Em julho, a Produção Industrial Mensal registrou expansão de 0,2% m/m, resultado que veio pior do que o esperado pelo mercado (0,5% m/m, Broadcast+) e também aquém da nossa expectativa para o mês (0,9% m/m). Com isso, o indicador interrompeu uma sequência de dois recuos consecutivos, mas iniciou o segundo semestre em ritmo aquém do esperado, refletindo um ambiente macroeconômico ainda adverso para o setor. Na comparação interanual, a produção industrial recuou 0,5% a/a, também frustrando o consenso de mercado, de -0,1% a/a, e a nossa expectativa de alta de 0,1% a/a. Considerando o resultado de julho e as revisões nos meses anteriores, a indústria deixa um carrego estatístico de -1,3% para o terceiro trimestre e de 0,7% para o ano de 2026.
De modo geral, os números divulgados hoje, embora apontem para uma expansão da indústria no mês, seguem corroborando um cenário de perda de dinamismo da atividade neste início de segundo semestre. Esse movimento reflete a combinação entre uma indústria de transformação ainda penalizada por um ambiente macroeconômico adverso e uma indústria extrativa que continua sendo beneficiada pelo avanço da produção de petróleo e derivados. Para além da frustração com o índice cheio, destacamos também os resultados negativos observados na comparação interanual, com recuos relevantes na produção de bens de capital e de bens de consumo não duráveis. No caso dos bens de capital, a queda acumulada em 12 meses alcançou 4,8%, reforçando nossa avaliação desfavorável para a indústria de transformação ao longo de 2026, em um contexto marcado por uma política monetária ainda bastante contracionista e pelas incertezas associadas ao período eleitoral. Dessa forma, entendemos que os números de hoje se somam à leitura do PIB divulgada ontem e reforçam a percepção de uma dinâmica menos favorável para a atividade econômica. Nesse contexto, avaliamos que o dado segue consistente com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário na reunião de setembro, quando projetamos redução da Selic para 13,75% a.a.
A composição do resultado apresentou alguma melhora em relação à leitura bastante negativa de junho, mas ainda não caracteriza uma retomada disseminada da atividade industrial. Das 25 atividades pesquisadas, 13 registraram expansão na margem, após 16 terem recuado no mês anterior. Essa difusão praticamente equilibrada entre taxas positivas e negativas reforça nossa avaliação de que a expansão observada em julho não deve ser interpretada como uma retomada da indústria neste início do terceiro trimestre. As principais contribuições positivas vieram da produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com alta de 12,2% m/m, de produtos alimentícios, com avanço de 1,0% m/m, e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com crescimento de 1,1% m/m. Entre as grandes categorias econômicas, o principal destaque positivo ficou por conta dos bens de consumo duráveis, cuja produção avançou 3,2% m/m.
Um ponto importante para a leitura qualitativa do dado é que parcela relevante dos destaques positivos de julho representa uma recomposição após fortes quedas observadas no mês anterior. A produção de equipamentos de informática avançou 12,2% após recuar 8,9% em junho, enquanto derivados de petróleo cresceram 1,1% após contração de 5,9%. Da mesma forma, produtos alimentícios avançaram 1,0% após queda de 1,9% no mês anterior e uma sequência de quatro retrações consecutivas. Movimento semelhante foi observado nos bens de consumo duráveis, cuja expansão de 3,2% em julho sucedeu uma queda de mesma magnitude em junho. Dessa forma, embora a melhora da difusão e o retorno do índice cheio ao campo positivo sejam sinais favoráveis na margem, entendemos que a composição sugere predominantemente uma normalização após o resultado excepcionalmente fraco de junho, e não uma mudança na tendência recente da indústria.
Por fim, os números divulgados hoje reforçam nossa expectativa de arrefecimento da economia ao longo do segundo semestre. Embora a expansão de julho interrompa a sequência de quedas, sua magnitude reduzida diante da forte contração observada em junho sugere que os efeitos da política monetária contracionista e das condições ainda restritivas de crédito continuam limitando o desempenho da atividade industrial. Dessa forma, o resultado de julho não altera nossa projeção de crescimento de 0,1% t/t para o PIB do terceiro trimestre e de 1,7% para o ano de 2026, permanecendo consistente com nossa expectativa de perda adicional de dinamismo da economia ao longo dos próximos trimestres.


