Filipe Villegas

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Publicado em 31 de Março às 22:08:15

Carteira Recomendada de BDRs e ETFs – Abril de 2026

Acompanhe o conteúdo e veja os melhores BDRs e ETFs para investir em abril de 2026.

O cenário internacional em março foi inteiramente reconfigurado pelo conflito militar entre Estados Unidos e Irã, que provocou o maior choque no fluxo global de petróleo da história e expôs fragilidades em rotas críticas de abastecimento energético, com destaque para o Estreito de Ormuz. O petróleo se consolidou como o principal canal de transmissão para inflação, juros e crescimento, assumindo correlação elevada com praticamente todas as classes de ativos e deteriorando a eficácia dos instrumentos tradicionais de diversificação. Nos Estados Unidos, o S&P 500 registrou queda relevante, a maior desde 2022 para um mês de março, enquanto o Nasdaq sofreu pressão ainda mais intensa, refletindo a continuidade da rotação de capital que já vinha penalizando o setor de tecnologia e software desde o início do ano. Na renda fixa americana, os yields dos Treasuries oscilaram entre pressões inflacionárias de curto prazo e temores recessivos, em um ambiente de dispersão sem precedentes entre os membros do Fed quanto à trajetória de juros.

A entrada dos Houthis no conflito ampliou o risco sistêmico ao criar um segundo ponto de vulnerabilidade no Mar Vermelho, enquanto rumores sobre a possível retirada do Irã do Tratado de Não Proliferação Nuclear elevaram o risco geopolítico para além da esfera energética. No mercado de crédito privado americano, sinais de estresse se intensificaram, com spreads de grau de investimento atingindo os maiores níveis desde meados de 2025 e fundos de private credit enfrentando resgates e marcações negativas. Em criptoativos, o Bitcoin apresentou recuperação modesta no mês após meses consecutivos de queda acentuada, enquanto o ouro, após atingir máximas históricas no início do ano, sofreu correção expressiva em meio a uma rodada de desalavancagem generalizada da indústria de fundos. Para abril, o mercado operará em cenário binário: um acordo diplomático poderia reverter a pressão sobre o petróleo e catapultar uma recuperação ampla dos ativos de risco; a persistência ou escalada do conflito, por sua vez, consolidaria um ambiente estagflacionário de difícil navegação.

Desempenho

Cenário Macro

O conflito no Oriente Médio dominou inteiramente a agenda internacional de março. Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados no final de fevereiro, escalaram ao longo do mês com destruição de capacidade militar iraniana e ataques a infraestrutura estratégica, incluindo instalações ligadas ao programa nuclear. O Irã respondeu com ofensivas a alvos sensíveis em Israel, teste de mísseis de longo alcance e manutenção das restrições ao Estreito de Ormuz, por onde transita parcela substancial do petróleo mundial. A entrada dos Houthis no conflito, com ataques no Mar Vermelho, criou um segundo corredor de risco e reduziu drasticamente as alternativas logísticas para o transporte de energia. As sinalizações de Trump oscilaram entre ultimatos militares e disposição para encerrar o conflito, gerando movimentos intradiários extremos nos mercados, com reversões entre as maiores da história recente.

A economia americana apresentou sinais de desaceleração gradual mas consistente. Os PMIs de março confirmaram perda de dinamismo no setor de serviços, enquanto a manufatura se manteve em território modestamente expansionista. A confiança do consumidor foi pressionada pela alta nos preços de energia, com a gasolina superando patamares não vistos desde 2022. Na reunião do Fed, o comitê manteve os juros inalterados em meio a uma dispersão inédita de opiniões entre seus membros, com projeções variando entre altas adicionais e cortes de até cinco movimentos. Jerome Powell reconheceu que a inflação permanece acima da meta há cinco anos e sinalizou que o banco central não combateria um choque de oferta com aperto monetário adicional, postura que o mercado interpretou como espaço para eventual afrouxamento caso o crescimento se deteriore de forma mais acentuada. Analistas de mercado revisaram as projeções de crescimento americano para abaixo do potencial e elevaram a probabilidade de recessão em doze meses, embora este não seja o cenário base.

