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Publicado em 17 de Agosto às 04:26:11

Resultado Trimestral 2T21: Setor de Educação – YDUQS (YDUQ3), Cogna (COGN3) e Ânima (ANIM3)

Avaliação de Resultados

YDUQS (YDUQ3): A YDUQS reverteu o prejuízo do 2T20 de R$ 79,5 milhões para o lucro no trimestre de R$ 116,5 milhões, resultado em linha com as nossas estimativas, mas um pouco abaixo das do mercado. Reforçamos a liderança da companhia no segmento de medicina e ensino digital, que apresentaram o crescimento na base de 22% e 52% a/a, passando a representar 47% da receita e 66% do EBITDA consolidado. Assim, observamos o aumento de 213,7% a/a no EBITDA, com ganhos de 18,8 p.p de margem.

Cogna (COGN3): Após todo o tumulto do último ano, a companhia deu mais um importante passo na consolidação da retomada de performance, demostrando a sustentabilidade de seu plano de reestruturação, mas ainda sentindo os efeitos da pandemia. Destacamos o crescimento de 28,6 pp da margem EBITDA recorrente da Kroton, mesmo com uma redução de 10,9% a/a na receita do período. Essa melhora se deve a priorização do modelo de negócio asset light, com foco na otimização do portfolio de cursos e redução de custos com as 45 unidades já desmobilizadas.

Ânima (ANIM3): Reportando o primeiro resultado com a aquisição da Laureate consolidada, destacamos o crescimento da receita líquida (+64,5%), EBITDA (+74,7%) e lucro líquido (+42,3%). Com um aumento de 178,5% em sua base de alunos, totalizando 320k estudantes, a Ânima se consolida como um dos principais players de educação de qualidade no país. Entretanto, devemos ficar atentos ao seu processo de desalavancagem futura. Após a aquisição, a companhia negocia com a relação dívida líquida / EBITDA de 4,6x, níveis bem elevados quando comparado aos seus pares.

Confira um vídeo rápido sobre o balanço!

Mar calmo não faz bons marinheiros

Poucos setores sofreram tanto o impacto da pandemia como o setor de educação. Com o lockdown estabelecido, as empresas tiveram que começar a fazer seus processos de admissão totalmente online, algo para as quais muitas não estavam preparadas. Por conta disso, elas sofreram grande impacto na captação de novos estudantes, além dos números históricos de inadimplência e evasão devido à crise, impactando diretamente suas receitas.

Observamos de perto esse impacto quando olhamos para a rentabilidade das empresas do setor neste último ano. De jan/20 a abril/21, as empresas de educação tiveram a maior redução em seus lucros de todos os setores da bolsa, com uma queda de aproximadamente 81,4%. Essa revisão também se demonstrou na performance das ações, que obtiveram o pior desempenho no mesmo período, com uma desvalorização média de aproximadamente 50%.

Acreditamos que os danos da pandemia não serão permanentes. No curto prazo, as empresas ainda serão impactadas pelo Covid, apresentando problemas na admissão de novos alunos presenciais. Com a volta à normalidade, deveremos observar esses números se recuperando gradualmente.

Seguimos otimista com o momento atual do setor. As empresas não passaram por esse período estagnadas. Elas aproveitaram esses difíceis dois últimos anos para reestruturar suas operações, focando nas vertentes que trarão uma maior rentabilidade futura. Ainda mais, com a maior aceitação do EAD, esperamos uma virada significativa no setor, com empresas investindo mais nessa modalidade. As instituições irão se beneficiar das maiores margens, menores custos operacionais e o maior potencial de crescimento em sua base de estudantes.

