Em agosto de 2026, as transações correntes registraram déficit de US$ 5,1 bilhões, ante US$ 4,4 bilhões em agosto de 2025, uma piora de 15,0% na comparação mensal interanual. O resultado ficou em linha com a nossa projeção de déficit de US$ 5,1 bilhões e pior que o consenso de mercado de US$ 4,9 bilhões (Broadcast+). Em 12 meses, o déficit somou US$ 66,4 bilhões, ou 2,47% do PIB, abaixo dos 2,84% registrados no início do ano. O IDP de US$ 7,4 bilhões ficou abaixo da nossa projeção de US$ 7,9 bilhões, mas acima da estimativa de mercado de US$ 7,0 bilhões.
A balança comercial de bens segue com comportamento muito benigno. Sua composição mostra exportações no maior valor já registrado para um mês de agosto e importações em patamar elevado. No mês, o superávit foi de US$ 6,6 bilhões, 24,7% maior que no mesmo período do ano anterior, e acumula US$ 70,6 bilhões nos últimos 12 meses, com as exportações crescendo mais que as importações (12,1% a/a e 9,4% a/a, respectivamente). Nossa avaliação segue sendo que a balança comercial encontra suporte no cenário favorável às exportações de petróleo; os gargalos logísticos associados ao conflito no Oriente Médio podem reforçar esse movimento. O valor das exportações foi de US$ 33,3 bilhões. Já as importações somaram US$ 26,7 bilhões no mês. Esse dado poderia sugerir alguma resiliência da atividade doméstica, embora contraste com os sinais de arrefecimento em meio a condições financeiras ainda restritivas.
A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,3 bilhões em agosto, ante US$ 4,0 bilhões no mesmo período de 2025. No acumulado em 12 meses, o déficit alcançou US$ 54,8 bilhões. A rubrica segue apresentando déficits elevados ao longo do ano e registrou o maior déficit para um mês de agosto em sua série histórica, sem mudança relevante na direção observada nos últimos meses. Na comparação anual, o déficit avançou 31,9%. Entre as principais rubricas deficitárias destacaram-se transportes, viagens, serviços de propriedade intelectual e telecomunicação, computação e informações. Em transportes, o déficit de fretes avançou quase 40% a/a e permaneceu pressionado, aumentando também em relação a julho. Por sua vez, os serviços de propriedade intelectual e de telecomunicação, computação e informações seguem apresentando déficits historicamente elevados, reforçando a contribuição negativa persistente dessas rubricas para o balanço de pagamentos.
O déficit em renda primária foi de US$ 7,0 bilhões em agosto, ante US$ 6,1 bilhões no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, alcançou US$ 88,0 bilhões, o maior déficit da série histórica nessa comparação.
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 7,4 bilhões em agosto, 4,8% abaixo do resultado de um ano antes. Os ingressos totais cresceram 5,8% na comparação anual, para US$ 16,1 bilhões, enquanto as saídas aumentaram 17,0%, para US$ 8,7 bilhões. A participação no capital teve saldo líquido de US$ 9,3 bilhões, parcialmente compensado por saídas líquidas de US$ 1,9 bilhão em operações intercompanhia. Em 12 meses, o IDP acumulou US$ 88,9 bilhões, ou 3,4% do PIB, acima do déficit em transações correntes de US$ 66,4 bilhões. Essa cobertura favorece a avaliação do financiamento externo, mas não deve ser confundida com entrada equivalente de dólares no mercado de câmbio, uma vez que US$ 5,7 bilhões do IDP de agosto foram lucros reinvestidos, sem impacto cambial direto.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões em agosto, após ingressos de US$ 1,1 bilhão em julho. Houve saídas líquidas de US$ 6,5 bilhões em ações e fundos de investimento, parcialmente compensadas por ingressos líquidos de US$ 1,3 bilhão em títulos negociados no mercado doméstico. Em 12 meses, os ingressos líquidos recuaram de US$ 19,1 bilhões em julho para US$ 11,0 bilhões em agosto. A mudança na composição dos fluxos reforça a necessidade de acompanhar os próximos meses antes de caracterizar uma tendência persistente.











