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Publicado em 27 de Agosto às 18:37:25

PNAD (Jul/26): Mercado de trabalho mantém força no início do segundo semestre

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em julho de 2026 foi de 5,3% da força de trabalho, resultado que veio em linha com a projeção mediana de mercado (Broadcast+), contudo um pouco pior do que a nossa expectativa para o mês de recuo para 5,2% da força de trabalho. Com este resultado, a taxa de desemprego atingiu o menor nível já registrado em sua série histórica para um trimestre móvel encerrado em julho, reforçando a percepção de resiliência do mercado de trabalho mesmo diante de um cenário macroeconômico bastante adverso. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego apresentou um ligeiro recuo saindo de 5,44% em junho para 5,39% em julho, praticamente igualando o nível mais baixo já registrado em sua série histórica de 5,37%, alcançado em dez/25 e reforça a percepção de robustez do mercado de trabalho nesse início do segundo semestre do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego apresentou um recuo de 0,3 p.p., desacelerando em relação aos 0,4 p.p. de queda observados na divulgação anterior, sendo consistente com a nossa expectativa de estabilização da taxa de desemprego ao longo das próximas leituras.

Avaliamos que os números de hoje apontam para um desempenho robusto do mercado de trabalho, marcado pela queda da desocupação e pelo aumento da ocupação, mesmo em um contexto de expansão da força de trabalho. Ou seja, a redução da taxa de desemprego no período decorreu do avanço do número de pessoas ocupadas, e não de uma saída de trabalhadores para fora da força de trabalho. Esse resultado sugere que o mercado de trabalho se manteve bastante resiliente ao longo do segundo trimestre e corrobora a nossa expectativa de arrefecimento gradual da economia na passagem de 2025 para 2026.  Além do descasamento entre as políticas monetária e fiscal, avaliamos que mudanças estruturais, como o avanço dos aplicativos e o envelhecimento populacional, devem manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro (7,7%), contribuindo para suavizar eventuais ajustes no mercado de trabalho ao longo dos próximos meses. Nesse sentido, seguimos monitorando indicadores antecedentes que apontam para uma moderação apenas gradual nas próximas leituras, com ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal e posterior estabilização ao redor de 5,6%. Dado que a taxa de desemprego deve permanecer significativamente abaixo do seu nível neutro, entendemos que o mercado de trabalho seguirá como um importante fator de desconforto para o Banco Central ao longo de 2026.

Para o próximo trimestre móvel, nossos modelos indicam, preliminarmente, ligeiro recuo da taxa de desemprego para 5,24% da força de trabalho. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve ficar praticamente estável em 5,38% da força de trabalho. Com os dados divulgados hoje, mantemos nossa expectativa de que a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 5,1% da força de trabalho, reforçando a percepção de resiliência do mercado de trabalho ao longo de 2026.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada avançou no período com alta de 1,0% (mais 1,0 milhão de trabalhadores) e apresentou uma expansão de 0,9% (mais 899,0 mil trabalhadores), registando um contingente de 103,3 milhões de pessoas no trimestre móvel encerrado em jul/26. No que diz respeito à população desocupada, houve um recuo de 8,0% (menos 503,0 mil pessoas) na comparação com o trimestre imediatamente anterior e queda de 4,9% (menos 299,0 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior, de modo que, o contingente de desocupados foi de 5,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 109,2 milhões de pessoas, apresentando um crescimento de 0,5% (mais 499,0 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e avanço de 0,6% (mais 600 mil pessoas) quando comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Já a população fora da força de trabalho foi estimada em 66,4 milhões de pessoas, recuou 0,3% na variação trimestral (-170,0 mil pessoas), porém ainda segue registrando aumento de 1,1% em elação ao mesmo período do ano passado (+721 mil pessoas).

Por fim, o rendimento médio real habitual (R$ 3.762,0) registrando recuo de 0,7% em relação ao trimestre móvel encerrado em abril, contudo registrou avanço de 3,1% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação aos 2,8% a/a observados na leitura de junho, em um ritmo ainda bastante elevado. Por sua vez, a massa de rendimentos renovou o nível mais elevado já registrado em sua série histórica, com avanço de 0,2% no trimestre (+R$ 904,0 mi) e crescimento de 4,1% a/a na comparação interanual (+R$ 15,1 bi), acelerando também em relação aos 3,6% a/a registrados na leitura do trimestre móvel encerrado em junho.

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Yihao Lin

Gerente de Análises Econômicas

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