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Publicado em 22 de Setembro às 18:42:03

Ata do Copom reforça viés dovish e amplia risco de novos cortes, com Selic terminal de 13,75% no cenário-base e viés baixista

A ata do Copom reforçou nossa avaliação de que a atual composição do Comitê permanece mais inclinada a prolongar o ciclo de afrouxamento do que a interrompê-lo. As poucas alterações em relação ao documento anterior, apesar da deterioração do cenário externo e da persistência de expectativas desancoradas, preservaram o tom dovish identificado no comunicado. Em nossa leitura, a maior ênfase nos sinais de arrefecimento da atividade e na melhora da inflação corrente sugere uma preferência por suavizar o ajuste econômico, ampliando a possibilidade de um novo corte em novembro.

No cenário doméstico, o principal destaque foi a inclusão de um parágrafo dedicado ao mercado de crédito, com ênfase nos sinais de deterioração das modalidades de recursos livres. Associada à caracterização de uma perda de dinamismo mais disseminada da economia, essa avaliação sugere maior confiança do Banco Central na transmissão da restrição monetária e no fechamento do hiato do produto necessário à convergência da inflação. Ao mesmo tempo, a descrição mais favorável da inflação de curto prazo, sem um endurecimento da avaliação sobre as expectativas, indica algum conforto do Comitê com a dinâmica recente, embora a desancoragem permaneça como um desafio relevante.

A manutenção da orientação de não reagir aos efeitos primários dos choques de oferta também reforça, em nossa avaliação, a preferência por uma condução que limite os custos da desinflação sobre a atividade. Entendemos, contudo, que a sobreposição e a persistência desses choques reduzem o espaço para essa estratégia, sobretudo em um ambiente de expectativas desancoradas. Nesse contexto, uma reação mais ativa pode ser necessária para evitar que as pressões iniciais se propaguem para outros preços e prolonguem o desvio da inflação em relação à meta.

Os contrapontos hawkish permaneceram presentes, mas não alteraram nossa interpretação do saldo da comunicação. O Comitê manteve a assimetria altista no balanço de riscos, reconheceu a existência de pressões inflacionárias associadas à demanda e reiterou a necessidade de uma política monetária restritiva, conduzida com perseverança, firmeza e serenidade para reancorar as expectativas. Também preservou a possibilidade de interromper o ciclo caso a evolução do cenário assim exija. Portanto, a ata não representa um compromisso com novos cortes, mas mantém a flexibilidade para realizá-los diante de dados considerados favoráveis.

Mantemos, por ora, nosso cenário-base de Selic em 13,75% a.a. até o final de 2026, mas reconhecemos que a comunicação amplia o risco de afrouxamento adicional e introduz um viés baixista para essa projeção. A continuidade do ciclo dependerá especialmente dos desdobramentos do processo eleitoral sobre o câmbio, variável que poderá reforçar ou limitar o alívio inflacionário observado no curto prazo. Assim, embora a ata sinalize maior confiança do BC na desaceleração e na desinflação, entendemos que o ambiente externo e a persistência da desancoragem ainda recomendam cautela quanto à extensão dos cortes.

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