Em setembro, o Caged registrou criação líquida de 121,3 mil postos formais de trabalho, valor este que veio significativamente pior do que o esperado pelo mercado (163,6 mil, Broadcast+), ficando mais próximo do piso das estimativas (96,6 mil) e aquém da nossa projeção para o mês de 172,3 mil vagas criadas. Com isso, o Caged volta a registrar um saldo significativamente aquém do esperado pelo mercado, corroborando a nossa expectativa de arrefecimento gradual dos indicadores do mercado de trabalho ao longo do final de 2026. Com o resultado de hoje, na série com ajuste sazonal, o saldo líquido recuou de 56,7 mil para 22,0 mil, fazendo com que a média móvel trimestral saísse de 55,9 mil para 38,1 mil.
Em setembro, quatro dos cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos. Os destaques ficaram por conta dos serviços (+81,2 mil), com destaque para a administração pública, defesa e seguridade social (+26,0 mil) e para os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras (+29,5 mil); indústria (+19,3 mil); comércio (15,7 mil); e construção (+9,5 mil). Em contrapartida, a agropecuária contribuiu negativamente com um saldo negativo de -4,4 mil vagas no período.
O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,21 milhões e o desligamento de 2,09 milhões de trabalhadores. No acumulado em 12 meses, houve criação de 787,1 mil postos de trabalho, ficando abaixo dos 880,4 mil postos criados nos 12 meses acumulados até o mês imediatamente anterior, voltando à trajetória de arrefecimento que vinha sendo observado nos meses anteriores à agosto e corrobora a nossa expectativa de arrefecimento gradual do mercado de trabalho ao longo de 2026. No acumulado do ano, houve a criação de 1,25 milhão de postos de trabalho, desacelerando em relação aos 1,73 milhão observados no mesmo período do ano passado.
Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,9% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.429,41 em set/26, ante R$ 2.384,50 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 1,0% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.523,76 em set/26, ante R$ 2.498,56 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão (indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho) acelerou 0,1 p.p. para 96,3%, sugerindo que o mercado de trabalho deve permanecer resiliente mesmo diante de sinais mais amplos de perda de dinamismo da economia ao longo dos últimos meses, corroborando a nossa expectativa de arrefecimento gradual do mercado de trabalho.
Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, indicador utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho, ficou estável em 36,9%, permanecendo em um patamar historicamente elevado. Em nossa avaliação, a manutenção deste patamar segue sugerindo que os trabalhadores ainda encontram condições relativamente favoráveis para trocar de emprego, reforçando a leitura de resiliência do mercado de trabalho e a perspectiva de arrefecimento apenas gradual do mercado de trabalho. Com o resultado do mês de setembro, revisamos a nossa projeção de criação líquida de 950,0 mil para 900,0 mil postos formais em 2026. Para o próximo mês, nossa estimativa preliminar é de saldo positivo de 92,9 mil vagas.





