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Publicado em 28 de Agosto às 18:16:20

CAGED (Jul/26): Mercado de trabalho formal desacelera no início do segundo semestre

Em julho, o Caged registrou criação líquida de 58,6 mil postos formais de trabalho, valor este que veio significativamente abaixo do piso das estimativas de mercado (90,5 mil, Broadcast+) e também abaixo da nossa projeção para o mês de 105,7 mil. Com isso, o Caged volta a registrar um saldo aquém do esperado pelo mercado, sinalizando uma perda de fôlego mais intensa do mercado de trabalho no início do segundo semestre do ano, corroborando a expectativa de perda de dinamismo da economia no período. Com o resultado de hoje, na série com ajuste sazonal, o saldo líquido avançou de 73,5 mil para 33,8 mil corroborando a leitura de perda de dinamismo do mercado de trabalho na passagem de junho para julho.

Em julho, quatro dos cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (+24,1 mil), com destaque para serviços de transporte, armazenagem e correio (+15,2 mil) e serviços de informação, comunicação e atividades financeiras (+9,7 mil); construção (+12,7 mil); agropecuária (+12,5 mil); e a indústria com a abertura de 11,3 mil. O destaque negativo ficou por conta do comércio que teve um fechamento de 2,1 mil postos de trabalho no período.

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,26 milhões e o desligamento de 2,20 milhões de trabalhadores. No acumulado em 12 meses, houve criação de 880,7 mil postos de trabalho, ficando abaixo do 956,1 milhão acumulados nos 12 meses encerrados em jun/26, marcando a quarta leitura consecutiva de arrefecimento nesta métrica. No acumulado no ano, houve a criação de 972,2 mil postos de trabalho, desacelerando em relação aos 1,4 mi registrados no mesmo período do ano passado. 

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 2,0% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.419,23 em jul/26, ante R$ 2.370,85 no mesmo mês do ano anterior.  Já o salário médio de demissão variou 1,7% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.503,79 em jul/26, ante R$ 2.462,64 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão (indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho) acelerou para 96,3% (+0,2 p.p.), sugerindo que o mercado de trabalho deve permanecer resiliente ao longo do segundo semestre mesmo diante da surpresa baixista do mês.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – avançou 0,6 p.p., dando continuidade ao movimento de recuperação observado na leitura do mês imediatamente anterior e corrobora a nossa expectativa de que quaisquer ajustes que ocorram no mercado de trabalho ocorrerão de maneira bastante gradual. Avaliamos que os números de hoje seguem consistentes com a nossa expectativa de criação de cerca de 950,0 mil postos de trabalho formais ao longo de 2026. Para o próximo mês, nossa projeção preliminar é de que o saldo líquido de vagas de emprego formais seja de 97,1 mil.

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Yihao Lin

Analista de Ações

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

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