João Caldas

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Publicado em 31 de Março às 23:41:47

Carteira Recomendada de FIIs – Abril 2026

O ano de 2026 tem sido marcado por uma elevada volatilidade internacional, com reflexos mistos sobre o IFIX. Inicialmente, o otimismo com a expectativa de cortes de juros posicionou os FIIs como a principal tese de investimento; contudo, esse movimento foi interrompido pela escalada das tensões no Irã e o consequente choque nos preços do petróleo, que deterioraram as perspectivas macroeconômicas.

Embora nossas carteiras mantenham retornos superiores ao IFIX no acumulado do ano, o mês de março apresentou desafios que comprimiram os resultados. Reiteramos nossa confiança na qualidade dos ativos selecionados e acreditamos que a manutenção do atual mix entre papel e tijolo é a estratégia ideal para navegar o cenário de incerteza.

Para quem busca replicar essa dinâmica de forma simples, também disponibilizamos uma carteira automatizada, que segue a mesma lógica de alocação e permite acompanhar o mercado de maneira prática. A contratação pode ser feita diretamente pelo app da Genial Investimentos.


Acima de US$ 105 e em rota para significativo aumento mensal, o petróleo Brent se tornou o epicentro da nova onda de aversão a risco global, com uma valorização de aproximadamente 44% ao longo do mês. O gatilho para essa disparada foi o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz, por onde escoam cerca de 20% do petróleo e do GNL consumidos mundialmente, após a escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. A crise ganhou contornos ainda mais graves com a entrada dos rebeldes Houthis no conflito, que passaram a atacar rotas no Mar Vermelho (Bab el-Mandeb), criando um cenário de “duplo gargalo” que está forçando navios a contornar a África e elevando custos logísticos em toda a cadeia de suprimentos.

Os efeitos desse choque se espalharam pela economia global e reconfiguram as expectativas para os bancos centrais. Diferentemente do que se viu em 2022, a resposta das autoridades monetárias tende a ser divergente: enquanto o Federal Reserve sinaliza cautela diante do risco de estagflação, com a possibilidade de cortes de juros sendo retirada da mesa, o Banco Central Europeu enfrenta pressão ainda maior, uma vez que a zona do euro é mais dependente de energia importada e pode ver a inflação subir até o dobro em comparação aos Estados Unidos. Há ainda receios de que a economia global pode ser empurrada para uma recessão ainda em 2026, com impactos particularmente severos sobre países emergentes importadores de energia e com fragilidades fiscais. Para o Brasil e outros mercados sensíveis ao preço de commodities, o ambiente se deteriora rapidamente: o dólar mais forte, a inflação importada e o aperto nas condições financeiras globais reduzem o espaço para política monetária expansionista e aumentam a pressão sobre ativos domésticos.

(ii) Mercado doméstico

O cenário macroeconômico brasileiro em março de 2026 foi dominado pelo choque geopolítico no Oriente Médio, que reconfigurou as expectativas para a política monetária. Em meio à escalada do conflito no Estreito de Hormuz e à disparada do petróleo Brent para níveis acima de US$ 100 por barril, o Copom realizou em 18 de março o primeiro corte da Selic desde o início do ciclo de aperto, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual para 14,75%. O movimento, porém, foi interpretado como cauteloso, pois veio aquém da expectativa inicial do mercado de uma redução de 0,50 ponto percentual, refletindo a avaliação do Banco Central de que os riscos de inflação se elevaram significativamente devido à persistência das pressões externas e ao mercado de trabalho ainda aquecido.

Os efeitos da tensão no Estreito de Hormuz já aparecem nos indicadores de expectativas e na composição da inflação. O Boletim Focus divulgado em 30 de março registrou a segunda semana consecutiva de alta nas projeções para o IPCA de 2026, que subiu de 4,17% para 4,31%, em um contexto onde a meta de inflação é de 3,00%. A percepção do mercado é que o conflito impacta a inflação por dois canais principais: o reajuste de combustíveis, essenciais para o transporte e logística, e a reprecificação de commodities energéticas, que já mostrou reflexos no índice de commodities do Banco Central . Do lado da atividade, os dados mais recentes indicam uma economia crescendo menos que esperado, com o IBC-Br (prévia do PIB) tendo encerrado 2025 com alta de 0,80% em dezembro, enquanto as projeções do Focus para o crescimento do PIB em 2026 foram marginalmente ajustadas para 1,85%, sugerindo que o aperto monetário prolongado começa a frear a demanda, mas não o suficiente para anular os riscos inflacionários vindos de fora.

