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Publicado em 22 de Outubro de 2026 às 18:25:58

A vantagem de Flávio na reta final

As pesquisas divulgadas nesta semana mostram uma disputa presidencial mais apertada, mas ainda preservam uma posição relativamente favorável a Flávio Bolsonaro. No PoderData/AYA, sua vantagem nos votos válidos recuou de 52% a 48% para 51% a 49%, enquanto a Quaest passou de 46% a 44% para 45% a 44% nos votos totais. A redução das diferenças recomenda cautela, especialmente diante das margens de erro, mas o candidato segue numericamente à frente na maior parte dos levantamentos analisados. O quadro, portanto, é de maior competitividade, sem uma reversão consistente da vantagem observada até aqui.

A composição das transferências de votos ajuda a explicar esse diagnóstico. Na Quaest, ambos os candidatos mantêm elevada retenção de suas bases: Flávio preserva 94% dos entrevistados que declaram ter votado nele no primeiro turno, enquanto Lula retém 95%. A diferença aparece entre os eleitores dos candidatos eliminados, grupo no qual Flávio registra 43%, ante 37% do presidente. Essa vantagem numérica sugere que a redistribuição dos votos válidos do primeiro turno continua favorecendo o candidato do PL, limitando a capacidade de Lula de reverter a disputa exclusivamente por esse canal.

Parte importante do potencial de crescimento de Lula está entre os eleitores que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno. Nesse grupo, o presidente aparece com 40%, contra 36% de Flávio. A conversão dessa preferência em votos válidos, contudo, depende de uma mudança efetiva de comportamento nas urnas. Esse ponto é relevante para nossa avaliação: enquanto Flávio apresenta vantagem entre eleitores que já escolheram outros candidatos, parte do apoio adicional a Lula está concentrada em um contingente cuja participação permanece mais incerta. Assim, uma eventual redução da alienação eleitoral precisaria produzir um saldo suficientemente favorável ao presidente para compensar a distância entre os dois.

Há sinais de melhora para Lula que não devem ser desconsiderados. Sua rejeição na Quaest caiu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio passou de 54% para 52%, indicando uma recuperação relativa da imagem do presidente. Ao mesmo tempo, a indecisão na pesquisa espontânea aumentou de 7% para 14%, mantendo espaço para mudanças na reta final. Esses movimentos tornam a disputa menos confortável para Flávio, mas ainda não se traduziram em uma vantagem consistente de Lula nas intenções de voto. A melhora da imagem do presidente amplia suas possibilidades, sem assegurar que esse potencial se materialize no resultado.

Mantemos, portanto, Flávio Bolsonaro como favorito, com 70% de probabilidade de vitória em nossa avaliação. Lula chega à reta final em condições mais competitivas, mas ainda depende de avanços adicionais nas preferências e de uma participação efetiva que lhe seja relativamente mais favorável. O ponto decisivo não é apenas a distância nas pesquisas, mas a capacidade de converter o apoio declarado em votos válidos. Por ora, a vantagem recorrente de Flávio e o perfil das transferências sustentam nosso cenário-base, embora o estreitamento recente das diferenças mantenha uma possibilidade relevante de reversão.

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