Publicado em 01 de Maio às 01:00:00
Acompanhe o conteúdo e veja as melhores ações para investir em maio de 2026
Abril foi um mês de duas histórias para o mercado brasileiro. Na primeira metade, o Brasil consolidou sua condição de destino preferencial dentro do universo emergente, com o Ibovespa avançando para próximo das suas máximas históricas, fluxo estrangeiro acumulado em patamares raramente vistos e o real testando os níveis mais valorizados do ano. O cessar-fogo precário entre Estados Unidos e Irã, anunciado na segunda semana, abriu uma janela ampla de descompressão dos prêmios de risco globais e impulsionou um rali sincronizado entre ativos de risco. Na segunda metade, contudo, a deterioração geopolítica voltou a impor disciplina. O preço do petróleo retomou a trajetória altista, com o Brent escalando para níveis acima dos US$ 120 por barril nos pregões finais, e o capital estrangeiro inverteu o fluxo de forma consistente nas últimas semanas, configurando uma realização parcial dos ativos brasileiros. Nesse pano de fundo, o Comitê de Política Monetária deu sequência ao processo de calibração da Selic com novo corte de 25 pontos-base, levando a taxa para o patamar de 14,50%, mas adotou comunicação significativamente mais cautelosa, elevando suas próprias projeções de inflação e sinalizando que a continuidade do ciclo passa a depender da evolução do choque energético externo.
O segundo eixo estrutural do mês foi a inflexão política doméstica. A rejeição pelo Senado da indicação do Advogado-Geral da União ao Supremo Tribunal Federal, primeira derrota desse tipo a um presidente da República em mais de cento e trinta anos, evidenciou um enfraquecimento expressivo da base de apoio do governo no momento em que o calendário eleitoral começa a ganhar protagonismo. Pesquisas divulgadas ao longo de abril passaram a mostrar o principal nome de oposição numericamente à frente em segundo turno, ainda que dentro da margem de erro, ao passo que uma terceira via à direita consolidou tração relevante. Para maio, o cenário aponta para um regime de risk-on frágil, em que a exuberância da primeira quinzena cede lugar a uma postura mais seletiva. Os três eixos a monitorar são: a evolução do conflito no entorno do Estreito de Ormuz e seu repasse aos preços de combustíveis, a comunicação do Banco Central sobre o ritmo dos próximos passos e a velocidade com que o mercado começa a precificar o risco e as opcionalidades do calendário eleitoral.
O Ibovespa é negociado a 9,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar inferior à média histórica de 10,5 vezes. Quando se excluem Petrobras e Vale do cálculo, o múltiplo sobe para 11,2 vezes, ainda assim abaixo da referência histórica de 12,0 vezes. Em ambos os recortes, o mercado brasileiro segue sendo precificado abaixo dos níveis considerados típicos para o índice.
Entre os segmentos, as empresas ligadas à economia doméstica apresentam um movimento na contramão dos demais: são negociadas a 10,5 vezes, ligeiramente acima da média histórica de 10,3 vezes. Já as exportadoras mostram o cenário oposto, com múltiplo de 8,8 vezes, bastante distante da referência histórica de 11,2 vezes.
O destaque permanece com as Small Caps, negociadas a 9,1 vezes o lucro projetado, patamar bem inferior à média histórica de 13,3 vezes. As Mid-Large Caps, por sua vez, operam a 9,2 vezes, também abaixo da referência histórica de 10,0 vezes. O quadro geral mostra uma bolsa que, com exceção das empresas voltadas ao mercado interno, segue sendo negociada abaixo dos múltiplos historicamente observados.
