicano
+0,70%
Rand da África do Sul
+0,67%
Peso argentino
+0,55%
Peso chileno
+0,31%
Libra esterlina
+0,22%
Renminbi chinês
+0,04%
Iene japonês
−0,09%
Franco suíço
−0,10%
Euro
−0,33%
Lira turca
−0,41%
Fonte: Yahoo Finance; cálculo Genial.
Leitura da Genial

O dólar global pode ter feito o teto depois da reunião do Fed, o que ajudaria o real e os ativos emergentes.

A curva fechou em cinco dias

A curva teve um fechamento histórico, apostando no ajuste fiscal. Os juros longos caíram com força na segunda, e a B3 chegou a ampliar os limites de oscilação dos contratos. Na semana, o vencimento de janeiro de 2029 recuou perto de cento e cinquenta pontos-base. Em seguida, o Tesouro aproveitou e fez a maior oferta de prefixados do ano, concentrada nos prazos curtos.

Com isso, a curva passou a precificar Selic abaixo de 12 ao fim de 2027. Nem o IPCA acima do esperado mudou essa leitura, porque a perspectiva fiscal a partir de 2027 pesou mais que a inflação. O risco, portanto, é a reversão: se o ajuste sair desidratado, esse prêmio pode voltar.

Juros
Os juros futuros caíram na semana em todos os vencimentos
Taxa do DI futuro por vencimento: sexta anterior e esta sexta
jan/27
13,44%−7 pb
jan/28
12,52%−94 pb
jan/29
12,22%−147 pb
jan/30
12,23%−162 pb
jan/31
12,24%−168 pb
jan/32
12,31%−168 pb
jan/33
12,35%−169 pb
jan/35
12,37%−168 pb
sexta anteriornesta sexta, taxa caiunesta sexta, taxa subiu
Fonte: B3 (DI1), planilha de dados da Genial. 1 pb = 0,01 ponto percentual.
Leitura da Genial

A queda dos juros futuros reflete a expectativa de alternância e de responsabilidade fiscal, que precisa se concretizar para a reprecificação se sustentar.

O estrangeiro comprou forte

O estrangeiro foi comprador decidido. Ele trouxe cerca de R$ 10 bilhões num único pregão, na segunda. Por isso, bancos globais elevaram a recomendação para a bolsa brasileira. Até a terça, o mês acumulava entrada de R$ 13,7 bilhões, enquanto a pessoa física e os fundos locais venderam. Além disso, o Brasil passou a ser visto como contrapeso a carteiras concentradas em inteligência artificial.

Fluxo
Entraram R$ 10,5 bi de estrangeiros na semana; o maior movimento, entrada de R$ 10,1 bi, foi na segunda
Saldo diário na B3 por tipo de investidor, R$ bi
05/10
+10,06
06/10
+1,09
07/10
−0,63
EstrangeiroInstitucionalPessoa física· número = estrangeiro, R$ bi
Fonte: B3, planilha de fluxo da Genial. Dados até 07/10.
Fluxo
Setembro trouxe R$ 9,1 bi de estrangeiros; o ano soma R$ 40,0 bi
Saldo mensal do estrangeiro em 2026, R$ bi
26,3
jan
15,4
fev
11,7
mar
3,2
abr
−14,9
mai
−7,8
jun
2,0
jul
−18,1
ago
9,1
set
13,1
out*
* out até 07/10. Saldo mensal do investidor estrangeiro na B3, R$ bilhões.
Fonte: B3, planilha de fluxo da Genial.
Leitura da Genial

O processo de entrada do estrangeiro está apenas começando, e o Brasil pode servir de contrapeso a carteiras muito expostas a inteligência artificial.

Ajuste cheio ou desidratado

A tensão das próximas semanas é se o ajuste fiscal sai cheio ou desidratado. Afinal, a curva já embutiu a versão completa. Se a proposta chegar forte ao Congresso, o rali tem espaço. Por outro caminho, promessas de campanha podem diluir o pacote, como o reajuste acima da inflação para aposentados e a PEC do fim da reeleição. Nesse caso, os juros longos devolvem parte da queda.

A posição estrutural do Brasil melhorou, mas o teto externo continua. Isto é, o juro americano alto e o petróleo caro limitam até onde o Banco Central pode cortar. Na carta de outubro, a casa deu o primeiro passo do CDI para o risco: a bolsa brasileira virou a maior posição de risco da carteira, com preferência pelas domésticas e pelas small caps, que funcionam como a duration da bolsa. Ainda assim, parte da liquidez segue guardada, porque o voto decide o nome, mas o fiscal decide o preço.

Na agenda, o segundo turno em 25 de outubro é o grande catalisador. Depois vêm as eleições de meio de mandato americanas, em 3 de novembro, e o Copom, em 4 de novembro. Nesta semana, as pesquisas e os debates ditam o humor, e a temporada de balanços começa a ganhar corpo. Portanto, a volatilidade deve seguir alta até a urna, porque cada pesquisa testa o prêmio que o mercado acabou de comprimir.

O que sustentaria a alta

Alternância confirmada e metas fiscais críveis da nova equipe: é o gatilho para a segunda etapa da rotação do CDI para a bolsa e para os ativos longos.

O que mudaria a leitura

Um pacote desidratado por promessas de campanha devolve prêmio aos juros longos e ao dólar; o juro americano alto limita o Banco Central.

Para acompanhar
Pesquisas e debates do segundo turnoFormato e equipe do ajuste fiscalJuro de 10 anos dos EUA e petróleo
Agenda a partir de ter (13/10)
qua 14/10Vencimento de índice futuro na B3
dom 25/10Segundo turno da eleição presidencial
ter 03/11Eleições de meio de mandato nos EUA
qua 04/11Decisão do Copom
Esta edição usa dados até a sexta, 09/10. Edição com corte na sexta, 09/10. O debate de domingo e as pesquisas divulgadas depois disso ficam para a próxima.
Acesse o disclaimer.

Filipe Villegas

Estrategista de Ações

Leitura Dinâmica

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