Em março, o desempenho da carteira ficou abaixo do IFIX, reflexo de um cenário marcado pela revisão das expectativas de cortes de juros. Contudo, reiteramos nossa confiança na qualidade dos ativos e optamos por manter a tese central do portfólio, realizando apenas ajustes pontuais no rebalanceamento das exposições.

No que tange à composição, incluímos o MANA11, hedge fund da Manatí Capital. A consistência na execução das estratégias e a versatilidade do fundo em transitar por diferentes classes de Real Estate foram fatores decisivos. Além disso, enxergamos um forte alinhamento com os cotistas por meio da estruturação e originação própria de CRIs.

Alterações

  • Introdução do MANA11 com o peso de 12,5% na carteira.

Recomendação Carteira Renda – Abril/2026

Performance

No mês de março a Carteira Renda teve performance de -0,95%, em comparação a -0,91% do IFIX.

Desempenho Carteira Renda – Março/2025

Alterações

  • Sem alterações

Recomendação Carteira Valor – Abril/2026

Performance

Já a carteira valor teve performance de -1,12%, em comparação a –0,91% do IFIX.

Desempenho Carteira Valor – Março/2025

A carteira recomendada tem como objetivo obter desempenho superior ao IFIX, mas com menos volatilidade. Segue abaixo o desempenho das duas modalidades comparadas ao índice.

-Fundo de Multiestratégia.

O BTG Pactual Real Estate Hedge Fund é um FII com o objetivo de alocar recursos em uma ampla gama de ativos do setor imobiliário. Seu portfólio inclui CRIs, FIIs e ativos reais, visando capturar oportunidades de valorização independentemente das condições macroeconômicas e proporcionar crescimento contínuo no valor das cotas ao longo do tempo.

Anteriormente negociado no ambiente Cetip, o BTHF realizou uma fusão com o BCFF no final do ano de 2024, sendo então listado na B3 e tendo os ativos do antigo FoF do BTG incorporados. De maneira geral, gostamos da carteira do fundo, tanto no que tange aos CRIs, aos FIIs e ativos reais. Entendemos que ele possui diversificação suficiente para dispersar riscos de inadimplência e concentração satisfatória para possibilidade de geração de alpha.

Com o processo de fusão, o fundo permaneceu cerca de 2 meses com suas negociações suspensas – justamente o período marcado por intensa queda do IFIX (-8,61%). Com isso, após a retomada das negociações, boa parte dos cotistas acabaram por realizar suas vendas de maneira “atrasada” com relação ao movimento visto no índice. Esse movimento, em nossa percepção, acabou gerando uma reação de venda em cadeia, que fez com que as cotas do fundo despencassem 22,4% em pouco mais de 1 mês após o início das negociações.

Apesar da recuperação do fundo, ainda acre observar essa queda, vemos o fundo em patamares ainda descontados, e acreditamos que essa é uma ótima oportunidade de manter uma alocação estratégica, visando não só um yield elevado de aproximadamente 12,31%. Além diso ainda vemos a cota relativamente descontada atualmente de 0,91x.

Manatí Capital – MANA11

-Fundo de Multiestratégia.

Real Estate Hedge Fund de mandato flexível. Embora mantenha maior concentração de sua alocação em CRIs, o fundo explora taticamente oportunidades em incorporação, FIIs e ações do setor imobiliário. Atualmente, a carteira de crédito apresenta taxas robustas de IPCA + 10,1% (49,7% do PL) e CDI + 4,0% (50,3% do PL). Um diferencial relevante na parcela pós-fixada é que 43,5% da parcela do CDI possuem viés prefixado com kicker variável, otimizando o retorno em diferentes cenários de juros.

A tese se baseia na sinergia da originação proprietária, que permite capturar estruturas exclusivas com retornos superiores. Com uma alocação de 78% em CRIs, 18,2% em incorporação, 12,6% em FIIs e 2,8% em ações, o fundo equilibra renda e ganho de capital devido ao seu mandato flexível. Acreditamos que MANA11 está bem posicionada para manter um alinhamento om os investidores que deve permitir o atual yield de maneira consistente nos próximos meses e anos.

O fundo possui uma liquidez média diária de R$ 1,5 milhão e um histórico de dividendos de R$ 0,11/cota, levando a um Dividend Yield de 14,21% nos últimos 12 meses, reforçando a consistência e o valor do ativo.

