Em julho, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou contração de 0,2% m/m, vindo ligeiramente pior do que o esperado pelo consenso de mercado (-0,1% m/m, Broadcast+), contudo um pouco melhor do que a nossa expectativa para o mês de contração de 0,3% m/m. Com este resultado, na série com ajuste sazonal, o indicador dá continuidade ao recuo observado no mês passado e segue apontando para a perda de dinamismo da economia brasileira que deve continuar registrando arrefecimento no terceiro trimestre do ano, refletindo um cenário macroeconômico bastante adverso. Já na comparação interanual, o indicador registrou avanço de 1,1% a/a, vindo em linha com o consenso de mercado (Broadcast+), contudo um pouco melhor do que a nossa expectativa para o mês de alta de 1,0% a/a.
Apesar da nova contração no mês, cabe destacar que a série com ajuste sazonal do IBC-Br segue operando próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica, sugerindo ainda uma certa resiliência da economia brasileira, corroborando a nossa expectativa de arrefecimento gradual da economia na passagem de 2025 para 2026. A nosso ver, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal ao longo dos últimos anos tem sido responsável por limitar, ainda que parcialmente, os efeitos contracionistas do atual ciclo de aperto monetário, cujas consequências começam a aparecer de maneira mais intensa sobre os indicadores de crédito mais recentemente. A nossa expectativa de arrefecimento gradual segue sendo corroborada pela média móvel trimestral que saiu de um recuo de 0,1% na leitura de junho para -0,3% em julho. Embora a agropecuária tenha contribuído para o resultado negativo de julho, a continuidade do recuo do indicador que exclui o setor mostra que o enfraquecimento não se restringe às oscilações da produção agropecuária. A indústria voltou a cair, enquanto os serviços permaneceram praticamente estáveis, sem recuperar as perdas do mês anterior. Dessa forma, o resultado reforça a nossa expectativa de baixo crescimento no segundo semestre, sendo consistente com a nossa projeção de avanço de 0,1% t/t do PIB no terceiro trimestre. Da mesma forma, seguimos avaliando que a leitura de hoje é consistente com a nossa expectativa de crescimento de 1,7% da economia em 2026.
No que diz respeito à condução da política monetária, avaliamos que os dados de atividade de julho aliados à leitura ainda benigna da última divulgação do IPCA se mostram consistentes com a continuidade do ciclo de calibração da política monetária na reunião de hoje, jogando a favor da expectativa do BC de fechamento do hiato do produto. A perda de dinamismo dos segmentos não agropecuários reforça nossa avaliação de moderação das pressões de demanda. Contudo, avaliamos que o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, em contexto marcado por uma expectativa do fenômeno El Niño mais intenso e incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio, impõem riscos para o atingimento da meta de inflação ao longo dos próximos meses, demandando ainda uma certa cautela na condução da política monetária. Nesse contexto, mantemos a expectativa de redução de 25 bps da Selic na reunião de setembro, para 13,75% a.a., patamar que permanece como nossa projeção para o encerramento do ano. Para as reuniões seguintes, entendemos que a evolução da inflação e das expectativas continuará sendo determinante, de modo que o enfraquecimento da atividade amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática, sendo essa dependente também do resultado do ciclo eleitoral. Cabe destacar que nosso cenário base é que esse seja o último corte, de modo que, a taxa Selic deve encerrar o ano nesse patamar, porém dada a nossa expectativa de que os dados de inflação sigam benignos nas próximas leituras, entendemos que há um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro.
A divulgação também trouxe revisões relevantes para a leitura da trajetória recente. O crescimento de maio foi revisado de 0,03% m/m para 0,21% m/m, enquanto a contração de junho passou de 0,64% m/m para 0,88% m/m. Assim, apesar da revisão positiva de maio, a queda mais intensa em junho, seguida de novo recuo em julho, reforça a percepção de enfraquecimento na passagem entre os semestres. Com o resultado de julho e as revisões na série histórica, estimamos que o IBC-Br deixa um carrego estatístico de -0,7% para o terceiro trimestre e de 1,2% para o ano de 2026.
Pela abertura setorial, a agropecuária recuou 1,2% m/m, revertendo o avanço de 1,0% m/m registrado em junho. Apesar da queda na margem, o setor ainda apresentou expansão de 3,7% a/a. A indústria, por sua vez, registrou contração de 0,4% m/m, dando continuidade à queda revisada de 1,8% m/m do mês anterior e acumulando perda de 2,2% nos dois meses. Na comparação interanual, o crescimento industrial desacelerou para 0,5% a/a. Já os serviços apresentaram estabilidade na margem, com variação de -0,01% m/m, após recuo de 0,5% m/m em junho, enquanto avançaram 1,3% a/a. Por fim, o IBC-Br ex-agropecuária recuou 0,1% m/m, após contração revisada de 1,0% m/m em junho, acumulando queda de 1,2% nos dois meses. Na comparação interanual, a expansão desacelerou de 2,2% a/a para 1,0% a/a. A variação mensal de sua média móvel trimestral também passou de -0,1% para -0,3%, enquanto o carrego estatístico para o terceiro trimestre ficou em -0,8%.








