De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em agosto de 2026 foi de 5,2% da força de trabalho, resultado que veio em linha com a projeção mediana de mercado (Broadcast+) e da nossa projeção para o período. Com o recuo de 0,1 p.p. observado na passagem do trimestre móvel encerrado em agosto para setembro, a taxa de desemprego atingiu o menor nível já registrado em sua série histórica para um trimestre móvel encerrado em setembro, reforçando a percepção de resiliência do mercado de trabalho mesmo em um contexto macroeconômico de perda de dinamismo da economia. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego registrou uma ligeira elevação, saindo de 5,42% no trimestre móvel encerrado em agosto para 5,32% na divulgação referente a setembro, atingindo o menor nível já registrado em sua série histórica, reforçando a percepção de robustez do mercado de trabalho no final do terceiro trimestre do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego apresentou um recuo de 0,4 p.p., ante recuo de 0,3 p.p. na leitura do trimestre móvel imediatamente anterior, sendo este movimento consistente com a nossa expectativa de que o mercado de trabalho permaneça resiliente ao longo do final de 2026.
De modo geral, avaliamos que os números de hoje seguem apontando para um desempenho robusto do mercado de trabalho. O resultado de setembro foi derivado da combinação entre o aumento da população ocupada e queda do contingente de desocupados enquanto a força de trabalho permaneceu estável em relação ao segundo trimestre do ano, ao mesmo tempo o salário médio e a massa de rendimentos seguiram com um ritmo de expansão robusto. Esse resultado sugere que o mercado de trabalho se manteve resiliente e corrobora a nossa expectativa de que o mercado de trabalho exerça o papel de principal freio ao processo de arrefecimento da economia ao longo dos próximos trimestres. Vale destacar que, para além do descasamento entre as políticas monetária e fiscal, seguimos avaliando que mudanças estruturais, como o avanço dos aplicativos e o envelhecimento populacional, devem manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro (7,5%), contribuindo para suavizar eventuais ajustes no mercado de trabalho ao longo dos próximos meses. Nesse sentido, seguimos monitorando indicadores antecedentes que seguem apontando para estabilização do mercado de trabalho nas próximas leituras, com apenas uma ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal em 2027 e posterior estabilização ao redor de 5,6%. Dado que a taxa de desemprego deve permanecer significativamente abaixo do seu nível neutro, entendemos que o mercado de trabalho seguirá como um importante fator de desconforto para o Banco Central ao longo de 2026.
Para o próximo trimestre móvel, nossos modelos indicam, preliminarmente, estabilidade da taxa de desemprego em 5,2% da força de trabalho. Na série com ajuste sazonal a taxa de desocupação deve sofrer alta para 5,43% da força de trabalho na próxima leitura. Com os dados divulgados hoje, revisamos a nossa expectativa de taxa de desemprego de final de ano de 5,1% para 5,0%, reforçando a percepção de resiliência ao longo de 2026.
Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada avançou no período com alta de 0,6% (mais 581,0 mil trabalhadores) e apresentou uma expansão de 1,2% (mais 1,2 milhão de trabalhadores) no ano, registando um contingente de 103,6 milhões de pessoas no trimestre móvel encerrado em set/26, sendo este o maior de sua série histórica. No que diz respeito à população desocupada, houve um recuo de 4,0% (menos 234,0 mil pessoas) na comparação com o trimestre imediatamente anterior e queda de 6,9% (menos 417,0 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior, de modo que, o contingente de desocupados foi de 5,6 milhões de pessoas no trimestre encerrado em setembro.
A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 109,3 milhões de pessoas, apresentando um crescimento de 0,3% (mais 347,0 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e avanço de 0,7% (mais 788,0 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Já a população fora da força de trabalho foi estimada em 66,5 milhões de pessoas, ficando estável no trimestre, contudo crescendo 0,8% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 530,0 mil pessoas).
Por fim, o rendimento médio real habitual ficou estável no trimestre, em R$ 3.790, mas avançou 3,6% a/a, com ligeira desaceleração em relação aos 3,7% a/a da leitura anterior. A massa de rendimentos, por sua vez, atingiu o maior nível da série histórica, com alta de 1,5% no trimestre e de 4,7% na comparação interanual, também apresentando leve moderação frente aos 4,8% a/a registrados na divulgação anterior.










