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Publicado em 03 de Novembro de 2026 às 06:13:19

Expresso Bolsa Semanal: Vitória de Lula, Juros em Disparada e Dólar

A vitória de Lula pegou o mercado posicionado para a alternância: o Ibovespa teve uma das piores semanas da história, o dólar passou de R$ 5,40 e os juros longos dispararam, enquanto lá fora a tecnologia voltou a cair.

Ibovespa
−18,06%
168,0 mil pontos, em reais
Dólar (PTAX)
R$ 5,42
+7,61% na semana
DI jan/35
15,32%
+258 pb na semana
Estrangeiro
R$ −11,6 bi
5 pregões até 28/10 · R$ 35,5 bi no ano

A semana que reprecificou o Brasil

A semana foi de reprecificação violenta dos ativos brasileiros. A vitória de Lula no segundo turno pegou a maior parte do mercado posicionada para a alternância de poder, e a segunda-feira teve um dos piores pregões da história da bolsa. Lá fora, a dúvida sobre o retorno do investimento em inteligência artificial voltou a derrubar a tecnologia, e o Fed manteve o tom duro.

No Brasil, o Ibovespa teve uma queda acentuada na semana, a maior parte dela na segunda, e as small caps despencaram ainda mais. Consequentemente, o dólar subiu com força e os juros futuros longos dispararam. Na segunda, a B3 precisou mudar a regra do circuit breaker para o mercado conseguir abrir. Depois de um alívio na terça, a pressão voltou na quarta e na quinta. A leitura da casa é de que o Brasil voltou a ser um debate de sustentabilidade da dívida: sem uma equipe econômica com credibilidade e respaldo explícito do presidente, o cenário é de juros mais altos, dólar mais caro e bolsa mais baixa.

A semana dia a dia
Nenhum pregão no azul; a menor queda foi na terça
Ibovespa: variação diária e o que marcou cada pregão
205,1 mil176,6 mil175,7 mil171,0 mil169,2 mil168,0 mil
sex 23/10
base
seg 26/10
−13,88%
ter 27/10
−0,51%
qua 28/10
−2,68%
qui 29/10
−1,06%
sex 30/10
−0,67%
seg 26/10Vitória de Lula derruba a bolsa quase 14%; dólar chega a R$ 5,60 e juros longos disparam. ▶ Fechamento 26/10
ter 27/10Oposição reconhece a derrota e o Tesouro recompra títulos; dólar e juros cedem. ▶ Fechamento 27/10
qua 28/10Desalavancagem e bancos em queda pressionam a bolsa; o Fed mantém os juros. ▶ Fechamento 28/10
qui 29/10Nome bem visto para a Fazenda reduz a pressão, mas a bolsa cai pela quarta vez. ▶ Fechamento 29/10
sex 30/10Tecnologia derruba as bolsas lá fora; o Ibovespa recua pelo quinto pregão seguido. ▶ Morning Call 30/10
Fonte: B3.
Leitura da Genial

O Brasil é um play de juros, e o debate é a sustentabilidade da dívida. Diferente de 2022, o mercado não dará o benefício da dúvida: o governo precisa contratar credibilidade com um nome forte na economia e respaldo explícito. ▶ Fechamento 26/10

