Em agosto, a Produção Industrial Mensal registrou recuo de 0,6% m/m, resultado que veio pior do que o esperado pelo mercado (0,1% m/m, Broadcast+) e aquém da nossa expectativa para o mês (0,5% m/m). Com isso, a atividade industrial volta para o terreno negativo, após registrar alta de 0,1% m/m em julho, revisada de 0,2% m/m, apontando para a continuidade da perda de dinamismo da atividade industrial, refletindo um cenário macroeconômico adverso para o setor. Na comparação interanual, a produção industrial registrou recuo de -1,2% a/a, ficando também significativamente abaixo do consenso de mercado (0,0% m/m, Broadcast+) e do que a nossa expectativa para o mês de alta de 0,6% a/a. A média móvel trimestral recuou 0,7%, reforçando a percepção de perda de dinamismo na margem. Ainda assim, a indústria acumula expansão de 0,8% no ano e de 0,6% nos últimos 12 meses. Considerando o resultado de agosto e as revisões nos meses anteriores, a indústria deixa um carrego estatístico de -1,7% para o terceiro trimestre e de 0,4% para o ano de 2026.
De modo geral, os números divulgados hoje apontam para uma perda de dinamismo disseminada dentro da indústria, corroborando a nossa expectativa de continuidade do processo de arrefecimento da economia no terceiro trimestre do ano. Na nossa avaliação, esse movimento segue refletindo a combinação entre uma indústria de transformação bastante penalizada por um ambiente macroeconômico significativamente adverso e uma indústria extrativa que passa a contribuir negativamente para o resultado agregado. Nesse sentido, a indústria extrativa recuou 0,7% m/m em agosto, quarto resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 4,7% no período. Para além da frustração com o índice cheio, destacamos também os resultados negativos observados em todas as quatro grandes categorias que compõem o setor e na maioria das atividades pesquisadas, reforçando a percepção de fraqueza da atividade industrial no mês. Dessa forma, entendemos que os números de hoje corroboram nossa expectativa de perda de tração da economia na passagem do segundo para o terceiro trimestre do ano, de modo que o resultado segue consistente com a nossa projeção de crescimento de 0,1% t/t do PIB no terceiro trimestre. Contudo, avaliamos que os números de hoje impõem certo viés baixista para tal projeção e contribuem para que o Banco Central possa dar continuidade ao atual ciclo de calibração, promovendo um novo ajuste na reunião de novembro.
A composição reverte o resultado mais benigno do mês de julho, mais do que devolvendo a melhora observada no mês anterior. Das 25 atividades pesquisadas, apenas nove registraram expansão na margem, enquanto 16 recuaram no mês, retomando o comportamento observado em junho. Esse resultado reforça nossa percepção do mês anterior de que a leitura positiva de julho não se concretizou em uma retomada da indústria. Entre as atividades que avançaram, produtos alimentícios (+1,0% m/m) exerceram a principal contribuição positiva para o resultado agregado. Todas as grandes categorias econômicas apresentaram recuo, com a principal queda vindo de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-1,7% m/m), seguidos por bens de consumo duráveis (-1,0% m/m), bens de capital (-0,6% m/m) e bens intermediários (-0,2% m/m).
Um ponto importante para a leitura qualitativa do dado é que parcela relevante dos destaques negativos compensou os bons resultados observados em julho. Entre as grandes categorias, apenas duas permanecem em patamar superior ao observado em junho, mês cujo resultado já mostrava uma desaceleração mais intensa, sugerindo perda de fôlego da indústria no curto prazo e dificuldade de sustentar avanços na margem. Essa leitura é reforçada pelo desempenho dos bens de capital, que acumulam retração de 5,3% no ano, sendo a única das quatro grandes categorias econômicas com resultado negativo nessa métrica. A sensibilidade dessa categoria às condições financeiras reforça nossa avaliação de que o atual ambiente macroeconômico segue restringindo os componentes mais cíclicos da atividade industrial.









