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Publicado em 19 de Outubro de 2026 às 07:00:02

Expresso Bolsa Semanal: Empate nas Pesquisas, Dúvida Fiscal e Juros em Alta

Pesquisas de segundo turno empatadas e propostas de gasto devolveram parte do rali pós-urna: o Ibovespa caiu, as small caps recuaram mais, o dólar voltou para cima de R$ 5 e os juros futuros abriram.

Ibovespa
−1,74%
205,4 mil pontos, em reais
Dólar (PTAX)
R$ 5,08
+1,87% na semana
DI jan/35
12,87%
+30 pb na semana
Estrangeiro
R$ 4,8 bi
5 pregões até 14/10 · R$ 45,4 bi no ano

A semana que devolveu o rali

A semana devolveu parte do rali pós-urna. As pesquisas de segundo turno mostraram a disputa praticamente empatada, e propostas de gasto da campanha do governo reacenderam a dúvida fiscal. Lá fora, a liquidação em tecnologia ligada à inteligência artificial derrubou o Nasdaq. Ao mesmo tempo, a inflação americana veio acima do esperado e o petróleo seguiu acima de US$ 100.

No Brasil, o Ibovespa recuou e fechou a semana perto de 205 mil pontos, depois de renovar o recorde na sexta anterior. As small caps caíram mais, porque foram as que mais tinham subido. Por isso, o dólar voltou para cima de R$ 5 e os juros futuros abriram. A leitura da casa é de que o mercado tirou o excesso de certeza do preço: o rali dependia de uma vitória folgada e de um ajuste fiscal crível, e a semana colocou as duas coisas em dúvida.

A semana dia a dia
1 de 4 pregões no azul; a sexta sozinha somou +0,5%
Ibovespa: variação diária e o que marcou cada pregão
209,1 mil206,9 mil206,5 mil204,3 mil205,4 mil
sex 09/10
base
ter 13/10
−1,04%
qua 14/10
−0,18%
qui 15/10
−1,06%
sex 16/10
+0,54%
ter 13/10Depois do feriado, pesquisa aperta o 2º turno e perdão a MEIs pesa; small caps caem forte. ▶ Fechamento 13/10
qua 14/10Inflação americana acima do esperado; Ibovespa zera quase toda a queda com o petróleo. ▶ Fechamento 14/10
qui 15/10Quaest e tarifa zero: dólar passa de R$ 5,09 e juros saltam. ▶ Fechamento 15/10
sex 16/10Fed evita sinalizar alta e IBC-Br vem acima do esperado; bolsa recupera um pouco. ▶ Morning Call 16/10
Fonte: B3.
Leitura da Genial

O mercado está reagindo principalmente às eleições e às propostas de gasto, e não aos dados correntes de atividade. ▶ Fechamento 15/10

Mercados globais
Medido em dólar, o Ibovespa fez −2,85%, enquanto China, Ibovespa (em US$), Nasdaq, Emergentes e Small Caps Brasil (em US$) caíram mais de 2,5%
Variação na semana, % em dólar, para comparar com as bolsas de fora
Commodities
+2,37%
Europa
+1,46%
Dow Jones
+0,67%
Dólar Index
−0,42%
Ouro
−0,67%
Bitcoin
−1,22%
Mundo
−1,88%
S&P 500
−1,95%
China
−2,57%
Ibovespa (em US$)
−2,85%
Nasdaq
−4,48%
Emergentes
−5,91%
Small Caps Brasil (em US$)
−7,98%
Em reais, o Ibovespa caiu 1,74%.

Petróleo em alta, domésticas em queda

As altas vieram de quem não depende do ciclo doméstico. A PRIO liderou com o petróleo acima de US$ 100, e a live de fechamento citou ainda a elevação de preço-alvo por uma casa estrangeira. A Petrobras subiu pelo mesmo motivo, e o setor de energia foi o melhor da bolsa em mais de um pregão. Já a Ambev avançou sem notícia própria, num movimento típico de busca por empresas defensivas.

Na outra ponta ficaram as empresas mais sensíveis a juros e crédito, justamente as que lideraram o rali. A Vamos liderou as perdas, porque o aluguel de caminhões depende de frota financiada com dívida e sofreu com a abertura da curva. Enquanto isso, a Direcional despencou depois de uma prévia operacional fraca, com vendas e lançamentos em queda forte, que a análise ligou à seletividade da Caixa no crédito. A Tenda seguiu o setor de construção de baixa renda, pressionado pelos juros e pelas prévias fracas das concorrentes.