O eixo macroeconômico brasileiro de abril foi atravessado por uma tensão que merece atenção redobrada nos próximos meses. De um lado, o Banco Central deu sequência ao processo de calibração da política monetária, repetindo o corte de 25 pontos-base e levando a Selic ao patamar de 14,50%. A decisão foi unânime entre os diretores presentes, mas o comunicado trouxe três sinais relevantes. As projeções de inflação para o horizonte relevante foram elevadas, com o número para o final de 2026 saindo do patamar próximo da meta para um nível acima do teto de tolerância. O Comitê deixou de sinalizar explicitamente o rumo dos próximos passos, em postura de estrita dependência de dados. E o tom predominante reforçou a necessidade de cautela diante da incerteza sobre a duração e a profundidade do choque energético importado. Em paralelo, o Federal Reserve adotou postura ainda mais hawkish na mesma semana, com diretores votando contra qualquer viés de afrouxamento, o que estreita a janela para que o Brasil mantenha um diferencial de juro real expressivo sem custo adicional sobre o câmbio e o prêmio de risco soberano.
Do outro lado, os dados de atividade vieram surpreendentemente fortes. A criação líquida de empregos formais em março foi expressivamente acima do esperado, com melhora disseminada entre setores e indicação de que o mercado de trabalho segue apertado, com salários em alta e suporte à renda. O IBC-Br de fevereiro reforçou viés altista para o crescimento do primeiro trimestre, contrapondo-se à narrativa de desaceleração que vinha sendo construída desde fevereiro. Na frente inflacionária, o IPCA-15 de abril veio abaixo do esperado no número cheio, mas com composição menos favorável, já que a surpresa baixista concentrou-se na queda de passagens aéreas, enquanto núcleos e serviços subjacentes seguem pressionados. A combinação de atividade aquecida, núcleos rígidos e choque energético importado configura um pano de fundo desafiador para a continuidade do ciclo de cortes em ritmo confortável.
A frente fiscal seguiu o roteiro esperado de ano eleitoral. O resultado primário de março foi o pior da série histórica para o mês, ainda que parcialmente explicado por antecipação no pagamento de precatórios, e a dívida líquida atingiu novos picos em relação ao PIB. Em paralelo, o governo avançou com o lançamento da segunda fase do programa de renegociação de dívidas, com aporte relevante no fundo garantidor, teto de juros e prazo alongado, ao mesmo tempo em que a Petrobras sinalizou reajuste de combustíveis condicionado à aprovação de projeto de lei que libera receitas do petróleo para compensar desonerações. O efeito combinado é o de um pacote de estímulos relevante em momento em que a contribuição da expansão fiscal para a desancoragem das expectativas de inflação se torna mais visível e em que o mercado de juros local passou por uma das reprecificações mais intensas dos últimos anos.
A inflexão política do mês merece destaque por seu peso institucional. A rejeição pelo Senado da indicação do Advogado-Geral da União ao Supremo Tribunal Federal, com placar abaixo do quórum mínimo necessário, configurou-se como a primeira derrota desse tipo a um presidente da República desde o final do século dezenove. O episódio inaugurou uma fase de tensão aberta entre Executivo e Legislativo, com o presidente do Senado sinalizando que nova indicação só deverá ser pautada após o ciclo eleitoral e com governistas avaliando o impacto sobre a agenda legislativa do governo nos meses seguintes. Em paralelo, pesquisas divulgadas ao longo do mês mostraram o principal candidato de oposição numericamente à frente em segundo turno, dentro da margem de erro, ao passo que o ex-governador mineiro consolidou-se como terceira via competitiva, ganhando proeminência ao se posicionar como gestor em campanha mais agressiva. O conjunto eleva a opcionalidade política embutida nos ativos locais e deve se traduzir, ao longo dos próximos meses, em maior precificação tanto do risco fiscal de curto prazo quanto de cenários de alternância de poder no horizonte da eleição.
Os principais índices da bolsa brasileira estão sendo negociados em um nível técnico situado entre a média de 6 meses e o segundo desvio padrão. Isso significa que, embora o momento ainda não seja o mais favorável para compras, houve uma melhora relevante em comparação com o cenário recente.