Na China, os PMIs oficiais de março mostraram recuperação, com o índice industrial retornando a território expansionista, sugerindo retomada marginal da atividade após o Ano Novo Chinês. A perspectiva de encerramento de quatro décimos de meses de deflação no índice de preços ao produtor chinês, puxada pelos preços de energia, sinaliza reversão de um vetor deflacionário que vinha beneficiando a cadeia global de custos. Na Europa, tensões comerciais com os Estados Unidos persistiram, enquanto a presidente do BCE sinalizou que o contexto difere de 2022 e que a região pode não necessitar de aperto monetário adicional. O ambiente global migrou de um regime de eficiência e abundância para o que analistas de mercado descrevem como um regime de escassez física, no qual ativos reais, acesso a recursos naturais e resiliência operacional passam a ser os principais vetores de alocação, em detrimento de modelos de negócio intensivos em capital intelectual e vulneráveis à disrupção tecnológica.

ESTRATÉGIA: como estamos nos posicionando

O posicionamento em ativos internacionais via BDRs chegou a março orientado pela tese do HALO Trade, o movimento de rotação global que favorece empresas intensivas em capital e com barreiras reais de entrada em detrimento de modelos de negócio vulneráveis à disrupção por inteligência artificial. O mês intensificou essa dinâmica: o setor de software nos Estados Unidos permaneceu sob pressão com posicionamento vendido em níveis recordes, enquanto a correção do S&P 500 levou a uma compressão de múltiplos consistente com episódios de desaceleração sem recessão. A carteira de BDRs incorporou ao longo do período a migração para setores mais resilientes, reduzindo a alocação em tecnologia pura e reforçando exposição a empresas com menor endividamento e resultados mais previsíveis, incluindo infraestrutura de data centers e semicondutores estratégicos.

O dado mais relevante para o posicionamento prospectivo é que, apesar do ruído geopolítico, o crescimento de lucros corporativos nos Estados Unidos segue acima da tendência de dez anos, o que diferencia o momento atual de ciclos anteriores de correção. Analistas de mercado avaliam que a compressão de múltiplos já é consistente com cenários de desaceleração moderada, e que a assimetria favorece posições construtivas caso o conflito encontre resolução diplomática. No entanto, a sensibilidade do mercado à taxa do Treasury de dez anos permanece elevada, o que pode limitar a expansão de múltiplos mesmo em cenário de alívio. A alocação em ações americanas segue mais conservadora, com foco em empresas geradoras de caixa e menor dependência de crescimento de múltiplos, enquanto a exposição a mineradoras de ouro e prata foi ampliada como posição de proteção e diversificação.

Na renda fixa, a estratégia mantém o maior peso em títulos pós-fixados, que seguem se beneficiando do patamar ainda elevado da Selic. O primeiro corte de juros confirmou que o ciclo de afrouxamento está em curso, mas a remoção do forward guidance pelo Banco Central e a pressão inflacionária do petróleo sugerem uma trajetória mais gradual do que o mercado precificava no início do ano. Os títulos prefixados de dois anos, que chegaram a ser negociados em patamares atrativos durante os picos de estresse, oferecem assimetria interessante para quem acredita que o Banco Central terá espaço para reduzir juros nos próximos anos, conforme avaliação de Roberto Motta no programa Especial Copom da Genial Investimentos. Os títulos indexados à inflação de prazo mais longo mantêm os juros reais em patamar historicamente elevado e podem representar oportunidade de alocação gradual, especialmente se o cenário de convergência inflacionária se confirmar ao longo do semestre, embora o choque do petróleo adicione incerteza à trajetória.

