Publicado em 01 de Maio às 01:00:00
Acompanhe o conteúdo e veja os melhores BDRs e ETFs para investir em abril de 2026.
No exterior, abril foi marcado pela resiliência impressionante dos mercados americanos diante de um pano de fundo geopolítico hostil. O S&P 500 acumulou em meados do mês uma das mais fortes recuperações em uma janela de dez pregões desde a pandemia, retornando para níveis próximos das máximas históricas, em movimento comparado a episódios de inflexão como os observados após a crise financeira global e após o choque sanitário de 2020. Três vetores explicam essa força. O primeiro é técnico: o posicionamento dos investidores havia recuado para níveis defensivos extremos antes da virada, com gestores elevando caixa e desalavancando relevantemente. O segundo é fundamental: a temporada de resultados do primeiro trimestre iniciou de forma sólida, com lucros agregados acima das expectativas e taxa elevada de surpresas positivas. O terceiro é narrativo: o tema de inteligência artificial voltou a liderar, com aceleração relevante de investimentos pelos grandes provedores de infraestrutura e recuperação técnica concentrada nas gigantes do setor, cujo prêmio de valuation havia atingido o menor nível em uma década.
A contraparte foi a divergência institucional crescente nos bancos centrais. O Federal Reserve manteve a taxa de juros pela terceira reunião consecutiva, mas o comunicado trouxe tom mais duro, com três dissidências contra qualquer viés de afrouxamento, configuração raramente vista que recoloca em xeque a expectativa de cortes ainda em 2026. Jerome Powell, em sua última coletiva como presidente do colegiado, anunciou que permanecerá no board após o fim de seu mandato como medida explícita de proteção à independência institucional. O Banco Central da Inglaterra também segurou a taxa, com viés cauteloso, e o Banco Central Europeu adiou a discussão de aperto adicional. Para maio, o quadro internacional combina elementos contraditórios: petróleo persistentemente alto pressionando o passthrough inflacionário, lucros corporativos sustentando os múltiplos das bolsas em níveis historicamente esticados, e um Fed cuja barra para cortes se tornou substancialmente mais alta. A expectativa de que a inflação de energia se prove transitória continua sendo a hipótese central, mas o caminho para confirmá-la deixou de ser linear.
O conflito no Oriente Médio continuou sendo o vetor dominante do cenário externo, mas o mês trouxe uma evolução narrativa importante. O choque energético deixou de ser tratado como pontual no discurso para se mostrar persistente nos preços. Após o cessar-fogo da segunda semana ter sustentado uma janela de descompressão, com o Brent recuando para o patamar de noventa dólares por barril e os ativos de risco recuperando integralmente as perdas acumuladas desde o início da escalada, a deterioração da última semana levou o petróleo a tocar máximas desde o início da guerra na Ucrânia, com fluxos pelo Estreito de Ormuz drasticamente reduzidos, ataques a embarcações no entorno e ameaças explícitas de bloqueio naval. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, anunciada na reta final do mês, adicionou uma camada de risco estrutural ao funcionamento do cartel, sinalizando enfraquecimento da capacidade de coordenação da oferta exatamente quando ela seria mais necessária para conter os preços.
Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre validou a tese de resiliência corporativa. Os lucros vieram em média acima das expectativas, em uma das melhores taxas de surpresa positiva dos últimos anos, com setores como tecnologia e energia liderando as revisões positivas. A amplitude do rali, contudo, foi baixa, com poucos setores e empresas concentrando o desempenho, característica que torna a continuidade do movimento dependente da ampliação da base de revisões nos próximos trimestres. Os investimentos em inteligência artificial dos grandes provedores de infraestrutura aceleraram, reforçando o suporte estrutural aos lucros. Na contramão, o mês trouxe o primeiro sinal relevante de questionamento sobre a velocidade de monetização do tema. A frustração das metas de crescimento de uma das principais empresas do ecossistema reabriu o debate sobre o descompasso entre o ritmo de capital empregado e a captura efetiva de valor, elevando o escrutínio sobre disciplina de custos e retorno sobre investimento. A tese estrutural permanece intacta, mas o mercado tende a se tornar mais exigente quanto ao prazo de retorno nos próximos trimestres.
