Filipe Villegas

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Publicado em 01 de Abril às 09:00:00

Carteira Recomendada de Ações – Abril 2022

Expectativa versus Realidade

Uma das coisas mais difíceis na hora de investir é quando as possíveis melhores escolhas não convergem com suas expectativas sobre o futuro. O mês de março foi muito bom para o mercado de ações globais, com investidores reagindo à expectativa de encerramento do conflito entre Rússia e Ucrânia e com um maior entendimento sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) sobre o processo de política monetária nos Estados Unidos (EUA). Aqui no Brasil, por mais um mês fomos agraciados com fluxo externo de capitais e a sinalização sobre os próximos passos do nosso Banco Central. O problema, principalmente olhando lá para fora, é que os desafios esperados para 2022 não justificam o nível de preços dos ativos. Aqui, estamos olhando com maior atenção para empresas domésticas e reduzindo ainda mais nossa exposição às exportadoras, em um movimento que começou no mês anterior.

ESTADOS UNIDOS: subir juros e reduzir o balanço

Março nos forneceu pistas importantes sobre os próximos passos do Banco Central norte-americano (Fed) sobre o processo de normalização monetária previsto para este ano. Hoje, já está precificado no mercado que os juros nos EUA estarão em 2,65%; até lá, possivelmente teremos elevações entre 0,25% e 0,50%, em cada uma das próximas reuniões. Além da subida dos juros, é esperado para o próximo encontro do Fed o início da redução do seu balanço, que hoje possui cerca de US$ 9 trilhões em ativos.

Houve uma mudança clara nos pronunciamentos dos Fed Speakers ao preparar o mercado para este processo de retirada de liquidez do sistema financeiro global, mas o que a reação dos preços das ações nos mostrou foi um investidor confiante no desempenho da economia americana neste ano. Isto e o possível fim do conflito entre Rússia e Ucrânia já são fatores suficientes para a retomada do posicionamento em renda variável.

Outro tema que segue repercutindo no mercado e corrobora com nossa tese de que as ações nos EUA e na Europa, hoje, não precificam um cenário desafiador neste ano foram as movimentações observadas nas curvas de juros dos títulos de renda fixa nos EUA e no mundo. Em especial, olhando para as curvas nos EUA, caminhamos para um cenário em que o mercado começa a se preparar para uma recessão nos EUA, com a inversão da curva de juros por lá (vencimentos mais curtos, com taxas maiores do que vencimentos mais longos). Sempre que essa inversão ocorreu, na média após 18 meses, os EUA passaram por uma recessão.

OPINIÃO: seguimos cautelosos com ações americanas e europeias, pois acreditamos que, neste ano, os choques inflacionários e as consequências econômicas, decorrentes da guerra e dos lockdowns na China, sobre os níveis de confiança dos consumidores e empresários devem pressionar os Bancos Centrais globais a agirem de uma maneira mais dura (hawkish) para combater a inflação; ao mesmo tempo,  a economia global pode passar por períodos de instabilidade. Recomendamos posições conservadoras nestes mercados. Ações ligadas a setores mais perenes e de menor volatilidade podem se destacar.

BRASIL: fluxo externo + sinalização do final do ciclo de alta da Selic

Mais um mês de destaque para os ativos locais que,  beneficiados pela continuidade do fluxo externo, favoreceram  a valorização do real frente ao dólar, reduziram as pressões inflacionárias, favoreceram o fechamento da curva de juros, principalmente nos vencimentos mais longos, e,  por fim, beneficiaram as precificações de setores mais ligados à economia doméstica.

Contra o fluxo não existe argumento, e a combinação de alguns fatores beneficiou a valorização da nossa moeda. A parte “negativa” é que, infelizmente, o dinheiro não chegou aqui por confiança na economia brasileira, mas porque investir no Brasil possibilita ganhos de dois dígitos, sem esforço.

De maneira resumida, o fluxo migrou para o Brasil, pois:

(1) Renda fixa deve pagar próximo dos 13% ao ano.

(2) Alocação em empresas com valuation atrativo. Ibovespa apresentou queda de 11,93% em 2021.

(3) Sazonalidade positiva do agronegócio em abril.

(4) Situação complexa em países concorrentes do Brasil, como  Rússia (guerra) e China (Covid-19).

