Em julho, o setor de serviços registrou estabilidade no mês (0,0% m/m), resultado que veio pior do que o esperado pelo mercado (0,2% m/m, Broadcast+) e abaixo da nossa expectativa de expansão de 0,4% m/m. Com esse resultado, o setor de serviços inicia o segundo semestre com sinais de perda de dinamismo, que começaram a ser observados em maio, sugerindo que o esgotamento das medidas de impulso à demanda, mais concentradas no primeiro trimestre, deve se traduzir em uma trajetória de arrefecimento da economia ao longo dos próximos trimestres. Na comparação interanual, houve avanço de 0,9% a/a, resultado que decepcionou a mediana do mercado e nossa projeção de 1,4% a/a. O qualitativo do dado de julho foi justamente o contrário do observado no mês anterior. Apesar de mostrar estabilidade no mês, o resultado apresentou avanço dos serviços em quatro das cinco categorias, apontando ainda para certo dinamismo da atividade, mesmo que em arrefecimento. No acumulado do ano, houve avanço de 1,9%, enquanto, em 12 meses, o crescimento foi de 2,4%.
Com o resultado de hoje, a média móvel trimestral do volume de serviços saiu de um avanço de 0,4% na passagem de maio para junho e desacelerou para a estabilidade na passagem de junho para julho, apontando para um ritmo de desaceleração consistente com nosso cenário de arrefecimento da economia em 2026. Apesar da estabilidade do índice cheio no mês, a composição sugere uma leitura um pouco melhor, com queda pouco disseminada. Em nossa avaliação, o resultado se soma aos sinais mais amplos de perda de dinamismo observados nos demais indicadores de atividade ao longo do segundo trimestre, reforçando nossa expectativa de desaceleração da economia brasileira. Nesse contexto, os números seguem compatíveis com a projeção de crescimento do PIB de 1,9% para 2026 e 1,3% em 2027.
A estabilidade do índice geral veio acompanhada de queda em apenas uma das cinco atividades pesquisadas. O destaque negativo ficou por conta do recuo dos serviços de informação e comunicação (-2,5% m/m), interrompendo uma sequência de três altas e refletindo uma queda disseminada entre todos os seus subgrupos. Entre as contribuições positivas, destacam-se outros serviços (+0,7% m/m), revertendo o movimento de queda dos últimos dois meses, e serviços profissionais, administrativos e complementares (+0,6% m/m), revertendo a queda do mês anterior. Em seguida, houve avanço dos serviços prestados às famílias (+0,5% m/m), também revertendo a queda do mês anterior. Por fim, houve contribuição positiva de transportes e serviços auxiliares (+0,4% m/m).
Com o resultado de julho e as revisões dos meses anteriores, o setor de serviços opera 0,2% abaixo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica (out/25), corroborando nossa avaliação de que, mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso, o setor segue operando com bastante resiliência. Por fim, destacamos que o setor de serviços deixa um carrego estatístico nulo para o terceiro trimestre e de 1,1% para o ano cheio de 2026.


