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Publicado em 11 de Setembro às 14:40:03

CPI (Ago/26): Energia e serviços pressionam CPI e fortalecem viés hawkish do Fed

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA registrou alta de 0,4% m/m, vindo em linha com a expectativa consensual de mercado (Bloomberg), de modo que, registrou aceleração quando comparada à leitura imediatamente anterior (-0,1% m/m), refletindo uma reaceleração do componente de energia quando comparado ao mês de julho. Na comparação interanual, o CPI ficou estável em 3,4% a/a, também ficando em linha com a expectativa consensual de mercado (Bloomberg), interrompendo uma sequência de duas leituras consecutivas de arrefecimento na margem. O resultado mensal foi sustentado principalmente da alta de 2,1% m/m no índice de energia, ante recuo de 1,5% m/m no mês imediatamente anterior, refletindo a deterioração do conflito no Oriente Médio que pressionou a cotação do barril do petróleo ao longo do mês.

O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% m/m em agosto, acima do consenso de mercado de 0,2% m/m (Bloomberg) e da alta de 0,2% m/m registrada em julho. Apesar da aceleração na margem, a variação acumulada em 12 meses voltou a recuar, passando de 2,5% a/a para 2,4% a/a, em linha com as expectativas (Bloomberg). Na composição, os serviços excluindo energia aceleraram de 0,2% m/m para 0,3% m/m, mantendo alta de 3,0% a/a, enquanto os bens excluindo alimentos e energia desaceleraram de 0,2% m/m para 0,1% m/m, acumulando avanço de apenas 0,7% a/a. Dessa forma, a piora mensal do núcleo ficou concentrada nos serviços, sem uma aceleração simultânea dos preços de bens. O comportamento mais contido destes últimos sugere que, por ora, não há evidências claras de um repasse disseminado dos choques de oferta nesse segmento, embora a leitura de um único mês não permita descartar sua transmissão nos próximos meses.

De modo geral, avaliamos que a leitura de hoje apresentou um diagnóstico menos benigno na margem, sugerindo que o processo de arrefecimento da inflação pode ser mais lento do que o esperado, sobretudo diante da sobreposição de choques de oferta que aumentam os riscos de transmissão de efeitos secundários sobre uma economia aquecida. O componente da energia voltou a pressionar a inflação e o núcleo acelerou, ainda que com uma composição mista entre bens e serviços. Para o Fed, avaliamos que a combinação desse dado com a criação líquida de 162,0 mil empregos em agosto e a estabilidade da taxa de desemprego em 4,1% reduz as preocupações com uma deterioração mais abrupta do mercado de trabalho, ampliando o espaço para maior foco no combate à inflação. Essa leitura se soma à sinalização de maior preocupação com a inflação apresentada por Kevin Warsh em Jackson Hole, quando destacou a necessidade de evidências claras de convergência à meta. Além disso, a continuidade da trajetória de deterioração do conflito no Oriente Médio e a escalada do conflito entre a Rússia e a Ucrânia se mostram fatores de risco bem relevantes que podem continuar pressionando a inflação americana por mais tempo tanto pelo impacto direto do petróleo sobre a energia quanto pelos efeitos secundários do aumento de custos sobre o núcleo. Nesse contexto, acreditamos que os números de hoje jogam a favor da retomada do ciclo de aperto monetário já na próxima reunião que ocorrerá semana que vem, elevando a Feds Fund rate em 25 bps para o intervalo entre 3,75%-4,00% a.a. Esse cenário está em linha com a nossa expectativa de que a taxa básica de juros seja elevada duas vezes em 2026.

Pelo lado dos serviços, a inflação excluindo energia acelerou de 0,2% m/m em julho para 0,3% m/m em agosto, registrando alta de 3,1% a/a no acumulado em 12 meses. O índice de shelter acelerou de 0,1% m/m para 0,3% m/m, mas sua composição trouxe sinais mais favoráveis nas medidas de aluguel residencial. Tanto o aluguel efetivamente pago quanto o aluguel equivalente dos proprietários (OER) desaceleraram de 0,3% m/m para 0,2% m/m. Por sua vez, a medida do núcleo de serviços que exclui os aluguéis (Super Core) registrou avanço de 0,5% m/m, interrompendo na margem a dinâmica mais benigna recente, com destaque para o avanço de 2,4% m/m da hospedagem fora de casa e serviços de educação e comunicação (1,9% m/m) que pressionaram esse agregado, apontando para uma composição qualitativamente desfavorável da inflação de serviços no mês.

Os preços dos bens como um todo passaram de uma queda de 0,2% m/m em julho para uma alta de 0,6% m/m em agosto, refletindo principalmente a reversão dos não duráveis, que saíram de -0,3% m/m para +0,7% m/m, em meio à recuperação dos combustíveis. Os duráveis, por sua vez, ficaram estáveis, após alta de 0,3% m/m em julho. Dentro dos bens excluindo alimentos e energia, houve aumentos de 0,4% m/m em veículos usados e de 0,3% m/m em veículos novos, enquanto vestuário permaneceu estável.

Diferentemente do mês anterior, a energia voltou a representar um foco relevante de pressão, revertendo a queda observada em julho diante da escalada do conflito no Oriente Médio. A alta de 2,1% m/m foi liderada pelos combustíveis, com avanços de 3,9% m/m na gasolina e de 10,1% m/m no óleo combustível. Em contrapartida, eletricidade e gás natural encanado recuaram 0,2% m/m e 1,1% m/m, respectivamente. Em 12 meses, a inflação de energia acelerou para 16,3% a/a, com a gasolina acumulando alta de 27,4% a/a. O grupo respondeu por aproximadamente 1,08 p.p. da inflação de 3,4% em 12 meses.

Pelo lado dos alimentos, a inflação permaneceu em 0,1% m/m, enquanto a taxa interanual desacelerou de 3,0% a/a para 2,7% a/a. A alimentação no domicílio ficou estável, após queda de 0,1% m/m em julho, e acumulou alta de 2,2% a/a. Na composição mensal, frutas e vegetais recuaram 0,4%, compensando parcialmente os avanços de carnes, aves, peixes e ovos, bebidas não alcoólicas e laticínios. Já a alimentação fora do domicílio manteve alta de 0,3% m/m e de 3,4% a/a. A abertura segue indicando pressão mais persistente na alimentação fora de casa, mas sem uma aceleração generalizada dos alimentos. Apesar da nossa expectativa de que o prolongamento das tensões no Oriente Médio seja um importante fator de risco para a inflação do grupo de alimentos devido à relevância da região para o mercado global de fertilizantes, avaliamos que os números de hoje seguem não corroborando a materialização desse risco.

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Yihao Lin

Analista de Ações

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Jose Camargo

Economista-Chefe

Leitura Dinâmica

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