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Publicado em 29 de Outubro de 2026 às 17:36:58

PCE (Set/26): Pressões de preços aumentam, enquanto renda e consumo perdem força

A renda pessoal (personal income) avançou 0,2% m/m em setembro, desacelerando em relação à alta de 0,3% m/m em agosto e ficando abaixo do consenso de mercado, também de 0,3% m/m (Bloomberg). O aumento nominal correspondeu a US$ 54,5 bilhões na métrica anualizada. Por sua vez, a renda pessoal disponível (disposable personal income) também cresceu 0,2% m/m, equivalente a US$ 52,7 bilhões. Em termos reais, contudo, houve recuo de 0,3% m/m, após estabilidade no mês anterior, uma vez que a inflação de 0,5% m/m medida pelo PCE superou o crescimento nominal da renda disponível, reduzindo o poder de compra das famílias. O avanço da renda nominal foi sustentado principalmente pelo aumento da remuneração dos trabalhadores, com destaque para os salários do setor privado, e dos benefícios sociais pagos pelo governo, sobretudo o Medicare.

Por sua vez, os gastos com consumo pessoal (personal consumption expenditures) avançaram 0,5% m/m em setembro, desacelerando em relação à alta de 0,9% m/m em agosto e ficando ligeiramente abaixo do consenso de mercado de alta de 0,6% m/m (Bloomberg). Em termos reais, o consumo ficou estável, após avanço revisado de 0,5% m/m e também ficou aquém do consenso esperado pela mediana de mercado de expansão de 0,1% m/m (Bloomberg). O aumento nominal de US$ 113,1 bilhões combinou avanços de US$ 35,1 bilhões nos bens, sobretudo no consumo de itens não duráveis relacionados à gasolina e energia, e de US$ 78,1 bilhões nos serviços. Dessa forma, diferentemente de agosto, a expansão dos gastos em setembro foi praticamente absorvida pela inflação, sem crescimento relevante do volume consumido.

Em relação ao índice de preços dos gastos com consumo (PCE price index), o índice cheio avançou 0,5% m/m em setembro, vindo em linha com o consenso de mercado (Bloomberg), enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 0,3% m/m, também ficando em linha com a expectativa consensual de mercado (Bloomberg). Na comparação interanual, o PCE cheio acumulou alta de 3,6% a/a, ficando em linha com o consenso de mercado (Bloomberg), porém acelerou em relação aos 3,4% a/a observados no mês imediatamente anterior. Por sua vez, o núcleo registrou alta de 3,1% a/a, também ficando em linha com o consenso de mercado (Bloomberg) e acelerando em relação aos 3,0% a/a de agosto.

A composição do resultado trouxe uma leitura menos favorável na margem, com aceleração dos preços de bens e manutenção das pressões nos serviços. A inflação de bens passou de 0,3% m/m em agosto para 0,8% m/m em setembro, refletindo principalmente a intensificação da alta dos não duráveis, de 0,5% m/m para 1,1% m/m. Os duráveis também aceleraram, embora de maneira mais moderada, passando de 0,1% m/m para 0,2% m/m. Entre os componentes mais voláteis, a energia avançou 5,4% m/m, ante 2,3% m/m no mês anterior, reforçando sua contribuição para a piora do quadro inflacionário. Os alimentos, por sua vez, permaneceram praticamente estáveis.

Pelo lado dos serviços, a inflação manteve alta de 0,3% m/m em setembro pelo segundo mês consecutivo. Contudo, a estabilidade na variação arredondada esconde uma ligeira aceleração, com o avanço passando de aproximadamente 0,31% m/m em agosto para 0,35% m/m em setembro. Na métrica de três meses anualizada, a inflação do grupo aumentou de 2,4% para 3,2%, indicando perda de parte do alívio observado nos meses anteriores. Em 12 meses, os serviços acumularam alta de aproximadamente 3,5%. Em nossa avaliação, essa trajetória recomenda cautela com a velocidade da desinflação, uma vez que os serviços deixaram de apresentar a moderação observada em junho e julho.

A poupança pessoal voltou a recuar em setembro, com o aumento de US$ 113,0 bilhões das despesas pessoais superando a alta de US$ 52,7 bilhões da renda disponível. Como resultado, a poupança diminuiu aproximadamente US$ 60,3 bilhões, para US$ 911,1 bilhões na métrica anualizada, equivalente a 3,8% da renda disponível. O nível revisado de agosto corresponde a cerca de US$ 971,4 bilhões, abaixo dos US$ 990,2 bilhões estimados anteriormente. Em nossa avaliação, a combinação entre queda da renda real, estabilidade do consumo real e redução da poupança corrente sugere menor margem para sustentar a expansão dos gastos nos próximos meses, sobretudo em um ambiente de pressões inflacionárias crescentes, que seguem corroendo o poder de compra das famílias.

De modo geral, avaliamos que a divulgação apresentou uma combinação menos confortável de inflação e atividade. A aceleração do índice cheio, a persistência do núcleo e a revisão altista de agosto reduzem o conforto com a velocidade da desinflação. Ao mesmo tempo, a estagnação do consumo real e a perda de renda disponível oferecem um contraponto à percepção de demanda doméstica continuamente forte. Em nossa avaliação, um único mês não caracteriza uma desaceleração persistente do consumo, mas recomenda cautela.

Para o Fed, esses sinais atuam em direções distintas. Contudo, seguimos com a avaliação de que os riscos inflacionários seguirão se sobrepondo a quaisquer sinais incipientes de uma possível perda de dinamismo do consumo americano, sobretudo diante de leituras mais robustas de expansão da economia em termos de PIB. A retomada das pressões inflacionárias mensais em energia e a continuidade do avanço da inflação de serviços em um ritmo acima do condizente com o cumprimento da meta devem ser interpretados como importantes pontos de cautela por parte da autarquia. Da mesma forma, a reversão do ciclo de convergência da inflação em 12 meses em direção à meta deve ser vista com um fator de desconforto adicional. Nesse contexto, entendemos que o resultado de hoje segue corroborando a nossa expectativa de uma nova alta de juros a ser praticada pelo Fed na próxima reunião de dezembro. Para o próximo ano, seguimos com a expectativa de duas altas concentradas no primeiro semestre do ano, refletindo a nossa expectativa de prolongamento do impasse no Oriente Médio e as crescentes pressões inflacionárias associadas ao aumento de custos derivado desse conflito.

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Yihao Lin

Coordenador Econômico

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Leitura Dinâmica

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