No campo da política monetária, o Federal Reserve manteve as taxas pela terceira reunião consecutiva, mas com sinalização visivelmente mais cautelosa. A última coletiva de Jerome Powell como presidente trouxe duas mensagens relevantes: o anúncio de que ele permanecerá no board após o fim de seu mandato, justificado explicitamente como medida de proteção à independência da instituição, e o registro de três dissidências contra qualquer viés de afrouxamento, configuração raramente vista que reposiciona altas e quedas como cenários igualmente prováveis. As declarações do indicado para a próxima presidência, Kevin Warsh, reabriram o debate sobre quais métricas melhor capturam a inflação subjacente, com indicação de que a comunicação futura pode migrar para indicadores que se aproximam mais da meta. Na Europa, o Banco Central Europeu adiou a discussão de aperto adicional, e o Banco da Inglaterra reduziu o número de altas precificadas para o restante do ano. Na China, o PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente, mas com dinâmica desequilibrada entre indústria e exportações resilientes de um lado e consumo interno e setor imobiliário ainda fracos de outro. Para maio, o calendário traz a temporada de resultados em sua fase mais densa, dados de inflação americana que serão decisivos para validar ou contestar a tese de transitoriedade do choque, e qualquer evolução geopolítica no entorno do Estreito de Ormuz capaz de desbloquear ou aprofundar o ciclo de pressão sobre os preços de energia.
A carteira chegou a abril com viés claro contra tecnologia pura e a favor de infraestrutura intensiva em capital, em linha com a leitura do regime de rotação global que dominou o primeiro trimestre. O posicionamento privilegiava infraestrutura de data centers, semicondutores estratégicos, exposição a mineradoras de ouro e prata como proteção, e exposição reduzida a software puro, segmento que vinha registrando posicionamento vendido em níveis historicamente extremos. A leitura era a de que o mercado havia entrado em um regime estrutural em que empresas com ativos tangíveis e barreiras reais de entrada deveriam capturar parcela maior do fluxo, em detrimento de modelos de negócio mais expostos à disrupção pela inteligência artificial.
O que abril revelou foi uma rotação inversa relevante. Após meses de underperformance, as gigantes de tecnologia americanas voltaram a liderar a recuperação, com o prêmio de valuation do segmento atingindo o menor nível em uma década antes de iniciar um movimento de fechamento parcial. A combinação de posicionamento defensivo extremo no início do mês, valuations descontados e uma temporada de resultados que confirmou aceleração relevante de investimentos em inteligência artificial pelos grandes provedores de infraestrutura reabriu o ciclo de demanda por crescimento. A liderança das gigantes tornou-se especialmente visível na fase de short squeeze que sucedeu o cessar-fogo, com fluxo concentrado em tecnologia e energia. O mês trouxe também o primeiro sinal de que a tese de inteligência artificial pode entrar em fase mais exigente: a frustração de metas de crescimento de uma das principais empresas do ecossistema reabriu o debate sobre monetização de curto prazo e disciplina de capital, levando a uma compressão tática de múltiplos das companhias mais expostas, sem comprometer a robustez estrutural do tema.
Para maio, o posicionamento internacional via BDRs é recalibrado em direção a uma exposição mais equilibrada. A retomada de exposição seletiva a temas estruturais de inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura de data centers reflete a leitura de que a janela de underperformance do segmento se encerrou, ao mesmo tempo em que se mantém a preferência por empresas com geração de fluxo de caixa robusta e disciplina de capital comprovada, em detrimento de nomes mais expostos à pressão sobre margens decorrente do ciclo intenso de investimentos. A exposição a mineradoras de ouro e prata é preservada como hedge geopolítico, dada a persistência do prêmio de risco no entorno do Estreito de Ormuz e a fragmentação institucional adicional decorrente da saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, fatores que reforçam o papel estrutural dos metais preciosos em portfólios diversificados.
Na renda fixa, a estratégia mantém maior peso em títulos pós-fixados, ainda atrativos pelo patamar elevado da Selic e pela sinalização do Banco Central de que o ritmo dos próximos passos será gradual e dependente de dados. A exposição a títulos prefixados de prazo curto é mantida em peso secundário, condicionada à avaliação de que o cenário global pode oferecer espaço para continuidade do ciclo de cortes ao longo do segundo semestre. Os títulos indexados à inflação de prazo mais longo seguem com juros reais em patamar historicamente elevado, configurando oportunidade de alocação gradual para investidores com horizonte de longo prazo, especialmente em janelas de abertura de spreads em papéis incentivados como a observada na reta final do mês. Em criptoativos, o portfólio mantém postura cautelosa com foco em ativos de maior liquidez. O Bitcoin segue como instrumento mais defensivo dentro da classe, beneficiado pontualmente pela melhora de momentum dos ativos de risco no agregado, enquanto a exposição a altcoins permanece reduzida diante da ausência de catalisadores regulatórios relevantes e da persistência de um ambiente macro que limita o apetite por volatilidade adicional dentro da classe.