Mercados globais
Medido em dólar, o Ibovespa fez −24,17%, enquanto China, o ouro, Bitcoin e Small Caps Brasil caíram mais de 2,5%
Variação na semana, % em dólar, para comparar com as bolsas de fora
Mundo
+1,26%
Emergentes
+0,92%
Europa
+0,67%
Dólar Index
+0,09%
S&P 500
−0,57%
Dow Jones
−0,85%
Commodities
−1,73%
Nasdaq
−2,00%
China
−2,65%
Ouro
−2,80%
Bitcoin
−5,47%
Ibovespa (em US$)
−24,17%
Small Caps Brasil (em US$)
−37,76%
Em reais, o Ibovespa caiu 18,06%. Fonte: Bloomberg. MSCI Mundo e MSCI Emergentes: fechamento de 29/10, o último disponível às 17h30 da sexta.
Mercados globais
O Ibovespa vale 8,1 vezes o lucro esperado para 2026; o índice global, 19,5
P/L = preço sobre lucro: o atual e o esperado para 2026 e 2027 (consenso); dividendos dos últimos 12 meses; no ano, em dólar, %
BolsaP/LP/L 26P/L 27Div. %Ano US$
Américas
Dow Jones19,220,719,61,5+7,7
S&P 50023,120,618,01,1+10,7
Nasdaq29,228,020,70,6+9,4
MexBol14,513,612,53,4+4,1
Ibovespa10,28,17,86,3+5,2
Small Caps19,19,36,66,5−18,0
Global
Mundo21,519,517,31,5+11,4
Emergentes14,010,68,42,3+13,4
Fonte: Bloomberg, consenso de analistas. MSCI Mundo e MSCI Emergentes: fechamento de 29/10, o último disponível às 17h30 da sexta.
Mercados globais
O Euro Stoxx vale 15,4 vezes o lucro esperado para 2026; o Nikkei, 20,7
P/L = preço sobre lucro: o atual e o esperado para 2026 e 2027 (consenso); dividendos dos últimos 12 meses; no ano, em dólar, %
BolsaP/LP/L 26P/L 27Div. %Ano US$
Europa
Euro Stoxx16,515,414,12,8+0,6
FTSE 10014,012,612,23,2+7,5
CAC 4014,913,913,03,3−7,1
DAX17,617,115,12,5+0,0
Ásia
Nikkei 22520,520,719,51,5+24,8
Hang Seng11,110,69,53,2−9,8
CSI 30015,013,111,12,8−9,6
Fonte: Bloomberg, consenso de analistas.

Exportadoras sobem, alavancadas despencam

As exportadoras lideraram as poucas altas. A Suzano liderou as altas, porque a receita em dólar ganhou valor com o câmbio, e ainda anunciou aumento no preço da celulose. A WEG e a Embraer seguiram o mesmo caminho: são exportadoras que se beneficiam do dólar mais forte e ficam fora da discussão doméstica.

Em contrapartida, as maiores quedas vieram das empresas alavancadas e dependentes de juros menores, as que mais tinham subido com a aposta na alternância. A Vamos liderou as perdas, junto com as small caps e as empresas ligadas à economia doméstica, que despencaram já na segunda. A Magazine Luiza, que era a ação símbolo do trade eleitoral, perdeu o vento favorável dos juros em queda. A Cosan caiu sem notícia própria.

