Em agosto, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou expansão de 0,34% m/m, vindo melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (0,12% m/m, Broadcast+), contudo vindo um pouco pior do que a nossa expectativa para o mês de expansão de 0,4% m/m. Com este resultado, o indicador interrompe uma sequência de dois recuos consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores, revertendo, a queda do mês imediatamente anterior, ficando consistente com a nossa expectativa de estagnação da economia no terceiro trimestre do ano, sendo reflexo de uma cenário macroeconômico bastante adverso. Já na comparação interanual, o indicador registrou avanço de 1,2% a/a, vindo melhor do que o consenso de mercado (1,0% a/a, Broadcast+), mas ficando em linha com a nossa projeção para o mês de alta de mesma magnitude.
Apesar dos sinais mais amplos de perda de dinamismo da economia como um todo, cabe destacar que na série com ajuste sazonal, o IBC-Br segue operando muito próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica, sugerindo que o processo de arrefecimento da economia brasileira deve ocorrer de maneira gradual em 2026. A nosso ver, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal deve continuar sendo responsável por limitar, ainda que parcialmente, os efeitos contracionistas do atual ciclo de aperto monetário. A nossa expectativa de arrefecimento gradual segue sendo corroborada pela média móvel trimestral que saiu de um recuo de -0,30% na leitura de julho para -0,25% na leitura de agosto, com sinais de perda de dinamismo disseminados entre as categorias que compõem o índice.
De modo geral, o resultado de hoje oferece um contraponto às surpresas baixistas observadas nas pesquisas de atividade do IBGE (PIM, PMS e PMC), mas não altera nossa avaliação de enfraquecimento mais amplo da economia brasileira. Considerando o conjunto das divulgações, revisamos nossa projeção para o PIB do terceiro trimestre de expansão de 0,1% t/t para estabilidade (0,0% t/t). Nossos trackings, que já indicavam contração de 0,1% t/t após a PMC, permanecem nesse patamar, mantendo o viés baixista mesmo para a estimativa revisada. Apesar desse ajuste, mantemos a projeção de crescimento de 1,7% para 2026, sustentada principalmente pelo forte desempenho observado no primeiro trimestre. Para 2027, os dados mais recentes reforçam os riscos de baixa para nossa estimativa de expansão de 1,3%, diante da perspectiva de manutenção dos juros em patamar contracionista e de menor contribuição das medidas de estímulo à demanda. Atualmente, nossos trackings apontam para um crescimento de 1,1% no próximo ano, e a revisão da projeção oficial será realizada após a divulgação dos dados completos do terceiro trimestre de 2026.
No que diz respeito à política monetária, os sinais mais disseminados de arrefecimento presentes nos dados de agosto seguem favorecendo a continuidade do ciclo de calibração da Selic, que projetamos em 13,25% a.a. ao final de 2026. Ainda assim, consideramos pouco provável uma aceleração do ritmo de cortes. O descasamento entre as políticas monetária e fiscal, a expectativa de um El Niño mais intenso e as incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio impõem riscos à convergência da inflação à meta, recomendando cautela na condução da política monetária. Para 2027, a evolução da inflação e das expectativas continuará sendo determinante para as decisões do Banco Central. Assim, embora o enfraquecimento da atividade amplie o espaço para cortes adicionais, a continuidade do afrouxamento não é automática e dependerá também do resultado do ciclo eleitoral.
Pela abertura setorial, a indústria avançou 0,9% m/m, enquanto os serviços cresceram 0,2% m/m. Em sentido contrário, a agropecuária recuou 1,8% m/m, limitando o desempenho do agregado. A composição, portanto, mostra melhora nos componentes não agropecuários, diferentemente da leitura de julho, quando a indústria recuou e os serviços permaneceram praticamente estáveis. Com estes resultados, o índice ex-agro registrou avanço de 0,33% m/m, revertendo a queda de -0,30% m/m do mês imediatamente anterior, apontando para um desempenho mais próximo à estabilidade no terceiro trimestre do ano. Com o resultado de agosto e as revisões na série histórica, estimamos que o IBC-Br deixa um carrego estatístico de -0,5% para o terceiro trimestre e de 1,4% para o ano de 2026.