Clave Índices de Preço – CLIN11

-Fundo de Recebíveis.

Fundo de recebíveis da Clave Alternativos que busca construir uma carteira diversificada de CRIs, majoritariamente em emissões com benchmark em juros reais, destinada para financiar a aquisição de imóveis, adiantar recebíveis imobiliários e conceder crédito corporativo, com maior foco na região Sudeste e nos segmentos residencial, logístico e comercial. Fundo possui CRIs indexados em inflação (97%) e CDI (3%), com spread MTM médio de IPCA+10,29% a.a. e CDI+3,0% a.a.

O fundo possui uma carteira composta por operações que oferecem uma taxa média líquida de IPCA+10,29%. Além disso, a carteira do CLIN11 já “nasce diversificada” em termos de segmento e localização, o que contribui para a mitigação de riscos e a estabilidade dos rendimentos. O fundo conta com devedores de alta qualidade, reduzindo o risco de inadimplência e proporcionando maior segurança. Atualmente, o CLIN11 já integra o IFIX em 0,3%, com uma crescente em sua liquidez diária (R$1 milhão/dia) em pouco mais de 1 ano de existência (início em 31/07/2023), demonstrando maturidade célere e consistência em sua gestão.

Seguimos acreditando que o seu patamar de preço P/VP 0,92 se encontra atrativo dado o seu portfólio e nível de yield atual 13,47%.

BTG Pactual Logística – BTLG11

-Fundo de Logística.

Fundo de logística do BTG Pactual que tem como objetivo obter renda e ganho de capital por meio da exploração de empreendimentos logísticos. O BTLG11 possui 1,4 milhões m² de ABL em 33 imóveis com maior concentração no estado de São Paulo e Minas Gerais.

O fundo segue se mostrando uma das melhores opções de logística na nossa visão. Com um portfólio concentrado em São Paulo, majoritariamente até um raio de 60 km da capital, acreditamos que seguirá em um processo positivo de revisão de contratos (16% ocorrendo em 2025) e não deverá sofrer com eventuais desocupações, já que seus ativos, de alta qualidade, tendem a ser rapidamente realocados.

SPX Syn Multiestratégia – SPXS11

-Fundo de Multiestratégia.

Fundo multiestratégia da SPX SYN Gestão de Recursos que tem objetivo obter rendimentos e/ou ganho de capital por meio de um mandato mais amplo de investimentos, como em CRIs, ações imobiliárias, cotas de FII e ativos reais. O portfólio de ativos contempla 74% em CRIs, 13% em FIIs, 9% em Caixa, e 3% em Ações. A estratégia atualmente está alocada em ativos geração de renda (93%), ganho de capital (4%) e o restante em ativos com perfil renda e ganho de capital (3%). O spread médio da carteira de CRIs representa IPCA+10% e CDI+4,5%.

O fundo ainda apresenta desconto frente a sua cota patrimonial, negociando atualmente a um P/VP de 0,88, além de um dividend yield próximo a 15% . Embora apresente um perfil de risco intermediário, as operações são respaldadas por garantias robustas e taxas competitivas. A flexibilidade de mandato, característica de fundos multiestratégia, permite que o fundo se adapte às variações dos cenários macroeconômicos. Atualmente, o fundo tem 57% de sua carteira de CRIs atrelada ao IPCA e 43% ao CDI, posicionando estrategicamente frente um cenário de incerteza em relação taxa de juros.

Kinea Securities – KNSC11

-Fundo de Recebíveis.

Fundo da Kinea que tem como objetivo investir em CRIs com boa relação de risco retorno indexados tanto à IPCA quanto ao CDI. As duas maiores alocações por setor concentram no setor de escritórios e o residencial.

O fundo segue com suas operações compromissadas, que por sua vez alcançaram cerca de 10% do PL. Ressaltamos que ainda enxergamos esse percentual como sendo algo saudável, dado o spread entre as taxas adquiridas pelo fundo e o custo das operações.

A recomendação para este FII se fundamenta na qualidade dos seus devedores e na diversificação de sua carteira, que está bem indexada tanto ao CDI quanto ao IPCA. Diante de um cenário de altas taxas de juros e inflação persistente, o fundo se mostra particularmente uma ótima opção apresentando uma postura mais defensiva. Atualmente, o fundo negocia com um yield de aproximadamente IPCA+8,97% líquido, o que representa aproximadamente 122 bps da NTN-B de referência.

Itaú Total Return – ITRI11

-Fundo de Multiestratégia.