Destaques de alta
SuzanoSUZB3+15,68%
Dólar e celulose
SUZB3+15,7%
Setor: papel e celulose+4,8%
Ibovespa−18,1%
WEGWEGE3+13,48%
Exportadora
WEGE3+13,5%
Setor: bens de capital+1,7%
Ibovespa−18,1%
EmbraerEMBJ3+13,24%
Exportadora
EMBJ3+13,2%
Setor: bens de capital+1,7%
Ibovespa−18,1%
Destaques de baixa
VamosVAMO3−62,71%
Small caps em queda
VAMO3−62,7%
Setor: locação−54,8%
Ibovespa−18,1%
Magazine LuizaMGLU3−58,08%
Trade eleitoral
MGLU3−58,1%
Setor: varejo−45,4%
Ibovespa−18,1%
CosanCSAN3−55,38%
Sem notícia própria
CSAN3−55,4%
Setor: petróleo−18,2%
Ibovespa−18,1%
Ibovespa
Suzano, WEG e Embraer subiram mais de 13% na semana
As cinco maiores altas e baixas da semana, %
Maiores altas
SUZB3Suzano+15,68%
WEGE3WEG+13,48%
EMBJ3Embraer+13,24%
TIMS3TIM+1,15%
VALE3Vale−0,15%
Maiores baixas
VAMO3Vamos−62,71%
MGLU3Magazine Luiza−58,08%
CSAN3Cosan−55,38%
CEAB3C&A−53,32%
HAPV3Hapvida−52,32%
Fonte: B3. Semana de 26/10 a 30/10/2026.
Mapa do Ibovespa
2 de 20 setores no azul: papel e celulose +4,8%, locação −54,8%
Papel e celulose+4,8%
SUZB3+15,7%
KLBN11−6,0%
Bens de capital+1,7%
WEGE3+13,5%
EMBJ3+13,2%
POMO4−21,6%
Telecom−2,1%
TIMS3+1,1%
VIVT3−5,3%
Mineração−4,0%
VALE3−0,1%
BRAP4−4,2%
CMIN3−7,6%
Seguros−6,3%
CXSE3−0,8%
BBSE3−5,3%
PSSA3−12,7%
Siderurgia−15,4%
GGBR4−0,2%
GOAU4−2,6%
USIM5−24,0%
CSNA3−34,9%
Petróleo−18,2%
PRIO3−3,2%
PETR3−7,8%
PETR4−9,8%
BRAV3−15,7%
VBBR3−17,5%
UGPA3−18,2%
CSAN3−55,4%
Energia elétrica−19,9%
TAEE11−12,0%
ISAE4−12,8%
CMIG4−13,8%
EGIE3−14,4%
CPFE3−15,8%
CPLE3−17,1%
ENEV3−18,5%
AXIA3−18,6%
AURE3−28,5%
EQTL3−33,6%
ENGI11−33,7%
Saneamento−24,7%
SBSP3−23,3%
CSMG3−26,2%
Bancos−25,7%
SANB11−13,4%
ITSA4−18,1%
ITUB4−19,5%
BBDC3−29,2%
BBDC4−31,5%
BBAS3−33,1%
BPAC11−35,4%
Tecnologia−27,6%
TOTS3−27,6%
Proteínas−27,7%
MBRF3−14,8%
BEEF3−40,5%
Logística−28,2%
RAIL3−26,4%
MOTV3−30,1%
Consumo−30,7%
ABEV3−12,3%
SMFT3−39,0%
NATU3−40,8%
Saúde−30,8%
HYPE3−21,5%
RADL3−25,5%
FLRY3−26,7%
RDOR3−27,7%
HAPV3−52,3%
Shoppings−32,7%
IGTI11−32,0%
ALOS3−33,0%
MULT3−33,0%
Construção−36,6%
CURY3−20,6%
TEND3−29,1%
DIRR3−30,0%
MRVE3−50,8%
CYRE3−52,3%
Educação−42,8%
YDUQ3−36,0%
COGN3−49,7%
Varejo−45,4%
VIVA3−35,5%
LREN3−38,1%
ASAI3−42,7%
AZZA3−44,5%
CEAB3−53,3%
MGLU3−58,1%
Locação−54,8%
RENT3−46,9%
VAMO3−62,7%
queda fortequeda levealta levealta forte
Fonte: B3; setores: classificação Genial. Ao lado de cada setor, a média da semana.
Leitura da Genial

A queda é mais justa para umas empresas do que para outras: as alavancadas, que devolveram o prêmio, dificilmente voltam sem uma equipe econômica comprometida. ▶ Fechamento 26/10

Eleição muda o jogo, tecnologia em xeque

Os números que mexeram
4 dados que mudaram as apostas da semana
-13,9%
Ibovespa na segunda-feira
um dos piores dias da história da bolsa
R$ 5,60
dólar na máxima de segunda
maior alta dentro do dia desde 1999
+270 pb
juro de dois anos (swap do DI) na segunda
maior variação desde 2002
82,9%
dívida bruta sobre o PIB em setembro
maior nível desde 2021

Lá fora, os balanços reacenderam a dúvida sobre o investimento em inteligência artificial. A Alphabet caiu forte depois de anunciar mais gastos, a Amazon mostrou o crescimento de vendas online mais lento em três anos, e a Intel ampliou o pessimismo. Em contraste, a Microsoft subiu com o crescimento da nuvem. Assim, o Nasdaq voltou a cair, enquanto setores defensivos ganharam espaço. O ouro e o bitcoin também recuaram, sinal de venda para cobrir perdas.

O Fed manteve os juros, mas com dois votos a favor de alta, e anunciou que algumas reuniões dos próximos anos não terão votação. Por sua vez, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão também soaram mais duros. Enquanto isso, o petróleo seguiu acima de US$ 110, com o risco no Estreito de Ormuz ainda no preço.

Aqui, o resultado da eleição mudou o jogo em um dia. A curva de juros apagou a chance de corte da Selic e passou a embutir alta, e o Tesouro precisou recomprar títulos e cancelar leilões. Ao mesmo tempo, a dívida bruta subiu ao maior nível desde 2021, e o mercado espera o nome do novo ministro da Fazenda. Na quinta, a notícia de um nome bem visto para a Fazenda trouxe algum alívio.