Destaques de alta
PRIOPRIO3+9,31%
Petróleo acima de US$ 100
PRIO3+9,3%
Setor: petróleo+1,9%
Ibovespa−1,7%
PetrobrasPETR4+5,79%
Petróleo
PETR4+5,8%
Setor: petróleo+1,9%
Ibovespa−1,7%
AmbevABEV3+5,00%
Sem notícia própria
ABEV3+5,0%
Setor: consumo−1,1%
Ibovespa−1,7%
Destaques de baixa
VamosVAMO3−17,20%
Juros e crédito
VAMO3−17,2%
Setor: locação−12,9%
Ibovespa−1,7%
DirecionalDIRR3−14,15%
Prévia operacional
DIRR3−14,2%
Setor: construção−10,6%
Ibovespa−1,7%
TendaTEND3−12,59%
Construção baixa renda
TEND3−12,6%
Setor: construção−10,6%
Ibovespa−1,7%
Ibovespa
PRIO, Petrobras e Ambev subiram mais de 5% na semana
As cinco maiores altas e baixas da semana, %
Maiores altas
PRIO3PRIO+9,31%
PETR4Petrobras+5,79%
ABEV3Ambev+5,00%
PETR3Petrobras+4,93%
VIVT3Vivo+4,81%
Maiores baixas
VAMO3Vamos−17,20%
DIRR3Direcional−14,15%
TEND3Tenda−12,59%
CSNA3CSN−11,95%
AZZA3Azzas−10,34%
Fonte: B3. Semana de 12/10 a 16/10/2026.
Mapa do Ibovespa
4 de 20 setores no azul: telecom +4,4%, locação −12,9%
Telecom+4,4%
VIVT3+4,8%
TIMS3+4,1%
Seguros+2,4%
CXSE3+4,5%
BBSE3+2,9%
PSSA3−0,2%
Petróleo+1,9%
PRIO3+9,3%
PETR4+5,8%
PETR3+4,9%
BRAV3+1,9%
UGPA3+1,1%
VBBR3−0,9%
CSAN3−8,9%
Papel e celulose+0,2%
SUZB3+0,8%
KLBN11−0,3%
Consumo−1,1%
ABEV3+5,0%
SMFT3−3,4%
NATU3−5,1%
Logística−2,4%
RAIL3−1,6%
MOTV3−3,1%
Mineração−2,6%
VALE3−2,4%
BRAP4−2,5%
CMIN3−2,8%
Energia elétrica−2,9%
ENEV3+0,6%
CPLE3+0,1%
AXIA3−0,6%
EGIE3−0,9%
CMIG4−2,3%
ISAE4−2,5%
TAEE11−3,8%
EQTL3−5,1%
AURE3−5,4%
ENGI11−5,7%
CPFE3−6,5%
Proteínas−3,0%
MBRF3+0,8%
BEEF3−6,7%
Bens de capital−3,5%
EMBJ3+2,7%
POMO4−6,3%
WEGE3−6,9%
Shoppings−4,4%
ALOS3−3,7%
MULT3−4,5%
IGTI11−5,2%
Saneamento−4,5%
CSMG3−4,3%
SBSP3−4,6%
Bancos−4,8%
SANB11−1,9%
BBAS3−4,4%
ITUB4−4,7%
ITSA4−5,4%
BBDC3−5,5%
BBDC4−5,7%
BPAC11−6,2%
Saúde−4,9%
FLRY3−2,6%
RADL3−4,0%
HYPE3−4,3%
HAPV3−6,3%
RDOR3−7,2%
Tecnologia−4,9%
TOTS3−4,9%
Siderurgia−5,4%
GOAU4−0,5%
GGBR4−1,1%
USIM5−8,0%
CSNA3−11,9%
Educação−7,8%
YDUQ3−7,2%
COGN3−8,5%
Varejo−8,5%
ASAI3−3,5%
CEAB3−8,1%
MGLU3−9,5%
VIVA3−9,7%
LREN3−10,2%
AZZA3−10,3%
Construção−10,6%
MRVE3−7,4%
CYRE3−8,6%
CURY3−10,2%
TEND3−12,6%
DIRR3−14,2%
Locação−12,9%
RENT3−8,7%
VAMO3−17,2%
queda fortequeda levealta levealta forte
Fonte: B3; setores: classificação Genial. Ao lado de cada setor, a média da semana.
Leitura da Genial

Varejistas e empresas domésticas são as mais sensíveis aos juros e ao crédito; por isso a diferença entre exportadoras e small caps abriu tanto na semana. ▶ Fechamento 13/10