Os principais catalisadores a monitorar nas próximas semanas combinam eventos datados e vetores estruturais. No calendário, destacam-se a divulgação do IPCA cheio de abril nas primeiras semanas do mês e do IPCA-15 de maio na reta final, ambos decisivos para validar a leitura do Banco Central sobre o passthrough do choque energético; a continuidade da temporada de resultados do primeiro trimestre nos Estados Unidos e no Brasil, com atenção particular às empresas com potencial de antecipar resultados consistentes em meio à desaceleração da atividade; e a próxima reunião do Comitê de Política Monetária em junho, cuja comunicação tende a esclarecer o ritmo e a extensão do ciclo de cortes. No campo estrutural, três vetores definirão o tom do mês: a evolução do conflito no Oriente Médio e seu impacto sobre o preço do petróleo, a sustentação ou reversão do fluxo estrangeiro à bolsa brasileira após a saída observada nas últimas semanas, e os desdobramentos da crise institucional aberta entre Executivo e Legislativo, com potencial de afetar a tramitação da agenda fiscal e o desenho das políticas eleitorais até o segundo semestre.
A carteira BDR 5+ apresentou uma alta de 9,17% no mês de abril. No mesmo período, o Índice de BDRs (BDRX) obteve um desempenho positivo de 7,77%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade baixa de 5,62% contra uma baixa de -4,45%, no mesmo período, do Índice de BDRs (BDRx). Em relação ao mês de abril, saíram as ações da Aura 360 (AURA33), Exxon Mobil (EXXO34) e Johnson & Johnson (JNJB34). Com Inclusão das ações da Advanced Micro Devices (A1MD34), Intel (ITLC34) e Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC34).
A Carteira BDR 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas BDRs de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolhas.
Para o mês de maio de 2026, seguindo a estratégia da Carteira ETF, recomendamos compra de GICP11 (Genial Debêntures DI), CHIP11 (Semicondutores USA), DIVO11 (It Now Dividendos), CMDB11 (Brasil Commodities) e HASH11 (Nasdaq Crypto Index), com alocação de 20% para cada ativo. A carteira ETF Macro apresentou uma queda de 1,32% no mês de abril. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,04%.
A Carteira ETF MACRO tem por objetivo superar o desempenho do Ibovespa no longo prazo. Mensalmente, recomendaremos até 5 ETFs, todos com o mesmo peso na carteira. Essa estratégia permite ao investidor se expor em diversos ativos globais, permitindo uma diversificação geográfica em dólar.
A carteira RF+ apresentou uma alta de 0,88% no mês de abril. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,04%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 3,94% contra uma alta de 4,48%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de abril, não houve alteração da carteira.
A Carteira RF+ tem por objetivo superar a performance do CDI no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ETFs de Renda Fixa atrelados ao mercado brasileiro fazem parte do universo de escolhas. A carteira é elaborada com apoio e orientação do Estrategista Macro Roberto Motta.
A carteira CriptoFIX apresentou uma alta de 2,25% no mês de abril. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,04%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -1,11% contra uma alta de 4,48%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de abril, não houve alteração da carteira, apenas dos pesos dos ativos.
A Carteira CriptoFIX tem por objetivo superar o desempenho do CDI no longo prazo. Nossa estratégia busca a geração de valor através de uma alocação diversificada entre ETFs de Renda Fixa e ETFs ligados a criptoativos. A depender do cenário macro econômico poderemos ter exposição maior ou menor dentro dessas duas classes.
A carteira Cripto++ apresentou uma alta de 1,52% no mês de abril. No mesmo período, o CDI obteve um desempenho positivo de 1,04%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -19,61% contra uma alta de 4,48%, no mesmo período, do CDI. Em relação ao mês de abril, não houve alteração da carteira, apenas dos pesos dos ativos.
A Carteira Cripto+ tem por objetivo superar o desempenho do CDI no longo prazo. Nossa estratégia busca a geração de valor através de uma alocação em ETFs ligados a criptoativos. A carteira também tem por objetivo apresentar uma oportunidade de alocação dolarizada.
Exchange Traded Fund (ETF), é um fundo negociado em Bolsa representa uma comunhão de recursos destinados à aplicação em uma carteira de ações que busca retornos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, de um índice de referência. (Fonte: B3)