YDUQS (YDUQ3): A tempestade perfeita

A YDUQS reafirma a força do ensino digital e da medicina, que apesar dos efeitos da pandemia, crescem de forma expressiva. No digital, enxergamos um crescimento na base de graduação de 51,9% a/a, número impressionante considerando a forte base de comparação do 2T20. Esse aumento se deve ao forte ritmo de expansão dos polos (+43,8% a/a) mais a captação de 100k alunos neste tri, fruto do desenvolvimento e aperfeiçoamento de suas plataformas digitais, resultando no avanço recorde de 25p.p no digital do NPS (Net Promoter Score). O segmento premium vem registrando sólidos resultados, com a medicina em destaque. Enquanto a base de alunos do IBMEC encerrou o 2T21 estável, a medicina apresentou o crescimento considerável de 26,9% a/a, impulsionado pelas recentes vagas autorizadas, ainda registrando um leve aumento (+2,8%) no ticket médio. O segmento presencial foi impactado pela contínua queda da base de alunos FIES, além do atraso do ENEM, que afetou a captação, registrando assim uma queda de 15,3% a/a, mas levemente compensada pelo aumento do ticket médio (+4,4%), que veio junto com o avanço significativo de 21p.p do NPS. Por fim, com a melhora macroeconômica e a aceleração da vacinação, acreditamos que o ensino presencial deve se recuperar gradualmente, enquanto eles devem continuar esse crescimento acelerado no EAD, com a captação de novos estudantes e criação de novos polos.

Pontos Positivos 

  • Indicadores Financeiro: Crescimento significativo em todos os indicadores no semestre: Receita líquida (+17%), EBITDA (+47%) e lucro líquido (+81%).
  • Premium e Digital: Aumento da representatividade do Premium e Digital, totalizando 47% da receita do período, com o crescimento registrado de 60% e 42% a/a na receita das modalidades.
  • Aumento de Ticket Médio: Medicina (+5% a/a); IBMEC (+5% a/a); Digital (+0,1% a/a) e Presencial (+9% a/a)
  • NPS: Melhoria do NPS no 1S21: Presencial (+21p.p) e Digital (+25p.p).
  • Estrutura de Capital: Sólida estrutura de capital com baixa alavancagem financeira para futuros M&A´s

Pontos Negativos  

  • Ensino Presencial: Desempenho inferior no segmento presencial, com queda de base (-15,3% a/a) e receita líquida (-0,8%).
  • Captação presencial segue em desvantagem com o prolongamento da pandemia.
  • Cenário macroeconômico adverso.

Cogna (COGN3): Correndo contra o vento

Após passar por períodos turbulentos, a Cogna demonstra a sustentabilidade de seu plano de reestruturação, reforçando em maior escala os sinais de retomada observados no 1T21. Diferentemente dos últimos trimestres, o grande destaque positivo ficou para a Kroton, subsidiária responsável pelo B2C do ensino superior, representando mais de 80% da receita da companhia neste tri. A otimização do mix de cursos com o foco na expansão digital, aliado a redução de custos com a reestruturação da operação dos Campus, resultaram no incremento de 28,6p.p na margem EBITDA recorrente da Kroton, mesmo levando em conta a redução de mais de 10% na receita do período.

Do lado negativo, destacamos a performance das subsidiárias do ensino básico, Vasta e Saber. A segunda onda da pandemia afetou diretamente as escolas e por consequência a Vasta, que fechou o 2T21 com o EBITDA recorrente negativo. Entretanto, ainda enxergamos valor na Vasta, que com o cenário macroeconômico normalizado, deve entregar resultados consistente em 2022. Para a Saber, destacamos a troca de ativos com a Eleva, que envolve a venda das escolas da Saber em troca do sistema de ensino da Eleva. Pendente ainda da aprovação do Cade, enxergamos bastante valor na transação, já que a Cogna pode deixar de atuar com gestão própria de escolas para focar em sistemas de ensinos, vertente com maior upside. Por último, destacamos a alavancagem sob controle, atingindo a relação dívida líquida/EBITDA ajustado de 2,13x, abaixo do limite estabelecido pelos covenants de 3,0x. Com isso, a Cogna finalmente poderá ‘voltar ao jogo’ dos M&A’s. Seguindo a tendência do setor, eles devem ficar de olho em aquisições na medicina, ramo de alta receita e rentabilidade.