Inflação americana acima, IA em xeque

Os números que mexeram
5 dados que mudaram as apostas da semana
51% x 49%
votos válidos no Datafolha
empate técnico; era 52% x 48%
0,3%
núcleo da inflação dos EUA em setembro
o esperado era 0,2%
R$ 5,09
dólar na quinta
alta de mais de 1% no dia
+25 pb
salto da curva de juros na quinta
contratos médios e longos
-27%
vendas líquidas da Direcional no 3º tri
lançamentos caíram quase 50%

Nos Estados Unidos, o núcleo da inflação ao consumidor veio acima do esperado, e a inflação ao produtor também surpreendeu para cima. Mesmo assim, os juros longos caíram na semana. A leitura da casa é de que o mercado passou a temer uma desaceleração ligada ao investimento em inteligência artificial, com os semicondutores em queda prolongada. Na sexta, o presidente do Fed evitou sinalizar nova alta de juros, e as apostas de aperto em outubro recuaram.

O petróleo seguiu pressionado pelo conflito com o Irã, e a Alemanha aprovou liberar estoques depois de um acordo do G7. Desse modo, a combinação de energia cara e atividade em desaceleração mantém o risco de estagflação no radar dos mercados globais.

Aqui, a eleição dominou a semana. A pesquisa PoderData mostrou a vantagem de Flávio Bolsonaro caindo para dois pontos, e a Quaest e o Datafolha confirmaram o empate técnico. Além disso, o perdão de dívidas de MEIs, a renegociação de dívidas de famílias e a proposta de tarifa zero no transporte reforçaram a dúvida fiscal. O Congresso também aprovou o fim da escala 6x1, que eleva o custo da mão de obra para varejo e serviços. Na sexta, o IBC-Br de agosto veio acima do esperado, mas a leitura da casa segue apontando sinais de desaceleração da atividade, com o varejo praticamente parado.

Leitura da Genial

A queda dos juros longos americanos pode ser uma reprecificação do crescimento, diante do risco de o investimento em inteligência artificial desacelerar. Com energia cara, o risco é estagflação. ▶ Fechamento 15/10

O dólar voltou para cima de R$ 5

O real devolveu parte do ganho da semana anterior. O dólar subiu em quase todos os pregões e chegou a passar de R$ 5,09 na quinta, depois da pesquisa Quaest e da notícia sobre a tarifa zero no transporte.

A moeda apanhou do lado doméstico, porque a dúvida fiscal voltou a pesar no prêmio de risco com as pesquisas mais apertadas. Em contrapartida, o dólar mais fraco no mundo limitou a alta, já que os juros americanos recuaram.

Câmbio
O dólar subiu de R$ 4,99 para R$ 5,08 na semana
Dólar PTAX de venda, R$ por dia; o primeiro ponto é a sexta anterior
4,995,015,045,055,08
09/1013/1014/1015/1016/10
Fonte: Banco Central (PTAX).
Câmbio
O real perdeu 0,90% para o dólar, 11º de 12 moedas
Variação contra o dólar na semana, %
Peso colombiano
+1,79%
Franco suíço
+0,91%
Libra esterlina
+0,75%
Rand da África do Sul
+0,71%
Euro
+0,25%
Renminbi chinês
+0,25%
Iene japonês
+0,05%
Peso argentino
−0,07%
Lira turca
−0,35%
Peso chileno
−0,64%
Real brasileiro
−0,90%
Peso mexicano
−1,65%
Leitura da Genial

O dólar mais fraco no mundo pode beneficiar o real, mas aqui a volatilidade segue presa às pesquisas, às propostas fiscais e ao debate de domingo. ▶ Morning Call 16/10

A curva devolveu parte do fechamento

A curva devolveu parte do fechamento histórico. Os juros futuros abriram mais de vinte pontos-base na terça, logo depois do feriado, e voltaram a saltar na quinta, nos vencimentos médios e longos. Assim, o trecho de 2029 subiu de volta para perto de 12,7.

A precificação da Selic também mudou. A curva tinha passado a embutir juros abaixo de 12 ao fim de 2027, e parte dessa aposta foi desfeita com a dúvida fiscal. Ainda assim, operadores seguem vendo espaço para o Banco Central continuar cortando, desde que o pacote fiscal se materialize.

