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Publicado em 02 de Outubro de 2026 às 12:43:01

Payroll (Set/26): Emprego perde tração e reduz urgência de novas altas de juros nos EUA

O mercado de trabalho norte americano gerou um saldo líquido de 29,0 mil postos de trabalho em setores não agrícolas (payroll) em setembro, número que veio significativamente pior do que o esperado pelo consenso de mercado (90,0 mil, Bloomberg), representando uma forte desaceleração em relação à leitura revisada de 133,0 mil de agosto.  O resultado foi derivado da combinação entre a abertura de 46,0 mil vagas de trabalho no setor privado e fechamento de 17,0 mil no setor público, indicando uma importante piora em ambas as métricas após registrarem saldos líquidos positivos de 89,0 mil e 44,0 mil, na mesma ordem. Com isso, o saldo acumulado de 2026 alcançou aproximadamente 612,0 mil vagas de trabalho criadas no ano, ficando significativamente acima dos cerca de 232,0 mil criados no mesmo período do ano passado e acelerando em relação aos 583,0 mil acumulados até o mês imediatamente anterior. Dessa forma, setembro apresentou uma leitura mais fraca tanto no emprego privado quanto no público, reduzindo parte do otimismo gerado pela divulgação anterior.

As revisões dos meses anteriores também contribuíram para uma avaliação menos favorável. O resultado de julho passou de uma criação de 21,0 mil vagas para uma eliminação de 10,0 mil, enquanto agosto foi revisado de 162,0 mil para 133,0 mil postos, totalizando uma redução de 60,0 mil vagas. Considerando o histórico atualizado, a média móvel de três meses ficou em aproximadamente 51,0 mil postos, praticamente estável frente a agosto recalculado, mas abaixo dos 71,0 mil apontados na divulgação anterior, mas seguindo acima da leitura de 23,3 mil registrados no mesmo período do ano anterior. Assim, a revisão não apenas reduziu a intensidade da recuperação de agosto, como também recolocou julho em território negativo.

A composição setorial mostra que parte expressiva da desaceleração refletiu a perda de impulso de segmentos que haviam sustentado agosto. No setor público, o saldo negativo de setembro combinou quedas de 1,0 mil vagas no governo federal, 3,0 mil nos governos estaduais e 13,0 mil nos governos locais. A educação dos governos locais passou de uma criação revisada de 49,3 mil postos para uma redução de 1,8 mil. No setor privado, lazer e hospitalidade adicionaram 10,0 mil vagas, ante 37,0 mil em agosto, com criação de 10,8 mil em restaurantes e bares, parcialmente compensada pela queda de 3,6 mil em hospedagem. Em conjunto, governo e lazer e hospitalidade explicam, cerca de 85% da desaceleração do saldo mensal.

Nos demais segmentos, saúde e assistência social adicionaram 23,0 mil vagas, equivalentes à metade da geração líquida do setor privado. A construção criou outros 11,0 mil postos, enquanto a indústria de transformação adicionou 9,0 mil. Em contrapartida, informação, serviços profissionais e empresariais e atividades financeiras eliminaram 10,0 mil, 9,0 mil e 7,0 mil vagas, respectivamente. Dentro dos serviços empresariais, destacou-se a queda de 10,9 mil postos em trabalho temporário. A abertura aponta, portanto, para crescimento ainda presente em alguns segmentos, mas acompanhado por retrações em diferentes atividades de serviços. O índice de difusão reforçou essa leitura menos favorável. A medida do emprego privado recuou de 57,6 para 49,0 pontos, enquanto a da indústria de transformação caiu de 63,9 para 46,5 pontos. Assim, embora governo e lazer expliquem grande parte da desaceleração do número cheio, a piora da difusão sugere que a perda de dinamismo não ficou restrita a esses grupos.