Fundo multiestratégia da Itaú Asset que tem como objetivo investir em diferentes classes do setor imobiliário. Constituída em março de 2024, a estratégia busca retorno total médio de 16% a.a., líquido de IR, nos três primeiros anos. 80,81% do patrimônio está alocado em FIIs, 9,53% em CRIs e 5,57% em ações do setor, além de participação em fundos de desenvolvimento. As maiores exposições setoriais estão em CRIs residenciais e escritórios, enquanto no portfólio de FIIs destacam-se papéis/CRI, shoppings e logística.

Escolhemos esse fundo por entendermos que ele combina uma carteira sólida de CRIs com uma diversificação relevante em fundos imobiliários. Com a expectativa de início do ciclo de queda da taxa Selic se tornando cada vez mais concreta, acreditamos que a composição atual do portfólio, com nomes de qualidade, tende a gerar resultados positivos no ambiente de cortes de juros.

Adicionalmente, por ter sido constituído no início de 2024, o fundo conseguiu realizar alocações em CRIs com taxas mais elevadas do que muitos de seus pares, estruturados em anos anteriores. Dessa forma, mesmo que o início do ciclo de flexibilização monetária seja adiado ou ocorra em um ritmo mais gradual, o fundo ainda preserva um bom nível de carrego, sustentado pelas condições favoráveis dessas alocações iniciais.

Vectis Juro Real – VCJR11

-Fundo de Recebíveis.

Fundo de recebíveis da Pátria que aplica em CRIs, LCIs, LHs e outros ativos financeiros imobiliários. O VCJR11 paga rendimentos mensais a seus cotistas e busca acompanhar a rentabilidade da NTN-B + 1% a 3% a.a.

O fundo está com 83,8% do seu PL alocado, principalmente em CRI e FII, com 69% das operações com garantias no estado de São Paulo. O fundo mantém 90% do PL indexado a IPCA+10,6% (MTM) com duration de 4,1 anos, e 9% do PL a CDI+5,5% (MTM) com duration de 4,1 anos. As 3 maiores alocações setoriais da carteira se dividem em residencial, varejo e energia. Suas maiores posições são os CRIs Matarazzo e JFL Jardins.

Em nossa visão, o fundo segue negociando com um desconto exagerado a um P/VP de 0,85, o que corresponde a um yield de 14,88%.

Vinci Logística – VILG11

-Fundo de Logística.

Fundo de logística da Vinci com objetivo de gerar renda por meio da aquisição e locação de imóveis prontos ou em construção, assim como ganho de capital obtido pela compra e venda dos imóveis. Atualmente, o fundo possui participação em 1 imóveis, somando 390 mil m² espalhados por 7 estados nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Dentre seus inquilinos estão a Tok&Stok, Ambev e Netshoes, entre outros totalizando mais de 60 locatários.

O VILG11 destaca-se pelo desconto patrimonial atrativo (P/VP de 0,88) e portfólio de alta qualidade com vacância resiliente de apenas 2%. A gestão realiza reciclagem estratégica de capital, com proposta recente para consolidar ativos em Ipojuca e destravar valor ao cotista.

Patria Malls – PMLL11

-Fundo de Shoppings

Antigo fundo de Shopping Center da Genial Gestão, que por sua vez foi adquirido pelo Patria, que tem como objetivo a aquisição de ativos performados, resilientes e com dominância regional. Atualmente seu portfólio é composto por 14 ativos totalizando 139 mil de ABL, distribuídos em 6 estados, com presença majoritária no Sudeste e Nordeste.

O PMLL11 negocia com desconto atrativo (P/VP de 0,88) e portfólio resiliente com 97% de ocupação e vacância de apenas 3%. Com dividend yield de ~9,8% a.a. (R$ 1,00/cota), o fundo oferece renda estável e potencial de valorização via gestão ativa e a consolidação estratégica de ativos da RBR.

Safra Real Estate – JSRE11

-Fundo de Lajes Corporativas.

O Fundo investe em edifícios corporativos de alto padrão nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Possui foco em investimentos em regiões secundárias, como Berrini, Chucri Zaidan e Paulista.

Nossa preferência para o fundo se da devido à qualidade de seus ativos, mas principalmente seu desconto. Atualmente com um yield anualizado de 8,6%, o fundo negocia a um P/VP de 0,65, algo que consideramos excessivamente descontado, ainda mais considerando um portfólio composto por edifícios AA e AAA.

