Em agosto, o volume de vendas do varejo restrito registrou expansão de 0,1% m/m, vindo abaixo da mediana das projeções de mercado (0,7% m/m, Broadcast+) e também aquém da nossa expectativa para o mês de expansão na mesma magnitude do consenso. Com o resultado de hoje, o varejo dá sequência à toada de frustração relevante em relação ao desempenho do setor, sinalizando um terceiro trimestre significativamente mais fraco do que o antecipado tanto pelo mercado quanto por nós e sugere um arrefecimento mais significativo da economia no período. Apesar da frustração na variação mensal do índice cheio, houve expansão em 6 das 8 categorias pesquisadas, com destaque para o enfraquecimento de segmentos mais ligados ao consumo discricionário, sobretudo dependentes do crédito em um ambiente macroeconômico que se mostra bastante adverso. Na comparação interanual, o varejo registrou expansão de 0,4% a/a, resultado que também veio aquém do consenso de mercado (1,6% a/a, Broadcast+) e do que a nossa expectativa de avanço de 1,4% a/a.
O varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, materiais de construção e atacado de produtos alimentícios, recuou 0,2% m/m, retornando para o território contracionista após avançar 0,5% m/m na leitura imediatamente anterior, com recuos disseminados entre as categorias adicionais que compõem o setor. Com este resultado, o varejo ampliado também decepcionou no mês de agosto, vindo pior do que o piso das projeções de mercado (0,1% m/m, Broadcast+) cuja mediana era de expansão de 1,0% m/m, e do que a nossa expectativa para o mês de alta de 1,4% m/m, reforçando a percepção de perda de dinamismo da atividade varejista no terceiro trimestre. Na comparação interanual, o varejo ampliado registrou expansão de apenas 0,1% a/a, ficando significativamente aquém do consenso de mercado (2,0% a/a, Broadcast+) e da nossa projeção para o mês (2,5% a/a).
De modo geral, os dados divulgados hoje apontam para uma perda de dinamismo da economia brasileira no terceiro trimestre mais intensa do que antecipávamos. As médias móveis trimestrais indicam enfraquecimento dos segmentos mais ligados ao consumo discricionário e dependentes de crédito, como móveis e eletrodomésticos e tecidos, vestuário e calçados. Esse desempenho reforça a percepção de que a restrição monetária e o elevado endividamento das famílias seguem pressionando o varejo, em um ambiente de descasamento entre as políticas monetária e fiscal. Em contrapartida, a resiliência dos segmentos ligados ao consumo essencial limita essa perda de fôlego, contribuindo para um ajuste ainda gradual da atividade. Apesar desse suporte, as surpresas baixistas recentes nos principais setores da economia adicionam viés de baixa à nossa projeção de crescimento de 0,1% t/t para o PIB no terceiro trimestre, com nossos trackings apontando para uma contração de 0,1% t/t, o que interromperia uma sequência prolongada de expansões. Para 2026, mantemos a projeção de crescimento de 1,7%, compatível com uma desaceleração gradual em relação a 2025. Para 2027, contudo, os dados reforçam o viés baixista para nossa estimativa de expansão de 1,3%, diante da perspectiva de manutenção da política monetária em território contracionista e de menor contribuição das medidas de estímulo à demanda para sustentar a economia.
Em relação à política monetária, avaliamos que o resultado de hoje é compatível com a continuidade do ciclo de calibração conduzido pelo Banco Central e reforça nossa projeção de Selic em 13,25% a.a. ao final de 2026. Apesar dos sinais mais disseminados de arrefecimento da atividade, entendemos que a persistência do descasamento entre as políticas fiscal e monetária limita o espaço para acelerar o ritmo de cortes, diante do risco de aprofundamento da desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo.
O avanço de 0,1% m/m do varejo em agosto foi acompanhado por expansões em 6 das 8 atividades pesquisadas, indicando predominância de resultados positivos entre as categorias. Entre as altas, destacam-se as vendas de Equipamentos e material para escritório e comunicação (6,3% m/m), avançando pelo secundo mês consecutivo; Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4% m/m), revertendo parcialmente o recuo de 1,7% m/m registrados no mês imediatamente anterior; e vendas de combustíveis e lubrificantes (1,1% m/m), após expansão de 0,3% m/m na leitura do mês passado.
Entre as quedas, as vendas de Móveis e eletrodomésticos recuaram 4,2% m/m, repetindo a retração de julho, revisada de -4,9% m/m para -4,2% m/m, e acumulando três resultados negativos consecutivos. As vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também recuaram, registrando queda de 0,3% m/m, após retração de 0,2% m/m no mês anterior. Com relação ao varejo ampliado, o índice cheio caiu 0,2% m/m em agosto, após avanço de 0,5% m/m em julho, revisado de 0,4% m/m. No período, as vendas de Veículos, motos, partes e peças recuaram 1,0% m/m, enquanto as de Material de construção caíram 2,0% m/m, revertendo integralmente as altas de 0,3% m/m e de 1,0% m/m, respectivamente, observadas no mês anterior
Com o resultado de agosto e as revisões nos meses anteriores, a média móvel trimestral do varejo restrito recuou 0,1% frente ao mês anterior, enquanto a do varejo ampliado caiu 0,3%, sinalizando continuidade do enfraquecimento da tendência das vendas. Dessa forma, o varejo restrito se encontra 10,8% acima do nível pré-pandemia (fev/20) e deixa um carrego estatístico de -0,5% para o terceiro trimestre e de -1,3% para o ano cheio. Já o varejo ampliado encontra-se, em julho, 5,6% acima do nível pré-Covid, deixando um carrego estatístico de -0,5% para o 3T26 e de 0,9% para o ano de 2026.









