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Publicado em 29 de Outubro de 2026 às 18:04:47

O novo "normal"

Desde o resultado das eleições de 25/10/2026 o valor do Real mostra forte volatilidade e desvalorização frente ao Dólar. A primeira reação foi uma valorização do Dólar frente ao Real, de 8,12% no dia 26/10, tendo atingido R$ 5,40.

Após esta desvalorização inicial, a expectativa de alguns dos investidores e o elevado custo de manter Dólar na carteira, devido ao elevado nível da taxa de juros o Brasil (13,75% ao ano), era que pelo menos parte da desvalorização decorrente da surpresa do resultado das eleições, já havia incorporado nos preços da moeda americana. Diante desta expectativa, nos dois dias seguintes, 27/10 e 28/10, o Real mostrou um leve sinal de retomada, em relação à forte desvalorização inicial, com valorização de 1,07% em 27/10, fechando em 5,35% e no dia seguinte (28/10)

Entretanto, o alívio foi curto. No dia seguinte, o Real voltou a mostrar forte desvalorização fechando novamente acima de R$ 5,40. Diante das declarações do Presidente reeleito, Luís Inácio Lula da Silva, e de alguns de seus auxiliares, e as promessas de aumento dos gastos públicos para ganhar a eleição, geram aumento do risco fiscal e pressão o comportamento do Real frente ao Dólar.

Diante da combinação de já elevado nível da dívida pública do Brasil, 83,3% do PIB, promessa de superavit primário do setor público pelo governo reeleito muito inferior ao superavit necessário para estabilizar a relação dívida/PIB, e elevados níveis de volatilidade, a taxa de juros demandada pelos investidores para financiar a dívida aumenta e faz com que a probabilidade de uma forte crise fiscal e queda do nível de atividade da economia brasileira aumenta.

Nossa avaliação é que este comportamento do Real (desvalorização e volatilidade) deverá ser a “norma” nos próximos meses, com consequente pressão inflacionária, aumento das taxas de juros e desaceleração da economia. A reunião do Copom na próxima quarta feira deverá ser o início de mudança na direção da política monetária, O risco é a possibilidade de que uma redução da SELIC diante deste cenário de volatilidade e pressão por desvalorização cambial, seja um gatilho que desequilibre o mercado cambial.

 

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