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Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 15:13:02

Copom (Set/26): Selic a 13,75%, com viés dovish apesar da assimetria altista dos riscos

O Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., para 13,75% a.a., em linha com o consenso de mercado (Broadcast+) e com nossa projeção. A decisão dá continuidade ao ciclo de calibração iniciado em março, amparada pela manutenção da projeção de inflação próxima à meta no horizonte relevante e pela combinação entre uma dinâmica inflacionária corrente ainda benigna e sinais de moderação da atividade. Sem surpresa na decisão de juros, o principal destaque ficou nas projeções: o BC revisou para baixo a estimativa para a inflação de preços administrados, apesar da elevação da curva futura do petróleo. A projeção de inflação no horizonte relevante, por sua vez, ficou 0,1 p.p. acima da nossa estimativa. Em nossa avaliação, o comunicado veio, de modo geral, em linha com nossas expectativas, mas apresentou um viés ligeiramente dovish, ao atribuir maior ênfase aos sinais favoráveis à convergência da inflação.

O comunicado de hoje trouxe poucas alterações em seu conteúdo, que ficaram restritas à uma caracterização mais benigna da economia em relação à reunião anterior. O diagnóstico doméstico ficou mais favorável. O Comitê reconheceu desaceleração principalmente em setores cíclicos e passou a situar tanto a inflação cheia quanto a média dos núcleos abaixo do limite superior da banda. A retirada do termo “adicional” ao tratar da desancoragem longa suavizou marginalmente o diagnóstico, ainda que a preocupação tenha sido mantida. Esses sinais preservam espaço para outro corte se os dados continuarem favoráveis. Além disso, destacamos a ausência de uma menção à piora do cenário externo, sendo esse ponto relevante dada a alta observada na cotação do barril de petróleo no período entre reuniões.                                                                                                                                                                        

Pelo lado hawk, destacamos a manutenção dos principais trechos do comunicado anterior, com destaque para a manutenção da assimetria altista do balanço de riscos mesmo diante de um sinal de maior arrefecimento da economia. Permaneceram no comunicado a desancoragem prolongada, os efeitos de segunda ordem de petróleo e clima, a resiliência da inflação de serviços associada ao hiato positivo, o risco cambial decorrente da combinação de políticas e os estímulos à demanda que enfraqueçam a transmissão monetária. Dessa forma, entendemos que o saldo líquido do comunicado de hoje veio ligeiramente dovish, porém em linha com a nossa expectativa divulgada em nosso Copom preview. O preview antecipou corretamente os pilares da mensagem: uma comunicação cautelosa, com a decisão de novembro em aberto e possibilidade de encerramento do ciclo após setembro. Apesar disso, dada a nossa expectativa de que os dados no curto prazo sigam benignos, o documento de hoje gera um viés de que a próxima reunião ainda seja marcada pela continuidade do ciclo de afrouxamento.

 Por fim, destacamos que a projeção de inflação do HR veio abaixo da nossa projeção reportada no Copom preview. O comitê projeta uma inflação de 3,2% para o 1T28, abaixo dos 3,3% estimados por nós. Isso aconteceu apesar do câmbio de R$ 5,15/US$ ter coincidido com a premissa do preview. Para 2027, a projeção de 3,9% também ficou 0,1 p.p. abaixo da estimativa interna. A combinação indica uma trajetória de convergência um pouco mais confortável do que a antecipada, sugerindo uso de premissas bastante otimistas para a inclinação da curva de petróleo, refletidas no recuo de 3,5% para 3,2% na projeção de administrados para no horizonte relevante.

Apesar da decisão de hoje seguir apontando para uma inclinação do BC em suavizar o ciclo econômico, entendemos que ela segue consistente com a nossa expectativa de encerramento do ciclo de calibração da política monetária na reunião realizada hoje. A nosso ver, mesmo diante de dados mais benignos no curto prazo, a desancoragem das expectativas, a deterioração do cenário externo, uma dinâmica inflacionária que deve se tornar desfavorável no final do ano e a volatilidade eleitoral devem pesar sobre as próximas decisões do comitê, jogando a favor de uma postura mais cautelosa. Seguimos avaliando que a continuidade do ciclo para além da reunião de setembro, dependerá, a nosso ver, de como as eleições impactarão o câmbio e da intensidade do choque do El Niño sobre a inflação de alimentos. Por ora, seguimos com a avaliação de que os vetores benignos deixarão de contribuir para além da reunião de setembro, de modo que, no nosso cenário-base a Selic encerrará o ano em 13,75% a.a., porém reconhecemos que há um risco considerável de que o BC siga afrouxando a Selic nas próximas reuniões.

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Yihao Lin

Coordenador Econômico

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Leitura Dinâmica

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