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Publicado em 02 de Setembro às 12:14:46

Os melhores e piores investimentos de agosto em renda variável

1° Bitcoin (+14%)

Esse foi o segundo mês consecutivo que o bitcoin ficou no topo da lista de rentabilidade dos ativos de renda variável, valorizando cerca de 14%. Entretanto, diferentemente do mês passado, a principal razão não foi o Bitcoin, mas uma atualização na ethereum, chamada London hard fork. Há tempos a rede da ethereum enfrenta duas principais críticas: a primeira de que não é escalável, o que tem uma parcial veracidade; a segunda de que ela é uma moeda inflacionária, ou seja, perde constantemente valor por poder ser infinitamente emitida. Para os menos intendidos, a blockchain da ethereum permite a conexão de diversas funcionalidades à sua rede, que se beneficiam da maior segurança e melhores registros da rede, e, em contrapartida, pagam taxas pela utilização do sistema em ether. Assim, quanto mais funcionalidades estão ligadas à blockchain mais taxas precisam ser pagas, por isso mais etheres são necessários, elevando o preço da cripto.

A atualização do London fork, dentre outras mudanças, implementou uma taxa mínima para cada transferência de etheres. Diferentemente do que ocorria antes da mudança, a taxa mínima passou a ser queimada ao invés de repassada ao minerador da rede, transformando a cripto em deflacionária. Em suma, a oferta de ether passou de infinita para potencialmente decrescente. Isso, somado a maior demanda, puxada pela popularização das funcionalidades instaladas na rede como DeFi’s e NFT’s, fez o preço do ether subir ~35% no mês. A razão para a subida do ether ter levado o bitcoin junto é justamente a alta correção entre os ativos, cujo coeficiente está na faixa dos 0,8.

2° Ouro (+0,22)

Para o investidor mais desavisado, o mês de agosto parece ter sido um período de poucas emoções para o ativo, que fechou com uma leve alta de 0,22%. Mas, nem tudo é o que parece. O nome do jogo foi volatilidade!

Ainda com muitas indefinições em relação à retirada de estímulos por parte do FED, o mercado segue incerto em relação aos juros reais que perdurarão na economia americana e o reflexo disso fica nítido na volatilidade desse ativo, considerado reserva de valor. Na mínima do mês, o ouro chegou a ficar abaixo dos 1698 dólares, já na máxima do mês, chegou a ser negociado na faixa dos 1821 dólares, uma amplitude de quase 7% em relação ao preço de fechamento.

Um ponto de atenção em relação ao ouro é que já vemos alguns investidores importantes como Mark Mobius, conhecido por ser o guru dos mercados emergentes, aumentando suas posições em ouro com receio de uma forte desvalorização das principais moedas globais. Lembrando que, em cenários de taxas de juros reais negativas, os ativos livres de risco (US Treasury Bond 10 Anos e papéis indexados a inflação – US GT10 anos) se tornam menos atrativos e geram um movimento de migração por parte dos investidores para outros ativos considerados “reserva de valor”, que é o caso do ouro.

3° Dólar (-0,73%)

O dólar fechou o mês cotado a R$ 5,172 na venda. Assim como para a maior parte dos ativos, agosto foi negativo para a moeda americana, que somou perdas de 0,73% frente ao real no período, após disparar 4,76% no mês anterior.

A volatilidade dominou o mercado de câmbio no mês de agosto. Dois fatores foram determinantes deste comportamento: o risco institucional e o risco fiscal. A intensificação do conflito entre os poderes Executivo e Judiciário, que culminou com o pedido de impeachment do Ministro Alexandre de Moraes pelo Presidente Bolsonaro, gerou forte aumento do risco de rompimento institucional. Ainda que o pedido tenha sido quase que imediatamente recusado pelo Presidente do Senado, o episódio aumentou o receio de uma crise institucional de graves proporções e muita volatilidade.

O risco de que, por ser um ano eleitoral, o governo rompa o teto do gasto em 2022, entrou no radar dos investidores. O sinal amarelo foi aceso com o envio para o Congresso do projeto de um novo programa de transferência de renda, o Auxílio Brasil, sem que seu custo tenha sido definido e pela surpresa quanto ao volume de precatórios a serem pagos em 2022.  Em conjunto, estes dois projetos inviabilizariam o cumprimento do teto do gasto. O cenário se deteriorou ainda mais quando o governo enviou ao Congresso uma PEC propondo o parcelamento do pagamento dos precatórios, o que abalou a credibilidade da dívida pública. O real se desvalorizou fortemente. A desvalorização somente foi revertida quando a equipe econômica e o Presidente da Câmara dos Deputados afiançaram que o teto será respeitado a qualquer custo. Sobrou a volatilidade.

4° Fundos Imobiliários (-2,63%)

Os fundos imobiliários têm sido duramente impactados pelo movimento de aumento de juros e o aumento do risco fiscal, fazendo com que o Ifix encerrasse o mês em queda de 2,63.

Com a inflação ainda em níveis altos, apresentando elevação de 9,30% em 12 meses a discussão sobre aumento dos juros segue acelerada. Nossa expectativa é de que haja mais um aumento de 1% na próxima reunião do Copom e que a Selic finalize o ano em 8%, o que ainda deve impactar os fundos imobiliários. Por consequência, investidores que antes investiam em FIIs passam a vender seus ativos para a comprar de investimentos em renda fixa, que voltam a ter rentabilidade atrativa e menores riscos.

5° Ibovespa (-2,83%)

No fundo do poço, temos novamente o IBOV, em último lugar do ranking pela segunda vez consecutiva e o pior entre os ativos de renda variável aqui citados.

O Ibovespa apresentou queda de -2,84% no mês de agosto. O principal índice do mercado de ações brasileiro foi impactado pela China, que vem passando por um momento de maior tensão com a desaceleração de crescimento, problemas no mercado de crédito e aperto regulatório, que influenciaram ações chinesas e commodities metálicas. Outro grande fator que contribuiu para que o mercado local se descorrelacionasse do resto do mundo, ocorreu por questões políticas, fiscais e hidrológicas, levando a um aumento na percepção de risco, que, por sua vez, trouxe impactos no custo de capital das empresas.

Vale (VALE3), B3 (B3SA3), Magalu (MGLU3), CSN (CSNA3) e Bradesco (BBDC4) foram as principais contribuições negativas no mês. Vale e CSN impactadas pela queda das commodities, B3 com o aumento da Selic e maior aversão ao risco Brasil, que impacta futuros IPOs e a chegada de novos investidores e Bradesco com grandes bancos sendo influenciados pela saída de fluxo de capital estrangeiro. Em termos setoriais, small caps, varejistas e construção civil foram os de pior desempenho, influenciados pelas fortes movimentações no mercado de juros no Brasil, que trouxe impacto tanto para a parte curta da curva, quando a parte longa.

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