As agências de classificação de risco começam a dar sinais de preocupação com a combinação das políticas fiscal e monetária. A combinação de uma política fiscal expansionista e uma política monetária contracionista, faz com que a taxa de juros necessária para manter a taxa de inflação próxima da meta seja muito elevada, e aumenta os custos da estabilização.
Diante desta combinação, os prêmios de risco são elevados, o que mantem os juros em níveis muito altos, gera aumento do déficit nominal e pressiona a dinâmica da dívida pública. O resultado é menos investimento e crescimento, o que diminui a potencial melhora fiscal via aumento do PIB.
Ao mesmo tempo, a expectativa da agência Fitch Ratings indica que a consolidação fiscal não será suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB “a menos que uma reação adversa do mercado force um ajuste mais acentuado”. O resultado é um aumento das incertezas fiscais tornando a estabilização da relação dívida/PIB mais “desafiadora”. Com isso, as taxas de juros deverão permanecer elevadas, os déficits nominais permanentes e crescentes, incapazes de estabilizar a dívida.
Para ambas as agências, a composição do novo Ministério, em especial da equipe econômica, é um sinal importante, entretanto, segundo o Ministro das Relações institucionais, José Guimarães, esta discussão ainda não foi iniciada no governo.