Outra questão importante que abre espaço para mudança de cenário e, por sua vez, pode favorecer a precificação de ações ligadas à economia doméstica foram as sinalizações feitas pelo Banco Central Brasileiro (BCB) em relação ao final do ciclo de alta da Selic. O presidente do BCB, Campos Neto, reforçou ao mercado que sua intenção é levar a Selic para 12,75%, e o que poderia mudar este cenário seriam os choques dos preços das commodities, principalmente do petróleo. Esta sinalização abre espaço para o mercado, em busca de novas oportunidades, fazer alocações em setores que possuem correlação inversa com a curva de juros.

ESTRATÉGIA: como estamos nos posicionado

(1) Empresas ligadas a commodities: diante do cenário de maior volatilidade e mais especulações em torno de empresas exportadoras, com a sinalização de uma possível resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, estamos diminuindo nossa exposição ao setor. Para carteiras com possibilidade de maior diversificação, reforço a importância de manter uma parcela de exposição, dada a instabilidade do cenário.

(2) Empresas ligadas à economia local: em março, foi confirmada a intenção do COPOM de encerrar o ciclo de alta da Selic em 12,75%, abrindo espaço para a valorização dos setores que possuem correlação inversa com a taxa. Iremos aumentar, de maneira gradativa, a exposição de nossas carteiras aos setores elétrico, de construção civil, de varejo e de small caps. Para aquele investidor com perfil conservador, sugerimos buscar por oportunidades dentro do varejo ou elétrico. Já para o investidor mais agressivo, a construção civil e as small caps podem ofertar boas oportunidades. Ainda estamos atentos aos efeitos das eleições e da situação fiscal, para aumentarmos ainda mais nossa exposição em ações domésticas. Buscaremos ser reativos a qualquer sinal de piora e que possa impactar o setor.

Importante: nosso aumento de exposição ainda busca empresas com baixa volatilidade e que sejam referência dentro do setor de atuação.

(3) O dólar ante o real: com a forte apreciação do real ante o dólar em 2022, acreditamos que existe espaço para uma exposição à moeda em carteiras que permitam diversificação reduzida (abaixo de 10%). O fluxo ainda segue muito forte para o Brasil, e isso ainda tende a favorecer o real. Por razões técnicas, existe uma assimetria negativa sobre o real, o que abre espaço para a apreciação do dólar, mas ainda sem capacidade de mudar a tendência de curto e médio prazo. Recomendamos ao investidor com pouca ou nenhuma exposição ao dólar que potencialize ou inicie esse processo. Por outro lado, para quem já possui, a recomendação é manter os atuais níveis.

(4) ETFs e BDRs: para a carteira de ETF, seguimos com a alocação do mês anterior, com maior exposição em ações brasileiras. O ouro segue como nosso “porto-seguro”, e a China permanece pela atratividade dos preços. Houve manutenção das nossas recomendações em BDRs, na expectativa de algum repique, após forte movimento de baixa. Ainda estamos cautelosos em relação às ações americanas, aguardando a decisão do Fed prevista para este mês.

Sobre as nossas carteiras…

Estamos com portfólios onde os betas estão próximos de 1, assim, mantendo uma correlação próxima aos índices de referência e buscando diferencias de retorno através das teses micro de cada uma das empresas escolhidas. Carteiras com maior pode diversificação apresentam betas maiores do que as de menor diversificação.

Ainda estamos com maior concentração em empresas de maior capitalização (Large e Midcaps) diante do cenário ainda volátil e da forte movimentação positiva vista no mês de março. Diminuímos nossa exposição em ações ligadas à commodities, principalmente em carteiras mais concentradas, dando espaço para maior exposição ao setor financeiro e elétrico.

Ainda estamos evitando exposições em ações ligadas ao setor industrial por conta dos problemas ligados às cadeias produtivas globais e cenário inflacionário. Ainda somos cautelosos com empresas que apresentam uma correlação inversa a taxa de juros de longo prazo, onde dentro das escolhas estamos buscando por empresas de qualidade e de menor volatilidade, pois acreditamos que quadro fiscal brasileiro ainda pode gerar ruídos e estaremos atentos.

Graficamente, nossas posições seguem com IFR-14 próximos da região de 70 pontos, o que pode contribuir para uma assimetria negativa de preços no curto prazo para as primeiras semanas de abril.

Carteira Ibovespa 10+

A carteira Ibovespa 10+ apresentou uma alta de 7,10% no mês de março. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho positivo de 6,06%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 15,51% contra uma alta de 14,48% do Ibovespa. Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aliansce Sonae (ALSO3), 3R Petroleum (RRRP3), Boa Safra (SOJA3) e Suzano (SUZB3). Com Inclusão das ações da Alpargatas (ALPA4), Klabin (KLBN11), Petro Rio (PRIO3) e Santander (SANB11).

