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Publicado em 29 de Setembro de 2026 às 13:43:01

PNAD (Ago/26): Desemprego estável e renda em aceleração mantêm mercado de trabalho apertado

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em agosto de 2026 foi de 5,3% da força de trabalho, resultado que veio em linha com a projeção mediana de mercado (Broadcast+), contudo um pouco pior do que a nossa expectativa para o mês de recuo para 5,2% da força de trabalho. Apesar da estabilidade, novamente, a taxa de desemprego atingiu o menor nível já registrado em sua série histórica para um trimestre móvel encerrado em agosto, reforçando a percepção de resiliência do mercado de trabalho mesmo diante da sua estagnação na margem, refletindo um cenário macroeconômico adverso. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego registrou uma ligeira elevação, saindo de 5,41% no trimestre móvel encerrado em julho para 5,44% na divulgação referente à agosto, permanecendo próximo do nível mais baixo já registrado em sua série histórica, reforçando a percepção de robustez do mercado de trabalho ao longo do terceiro trimestre do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego apresentou um recuo de 0,3 p.p., repetindo a queda observada na leitura imediatamente anterior, sendo esse movimento consistente com a nossa expectativa de estabilização da taxa de desemprego ao longo das próximas leituras.

De modo geral, apesar da surpresa negativa em relação à nossa expectativa para a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em agosto, avaliamos que os números de hoje seguem apontando para um desempenho robusto do mercado de trabalho. O resultado de agosto repete o padrão de julho: queda no contingente de desocupados, aumento da população ocupada e expansão da força de trabalho, ao mesmo tempo em que houve recuperação tanto do rendimento médio quanto da massa salarial. Esse resultado sugere que o mercado de trabalho se manteve resiliente e corrobora a nossa expectativa de arrefecimento gradual da economia como um todo na passagem de 2025 para 2026. Além do descasamento entre as políticas monetária e fiscal, seguimos avaliando que mudanças estruturais, como o avanço dos aplicativos e o envelhecimento populacional, devem manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro (7,5%), contribuindo para suavizar eventuais ajustes no mercado de trabalho ao longo dos próximos meses. Nesse sentido, seguimos monitorando indicadores antecedentes que seguem apontando para estabilização do mercado de trabalho nas próximas leituras, com apenas uma ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal e posterior estabilização ao redor de 5,6%. Dado que a taxa de desemprego deve permanecer significativamente abaixo do seu nível neutro, entendemos que o mercado de trabalho seguirá como um importante fator de desconforto para o Banco Central ao longo de 2026.

Para o próximo trimestre móvel, nossos modelos indicam, preliminarmente, ligeiro recuo da taxa de desemprego para 5,2% da força de trabalho. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve recuar para 5,32% da força de trabalho. Com os dados divulgados hoje, mantemos a nossa expectativa de que a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 5,1% da força de trabalho, reforçando a percepção de resiliência ao longo de 2026.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada avançou no período com alta de 0,8% (mais 774,0 mil trabalhadores) e apresentou uma expansão de 1,0% (mais 1,1 milhão de trabalhadores) no ano, registando um contingente de 103,5 milhões de pessoas no trimestre móvel encerrado em ago/26, sendo este o maior de sua série histórica. No que diz respeito à população desocupada, houve um recuo de 4,6% (menos 281,0 mil pessoas) na comparação com o trimestre imediatamente anterior e queda de 4,9% (menos 300,0 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior, de modo que, o contingente de desocupados foi de 5,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 109,3 milhões de pessoas, apresentando um crescimento de 0,5% (mais 493,0 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e avanço de 0,7% (mais 760,0 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Já a população fora da força de trabalho foi estimada em 66,4 milhões de pessoas, ficando estável no trimestre, contudo crescendo 0,9% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 561,0 mil pessoas).

 Por fim, o rendimento médio real habitual (R$ 3.777,0) registrando avanço de 0,7% em relação ao trimestre móvel encerrado em maio, e de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação aos 3,3% a/a registrados na leitura imediatamente anterior, permanecendo em um patamar bastante elevado. Por sua vez, a massa de rendimentos registrou expansão de 1,4% no trimestre e crescimento de 4,8% a/a na comparação interanual, acelerando também em relação aos 4,1% observados na leitura do trimestre móvel encerrado em julho.

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Yihao Lin

Coordenador Econômico

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Leitura Dinâmica

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