Em dezembro, o CAGED registrou criação líquida de 112,3 mil postos de trabalhos formais, resultado este que veio melhor do que o esperado tanto pelo mercado (92,0 mil, Broadcast+) quanto da nossa expectativa para o mês de criação de 95,0 mil vagas. O número representa uma melhora na margem, após a grande surpresa negativa observada em dez/25 (-629,8 mil), sugerindo que o processo de moderação do mercado de trabalho segue ocorrendo de maneira gradual. Na série com ajuste sazonal, o saldo mostrou recuperação saindo de -58,0 mil em dez/25 para 113,4 mil em jan/26, sendo este o maior patamar registrado desde jun/25 (116,7 mil), reforçando a percepção de melhora do mercado de trabalho quando comparado ao final do ano passado.
Em janeiro, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta da indústria (55,0 mil); construção (50,5 mil); e serviços (40,5 mil), refletindo principalmente serviços de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativos (38,4 mil). A agropecuária também registrou expansão de postos de trabalho com a criação de 23,1 mil vagas no período. O único recuo no mês ficou por conta do comércio com o fechamento de 56,8 mil vagas de trabalho formais.
O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,21 milhões e do desligamento de 2,10 milhões de trabalhadores. Na série com ajustes, houve criação líquida de 1,20 mi de postos de trabalho no acumulado em 12 meses, ficando ligeiramente abaixo do 1,25 mi no acumulado até dez/25. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho deve se manter resiliente ao longo de 2026.
Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,8% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.389,50 em jan/26, ante R$ 2.348,21 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 2,3% a/a, ficando em R$ 2.417,50, ante R$ 2.367,47 no mesmo período de 2025. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de demissão e de admissão – indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho – avançou 0,8 p.p. entre dezembro e janeiro, para 96,6%, o maior patamar desde mar/25, revertendo a estabilidade observada nos dois meses imediatamente anteriores, corroborando a avaliação de uma melhora do mercado de trabalho em relação ao final do ano passado. Ainda assim, avaliamos que o resultado pontual do mês de janeiro é insuficiente para sugerir uma retomada mais significativa do mercado de trabalho em 2026, confirmando apenas que o processo de arrefecimento de fato ocorre de maneira bastante gradual.
Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário avançou 0,7 p.p., interrompendo uma sequência de duas quedas consecutivas, ficando no patamar de 34,4% e sinaliza uma estabilização do movimento de enfraquecimento do mercado de trabalho que segue operando com bastante dinamismo. Dessa forma, entendemos que os números de janeiro corroboram a nossa avaliação feita no final do ano passado que os dados mais fracos de novembro e dezembro não eram suficientes para caracterizar uma inflexão mais relevante do mercado de trabalho. Com esse resultado, mantemos a nossa expectativa de que o saldo líquido de postos de trabalho formal será de 987,9 mil em 2026, dando suporte à nossa expectativa de arrefecimento gradual do mercado de trabalho formal.







