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Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 01:49:01

Emprego e renda reforçam resiliência do mercado de trabalho

Os dados de agosto do Caged e da PNAD Contínua reforçam nossa avaliação de que a desaceleração da economia brasileira ainda convive com um mercado de trabalho resiliente. A recuperação da geração de vagas formais e a manutenção do desemprego em patamar historicamente baixo contrastam com os sinais de perda de dinamismo observados na atividade. Em conjunto, as divulgações preservam a perspectiva de um ajuste gradual do emprego, sem evidências de deterioração mais intensa neste início de segundo semestre.

No mercado formal, o Caged registrou criação líquida de 165,8 mil vagas, superando de forma expressiva o consenso de mercado de 93,4 mil e nossa projeção de 99,7 mil. A melhora também apareceu na série com ajuste sazonal, cujo saldo passou de 34,8 mil para 61,7 mil postos. Além da surpresa quantitativa, a composição foi favorável, com geração de empregos nos cinco grandes grupamentos de atividade, liderada pelos serviços. Esse desempenho reforça a leitura de que a fraqueza observada em julho não representou o início de uma deterioração generalizada das contratações.

A PNAD Contínua apresentou um diagnóstico semelhante. A taxa de desemprego permaneceu em 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, o menor nível da série para esse período. Com ajuste sazonal, houve apenas uma oscilação de 5,41% para 5,44%, mais compatível com estabilização em patamar baixo do que com uma mudança relevante nas condições do mercado de trabalho. A população ocupada atingiu o recorde de 103,5 milhões de pessoas, enquanto a força de trabalho também cresceu, indicando que a robustez da ocupação permanece mesmo com a expansão da oferta de trabalhadores.

A dinâmica dos rendimentos reforça esse quadro. O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.777, com crescimento de 3,7% a/a, ante 3,3% na leitura anterior, enquanto a expansão da massa de rendimentos acelerou de 4,1% para 4,8% a/a. Esse avanço mantém um suporte importante ao consumo das famílias. Os indicadores qualitativos do Caged também seguem apontando para condições relativamente favoráveis aos trabalhadores: a razão entre salários de admissão e demissão permaneceu elevada, apesar do pequeno recuo, e a média móvel trimestral da taxa de desligamentos voluntários registrou a terceira alta consecutiva.

Ainda assim, a recuperação de agosto não elimina os sinais de moderação na comparação com 2025. A criação acumulada de empregos formais no ano ficou em aproximadamente 1,1 milhão, abaixo dos 1,5 milhão registrados no mesmo período do ano passado. Mantemos, portanto, nossa projeção de geração líquida de 950 mil vagas em 2026 e de desemprego em 5,1% ao final do ano. A leitura central permanece de arrefecimento apenas gradual, com emprego e renda sustentando a demanda doméstica e mantendo o mercado de trabalho como um ponto de atenção para a dinâmica inflacionária.

 

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