Em setembro, as transações correntes registraram déficit de US$5,1 bilhões, ante déficit de US$ 8,8 bilhões em setembro de 2025 representando uma queda no déficit de 42% na comparação interanual. O resultado veio melhor do que nossa projeção (-US$ 6,5 bi) e em linha com a mediana do mercado (-US$ 5,3 bi, Broadcast+). Em 12 meses, o déficit somou US$ 60 bilhões, ou 2,33% do PIB. Já o IDP apresentou superávit de US$ 11,3 bilhões ficando bem acima da nossa projeção de US$ 7,6 bilhões e do mercado US$7,4 bilhões (Broadcast+). O acumulado em 12 meses de US$ 88,3 bi superou o déficit em transações correntes, correspondendo a uma cobertura de aproximadamente 147%.
A balança comercial de bens segue com comportamento muito benigno. O comportamento do saldo no mês permanece apenas abaixo de 2023, cujo resultado foi fortemente apoiado pelas supersafras. Assim, o saldo da balança comercial foi de US$ 6,9 bilhões, 179% maior do que o observado ano passada, refletindo tanto a queda das importações quanto o aumento das exportações (-1,7% a/a e +12,9% a/a, respectivamente). No mês as importações somaram US$ 27,7 bi e as exportações US$ 34,6 bi. Na métrica de 12 meses, ambas seguem estáveis.
A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,2 bilhões em setembro, ante US$ 4,8 bilhões no mesmo período de 2025. No acumulado em 12 meses, o déficit alcançou US$ 56,2 bilhões. A rubrica segue apresentando déficits elevados ao longo do ano e o avanço desse déficit foi de 12% em relação ao ano passado. Entre as principais rubricas deficitárias destacaram-se transportes, viagens, serviços de propriedade intelectual e telecomunicação, computação e informações. Em transportes, o déficit de fretes avançou quase 30% a/a e permaneceu pressionado, aumentando também em relação a agosto. Por sua vez, os serviços de propriedade intelectual e de telecomunicação, computação e informações seguem apresentando déficits historicamente elevados, reforçando a contribuição negativa persistente dessas rubricas para o balanço de pagamentos.
O déficit em renda primária foi de US$ 7,2 bilhões em setembro, ante US$ 6,9 bilhões no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, alcançou US$ 84,2 bilhões, com queda em relação ao mesmo período de 2025.
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 11,3 bilhões em setembro de 2026, ante US$ 9,6 bilhões no mesmo mês de 2025. A participação no capital apresentou entradas líquidas de US$ 8,1 bilhões, compostas por US$ 4,3 bilhões em participação no capital, exceto lucros reinvestidos, e US$ 3,8 bilhões em lucros reinvestidos. As operações intercompanhia contribuíram com ingressos líquidos de US$ 3,2 bilhões. Em 12 meses, o IDP acumulou US$ 88,3 bilhões, equivalentes a 3,43% do PIB, ante US$ 86,6 bilhões em agosto. Essa cobertura favorece a avaliação do financiamento externo, mas não representa entrada equivalente de dólares no mercado de câmbio, os US$ 3,8 bilhões em lucros reinvestidos de setembro correspondem a resultados mantidos nas empresas, sem ingresso cambial direto associado a esse registro.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram saídas líquidas de US$ 2,1 bilhões em setembro, compostas por retiradas de US$ 1,7 bilhão em ações e fundos de investimento e de US$ 0,4 bilhão em títulos negociados no mercado doméstico. Em 12 meses, os fluxos permaneceram positivos, com ingressos líquidos de US$ 5,1 bilhões. As retiradas nas duas modalidades mostram uma contribuição desfavorável dos investimentos em carteira no mês, enquanto o IDP continuou oferecendo cobertura ao déficit externo acumulado. A evolução dos próximos meses será relevante para avaliar a persistência dessas saídas, em especial após a vitória presidencial de Lula com o aumento da percepção de risco fiscal dos investidores.










