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Publicado em 31 de Março às 18:59:20

CAGED (Fev/26): saldo de emprego se mantém robusto, com sinais de arrefecimento na margem

Em fevereiro, o CAGED registrou criação líquida de 255,3 mil postos de trabalho formais, resultado ligeiramente abaixo da expectativa do mercado (269,0 mil, Broadcast+), mas acima da nossa projeção de 238,8 mil. Apesar de o número ter ficado marginalmente aquém do consenso, os dados seguem apontando para um início de ano robusto no mercado de trabalho, revertendo a forte surpresa negativa observada em dez/25 (-618,2 mil). Em nossa avaliação, o resultado reforça o cenário de resiliência da ocupação e é consistente com a hipótese de que o processo de moderação do mercado de trabalho deve ocorrer de forma gradual ao longo de 2026. Na série com ajuste sazonal, o saldo mostrou arrefecimento saindo de 114,3 mil em jan/26 para 76,7 mil em fev/26, reforçando o cenário de arrefecimento gradual.

Em fevereiro, todos os cinco grandes grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (+177,95 mil postos), com destaque para Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+79,79 mil) e Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+48,13 mil); Indústria geral (+32,03 mil); Construção (+31,10 mil); Agropecuária (+8,12 mil); e Comércio (6,13 mil) postos de trabalho formais.

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,38 milhões e do desligamento de 2,13 milhões de trabalhadores. Na série com ajustes, houve criação líquida de 1,05 mi de postos de trabalho no acumulado em 12 meses, ficando abaixo do 1,20 mi no acumulado até dez/25. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho deve se manter resiliente ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual.

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 2,8% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.346,97 em fev/26, ante R$ 2.284,03 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 2,9% a/a, ficando em R$ 2.449,07, ante R$ 2.380,18 no mesmo período de 2025. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão – indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho – avançou 0,1 p.p. entre janeiro e fevereiro, para 96,7%, o maior patamar desde mar/25, dando continuidade ao movimento observado no mês passado, dando suporte à expectativa de resiliência do mercado de trabalho ao longo do ano.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – avançou 1,0 p.p., dando continuidade à alta observada na leitura de janeiro, ficando no patamar de 35,4% e sinaliza uma recuperação desse indicador que vinha sofrendo com quedas no final do ano passado. Nesse sentido, avaliamos que os dados de fevereiro reforçam o diagnóstico de resiliência do mercado de trabalho neste início de ano. Com isso, mantemos nossa projeção de criação líquida de 987,9 mil postos formais em 2026, compatível com um processo de arrefecimento gradual do mercado de trabalho ao longo do período.

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