Juros
Os juros futuros subiram na semana em todos os vencimentos
Taxa do DI futuro por vencimento: sexta anterior e esta sexta
jan/27
13,52%+7 pb
jan/28
12,96%+40 pb
jan/29
12,73%+41 pb
jan/30
12,74%+36 pb
jan/31
12,76%+34 pb
jan/32
12,84%+35 pb
jan/33
12,87%+32 pb
jan/35
12,87%+30 pb
sexta anteriornesta sexta, taxa caiunesta sexta, taxa subiu
Fonte: B3 (DI1). 1 pb = 0,01 ponto percentual.
Leitura da Genial

A valorização recente e o fechamento da curva refletiam a expectativa de responsabilidade fiscal numa alternância; a aproximação nas pesquisas e o perdão de dívidas levantaram dúvidas sobre isso. ▶ Fechamento 13/10

O estrangeiro tirou o pé

O estrangeiro desacelerou depois da entrada recorde da semana anterior, e a B3 divulga o fluxo com cerca de dois dias de atraso. Por isso, o saldo dos últimos pregões divulgados mostra entrada bem menor, sem nenhum dia perto do ingresso recorde de outubro. No ano, o saldo continua positivo, sustentado pelo forte ingresso do começo de outubro.

Fluxo
No ano, o estrangeiro acumula R$ 45,4 bi até 14/10
Saldo acumulado do investidor estrangeiro em 2026, R$ bi, um ponto por pregão
45,4
janfevmarabrmaijunjulagosetout
Fonte: B3.
Fluxo
Entraram R$ 4,8 bi de estrangeiros em 5 pregões; o maior movimento, entrada de R$ 2,1 bi, foi em 13/10
Saldo diário na B3 por tipo de investidor, R$ bi · últimos 5 pregões divulgados (07/10 a 14/10)
07/10
−0,63
08/10
+1,65
09/10
+1,03
13/10
+2,08
14/10
+0,71
EstrangeiroInstitucionalPessoa física· número = estrangeiro, R$ bi
Fonte: B3. A B3 divulga o fluxo com cerca de dois dias de atraso; dados até 14/10.
Fluxo
Setembro trouxe R$ 9,1 bi de estrangeiros; o ano soma R$ 45,4 bi
Saldo mensal do estrangeiro em 2026, R$ bi
26,3
jan
15,4
fev
11,7
mar
3,2
abr
−14,9
mai
−7,8
jun
2,0
jul
−18,1
ago
9,1
set
18,5
out*
* out até 14/10. Saldo mensal do investidor estrangeiro na B3, R$ bilhões.
Fonte: B3.
Leitura da Genial

Depois da reação às pesquisas e às propostas econômicas, o fluxo estrangeiro é o termômetro a acompanhar. ▶ Morning Call 16/10

Empate ou vantagem clara

A tensão para as próximas semanas é se as pesquisas voltam a dar vantagem clara a um dos lados ou se o empate persiste. Afinal, o preço ainda carrega parte da aposta de alternância. Se a vantagem de Flávio Bolsonaro se recompuser e a equipe econômica ganhar nomes, o prêmio fiscal volta a cair; por outro caminho, a dúvida fiscal das novas propostas de gasto e o empate prolongado devolvem mais prêmio aos juros longos e ao dólar.

A posição estrutural do Brasil não mudou na semana, mas a volatilidade subiu. A carta de outubro deu o primeiro passo do CDI para o risco e guardou liquidez justamente para a segunda etapa, que depende da urna e dos sinais fiscais. Por isso, a correção desta semana testa a tese sem desmontá-la, porque o voto decide o nome, mas o fiscal decide o preço.

Na agenda, o debate de domingo e as últimas pesquisas abrem a semana. Depois, o segundo turno em 25 de outubro é o grande catalisador, seguido pelas eleições de meio de mandato americanas, em 3 de novembro, e pelo Copom, em 4 de novembro. Portanto, a volatilidade deve seguir alta até a urna.

O que sustentaria a alta

Vantagem clara de um lado nas pesquisas e sinais fiscais concretos, com equipe econômica definida: é o gatilho para a segunda etapa da rotação do CDI para a bolsa.

O que mudaria a leitura

Empate prolongado e novas propostas de gasto devolvem prêmio aos juros longos e ao dólar; o juro americano alto limita o Banco Central.

Para acompanhar
Debate de domingo e últimas pesquisasPropostas fiscais das campanhasFluxo estrangeiro e juros americanos
Agenda a partir de seg (19/10)
dom 25/10Segundo turno da eleição presidencial
ter 03/11Eleições de meio de mandato nos EUA
qua 04/11Decisão do Copom
Esta edição usa dados até a sexta, 16/10. Edição com corte na sexta, 16/10. O debate de domingo e as pesquisas posteriores ficam para a próxima.
Acesse o disclaimer.

Filipe Villegas

Estrategista de Ações

Leitura Dinâmica

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