A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, mas sua composição foi menos negativa do que essa variação isolada sugere. O número de ocupados aumentou em 406,0 mil, enquanto a força de trabalho cresceu 485,0 mil pessoas. Como resultado, o contingente de desempregados avançou 78,0 mil, para aproximadamente 7,1 milhões. Ao mesmo tempo, a taxa de participação aumentou de 61,6% para 61,8%, retornando para o nível observado em mai/26, e a razão entre emprego e população passou de 59,1% para 59,2%. Portanto, o aumento da taxa de desemprego pode ser interpretado de maneira mista, visto que o aumento do contingente de desocupados não veio acompanhado por uma queda do número de ocupados, mas sim de uma recomposição da força de trabalho, levando a uma leitura qualitativa melhor do que apenas o aumento da taxa de desemprego sugere.

Vale destacar que mesmo após a recuperação em agosto, a taxa de participação segue 0,3 p.p. abaixo do nível de janeiro, mantendo a leitura de que o envelhecimento populacional e a desaceleração da imigração seguem restringindo a oferta de trabalho. Por outro lado, a recuperação da razão emprego/população para 59,2% faz com que essa métrica esteja praticamente estável em relação ao início do ano, reduzindo a evidência de que a queda recente da participação estivesse acompanhada por uma deterioração igualmente intensa do emprego. . A taxa U-6, que incorpora trabalhadores marginalmente ligados à força de trabalho e ocupados em tempo parcial por razões econômicas, recuou de 7,7% para 7,6%. O contingente de pessoas marginalmente ligadas à força de trabalho diminuiu em 236,0 mil, para aproximadamente 1,5 milhão. Por outro lado, o número de trabalhadores em tempo parcial por razões econômicas aumentou em 111,0 mil, para 4,5 milhões. Dessa forma, o conjunto não aponta para uma deterioração uniforme da ociosidade

Pelo lado dos salários, o rendimento médio por hora do setor privado avançou apenas 0,1% m/m em setembro, desacelerando frente à alta de 0,3% m/m em agosto, vindo abaixo do esperado pelo consenso de mercado (0,3% m/m, Bloomberg). O aumento foi de US$ 0,05, para US$ 37,81, equivalente a um crescimento de aproximadamente 3,0% a/a, ficando também abaixo do consenso de mercado de 3,1% a/a (Bloomberg) e desacelerando em relação à leitura imediatamente anterior dessa mesma magnitude. A jornada média semanal permaneceu estável em 34,4 horas, enquanto o índice de horas trabalhadas no setor privado ficou estável, após avanço de 0,4% m/m em agosto e o índice da folha salarial agregada desacelerou de 0,7% m/m para 0,2% m/m. Em nossa avaliação, a combinação entre menor geração de vagas e crescimento salarial moderado reduz os sinais de pressão inflacionária provenientes do mercado de trabalho. Esse movimento sugere menor impulso da renda nominal do trabalho ao consumo na margem.

De modo geral, avaliamos que setembro trouxe uma leitura menos favorável para o mercado de trabalho, com desaceleração do payroll, revisões baixistas e menor difusão do emprego. Entretanto, a recuperação da participação e da razão emprego/população, assim como o aumento do desemprego associado à entrada de trabalhadores, limitam a interpretação de uma deterioração abrupta e generalizada. Para o Fed, nossa avaliação é de uma leitura mais dovish na margem, ao reduzir a urgência de um novo aperto imediato após a alta de setembro, que levou a Fed Funds rate para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano. A menor geração de vagas e a moderação salarial recomendam maior cautela, mas não são suficientes, isoladamente, para justificar a interrupção do ciclo de aperto iniciado na reunião passada, mas é compatível com uma postura mais parcimoniosa de altas. Nesse sentido, avaliamos que o resultado de hoje segue compatível com nosso cenário de necessidade de apertos adicionais diante da persistência e riscos inflacionários assimétricos, contudo, reduz a urgência de altas no curtíssimo prazo, de modo que, seguimos com a expectativa de uma nova alta em dezembro, refletindo indicadores de atividade que seguem apontando para uma demanda doméstica bastante resiliente. Essa expectativa, contudo, segue condicionada à evolução dos dados. Caso a fraqueza do emprego persista e venha acompanhada de desinflação mais consistente, a própria necessidade desse ajuste pode ser revisada.

 

 

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Yihao Lin

Coordenador Econômico

Jose Camargo

Economista-Chefe

Gabriel Pestana

Analista de Ações

Leitura Dinâmica

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