Risco e commodities
Na semana, o CDS do Brasil subiu 25,6 pb e o Brent subiu 0,8%
Fechamento de sexta e variação na semana
145 pb
CDS 5 anos do Brasil
+25,6 pb na semana
4,93%
Juro de 10 anos dos EUA
−6,8 pb na semana
US$ 117,64
Petróleo Brent
+0,79% na semana
US$ 90,71
Minério de ferro
−0,10% na semana
Fonte: Bloomberg. CDS = custo do seguro contra calote do Brasil.
Leitura da Genial

A queda da tecnologia é um evento macro, e não só setorial: está ligada ao investimento em inteligência artificial, ao efeito riqueza e ao custo de financiamento. ▶ Morning Call 30/10

O dólar acima de R$ 5,40

O real teve a pior semana entre as moedas que acompanhamos, e o dólar subiu de R$ 5,04 para perto de R$ 5,42. Na segunda, o dólar chegou a R$ 5,60, a maior alta dentro do dia desde a maxidesvalorização de 1999.

Mesmo assim, o real foi o ativo brasileiro que menos sofreu. Na terça, depois que a oposição reconheceu a derrota, a moeda foi a melhor entre as emergentes, mas a falta de sinal fiscal levou o dólar de volta para cima até o fim da semana.

Câmbio
O dólar subiu de R$ 5,04 para R$ 5,42 na semana
Dólar PTAX de venda, R$ por dia; o primeiro ponto é a sexta anterior
5,045,505,335,345,375,42
23/1026/1027/1028/1029/1030/10
Fonte: Banco Central (PTAX).
Câmbio
O dólar no mundo subiu 0,09% na semana, para 101,9 pontos
Índice do dólar contra seis moedas fortes (DXY); o primeiro ponto é a sexta anterior
101,81101,96102,32102,19102,04101,90
23/1026/1027/1028/1029/1030/10
Fonte: Bloomberg.
Câmbio
O real perdeu 8,52% para o dólar, 12º de 12 moedas
Variação contra o dólar na semana, %
China
+0,24%
Chile
+0,21%
Reino Unido
+0,17%
Suíça
+0,10%
Zona do euro
−0,29%
Japão
−0,42%
Argentina
−0,49%
Turquia
−0,51%
México
−0,71%
África do Sul
−0,71%
Colômbia
−1,49%
Brasil
−8,52%
Fonte: Bloomberg.
Leitura da Genial

O real foi o ativo brasileiro que menos sofreu, mas o caminho do câmbio daqui para frente depende do anúncio de uma equipe econômica com credibilidade. ▶ Fechamento 26/10

A curva trocou corte por alta

Os juros futuros longos dispararam na segunda, com saltos de mais de duzentos pontos-base, e a taxa de juros de dois anos teve a maior variação desde 2002. Na terça, as recompras do Tesouro fizeram a curva devolver parte da alta; contudo, ela voltou a abrir na quarta. No saldo da semana, a curva abriu com força nos vencimentos intermediários e longos; a ponta curta subiu bem menos.

Com isso, a curva trocou os cortes de antes por alta da Selic à frente. Para a casa, só a credibilidade fiscal, com uma equipe econômica forte, devolve os juros para baixo; enquanto isso, o Tesouro reduziu as emissões e os títulos longos seguem pressionados.

Juros
Os juros futuros subiram na semana em todos os vencimentos
Taxa do DI futuro por vencimento: sexta anterior e esta sexta
jan/27
13,64%+18 pb
jan/28
14,49%+164 pb
jan/29
14,98%+234 pb
jan/30
15,21%+257 pb
jan/31
15,29%+265 pb
jan/32
15,34%+264 pb
jan/33
15,36%+262 pb
jan/35
15,32%+258 pb
sexta anteriornesta sexta, taxa caiunesta sexta, taxa subiu
Fonte: B3 (DI1). 1 pb = 0,01 ponto percentual. Sexta: última taxa negociada até as 16h57 (o ajuste oficial sai à noite), via Bloomberg.
Leitura da Genial

O prêmio de risco sobe enquanto não houver agenda fiscal, e ajustes a conta-gotas não resolvem a equação; os ativos brasileiros só voltam a ser oportunidade quando juros e câmbio pararem de ser reprecificados. ▶ Morning Call 30/10

O estrangeiro virou vendedor

O estrangeiro virou vendedor forte. A B3 divulga o fluxo com cerca de dois dias de atraso, e os últimos pregões divulgados mostram saída pesada, que devolveu boa parte da entrada de outubro. No ano, o saldo ainda é positivo, mas bem menor que o da semana anterior, enquanto a pessoa física comprou a queda.