Para quem avalia novas entradas, as Small Caps se destacam como a opção com melhor relação entre risco e retorno, já que seus preços estão muito próximos da média de 6 meses. Ainda assim, o cenário externo exige cautela, o que pede atenção redobrada antes de qualquer movimentação.
Para investidores com visão de longo prazo, a recomendação é de moderação: em caso de novos aportes, o ideal é reduzir o volume investido neste momento ou simplesmente manter a posição atual sem ampliações significativas.
A carteira recomendada chegou a abril ancorada em uma tese de resiliência paradoxal do Brasil em meio ao estresse global. O posicionamento construído ao longo do primeiro trimestre privilegiava a combinação de fluxo estrangeiro robusto, valuations comprimidos do Ibovespa em relação à média histórica de longo prazo e início do ciclo de cortes da Selic como suporte para uma assimetria favorável em renda variável local. A ênfase recaía em small caps e exportadoras, segmentos que apresentavam o maior desconto da bolsa, com small caps em níveis raramente vistos desde o período mais agudo da pandemia. A exposição a Petrobras seguia intacta, sustentada pela combinação de retorno ao acionista superior aos pares latino-americanos, disciplina de capital e benefício direto do petróleo em patamar elevado, com a tese mantendo saúde elevada dentro do conjunto de teses ativas da casa. Setores como elétrico e saneamento permaneciam destacados como melhores desempenhos relativos do ano, beneficiados pela busca por previsibilidade em ambiente de volatilidade.
O que abril revelou foi uma história em dois atos. A primeira metade validou amplamente a tese: o Ibovespa avançou para próximo das máximas históricas, o real testou os patamares mais valorizados do ano, o fluxo estrangeiro acumulado superou níveis historicamente expressivos e o Banco Central deu sequência ao corte da Selic. A segunda metade impôs disciplina. O retorno do petróleo a patamares acima de cento e vinte dólares por barril nos pregões finais, a mudança de tom do Banco Central, com elevação das próprias projeções de inflação e remoção de qualquer sinalização explícita sobre os próximos passos, e a inversão consistente do fluxo estrangeiro nas últimas duas semanas configuraram uma realização parcial dos ativos brasileiros, com saída do investidor não residente em vários pregões consecutivos. A leitura predominante é de que estamos diante de uma acomodação técnica após movimento expressivo, e não de uma reversão estrutural, mas a margem para complacência se reduziu de forma significativa. A surpresa positiva do mês foi a magnitude do rali nas primeiras duas semanas, que levou diversos índices a tocar máximas relevantes; a surpresa negativa foi a velocidade da reversão ao final, motivada pela combinação de saída de capital estrangeiro, reprecificação intensa da curva de juros doméstica e ruído eleitoral acelerado pela derrota do Executivo no Senado.
Para maio, o posicionamento avança em direção a uma postura mais seletiva, sem rupturas estruturais. A exposição ao mercado doméstico é mantida, com preferência pelos segmentos de elétrico e saneamento, que seguem como melhores desempenhos relativos do ano, e por exportadoras com perfil de geração de caixa robusto, beneficiárias da combinação de petróleo elevado, dólar em patamar competitivo e agenda de comércio externo diversificada, incluindo a entrada em vigor provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A exposição a small caps permanece como principal vetor de assimetria diante do desconto histórico em relação à média de longo prazo, mas o tamanho dessa exposição passa a exigir maior atenção ao timing, especialmente em janelas de stress geopolítico ou eleitoral. A renda fixa mantém ênfase em pós-fixados, ainda atrativos pelo patamar elevado da Selic, com peso secundário em prefixados curtos para quem acredita na continuidade do ciclo de cortes ao longo do segundo semestre, e em títulos indexados à inflação de prazo mais longo, com juros reais ainda historicamente elevados e abertura recente de spreads em papéis incentivados que pode oferecer pontos de entrada interessantes para investidores com horizonte de longo prazo. A leitura do quadro político-eleitoral, com a derrota institucional do governo e a aceleração da convergência das pesquisas, eleva a opcionalidade embutida na exposição doméstica e justifica a preservação de uma reserva relevante em caixa indexado ao CDI, garantindo flexibilidade para capturar oportunidades em janelas de volatilidade.