Entendemos que as regiões em que o fundo direciona seus ativos deverá apresentar um aumento no preço do aluguel ao longo dos próximos anos, devido a um movimento de migração de regiões como a Faria Lima, que atualmente possuem preços exorbitantes de aluguel/m².

Mauá Capital High Yield – MCRE11

-Fundo de Multiestratégia.

Fundo multiestratégia da JiveMauá com exposição majoritária à inflação, negocia atualmente a 0,92x P/VP, refletindo um desconto que consideramos excessivo frente à qualidade de seu portfólio. A carteira conta com bons devedores, operações estruturadas e um galpão logístico.

Em termos de retorno, o fundo apresenta carrego de yield de 13,92%, níveis que consideramos elevados. Quando ajustados ao preço de mercado, esses indicadores se tornam ainda mais atrativos devido ao desconto relevante. Atualmente, a alocação do patrimônio líquido é de aproximadamente 44% em CRIs, 16% em imóveis, 27% em operações estruturadas, 7% e o restante em caixa.

CSHG Real Estate FII – HGRE11

-Fundo de Lajes Corporativas.

Fundo do Patria que tem como objetivo a aquisição de ativos corporativos voltados para a renda. O fundo possui 13 ativos espalhados do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul somando 144 mil m² de ABL. Dentre os principais ativos termos de receita para o fundo destacam o Edifício Chucri Zaidan, Martiniano e Centro Empresarial Sêneca, todos localizados em São Paulo/SP.

Apesar da queda acentuada das cotas do fundo nos últimos meses, acreditamos que o fundo se encontra em um patamar de desconto elevado, negociando a 0,83x sua cota patrimonial.

Isso aliado à expectativa de que o fundo consiga relocar os imóveis desocupados, além de seguir com sua estratégia de desinvestimento ainda nos faz acreditar que o fundo segue sendo uma ótima opção nos níveis de preço atuais.

RBR High Grade – RBRR11

-Fundo de Recebíveis.

O RBRR11 é o fundo imobiliário de papéis High Grade da RBR Asset Management. Seu objetivo é investir em papéis com boa qualidade de crédito e boas garantias. Sua carteira de CRIs é composta por 110 ativos: 99% indexado à inflação, com taxa MTM de IPCA+9,2%, apresentando duration médio de 4,1 anos e LTV de 50%. Sua carteira é composta por devedores com boa qualidade de crédito como Brookfield, Rede D’Or e LogCP. Vale destacar que 40% das garantias estão localizadas em regiões prime.

O RBRR11 foca em CRIs High Grade com 99% da carteira atrelada ao IPCA e garantias em regiões prime de São Paulo. Negocia com desconto atrativo (P/VP de 0,92), entregando um yield de ~11,92% a.a. e dividendos resilientes. É uma tese em que encaixamos ideal para proteção contra a inflação e ganho real consistente no longo prazo, alinhado com sua alta diversificação de ativos e high grade.

Riza Arctium – RZAT11

-Fundo de Recebíveis.

Fundo da Riza Asset, tem como objetivo gerar retornos consistentes acima do IPCA+5,0% ao ano, investindo em uma carteira imobiliária diversificada. A estratégia é centrada na aquisição de imóveis de empresas que buscam otimizar sua estrutura de capital por meio da desmobilização de ativos. O portfólio é composto, majoritariamente, por ativos industriais, logísticos e comerciais, com preferência por setores considerados resilientes.

Nossa escolha pelo fundo se fundamenta na combinação entre sua estratégia diferenciada e o nível atrativo de preço. A dinâmica consiste na aquisição de imóveis diretamente de empresas, com forte desconto em relação ao valor de mercado, seguida da locação para a mesma companhia. Além disso, é concedida à empresa uma opção de recompra que se torna inválida em caso de inadimplência.

O principal atrativo dessa estrutura está na assimetria de retorno: caso a empresa se torne inadimplente, o fundo consolida a posse do imóvel e tem a possibilidade de vendê-lo a mercado por um valor significativamente superior ao da compra, gerando ganhos de capital e, consequentemente, potencializando a distribuição de dividendos.

Ainda assim, as operações do fundo possuem taxas consideravelmente atrativas, a uma taxa média de IPCA+10,0%, enquanto o fundo negocia a um P/VP de 0,90x.

Vinci Shopping Centers – VISC11

-Fundo de Shoppings.