Em criptoativos, o Bitcoin apresentou recuperação modesta em março após meses de correção acentuada, beneficiado pontualmente pelos rumores de cessar-fogo que aliviaram o ambiente de risco. A alocação em altcoins foi reduzida diante da ausência de catalisadores regulatórios, enquanto a posição em Bitcoin foi ampliada como instrumento mais defensivo dentro da classe. O ambiente permanece desafiador para ativos digitais, com a dinâmica de juros elevados e incerteza regulatória limitando o apetite por ativos de maior volatilidade. A estabilização do dólar e eventual acomodação dos yields podem oferecer suporte no médio prazo, mas a recuperação sustentada dependerá de catalisadores próprios que ainda não se materializaram. O portfólio segue com postura cautelosa e alocação concentrada no segmento de maior liquidez e menor risco relativo dentro do universo de criptoativos.

Carteira BDR 5+

A carteira BDR 5+ apresentou uma baixa de -6,83% no mês de março. No mesmo período, o Índice de BDRs (BDRX) obteve um desempenho negativo de -3,67%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade baixa de -3,26% contra uma baixa de -11,34%, no mesmo período, do Índice de BDRs (BDRx). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Intel (ITLC34) e Taiwan Semiconductor (TSMC34). Com Inclusão das ações da Exxon Mobil (EXXO34) e Johnson & Johnson (JNJB34).

A Carteira BDR 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas BDRs de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolhas.

Carteira ETF MACRO

Para o mês de abril de 2026, seguindo a estratégia da Carteira ETF, recomendamos compra de GICP11 (Genial Debêntures DI), DTCR39 (Data Center Digital Infrastructure), DIVO11 (It Now Dividendos), CMDB11 (Brasil Commodities) e GOLD11 (Ouro), com alocação de 20% para cada ativo. A carteira ETF Macro apresentou uma queda de 4,21% no mês demarço. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,16%.

A Carteira ETF MACRO tem por objetivo superar o desempenho do Ibovespa no longo prazo. Mensalmente, recomendaremos até 5 ETFs, todos com o mesmo peso na carteira. Essa estratégia permite ao investidor se expor em diversos ativos globais, permitindo uma diversificação geográfica em dólar.

Carteira RF+

A carteira RF+ apresentou uma alta de 0,70% no mês de março. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,16%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 3,04% contra uma alta de 3,36%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de março, não houve alteração da carteira, apenas dos pesos dos ativos.

A Carteira RF+ tem por objetivo superar a performance do CDI no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ETFs de Renda Fixa atrelados ao mercado brasileiro fazem parte do universo de escolhas. A carteira é elaborada com apoio e orientação do Estrategista Macro Roberto Motta.

Carteira CriptoFIX

A carteira CriptoFIX apresentou uma alta de 1,97% no mês de março. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,16%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -3,28% contra uma alta de 3,36%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de março, foi retirado a ETF Nasdaq Crypto Index (HASH11) e feita a inclusão da ETF, Bitcoin (BITH11).

A Carteira CriptoFIX tem por objetivo superar o desempenho do CDI no longo prazo. Nossa estratégia busca a geração de valor através de uma alocação diversificada entre ETFs de Renda Fixa e ETFs ligados a criptoativos. A depender do cenário macro econômico poderemos ter exposição maior ou menor dentro dessas duas classes.

Carteira Cripto++

A carteira Cripto++ apresentou uma baixa de -0,95% no mês de março. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,16%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -20,82% contra uma alta de 3,36%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de março, não houve alteração da carteira, apenas dos pesos dos ativos.

A Carteira Cripto+ tem por objetivo superar o desempenho do CDI no longo prazo. Nossa estratégia busca a geração de valor através de uma alocação em ETFs ligados a criptoativos. A carteira também tem por objetivo apresentar uma oportunidade de alocação dolarizada.

Exchange Traded Fund (ETF), é um fundo negociado em Bolsa representa uma comunhão de recursos destinados à aplicação em uma carteira de ações que busca retornos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, de um índice de referência. (Fonte: B3)

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