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Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 15:28:03

CAGED (Ago/26): Criação de vagas ganha força e preserva cenário de arrefecimento gradual

Em agosto, o Caged registrou criação líquida de 165,8 mil postos formais de trabalho, valor este que veio significativamente melhor do que o esperado pelo mercado (93,4 mil, Broadcast+), praticamente igualando o teto das estimativas de mercado de 170,0 mil, e também superando a nossa expectativa para o mês de um saldo positivo de 99,7 mil. Com isso, o Caged volta a registrar um saldo robusto de criação de empregos, corroborando a nossa expectativa de que o processo de perda de dinamismo ocorrerá de maneira gradual ao longo de 2026. Com o resultado de hoje, na série com ajuste sazonal, o saldo líquido avançou de 34,8 mil para 61,7 mil, fazendo com que a média móvel trimestral saísse de 51,4 mil para 57,1 mil, corroborando nossa expectativa de perda gradual de dinamismo.

Em agosto, todos os cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos. Os destaques ficaram por conta dos serviços (+110,3 mil), com destaque para a administração pública, defesa e seguridade social (+46,3 mil) e para os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras (+26,9 mil); construção (+20,8 mil); indústria (+16,6 mil); e comércio (16,6 mil). Por sua vez, a agropecuária contribuiu positivamente com um saldo líquido de +1,4 mil trabalhadores formais no período.

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,29 milhões e o desligamento de 2,13 milhões de trabalhadores. No acumulado em 12 meses, houve criação de 887,7 mil postos de trabalho, ficando acima dos 876,6 mil acumulados nos 12 meses encerrados em jul/26, interrompendo uma sequência de 4 leituras consecutivas de desaceleração dessa métrica. No acumulado no ano, houve a criação de 1,1 milhão de postos de trabalho, desacelerando em relação ao 1,5 mi registrados no mesmo período do ano passado.

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,0% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.410,74 em ago/26, ante R$ 2.386,43 no mesmo mês do ano anterior.  Já o salário médio de demissão variou 1,5% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.511,04 em ago/26, ante R$ 2.474,88 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão (indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho) desacelerou para 96,2% (-0,1 p.p.), sugerindo que o mercado de trabalho deve permanecer resiliente ao longo do segundo semestre mesmo diante de sinais mais amplos de arrefecimento dos principais setores da economia ao longo dos últimos meses.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, indicador utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho, avançou 0,3 p.p., registrando a terceira alta consecutiva e permanecendo em patamar elevado. Em nossa avaliação, esse movimento sugere que os trabalhadores ainda encontram condições relativamente favoráveis para trocar de emprego, reforçando a leitura de resiliência do mercado de trabalho e a perspectiva de arrefecimento apenas gradual da economia. Nesse contexto, mantemos nossa projeção de criação líquida de 950 mil postos formais em 2026. Para o próximo mês, nossa estimativa preliminar é de saldo positivo de 137,3 mil vagas.

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Yihao Lin

Coordenador Econômico

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Leitura Dinâmica

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