Fundo de shopping da Vinci. Atualmente composto por 31 shoppings e com participações em todas as regiões do país, a estratégia do fundo consiste em adquirir shoppings maduros e estrategicamente posicionados, que gerem fluxo consistente de consumidores, estejam localizados em regiões adensadas e permitam flexibilidade na forma de aquisição e administração.

O fundo possui um portfólio sólido e bem distribuído geograficamente, o que reforça sua resiliência e flexibilidade. Ainda que detenha participações não majoritárias em muitos ativos, sua estratégia inclui atuar na reorganização e melhoria operacional dos shoppings, abrindo espaço para vendas parciais a preços superiores ao valor investido e gerando ganhos de capital, sem comprometer o alinhamento estratégico. O bom relacionamento com os administradores também favorece esse processo, permitindo à gestão manter influência sobre os ativos.

Em comparação à média do mercado, o fundo apresenta um histórico positivo, com aquisições realizadas a cap rates elevados e alienações a cap rates comprimidos – prática que demonstra eficiência na alocação de capital e na geração de valor via reciclagem de portfólio. Adicionalmente, o segmento de shoppings vem demonstrando resiliência, com crescimento real tanto nas vendas quanto nos aluguéis nos últimos 12 meses. O fundo Negocia com P/VP de 0,94, oferecendo um Dividend Yield de 8,83% a.a. (R$ 0,50 – 0,84/cota).

RBR Plus Multiestratégia – RBRX11

-Fundo de Multiestratégia.

Fundo multiestratégia da RBR Asset que tem como objetivo investir de forma diversificada em crédito, desenvolvimento imobiliário, tijolo e ações. O portfolio tem 58,8% em FIIs, 38,8% em CRIs, e o restante distribuidos em SPE, imóveis e caixa.

O fundo negocia com desconto relevante (P/VP de 0,88) e entrega um Dividend Yield de ~12,4% a.a., mantendo R$ 0,09/cota de forma recorrente. A tese foca em capturar ganhos de capital em ativos subavaliados e gerar renda via ativos de crédito de alta qualidade.

Rio Bravo Renda Corporativa – RCRB11

-Fundo de Lajes Corporativas

O RCRB11 é um fundo imobiliário de lajes corporativas gerido pela Rio Bravo Investimentos. O portfólio é composto por nove edifícios comerciais, distribuídos entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com vacância física recentemente zerada. O fundo adota uma gestão ativa, focada em preservar a qualidade dos contratos e buscar valorização patrimonial por meio de revisões locatícias e movimentações pontuais do portfólio.

O fundo segue sendo negociado com desconto expressivo, ao redor de 0,71x P/VP, mesmo entregando um dividend yield anualizado próximo de 7,32%. Na nossa visão, esse patamar não reflete o verdadeiro potencial do fundo, que atravessa um momento de consolidação operacional importante após o fechamento da vacância e a recomposição gradual das receitas.

Objetivo

Identificar, através da análise fundamentalista e de múltiplos, fundos imobiliários que apresentam oportunidade de investimento de acordo com os objetivos de cada investidor, além disso sugerimos o peso para cada ativo de forma a equilibrar o risco da carteira.

Glossário

Follow-on: Oferta pública subsequente ao IPO.

FFO (Funds from Operation): Geração de caixa de um fundo imobiliário.

High Grade: Ativos de renda fixa atrelados a devedores com bom risco de crédito, ou seja, de baixo risco.

High Yield: Ativos de renda fixa atrelados a devedores com risco elevado, consequentemente com maior remuneração.

Ifix: Índice dos fundos de investimento imobiliário.

IPO: Oferta pública inicial.

Liquidez: Capacidade e rapidez com que um ativo é convertido em dinheiro.

LTV (Loan-to-Value): Saldo devedor da operação/valor da garantia.

NOI: Lucro operacional líquido.

Pipeline: Conjunto de bens ou ativos que o fundo pretende adquirir

PL: Patrimônio líquido do fundo.

RMG: Renda mínima garantida pelo vendedor do ativo.

Spread: Diferença entre a taxa cobrada de uma operação e a taxa de referência (Ex.: NTN-B), com mesma duration.

Taxa de administração: Remuneração dos administradores.

Taxa de gestão: Remuneração dos gestores.

Ticker: Código de negociação do FII na Bolsa.

TIR: Taxa interna de retorno.

P/VPA: Valor de mercado dividido pelo patrimônio líquido.

WAULT (Weighted Average of Unexpired Lease Term): Média ponderada do prazo dos contratos dos aluguéis pela receita vigente de aluguel próprio.

Acesse o disclaimer.

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