A Carteira Ibovespa 10+ tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 3 milhões fazem parte do universo de escolhas.

Carteira Ibovespa 5+

A carteira Ibovespa 5+ apresentou uma alta de 10,27% no mês de março. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho positivo de 6,06%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -1,39% contra uma alta de 14,48% do Ibovespa. Em relação ao mês de março, saíram as ações da Randon (RAPT4) e Santander (SANB11). Com Inclusão das ações da Itaú Unibanco (ITUB4) e Klabin (KLBN11).

A Carteira Ibovespa 5+ é divulgada mensamente no jornal Valor Econômico, e tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 5 milhões fazem parte do universo de escolhas.

Carteira Small Caps 8+

A carteira Small Caps 8+ apresentou uma alta de 7,76% no mês de março. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho positivo de 8,81%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 6,03% contra uma alta de 6,69%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Copasa (CSMG3), Fleury (FLRY3) e Soma (SOMA3). Com Inclusão das ações da Banco Pan (BPAN4), Ferbasa (FESA4) e Multilaser (MLAS3).

A Carteira Small Caps 8+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas cujo valor de mercado está entre R$ 2 bilhões até R$ 20 bilhões e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolha.

Carteira Micro Caps 5+

A carteira Micro Caps 5+ apresentou uma alta de 12,83% no mês de março. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho positivo de 8,81%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -8,04% contra uma alta de 6,69%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Espaço Laser (ESPA3) e C&A (CEAB3). Com Inclusão das ações da D1000 (DMVF3) e Wiz Seguros (WIZS3).

A Carteira Micro Caps 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas cujo valor de mercado é de até R$ 2 bilhões e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 500 mil fazem parte do universo de escolha.

Carteira Dividendos 5+

A carteira Dividendos 5+ apresentou uma alta de 9,21% no mês de março. No mesmo período, o Índice Dividendos (IDIV) obteve um desempenho positivo de 10,00%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 20,15% contra uma alta de 15,48%, no mesmo período, do Índice Dividendos (IDIV). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Aura Minerals (AURA33), Minerva (BEEF3) e Unipar (UNIP6). Com Inclusão das ações da BB Seguridade (BBSE3), Copel (CPLE6) e Itaú Unibanco (ITUB4).

A Carteira Dividendos 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Dividendos no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 3 milhões fazem parte do universo de seleção. Para escolha dos ativos, é priorizado a alocação em empresas com histórico de pagamento de dividendos superiores à média do mercado.

Carteira ETF MACRO

Para o mês de abril de 2022, recomendamos compra de It Now IFNC (FIND11),  IT Now IDIV (Dividendos) (MATB11), Ishares Ibovespa (BOVA11), China (XINA11), Ouro (GOLD11), com alocação de 20% para cada ativo. No mês de março de 2022, a Carteira de ETF MACRO recuou -2,51% contra o Ibovespa que apresentou alta de 6,06% no mesmo período.

A Carteira ETF MACRO tem por objetivo superar o desempenho do Ibovespa no longo prazo. Mensalmente, recomendaremos até 5 ETFs, todos com o mesmo peso na carteira. Essa estratégia permite ao investidor se expor em diversos ativos globais, permitindo uma diversificação geográfica em dólar.

Exchange Traded Fund (ETF), é um fundo negociado em Bolsa que representa uma comunhão de recursos destinados à aplicação em uma carteira de ações que busca retornos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, de um índice de referência. (Fonte: B3)

ESG 5+

A carteira ESG 5+ apresentou uma alta de 6,18% no mês de março. No mesmo período, o Ibovespa (IBOV) obteve um desempenho positivo de 6,06%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 4,76% contra uma alta de 14,48%, no mesmo período, do Ibovespa (IBOV). Em relação ao mês de março, saíram as ações da Arezzo (ARZZ3), Fleury (FLRY3) e Suzano (SUZB3). Com Inclusão das ações da Klabin (KLBN11), Magazine Luiza (MGLU3) e RaiaDrogasil (RADL3).

BDR 5+

A carteira BDR 5+ apresentou uma baixa de -6,48% no mês de março. No mesmo período, o Índice de BDRs (BDRX) obteve um desempenho negativo de -3,98%. No ano de 2022 a carteira apresenta rentabilidade baixa de -34,19% contra uma baixa de -19,32%, no mesmo período, do Índice de BDRs (BDRx). Em relação ao mês de março, saíram as ações da JP Morgan (JPMC34) e Taiwan Semiconductor (TSMC34). Com Inclusão das ações da Walt Disney (DISB34) e Johnson & Johnson (JNJB34).

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