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Publicado em 28 de Maio às 17:19:11

CAGED (Abr/26): Surpresa baixista, mas sem mudança no diagnóstico de resiliência

Em abril, o CAGED registrou criação líquida de 85,9 mil postos de trabalho formais, resultado consideravelmente abaixo do piso das projeções do mercado (130 mil, Broadcast +) e abaixo da nossa projeção de 177,8 mil. Assim, o primeiro quadrimestre do ano se encerra com criação líquida de 681,8 mil postos de trabalho, mais que revertendo a forte surpresa negativa observada em dez/25 (-618,2 mil). Apesar de um resultado mais fraco do que o esperado, a leitura ainda sustenta a visão de um mercado de trabalho apertado e é consistente com a hipótese de que o processo de moderação deve ocorrer de maneira bastante gradual em 2026.

Em abril, três dos cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (69,0 mil); com destaque para Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (29,0 mil) e Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (17,0 mil); Construção (23,5 mil); Indústria (9,3 mil). A ponta negativa ficou por conta do setor de Comércio (-8,1 mil) e Agropecuária (-8,4 mil).

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,27 milhões e o desligamento de 2,18 milhões de trabalhadores. Na série com ajustes, houve criação de 1,6 milhão de postos de trabalho no acumulado em 12 meses, ficando acima do 1,21 milhão acumulado em 12 meses até mar/26. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho deve se manter resiliente ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual.

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,81% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.386,56 em abr/26, ante R$ 2.344,35 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 1,25% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.481,24 em abr/26, ante R$ 2.450,69 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão – indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho – recuou 0,9 p.p entre março e abril, para 95,9% menor patamar observado desde dez/25. Apesar da queda na margem, o indicador ainda se encontra em nível compatível com a expectativa de resiliência do mercado de trabalho ao longo do ano.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – recuou 0,8 p.p., também inflexionando em relação ao movimento observado no primeiro trimestre do ano, para 36,9%. O resultado sinaliza algum arrefecimento na margem, com retorno ao patamar observado em fev/26. Nesse sentido, avaliamos que os dados de abril reforçam o diagnóstico de resiliência do mercado de trabalho neste início de ano. Com isso, mantemos nossa projeção de criação líquida de 1,05 milhão de postos formais em 2026, em linha com um processo de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho ao longo do período.

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