Em setembro, o saldo das operações de crédito registrou avanço de 8,6% a/a, desacelerando em relação ao mês imediatamente anterior (9,4%), vindo abaixo da nossa expectativa (8,8%), menor taxa de crescimento desde fev/24. Com isso, o volume de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou o montante de R$7.444,20 bilhões (ante R$7.412,40). O resultado reflete o avanço de 6,5% no saldo das pessoas jurídicas e de 9,9% das pessoas físicas, ambas desacelerando quase 1 p.p. em relação a agosto. Por modalidade, o saldo de crédito com recursos livres cresceu 6,5% a/a, ante 6,6% em agosto, enquanto o direcionado desacelerou consideravelmente em relação ao mês anterior, saindo de 13,2% a/a para 11,5% a/a. Na margem, o saldo total aumentou 0,4%, com expansão de 1,0% do crédito para as empresas e 0,1% para as famílias.
As concessões totais, na série com ajuste sazonal, recuaram 1,3% m/m, para R$ 731,5 bilhões, após alta de 2,2% em agosto. O resultado combinou queda de 3,4% m/m nas operações com pessoas jurídicas e alta de 0,6% m/m com pessoas físicas. Por tipo de recurso, as concessões livres recuaram 0,4% m/m, com queda de 3,0% para PJ e expansão de 1,1% para PF. As concessões direcionadas, por sua vez, recuaram 11,8% m/m, com quedas de 7,8% para PJ e de 5,4% para PF. A média móvel trimestral das concessões totais subiu 0,1% em setembro, ante 0,7% em agosto; no crédito livre, desacelerou de 1,4% para 1,1%, enquanto no direcionado passou de queda de 3,7% para queda de 7,4%. A retração do crédito livre somou-se à queda do direcionado na leitura mensal.
De maneira geral, a leitura de setembro mostra crescimento mais lento dos saldos e retração das concessões ajustadas, mais intensa no crédito direcionado e, em menor medida, no livre. A expansão dos saldos e a força de algumas modalidades ainda são compatíveis com uma desaceleração gradual do mercado de crédito, sem contração generalizada. Ao mesmo tempo, a inadimplência total e a das famílias permaneceram em 5,0% e 6,0%, respectivamente, enquanto a de PF no crédito livre renovou a máxima da série, em 8,1%, e os juros às famílias voltaram a subir. A resiliência do mercado de trabalho ainda oferece suporte à atividade, mas os juros restritivos, os recordes de endividamento e comprometimento da renda e a inadimplência elevada reduzem a capacidade de sustentação do consumo nos próximos meses. Esperamos, portanto, perda gradual de impulso do crédito, com dinamismo mais concentrado entre segmentos e modalidades nas próximas leituras.
Para as pessoas físicas, as concessões somaram R$ 348,7 bilhões em setembro, com alta nominal de 6,3% a/a. Na comparação mensal sem ajuste sazonal, houve avanço de apenas 0,2%, incapaz de reverter a queda de agosto. O cartão de crédito total avançou 8,0% a/a, ou R$ 20,6 bilhões: a modalidade à vista cresceu 7,2%, ou R$ 15,1 bilhões; o rotativo, 12,6%, ou R$ 4,2 bilhões; e o parcelado, 8,4%, ou R$ 1,4 bilhão. As concessões de consignado para trabalhadores do setor privado aumentaram 28,0% a/a, ou R$ 1,8 bilhão, mas recuaram 7,7% no mês. O consignado total cresceu 16,6% a/a, enquanto o financiamento para aquisição de veículos avançou 13,5%, ou R$ 2,8 bilhões. Entre as modalidades de menor dinamismo, o consignado para servidores públicos caiu 18,0% a/a. O crédito pessoal não consignado recuou 1,8% a/a e o consignado para beneficiários do INSS cresceu 54,8% a/a.
Para as pessoas jurídicas, as concessões livres somaram R$ 325,3 bilhões em setembro, com expansão nominal de 15,0% a/a. Na comparação mensal sem ajuste sazonal, houve alta de 7,1%; na série ajustada, houve recuo de 3,0%. Entre as modalidades, o capital de giro cresceu 46,3% a/a, ou R$ 16,4 bilhões. A antecipação de faturas de cartão recuou 2,2%, ou R$ 1,0 bilhão, e o desconto de duplicatas aumentou 9,1%, ou R$ 7,7 bilhões. O cartão empresarial total cresceu 31,7%, ou R$ 7,1 bilhões, enquanto o ACC subiu 18,7%, ou R$ 2,6 bilhões. Na ponta negativa, a aquisição de veículos recuou 28,4% a/a, ou R$ 1,6 bilhão. O financiamento às exportações avançou 1,4% a/a, ou R$ 0,1 bilhão.
A taxa média de juros das novas operações subiu 0,2 p.p. em setembro, para 32,4% a.a., ficando 0,9 p.p. acima do nível de um ano antes. O spread bancário aumentou 0,5 p.p., para 21,6 p.p. O destaque foi o crédito livre às famílias, cujos juros atingiram 62,4% a.a., com alta de 0,6 p.p. no mês e de 3,7 p.p. em doze meses, reforçando a pressão sobre o custo do crédito às famílias. O ICC atingiu 24,3% a.a., com alta de 0,1 p.p. no mês e de 0,8 p.p. em doze meses.
A inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, permaneceu em 5,0% da carteira total do SFN em setembro, acumulando alta de 0,9 p.p. em doze meses. Entre as empresas, a taxa recuou 0,1 p.p. no mês, para 3,3%, mas ficou 0,5 p.p. acima do nível de um ano antes. Entre as famílias, manteve-se em 6,0%, com avanço de 1,1 p.p. em doze meses. No crédito livre, a inadimplência total ficou estável em 6,6%, com redução de 0,1 p.p. em PJ, para 4,2%, e aumento de 0,1 p.p. em PF, para 8,1%. No direcionado, a taxa total caiu de 3,0% para 2,9%, com avanço de 2,0% para 2,1% em PJ e recuo de 3,6% para 3,4% em PF. A inadimplência total e a das famílias no agregado permaneceram nas máximas da série disponível desde março de 2011, enquanto a de PF no crédito livre renovou o maior patamar, indicando persistência das dificuldades de pagamento das famílias.
O endividamento das famílias chegou a 50,1% com alta de 0,2 p.p. na passagem de julho para agosto e de 1,0 p.p. em doze meses. O comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 29,0%, com avanços de 0,2 p.p. no mês e 1,2 p.p. em comparação a set/25. A combinação entre renda comprometida, inadimplência crescente e juros ainda elevados limita o espaço para sustentação do consumo nos próximos meses.








