Em julho, o volume de vendas do varejo restrito recuou 0,8% m/m, vindo abaixo da nossa projeção (-0,3% m/m) e no piso das estimativas de mercado (Broadcast+). Com essa divulgação, retoma-se a toada de frustração relevante no setor varejista, com o índice se distanciando ainda mais do maior valor da série, ficando 1,5% abaixo do valor registrado em março desse ano. Apesar de desapontar, a leitura apresentou altas em 3 das 8 atividades, o que sugere que o resultado deve ser interpretado com alguma cautela, dada a resiliência do setor de varejo durante o ano. Na comparação interanual, o avanço foi de 1,2%, também bem abaixo da nossa projeção (2,3% a/a). Apesar da queda mensal em 5 das 8 categorias pesquisadas, o volume de vendas do varejo permanece próximo da sua máxima histórica. Julho registrou apenas a segunda queda mensal no ano, indicando resiliência do setor mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda bastante adverso. Ainda assim, o recuo é consistente com a nossa expectativa de um terceiro trimestre mais fraco para a economia. A variação da média móvel trimestral permanece negativa, embora tenha passado de -0,21% em junho para -0,12% em julho.
O varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, materiais de construção e atacado de produtos alimentícios, avançou 0,4% na passagem de junho para julho, encerrando a sequência de 3 quedas consecutivas, ainda próximo do nível observado em dez/25. Essa categoria também decepcionou, vindo bem abaixo da nossa projeção (1,1% m/m). Com a leitura de hoje, a variação da média móvel de três meses saiu de -0,76% m/m para -0,34% m/m, mostrando recuo na margem e reforça, em conjunto com o varejo restrito, o cenário de arrefecimento da atividade econômica na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Na comparação interanual, o varejo ampliado registrou expansão de 1,8% a/a, abaixo da nossa projeção de 3,1% a/a. Diante dos sinais mistos observados em julho entre os principais setores da economia (indústria, serviços e varejo), revisamos nossa expectativa de crescimento para 0,1% t/t do PIB no terceiro trimestre. Ainda assim, seguimos avaliando que o processo de arrefecimento da economia brasileira deve ocorrer de forma gradual, com expansão de 1,7% em 2026, em um cenário marcado pelo descasamento entre as políticas monetária e fiscal.
O recuo de 0,8% m/m do varejo em julho foi acompanhado por quedas em 5 das 8 atividades pesquisadas, indicando predominância de resultados negativos entre as categorias. Entre as quedas, destacaram-se as vendas de Móveis e eletrodomésticos (-4,9% m/m), após ligeiro avanço de 0,1% m/m em junho; e de Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2% m/m), dando continuidade ao recuo de 11,7% m/m registrado no mês anterior. Também houve retração nas vendas de Tecidos, vestuário e calçados (-2,7% m/m), pelo segundo mês consecutivo, após queda de 3,2% m/m em junho; e de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2% m/m), revertendo integralmente a alta de 1,4% m/m do mês anterior. Por fim, as vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuaram 0,2% m/m, devolvendo parte do avanço de 1,0% m/m observado em junho.
Entre as altas, as vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos cresceram 0,6% m/m, após avanço de 0,2% m/m em junho, acumulando três altas consecutivas. As vendas de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação também avançaram 0,6% m/m, interrompendo uma sequência de três quedas consecutivas, enquanto as de Combustíveis e lubrificantes cresceram 0,3% m/m, recuperando parte do recuo de 1,8% m/m registrado no mês anterior. Com relação ao varejo ampliado, o índice cheio avançou 0,4% m/m em julho, após queda de 1,1% m/m em junho. No período, as vendas de Veículos, motos, partes e peças cresceram 0,3% m/m, enquanto as de Material de construção aumentaram 0,7% m/m, recuperando parcialmente as quedas de 1,3% m/m e 3,2% m/m, respectivamente, observadas em junho.
Com o resultado de julho e as revisões nos meses anteriores, o varejo restrito se encontra 10,6% acima do nível registrado no pré-pandemia (fev/20), deixando um carrego estatístico de -0,58% para o terceiro trimestre e de 1,23% para o ano cheio. Já o varejo ampliado encontra-se, em julho, 5,8% acima do nível pré-Covid, deixando um carrego estatístico de -0,4% para o 3T26 e de 1,0% para o ano de 2026.
Em síntese, o resultado de julho reforça nossa avaliação de arrefecimento da atividade na passagem do segundo para o terceiro trimestre, em um cenário macroeconômico mais adverso. A leitura é consistente com a revisão de cenário realizada após a divulgação do PIB do 2T26. Em nossa avaliação, a perda de dinamismo dos componentes mais cíclicos, as condições financeiras externas mais restritivas, a menor contribuição do crédito e a desaceleração da demanda doméstica apontam para um crescimento mais fraco. Nesse contexto, projetamos expansão do PIB de 1,7% em 2026 e revisamos a projeção para 2027 de 1,5% para 1,3%.









