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Publicado em 04 de Abril às 17:48:00

Expresso Bolsa Semanal: Tarifas, Pânico no mercado, Bitcoin na contramão

A semana foi marcada por queda na maioria das bolsas globais, com destaque novamente para as bolsas americanas, afetadas por um sentimento de pânico nos mercados após o anúncio de tarifas comerciais por Donald Trump. O movimento desencadeou retaliações imediatas da China e da Zona do Euro, elevando significativamente o risco de um colapso no comércio global.

Mesmo com um Payroll forte, que indicou robustez no mercado de trabalho americano, o dado não foi suficiente para mudar o sentimento de aversão ao risco, já que os efeitos da guerra comercial ainda não apareceram nos indicadores econômicos. O discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou o foco no controle da inflação e afastou a possibilidade de cortes de juros no curto prazo.

A resposta da China incluiu uma taxação extra de 34%, o que pode impactar severamente o mercado de commodities e economias exportadoras como o Brasil. O mercado já precifica uma queda na demanda global, com bolsas despencando e moedas como o dólar australiano recuando 5%, um movimento raro e significativo.

Na Europa, a estratégia vai além das retaliações comerciais. A região se prepara para responder com estímulos fiscais, com a Alemanha já anunciando um pacote equivalente a 11% do PIB. Outras nações do bloco devem seguir o exemplo para tentar recuperar competitividade diante das medidas dos EUA.

A performance relativamente positiva dos ativos brasileiros não reflete uma melhora nos fundamentos domésticos, como alternância de poder ou avanço fiscal. O Ibovespa recuou menos do que as bolsas de países desenvolvidos, sustentado principalmente por uma rotação de fluxo em direção a mercados emergentes.

Outro destaque da semana foi o Bitcoin, que apresentou desempenho positivo e descorrelacionado das bolsas americanas, chamando atenção pela resiliência em meio ao ambiente de incerteza global.

Maiores Altas e Baixas (Ibovespa)

Desempenho do Real (BRL)

O Real (BRL) registrou uma desvalorização de 1,48% em relação ao Dólar nessa semana. Comparativamente, a moeda brasileira apresentou um desempenho total (considerando a diferença de preços mais juros) abaixo da média de desempenho se comparado a outras moedas globais, tanto de países desenvolvidos quanto emergentes.

Curva de Juros

Os juros futuros encerraram a semana com alívio, acompanhando a queda nos yields americanos e no índice do dólar, em meio a temores de desaceleração da economia dos EUA devido às tarifas impostas por Donald Trump.

Nesta fase inicial, os mercados globais têm reagido de forma conjunta, sem grande diferenciação quanto aos impactos específicos em cada economia. A aversão ao risco tem pautado os movimentos, com operadores respondendo ao receio de que as tarifas acelerem uma desaceleração econômica americana.

No caso do Brasil, a percepção é de que o país escapou com uma taxação mais branda dentro do pacote tarifário de Trump, o que trouxe algum alívio para os ativos locais e contribuiu para a leitura mais positiva da curva de juros.

Embora o mercado esteja precificando o risco de recessão nos EUA, o impacto direto sobre o crescimento brasileiro tende a ser limitado. O Brasil é uma economia relativamente fechada, com apenas cerca de 10% de suas exportações destinadas ao mercado americano, o que reduz a sensibilidade do país às novas barreiras comerciais.

Após o tarifaço promovido por Donald Trump, houve uma forte queda nas Treasuries nos Estados Unidos, o que impactou diretamente a curva de juros no Brasil. Diante desse novo cenário, o mercado passou a projetar um aumento de 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, seguido por apenas mais uma alta de 0,25 ponto percentual.

A projeção para a taxa Selic ao fim de 2025 foi revisada para baixo em 0,75 ponto percentual em relação à semana anterior, passando a estimar um encerramento do ano em 14,75%.

Fluxo Investidor Estrangeiro

Entre 27 de março e 2 de abril de 2025, houve uma saída de capital estrangeiro de R$ 2,3 bilhões. Com isso, o saldo de abril está negativo em R$ 1 bilhão, reduzindo a entrada acumulada do ano para R$ 9,6 bilhões. Se confirmada, esta será a primeira saída mensal após quatro meses consecutivos de fluxo positivo.

Diferentemente dos meses anteriores, os investidores institucionais registraram entrada líquida de R$ 922 milhões em abril. No entanto, o saldo acumulado de 2025 ainda indica uma saída de R$ 9,3 bilhões.

Os investidores pessoa física também apresentaram fluxo negativo, com retirada de R$ 80 milhões nos primeiros pregões de abril. Caso essa tendência persista, este poderá ser o segundo mês consecutivo de saídas líquidas dessa categoria.

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