Fluxo
No ano, o estrangeiro acumula R$ 35,5 bi até 28/10
Saldo acumulado do investidor estrangeiro em 2026, R$ bi, um ponto por pregão
35,5
janfevmarabrmaijunjulagosetout
Fonte: B3.
Fluxo
Saíram R$ 11,6 bi de estrangeiros em 5 pregões; o maior movimento, saída de R$ 2,9 bi, foi em 23/10
Saldo diário na B3 por tipo de investidor, R$ bi · últimos 5 pregões divulgados (22/10 a 28/10)
22/10
−1,03
23/10
−2,94
26/10
−2,85
27/10
−2,04
28/10
−2,71
EstrangeiroInstitucionalPessoa física· número = estrangeiro, R$ bi
Fonte: B3. A B3 divulga o fluxo com cerca de dois dias de atraso; dados até 28/10.
Fluxo
Outubro trouxe R$ 8,6 bi de estrangeiros; o ano soma R$ 35,5 bi
Saldo mensal do estrangeiro em 2026, R$ bi
26,3
jan
15,4
fev
11,7
mar
3,2
abr
−14,9
mai
−7,8
jun
2,0
jul
−18,1
ago
9,1
set
8,6
out
Saldo mensal do investidor estrangeiro na B3, R$ bilhões.
Fonte: B3.
Leitura da Genial

O estrangeiro ainda pode sair mais da bolsa, enquanto a pessoa física compra a queda. ▶ Morning Call 29/10

O nome da Fazenda decide o preço

A tensão para a próxima semana é o nome do ministro da Fazenda e o compromisso fiscal do novo governo. Um nome com credibilidade, com respaldo explícito do presidente e metas claras para as contas públicas, tende a aliviar os juros longos e o dólar. Já a demora ou um sinal de mais gasto devolve prêmio aos juros e mantém a bolsa sob pressão. Além do nome, o mercado acompanha a medida provisória do Imposto Seletivo, prevista para terça.

A posição estrutural do Brasil piorou na semana: a bolsa ficou ainda mais barata, mas o preço depende do fiscal, e o risco de recessão em 2027 entrou no debate. Desse modo, o benefício da dúvida ao governo é quase nenhum, e o mercado vai cobrar números antes de voltar a comprar.

Na agenda, o pronunciamento do presidente à nação está previsto para a próxima semana. Depois, o Copom decide a Selic na quarta, com a expectativa de manutenção, e a produção industrial sai na quinta. Lá fora, o relatório de emprego americano fecha a semana na sexta.

O que sustentaria a alta

Ministro da Fazenda com credibilidade, respaldo explícito do presidente e metas claras para as contas públicas: alivia juros longos e dólar e reabre espaço para a bolsa.

O que mudaria a leitura

Demora no anúncio ou sinal de mais gasto devolve prêmio aos juros e ao dólar; o Fed duro e o petróleo alto tiram a âncora externa.

Para acompanhar
Nome do ministro da FazendaPronunciamento do presidenteCopom e juros longos
Agenda
O que o mercado acompanha a partir de ter 03/11
Esta semana
ter03/11
Medida provisória do Imposto Seletivo

Primeiro sinal concreto da agenda de impostos do novo mandato.

qua04/11
Decisão do Copom

A expectativa é de manutenção; o comunicado diz como o Banco Central lê o choque nos juros.

qui05/11
Produção industrial de setembro

Mede a desaceleração que alimenta o debate de recessão em 2027.

sex06/11
Relatório de emprego (payroll)

Mostra se o mercado de trabalho americano sustenta o Fed duro.

Mais adiante
qua09/12
Decisão de juros do Fed

O mercado precifica nova alta; o ritmo do Fed define o juro global.

Edição fechada na sexta, 30/10, com dados até as 17h15. O que acontecer no feriado de Finados, o pronunciamento do presidente e o anúncio da equipe econômica ficam para a próxima.
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Filipe Villegas

Estrategista de Ações

Leitura Dinâmica

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