A carteira Ibovespa 10+ apresentou uma alta de 1,64% no mês de abril. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho negativo de -0,08%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 7,58% contra uma alta de 16,26% do Ibovespa. Em relação ao mês de abril, saíram as ações da BTG Pactual (BPAC11) e Copel (CPLE3). Com Inclusão das ações da JHSF (JHSF3) e Ultrapar (UGPA3).
A Carteira Ibovespa 10+ tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão e pertencentes ao IBRA (Índice Brasil Amplo) fazem parte do universo de escolhas.
A carteira Ibovespa 5+ apresentou uma alta de 3,12% no mês de abril. No mesmo período, o Ibovespa obteve um desempenho negativo de -0,08%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 16,04% contra uma alta de 16,26% do Ibovespa. Em relação ao mês de abril, não houve alteração da carteira.
A Carteira Ibovespa 5+ é divulgada mensamente no jornal Valor Econômico, e tem por objetivo superar a performance do Ibovespa no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 5 milhões e pertencentes ao Ibovespa fazem parte do universo de escolhas.
A carteira Small Caps 8+ apresentou uma baixa de -0,01% no mês de abril. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho negativo de -3,16%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 5,34% contra uma alta de 2,41%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de abril, saíram as ações da Banrisul (BRSR6), Metal Leve (LEVE3), Log CP (LOGG3) e Pague Menos (PGMN3). Com Inclusão das ações da Aliansce Sonae (ALOS3), JSL (JSLG3), Orizon (ORVR3) e Panvel (Dimed) (PNVL3).
A Carteira Small Caps 8+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações pertencentes ao Índice de Small Caps (SMAL) e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 3 milhões fazem parte do universo de escolha.
A carteira Micro Caps 5+ apresentou uma baixa de -4,10% no mês de abril. No mesmo período, o índice Small (SMLL) obteve um desempenho negativo de -3,16%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade negativa de -6,28% contra uma alta de 2,41%, no mesmo período, do índice Small (SMLL). Em relação ao mês de abril, saíram as ações da Recrusul (RCSL4). Com Inclusão das ações da Ser Educacional (SEER3).
A Carteira Micro Caps 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Small (SMLL) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas cujo valor de mercado é de até R$ 2 bilhões e com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 1 milhão fazem parte do universo de escolha.
A carteira Dividendos 5+ apresentou uma alta de 0,23% no mês de abril. No mesmo período, o Índice Dividendos (IDIV) obteve um desempenho negativo de -1,18%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 13,39% contra uma alta de 13,77%, no mesmo período, do Índice Dividendos (IDIV). Em relação ao mês de abril, saíram as ações da Petrobras PN (PETR4) e Vale (VALE3). Com Inclusão das ações da JHSF (JHSF3) e Petro Rio (PRIO3).
A Carteira Dividendos 5+ tem por objetivo superar a performance do Índice Dividendos (IDIV) no longo prazo, onde, por critério de escolha, apenas ações de empresas com volume financeiro médio nos últimos 3 meses, superiores à R$ 10 milhões e pertencentes ao Índice de Dividendos (IDIV) fazem parte do universo de seleção.
A carteira ESG 5+ apresentou uma alta de 3,93% no mês de abril. No mesmo período, o Índice de Sustentabilidade (ISE) obteve um desempenho negativo de -1,64%. No ano de 2026 a carteira apresenta rentabilidade positiva de 16,58% contra uma alta de 9,44%, no mesmo período, do Índice de Sustentabilidade (ISE). Em relação ao mês de abril, não houve alteração da carteira.