Pontos Positivos 

  • EBITDA: Margem EBITDA recorrente de 25,3% no 2T21, em decorrência da mudança no mix com maior participação de alunos digitais na graduação.
  • Kroton: Crescimento de 12,4% da base de alunos do segmento digital no 2T21, enquanto sua receita cresceu 18,1%, com destaque para o EAD Premium. Destaque para o avanço de 28,6 p.p na margem EBITDA recorrente, mesmo com a redução de receita no período.
  • Alavancagem Financeira: Alavancagem segue sob controle, atingindo a relação dívida líquida/EBITDA ajustado de 2,13x, abaixo do limite estabelecido pelos covenants de 3,0x.
  • Recebíveis: Melhora no prazo de recebimento, bem como a redução de 65,4% a/a no PCLD.
  • Plataforma de Educação B2C: Estruturação de um ecossistema que buscará consolidar a oferta de todos os serviços de educação desenvolvidos pela Cogna.
  • Ticket Médio: Aumento do ticket médio no presencial (+11,3%).

Pontos Negativos  

  • Receita: Queda de receita (-10,4%), resultante da queda de base presencial e formatura da última grande safra de alunos FIES em 2020.
  • Ensino Básico: Desempenho inferior no segmento básico, resultando na queda do EBITDA recorrente na Saber (-73,2%) e negativo na Vasta.
  • Ticket Médio: Queda no ticket médio EAD (-6,3%).
  • Prolongamento da pandemia, resultando em altos níveis de evasão e inadimplência.
  • Cenário macroeconômico adverso.

Ânima (ANIM3): O filho prodígio

Enfim o dia chegou. A Ânima reportou o primeiro resultado com os números da Laureate consolidado. Do lado financeiro, com a integração das aquisições, observamos o crescimento da receita líquida (+64,5% a/a), ultrapassando a marca dos R$ 1 bilhão no semestre. A eficiência acadêmica do modelo E2A continua trazendo resultados positivos de forma consistente, reduzindo custos com o aumento de escala. Assim, enxergamos ainda o crescimento do EBITDA (+74,7% a/a) e do lucro líquido (+42,5% a/a). Do lado operacional, destacamos o crescimento da base que superou 320k alunos, implicando em uma valorização de 178,5% a/a. Com isso, eles se consolidam como uma companhia de escala significativa no mercado educacional, se tornando um dos players mais relevantes de educação de qualidade no país. Destacamos ainda a qualidade acadêmica como um diferencial competitivo. Apesar do cenário macroeconômico ainda adverso, a companhia apresentou um crescimento no seu ticket médio orgânico (excluído às aquisições) de 12,7% a/a, enquanto reduziram o número de evasão no trimestre (-0,8 p.p). Por último, vale observar o aumento do endividamento da companhia após a aquisição. Com uma alavancagem financeira de 4,6x dívida líquida / EBITDA, índice elevado quando comparado aos seus pares, fica a dúvida de como será o processo de desalavancagem futura. Entretanto, acreditamos nas ações propostas, sendo que este não deverá se tornar um problema estrutural para a Ânima.

Pontos Positivos 

  • Indicadores Financeiros: Crescimento significativo em todos os indicadores no semestre: Receita líquida (+44,2%), EBITDA (+50,3%) e lucro líquido (+31,7%).
  • Consolidação: Integração das instituições oriundas da Laureate Brasil, resultando no aumento de 178,5% da base de alunos.
  • Ticket Médio: Aumento do ticket médio orgânico (+12,7%).
  • Eficiência Operacional: Seguem reportando ganhos de eficiência com o modelo acadêmico E2A (4,6p.p melhor vs 1S20).
  • Inspirali: Vertical de medicina com crescimento expressivo (+365,5% a/a), atingindo 9.985 alunos e a receita de R$ 242 milhões, representando 24,2% da receita consolidada.
  • EAD: Com a integração da Laureate, passam a oferecer a modalidade EAD em maior escala.

Pontos Negativos  

  • Alavancagem: Após a consolidação da aquisição, a relação dívida líquida / EBITDA passou a ser 4,6x, índice bem elevado quando comparado aos seus pares.
  • Opex: Opex elevado, representando 12,1% da receita contra 10,3% no 2T20 devido aos maiores custos de transição.
  • Prolongamento da pandemia, podendo resultar no aumento da evasão e inadimplência.
  • Cenário macroeconômico adverso.
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